5. ESNEK METRK UZAYLAR
5.3 Esnek Metrik Uzaylarn Esnek Topolojik Analizi
5.4.1 Esnek Süreklilik
Rio Claro foi fundado em 10 de Junho de 1827 tornando-se município em 1845. Por ter São João Batista como padroeiro comemora seu aniversário todo dia 24 de Junho (GARCIA, 2001). Com suas terras distribuídas em 499,9 Km2, a cidade encontra-se a cerca de 180 km da capital do Estado e 340 km do porto de Santos.
O povoamento do município que está localizado no oeste paulista tem início entre fins do século XVII e meados do século XVIII, quando surge no Brasil à figura dos tropeiros, um tipo de comerciante que viajava a Minas Gerais para vender alimentos e produtos básicos aos mineradores.
Costumeiramente esses viajantes tinham o curso dos rios como caminho a seguir, para que pudessem ter água para a tropa e seus animais por todo o percurso. Como caminho ou passagem, um pequeno aglomerado de pessoas formou-se as margens do Córrego da Servidão pequenos núcleos de povoamentos, destinados a amparar transportes e comunicações, vindas ou com o destino a Minas, que passavam por ali (DINIZ, 1973, p.7). Com a intensificação do povoamento, além da criação de gado a cultura agrícola se instala de maneira crescente, acompanhando o desenvolvimento da região, que tem no século XVIII a cana de açúcar como seu principal produto, permanecendo como maior fonte de recursos até a primeira metade do século XIX, quando a cultura do café começa a substituir as plantações canavieiras.
Com o tempo, na zona de São João Batista da Beira do Ribeirão Claro, primeiro nome dado ao Município de Rio Claro, (GARCIA, 2001), pouco a pouco as exportações de café superam as de cana de açúcar. Esse produto
instala-se como cultura dominante, trazendo consigo maior progresso econômico e considerável aumento da população de Rio Claro, pois a implantação da lavoura do café fragmentou os latifúndios canavieiros no Brasil. Este fato proporcionou a criação de um grande número de propriedades, e essas necessitando cada vez mais de mão de obra, o que foi agravada com o final da escravidão (DEAN, 1977).
O desenvolvimento da agricultura cafeeira, trazendo, assim, maior progresso econômico e considerável aumento da população, provocou uma série de modificações no Município de Rio Claro. (DINIZ, 1973, p. 15).
A solução para suprir essa carência de mão de obra foi encontrada no crescente processo de imigração, característica da expansão do café no Brasil (DINIZ, 1973), pois esse era uma promessa de melhora financeira. Assim, muitos se aventuraram em longas viagens pelo oceano, e ao sair de seu país de origem, inevitavelmente, trouxeram consigo a sua cultura.
A grande imigração cafeicultora dos anos 80 e 90 do século passado trouxe para Rio Claro sucessivos contingentes de imigrantes. Estes eram italianos em sua maioria, mas havia também espanhóis e portugueses. (BILAC, 1978, p.35).
A cidade foi uma das pioneiras na contratação de imigrantes para o trabalho nas lavouras, e a forte presença da imigração marcou o Município de Rio Claro em toda sua história de construção social (GARCIA, 2001). O município foi tomado por diferentes pessoas, encontrando-se diversas maneiras de se vestir, orar, alimentar, entre outros costumes presentes em cada grupo de imigrantes. Estes que no início chegaram à cidade para serem lavradores, aos poucos, com o desenvolvimento econômico de Rio Claro, vão se tornando parte da classe burguesa.
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O desenvolvimento financeiro do imigrante é marcado por sua passagem de trabalhador para proprietário de, inicialmente, pequenas lavouras de café que com o passar dos anos vão crescendo. Seus descendentes começam a migrar para a zona urbana e tornam-se proprietários de empresas, comércios e institutos de ensino.
