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et-TATBÎKU’N-NAHVÎ’DE FARKLI GÖRÜŞLER ARASINDA TERCĐH

I. BÖLÜM

10. et-TATBÎKU’N-NAHVÎ’DE YER ALAN GÖRÜŞLERĐN

10.5. et-TATBÎKU’N-NAHVÎ’DE FARKLI GÖRÜŞLER ARASINDA TERCĐH

Constatamos que as indicações dos amigos seguem a mesma tendência das demais. Parte dos nossos leitores possui pares na escola ou na biblioteca pública que gostam de ler e oferecem

sugestões de livros que são apreciadas, porém, não são todas as recomendações que lhes agradam. Outro segmento de leitores explicita que não possui ou tem poucos amigos leitores que façam indicações de livros.

Tabela 24: Opinião dos jovens em relação às indicações de leitura dos amigos76

Categorias Ocorrências

Aprova as indicações 13

Não têm ou têm poucos amigos que

façam indicações de leituras 9

Desaprovam as indicações 2

Jovens-leitores mais experientes 3

Total 27

Fonte: Elaborada pela autora.

As aprovações das indicações dos amigos estão relacionadas aos modos de interação entre os jovens:

163.Brian: Olha, os meus amigos mais próximos, eles até leem, mas não como eu.

Eu tenho colegas de sala que não gostam de ler muito, entendeu? É isso... (risos). Tipo assim, a gente troca coisas, indicações /.../ por exemplo, eu tenho uma amiga aqui no Centro Cultural, ela já me indicou alguns livros e eu li. Ela vai me emprestar um livro também (risos) (Leitor/BBA – 16 anos, entrevista, 2014). 164.Karina: Tenho bastante amigas minhas que adoram ler e a gente vai fazendo

essa rodinha de leitura, por exemplo, uma termina de ler e empresta pra outra e vai pegando a continuação.

P: Então geralmente o que elas te indicam você gosta? Karina: Sim (Leitora/BBA – 14 anos, entrevista, 2014).

165.Letícia: ...Ano passado, eu tava num colégio diferente /.../ Eu conversava mais

sobre literatura com os meus colegas, mas, atualmente, nem tanto assim /.../ Eu tinha amigos que a gente trocava e falava de livros que tava lendo e /.../ que queria

ler /.../ de autores que a gente tava gostando /.../ Eu tive bastante indicação desses

colegas /.../ E tem muito isso, você lê livro de um autor que você gosta, vai

procurando outros livros desse autor” (Leitora/BCS – 16 anos, entrevista, 2014).

Os depoimentos de nossos jovens revelam que essas indicações são aprovadas, porque envolvem a troca de ideias, o empréstimo e a conversa sobre os de livros: “... a gente trocava

e falava de livros que tava lendo... (Letícia/BCS – 16 anos), que se mostram como interações

dialógicas. Esses relatos também evidenciam que essas sugestões de leituras entre os pares acontecem tanto na escola, quanto na biblioteca pública.

Também verificamos que alguns jovens não têm ou têm poucos amigos que fazem indicações de leituras:

166.Daniel: Cada um tem aquele amigo que não gosta de ler /.../ A maioria dos meus amigos não gostam de ler, sabe? Porque só estão pensando em jogar futebol,

fazer essas coisas /.../ Não tem nenhum amigo que me indica. (Daniel – 13 anos, entrevista, 2014).

167.Alícia: Às vezes, algum indica um livro, mas não são muitos, porque eles têm

a vida muito corrida e não dá pra indicar. Mas eu vou mais pela biblioteca, sabe? Eu vou procurando na biblioteca /.../ eu começo a ler algum livro na biblioteca mesmo e se gosto eu levo.

O testemunho de Daniel sugere que a falta de indicações de leituras dos seus pares relaciona- se à preferência por outras práticas culturais: “... A maioria dos meus amigos não gostam de

ler /.../ estão pensando em jogar futebol, fazer essas coisas...”. Isto é, mais uma vez, como

visto em outros depoimentos, o discurso da não-leitura da juventude também é reiterado entre nossos leitores. Alícia atribui essa ausência de sugestões à correria do cotidiano, revelando a legitimação da biblioteca pública como instituição de acesso à leitura e de experimentação dos textos: “... eu vou mais pela biblioteca /.../ começo a ler algum livro /.../ e, se gosto, eu levo”.

Identificamos também duas leitoras que desaprovam as indicações dos amigos:

168.Marina: Ah, é um pouco mais complicado... Porque, eu tenho uma amiga (que) gosta de ler, mas tá começando (e) pegando esses mais populares, mais simples de ler. Mas em geral, os meus colegas, o pessoal lá da minha escola, não é

todo mundo, mas, na minha sala, eles não são muito de ler não. É mais com os professores, às vezes, com o meu irmão (Leitora/BVN – 13 anos, entrevista, 2014). 169.Ludmila: Minhas amigas é mais pra esses “Harry Potter”, esses negócios

assim. Como é que eu posso... Tipo esses de desenhos japoneses...

