1.3. ÖRGÜTSEL ADALETİN BOYUTLARI
1.3.3. Etkileşim Adaleti
119 A relação das famílias das jovens entrevistadas com a leitura literária foi um dos aspectos abordados durante as entrevistas. Quando questionadas sobre a leitura dos membros de sua família, todas as quatro entrevistadas afirmaram que costumam ver os pais lendo, embora a frequência e o material lido varie para cada família. A mãe de Catarina, que é professora, tem o hábito, segundo a filha, de ler vários tipos de livros, mas, em especial, livros espíritas. Ela também acredita ter influenciado o pai, que de tanto vê-la lendo passou a ler mais. Quando indagada sobre o que o pai lê, Catarina nos contou que ele prefere ler livros de psicologia e de autoajuda.
Maria Carolina nos contou que, como sua mãe é professora de português, esta tem o hábito de ler livros de literatura. Em conversa rápida e informal com a mãe, foi possível perceber que ela procura incentivar a leitura dos filhos. Ela tem o hábito de comprar livros, pois gosta de tê-los em casa e também já leu a série Harry Potter junto com sua filha, trocando impressões e contribuindo para a formação literária de Maria Carolina. Quando questionada sobre os hábitos de leitura de seu pai, a entrevistada afirmou que ele costuma ler livros específicos da sua área de trabalho e, portanto, prefere livros relacionados à disciplina de História. Ela disse que raramente vê o pai lendo algum outro material que não tenha relação com a disciplina que ele leciona. Ela chega a afirmar, inclusive, que ele é desanimado para a leitura de outros gêneros de livros.
A entrevistada Rafaela disse que seus pais são ávidos leitores, mas não soube precisar que gêneros literários eles costumam ler. Ela mencionou que seus pais gostam de ler autores nacionais e que, no momento, sua mãe estava lendo um livro de um autor internacional, que ela acreditava ser A sombra do vento.
Emma credita o seu envolvimento positivo com a literatura devido à influência de sua avó, que é bibliotecária. Ela afirmou que seu pai não gosta muito de ler e que, apesar de grande parte da família ser composta por professoras, foi sua avó quem despertou nela a vontade de ler livros. Apesar disso, ela se lembrou com carinho do livro Poliana Menina, que sua mãe costumava ler quando ela era criança. “Minha mãe sentava comigo e lia Poliana pra mim, e quando eu aprendi a ler, eu li Poliana Menina. Eu amo Poliana”.
As quatro participantes da entrevista afirmaram que já gostavam de ler e eram leitoras entusiasmadas antes de começarem a ler Harry Potter, fato que despertou nossa curiosidade no sentido de saber os caminhos que levaram essas jovens a terem o hábito da leitura entre uma de suas atividades favoritas. Tanto Catarina quanto Maria Carolina e Rafaela indicaram que sempre tiveram uma grande influência de seus pais na formação do hábito da leitura. Catarina e Maria Carolina são filhas de professoras, uma pedagoga e uma formada em Letras, e as suas mães tiveram um papel fundamental em sua trajetória de leitura.
Maria Carolina contou que sua mãe tinha o hábito de ler para ela e o irmão mais novo. Ela se recordava principalmente de uma coleção da Disney, dividida em quatro volumes, um para cada estação do ano, e que continha pequenas histórias.
Catarina também tem recordações das leituras realizadas por sua mãe, que costumava ler contos de fadas e literatura infantil, e acredita que ela foi uma forte influência no seu gosto pela leitura. Segundo a entrevistada, ela cresceu cercada de livros, pois a mãe estava sempre com um livro por perto e como ela ficava grande parte do tempo com a mãe, ficava folheando os livros para se distrair.
Rafaela também informou que acredita que a família tenha exercido uma grande influência no seu gosto pela leitura. Ela afirmou que todos na sua família leem muito, então, desde pequena, ela esteve em contato com livros:
“Eu sempre via eles lendo e acabou que me influenciou
bastante”. Rafaela relatou, em sua entrevista, que seu pai tinha o costume de ler histórias para ela e para o irmão na hora de dormir, e que ele tinha o hábito de inventar histórias para distrair as crianças. Outro detalhe interessante é que ele tinha o costume de contar histórias de mitologia para os filhos, o que despertou o interesse de Rafaela por esse tipo de narrativa. Nesse momento, ela compartilhou com a pesquisadora mais informações sobre as leituras do seu irmão mais novo. Segundo Rafaela, seu irmão também gosta de ler, mas, pela sua fala, podemos perceber que ela considera a leitura do irmão diferente da dela, por ele ler livros menos extensos, como o já citado Diário de um Banana.O relato dessas quatro pesquisadas nos apresenta parâmetros para a reflexão sobre o papel dos pais na formação literária dos filhos. Na maioria das situações, as entrevistadas têm, dentro de sua casa, pelo menos uma pessoa que se interessa pela leitura literária e que teve o cuidado de
121 tentar transmitir aos seus filhos os prazeres que a leitura pode proporcionar. A única leitora que apresentou um panorama diferente foi Emma, mas ela afirmou que sua avó teve um papel fundamental na sua formação enquanto leitora. Não se pode afirmar, entretanto, que apenas esse estímulo seja capaz de transformar crianças em leitores, pois nem sempre esse cuidado traz frutos. O irmão mais novo de Maria Carolina, por exemplo, apesar de gostar da história de Harry Potter, leu apenas o primeiro livro e assistiu aos filmes dos outros volumes da série, estando bem satisfeito com esse panorama. Apesar disso, ele está trilhando seu caminho de leitor com outros livros, como Diário de um Banana e Como treinar seu dragão. O que se pretende mostrar é que, sem esse estímulo da família, é muito mais difícil que as crianças consigam transformar a leitura em uma atividade prazerosa.