• Sonuç bulunamadı

Quero, em prim eiro lugar, concordar inteiram ente com as colocações feit as pelo professor José Eduardo a respeito de ser o Poder Público o grande alim ent ador das dem andas j udiciais e, portanto, o m aior responsável pela m orosidade da Justiça. No

ent anto, o problem a não pode ser visto apenas sob esse aspecto. É m ais grave ainda. Não se trata apenas de o Poder Público não t er m at erialm ent e razão e m esm o assim não adm it ir. Processualm ent e, podem os dizer que m uitas vezes o Poder Público pode ser considerado um lit igant e de m á fé, ut ilizando- se de m ecanism os e art ifícios destinados a protelar os m ovim ent os do processo, para com isso o pagam ent o ficar para ser feit o pelo próxim o governante. A propósit o disso, um órgão público federal chegou a interpor um recurso especial contra um a decisão dada pelo STF com o recurso extraordinário, sob o argum ento de que tal decisão violará a lei federal, e, portant o, o único com pet ent e para exam inar o acórdão era o STJ. I sso é pura m á fé, por part e de um órgão que conceitualm ente deveria zelar pelo interesse público.

Por isso m esm o digo que nem o Executivo nem o Legislat ivo têm m aior int eresse em resolver o problem a da m orosidade do Judiciário.

Quanto a um a m ais efet iva participação dos j uízes na condução dos processos, devo dizer que a grande resistência parte nesse caso dos advogados e da OAB, que querem , por exem plo, dispor da produção de provas segundo as conveniências da est ratégia traçada para o caso, com o se os int eresses envolvidos em um processo dissessem respeit o exclusivam ent e às part es.

Tocando em outro assunto trat ado aqui, devo dizer que sou favorável à dist ribuição im ediata dos processos em segundo grau, desde que, é claro, ofereçam - m e as condições, a est rut ura para suport ar t rês m il processos em m eu gabinete, onde t rabalha um a funcionária, e avaliar as responsabilidades. É preciso ver porque eu tenho três m il processos com igo, quando, na m édia, cada j uiz trabalha com um a quantidade pouco superior a um m il.

Pla t é ia

Cum prim ent o a Escola de Direit o e o j ornal Valor pela im port ância e cont eúdo desse debate. E ao professor Werneck gostaria de, além de reconhecer a im portância de seu trabalho, relatar experiência que vivem os na Procuradoria- Geral do Estado. Em 1986, logo após a proposit ura da Com issão Afonso Arinos, a Procuradoria nom eou 40 procuradores para fazer um t rabalho obj et ivo sobre as conclusões a que aquela

chegou. Saiu um a nova Const it uição. O único capít ulo que ficou em branco era o relativo ao Poder Judiciário. A bibliografia era quase nenhum a. Tudo isso revela o estágio de conhecim ento da realidade do Poder Judiciário, com o os Const it uint es revelaram da realidade brasileira.

Essa m inha post ura vem m uit o da visão polít ica acerca da reform a. O t ext o aqui analisado e os palestrantes m ost raram que não podem os ignorar os vetores econôm icos de um a sociedade fragm ent ada. E eu digo que t am bém não podem os ignorar que a econom ia brasileira é m onit orada por um órgão int ernacional, o FMI . E não podem os deixar de ver que o dinheiro que poderá faltar à reform a do Poder Judiciário est á na m esm a vert ent e da queda da prest ação de t odos os serviços públicos, para que haj a um superávit prim ário e para que o serviço da dívida pública sej a pago. Sendo assim , caberia pergunt ar, fazendo coro com que vozes e consciências nacionais reclam am , se não seria o caso de colocar a reform a do Judiciário dent ro de um proj eto nacional.

Sobre a “ lei da m ordaça” , acho im portante essa discussão porque acaba de um a vez desprestigiando as sent enças do Poder Judiciário. Ninguém quer am ordaçar a im prensa, apenas se est á advogando um com portam ento de discrição funcional. Quer- se apenas evit ar que um m em bro do Minist ério Público possa revogar o princípio da presunção da inocência e j á condenar um a pessoa que poderá m ais tarde ser absolvida. Lem brando que a eficácia da sent ença do j uiz costum a ser m enor do que o espalhafato da denúncia por suspeição de um réu. A respeit o do foro privilegiado, eu o defendo, não só porque devem os rest abelecer o ritual republicano de respeito a quem ocupa ou ocupou um cargo de destaque, m as tam bém porque, sendo a política um a at ividade que despert a sent im ent os fort es, é possível que um a ex- aut oridade venha a ser alvo de at os de vingança. E, afinal, um brasileiro, qualquer que venha a ser ele, que tenha sido eleito para o cargo m aior do País, não pode m esm o ter o m esm o tratam ento dos dem ais 180 m ilhões.

D r . Lu iz An t ôn io M a r r e y Filh o – Procurador- Geral de Just iça do Est ado de

São Paulo

Acho que a m ordaça e a prerrogativa de foro privilegiado em m at éria de lei de im probidade são m ecanism os de cont enção em favor de elit es que se sent em incom odadas com m ecanism os de fiscalização inexist ent es nos 500 anos ant eriores da hist ória do Brasil. Abusos podem ocorrer, com o em qualquer at ividade hum ana, m as, nesses casos, devem ser convocados os órgãos de apreciação desses abusos. Devo dizer que quase nenhum dos polít icos que vieram queixar- se a m im das atitudes de prom otores do int erior repetiu essas m esm as queixas por escrit o. Prat icam ente nenhum deles form alizou sua reclam ação. Considero curioso, tam bém , que essa preocupação com a presunção da inocência só tenha surgido quando pessoas poderosas com eçaram a sent ir- se am eaçadas. Nunca houve essa preocupação em relação ao cidadão com um . E um ex- president e, afinal, m erece t odo o respeito e consideração, m as não pode continuar sendo tratado diferentem ente após t er se desligado do cargo.

Pr of. Ar y Osw a ldo M a t t os Filh o – Escola de Direit o de São Paulo

Pr of. Ar y Osw a ldo M a t t os Filh o – Escola de Direit o de São Paulo

Vam os ouvir agora a exposição do professor Arm ando Castelar Pinheiro, que vai falar sobre a inserção e os result ados econôm icos nas dificuldades que o Poder Judiciário e o cidadão brasileiro vêm encontrando no processo de distribuição de Just iça. Em seguida, terem os com o com ent adores o professor Elival e o professor Kazuo. Estava program ado para vir o Senador Jefferson Peres, que, por problem as políticos com preensíveis, ficou preso em Brasília, e não poderem os cont ar com a presença dele. Então, terem os agora analisada um a segunda vertente da reform a, ficando para um segundo sem inário a t erceira vertent e, a da adm inistração da Just iça.

Tr a ba lh o a se r de ba t ido

PI NHEI RO, Arm ando Castelar ( Org.) . Judiciário e econom ia no Brasil. São

Benzer Belgeler