P: Mangá?

Ludmila: É. Elas gostam, mas eu não gosto muito não. P: Desses você não gosta?

Ludmila: Não, mas alguns eu já li (Leitora/BNE – 16 anos, entrevista, 2014).

Como mostram alguns fragmentos do relato de Marina, apresentados em outros momentos, mais uma vez, sua maior experiência como leitora contribui para o desapreço das indicações de seus pares: “...eu tenho uma amiga (que) gosta de ler, mas tá começando (e) pegando esses mais populares, mais simples de ler”. Além disso, recorrentemente, ela demonstra menosprezo por determinadas séries literárias como “Crepúsculo” e, de maneira geral, por

best-sellers. Tal como mostra o excerto anterior do relato de Daniel, esse segmento também

professores e do seu irmão como mediadores-referência: “...o pessoal lá da minha escola, não

é todo mundo /.../ eles não são muito de ler não. É mais com os professores, às vezes, com o

meu irmão”. O depoimento de Ludmila denota que a desaprovação em relação às indicações de seus pares relaciona-se ao fato delas estarem fora do seu repertório de preferências: “...minhas amigas é mais pra esses “Harry Potter” /.../ esses de desenhos japoneses /.../ eu

não gosto muito não “...”.

Esses depoimentos denotam que, se por um lado, as referências de leitura disseminadas pelas comunidades de leitores aproximam nossos leitores, por outro lado, a ampliação dos repertórios de leitura subjetivos vão singularizando os percursos leitores dessas jovens.

Encontramos, ainda, jovens que atuam como mediadores de leitura mais experientes, colaborando com os seus pares nas indicações de leitura:

170.Jussara: Eles me influenciam um pouco, mas eu que influencio mais eles a

ler.

P: Na verdade você é que dá a indicação, é isso? Jussara: É. (Leitora/BVN – 15 anos, entrevista, 2014).

171.Tatiana: ...o meu namorado, ele não gostava de livro, ele odiava ler /.../ Ele

acredita em alienígena e eu indiquei pra ele ler um livro e agora ele tá lendo o dia

todo, ele lê o tempo inteiro, vinte e quatro horas por dia. Dá até um pouco de raiva, porque, às vezes, a gente quer conversar e ele fala: “ah, desculpa porque eu tava lendo” /.../ Mas, eu acho que é legal você influenciar a pessoa a ler. Ele diz que só começou a ler por minha causa... (Leitora/BNE – 16 anos, entrevista, 2014).

172.Henrique: Às vezes /.../ por exemplo, na escola, quando a gente tem aula de

biblioteca, parece que eu que sou o bibliotecário que todo mundo me pergunta

alguma coisa e a pessoa fala: “Ah, eu gosto de romance”. Então, eu já sei ir na

prateleira, busco o que eu acho legal e entrego a ela, e a pessoa sempre gosta.

Então eu penso: “Nossa, que legal!” (risos) (Leitor/BNE – 16 anos, entrevista,

2014).

Os depoimentos de Jussara: “...eu que influencio mais eles a ler...” e Tatiana: “...o meu

namorado, ele não gostava de livro /.../ eu indiquei pra ele ler um livro /.../ Ele diz que só começou a ler por minha causa...”, evidenciam que essas mediações incentivam à prática

leitora de seus pares. Em particular, o depoimento de Tatiana mostra sua percepção em relação aos interesses de seu namorado, provavelmente, com o intuito de acertar na indicação, porque, desde sua alfabetização, ela demonstra que o gosto pela leitura é um valor a ser cultivado.

No caso de Henrique, sua condição de leitor mais experiente cria uma relação dialógica, pois, para fazer a sugestão, ele escuta a preferência de seus pares e volta-se para o seu repertório: “...Ah, eu gosto de romance” (colega de Henrique) /.../ busco o que eu acho legal e entrego a ela...”. Esse evento social compreende tanto a subjetividade de Henrique, quanto de sua colega.

Esse cenário remete-nos à ideia de que a biblioteca pública pode oferecer uma forma original de interação com o outro, baseada na confiança mútua, no exercício da autonomia, liberdade e participação, ampliando os modos de socialização juvenis. Ou seja, um espaço que contribui para o estabelecimento de formas peculiares e significativas de convivência, baseadas no “desejo de conhecer, informar-se, distrair-se e encontrar-se” (PATTE, 2012, p. 228).

A próxima seção dedica-se à discussão em torno da percepção dos jovens quanto às práticas de leituras literárias.

Benzer Belgeler