Após 1850 cada vez mais imigrantes vão chegando à região de Rio Claro, período que também foi marcado pelos problemas com o escoamento da produção das inúmeras, e crescentes, lavouras de café. Nesse período o produto percorria um longo caminho até o porto de Santos para a exportação. As estradas que levavam até o porto eram em partes de terra batida e em outras partes eram trilhas abertas na mata, como aponta em seu trabalho Diniz (1973).
O transporte era um constante problema para os produtores devido os grandes custos, pois o café percorria todo o caminho com suas sacas amarradas no lobo de mulas, passando pelas estradas precárias, o que ocasionava grande perda da produção pelo caminho, pois o café demorava entre 10 e 15 dias para ir de Rio Claro ao porto de Santos (SANTOS, 2002). Um outro problema encontrado era o alto custo de locação das frotas de animais, pois poucas fazendas possuíam suas próprias mulas.
Quanto mais se interiorizava a produção, isto é, quanto mais se expandia à fronteira agrícola do café, os custos elevados se constituíam num freio natural ao processo de acumulação. A superação desse obstáculo se daria através da implantação de um sistema ferroviário. (GARCIA, 1992, p. 15)
Era evidente que um novo sistema de transporte tivesse de ser viabilizado para evitar tantas perdas de produção para evitar os altos preços das sacas de café, o que reduzia em grande escala os lucros dos produtores.
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Para esse problema a ferrovia apresentava-se como resposta para o escoamento da produção cafeeira. O governo da província também demonstrava preocupação com as precárias condições de transporte do café na região oeste do Estado, o que representava um entrave para seu desenvolvimento.
A implantação de um sistema ferroviário se fazia necessário para que se tornasse a produção economicamente vantajosa. Nesse contexto, a ferrovia apresentava-se como a única resposta ao grave problema de escoamento da produção cafeeira do oeste paulista, principalmente para São João do Rio Claro e municípios vizinhos, localizado no sertão cafeicultor. (GARCIA, 2001, p. 141)
O primeiro trecho de linha férrea do Estado de São Paulo é inaugurado em 1859, construído pela Sociedade de Estradas de Ferro Pedro II, uma organização do governo Imperial para atender o escoamento do café do Vale do Paraíba. Em 1867 é inaugurado um trecho que ligava o porto de Santos a cidade de Jundiaí, construído pela recém criada São Paulo Railway Corporation Ltda.
Assim, tendo em seus horizontes uma solução, os produtores de café mobilizam-se na intenção de que os trilhos, que haviam chegado até a cidade de Jundiaí em 1867, fossem levados interior adentro. Era o desejo de todos que uma ferrovia ligasse o Oeste ao porto de Santos (GARCIA,1991). Esse empreendimento coube ao grandes fazendeiros produtores de café, e assim, com essa iniciativa, nascia a Companhia Paulista de Estradas de Ferro (CPEF), popularmente conhecida como Paulista, a primeira ferrovia a ser implantada com capitais nacionais (GARCIA, 2001, p. 142) e já nascia vinculada ao café.
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Os trilhos da CPEF chegaram a Rio Claro em 11 de agosto de 1876 (DINIZ, 1973), como um prolongamento da via férrea que unia Jundiaí á Campinas. Rio Claro permaneceu como ponta de trilho da Paulista até 1884, quando, por dificuldades de escoamento da produção do café de regiões mais ao interior do Estado, é criada em 15 de outubro de 1884 (GARCIA, 2001, p. 145) a Companhia Rio Claro de Estrada de Ferro, que ligava a Rio Claro até a cidade de São Carlos, um empreendimento sem subvenção governamental, realizado apenas com investimento dos grandes Barões do café, o que a diferenciava de todas as ferrovias do país, dando uma medida de desenvolvimento e concentração de riqueza na região, como apontado por Diniz em seu trabalho (1973, p. 147).
Primeira Estação da Companhia Paulista de Estrada de Ferro
Inaugurada em 11 de agosto de 1876 - Foto – Museu Histórico Amador Bueno Veiga