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4. ARAŞTIRMA BULGULARI VE TARTIŞMA

4.5 Depolama Süresince Renkte Oluşan Değişmeler

4.5.1 Esmerleşme düzeyindeki değişimler

Com o final do Encontrão IX pude visitar as comunidades Arraiol, Macedônia, Jaranduba, Macaco, Carneiro, Aparecida, além da Vila Progresso, onde estava hospedado, realizando entrevistas com os ribeirinhos para buscar compreender as percepções acerca do trabalho da Rede GTA/Oela em torno do Protocolo Comunitário do Bailique.

Com essas incursões, percebi que existe uma realidade heterogênea de relações com o projeto, ao contrário do que se pode imaginar frequentando somente os eventos. Existem dois grupos com tipos de inserção diferentes, sendo aqueles que trabalham diretamente com os atores externos e estão desde o início dos trabalhos e outro grupo com participações esporádicas ou assíduas, mas que não estão envolvidos diretamente nas atividades do projeto.

Os ribeirinhos que possuem maior envolvimento no projeto, quando questionados, conseguem descrever com certa precisão o significado e objetivos do protocolo comunitário e reconhecem os resultados já alcançados com o projeto. Neste grupo alguns foram ou são funcionários da Rede GTA/Oela ou parte de Grupos de Trabalho.

Entre as parteiras e produtoras de conhecimento tradicional associado envolvidas no GT do Conhecimento Tradicional, há diferentes tipos de relação delas com a proteção de seus conhecimentos. As mulheres que desenvolveram e aprenderam o uso das plantas medicinais com suas mães e avós demonstram sentir um prazer/dever de cuidar de alguém doente e, com isso, se empenham em partilhar os chás e pomadas com quem precisar de tratamento. Caso a pessoa doente seja de uma comunidade distante, elas ensinam o processo de fabricação do remédio para ser confeccionado pela família necessitada.

Na comunidade do Arraiol, existem duas mulheres referências em trabalho com plantas medicinais. Em entrevista com uma delas me foi relatado que teve um tempo

Fonte: Elaborada pelo autor, 2017.

Fotografia 21- Produtos confeccionados pelas mulheres do GT do Conhecimento Tradicional e ao lado a segunda cartilha da Rede GTA sobre o processo de

em que as crianças adoeciam e o tratamento era com base em remédios industrializados, mas que nunca ficaram confortáveis em tratar as doenças utilizando os antibióticos que chegavam à comunidade. Esse cenário só mudou a partir dos trabalhos desenvolvidos pela Pastoral da Criança, da Igreja Católica, que passaram a valorizar os remédios tradicionais e, assim, os tratamentos com plantas medicinais voltaram a ser aplicados, como na época das suas mães e avós.

O projeto do PCB reforçou a importância do conhecimento tradicional associado levantando as discussões sobre ABS, oficinas para troca de experiências entre ribeirinhas e pesquisadoras convidadas pelos coordenadores do projeto e a criação do GT de Conhecimento Tradicional, que proporcionou um espaço de diálogo entre as produtoras de conhecimento tradicional. Como as oficinas eram de livre participação, algumas mulheres que possuíam interesse em aprender sobre remédios advindos de plantas medicinais também se envolveram. Atualmente, as componentes do GT de Conhecimento Tradicional se reúnem em um anexo da residência da coordenadora do grupo de trabalho para confeccionar pomadas, óleos, acessórios de vestuário, todos utilizando bens da biodiversidade local.

As produtoras de conhecimento tradicional associado mais antigas entendem que, diferentemente do grupo mais novo, elas não devem negociar um remédio com poder de cura. Percebi que o remédio tradicional é um bem ao qual não poderia ser posto um valor monetário. Nas palavras de uma moradora do Arraiol:

Eu, falando por mim, eu não gosto de vender. Eu gosto de dar e aqueles que eu posso cuidar eu cuido, senão “toma, fulano, leva”. Ensina. Se é, por exemplo, um doente que saber ou que não pode vir ficar aqui pra a gente cuidar, a gente ensina a como fazer o chazinho, como colocar. E “tá aqui o remédio” e leva. A gente dá e cuida. (...) A gente não têm o hábito de vender as coisas. Aquele monte de jerimum ali a gente não vende. “Tu gosta? Toma, leva um”. “Tu gosta de melancia? Toma, leva uma”. O que a gente vende geralmente é a banana. (...) A questão do remédio também. A Clara, que é minha parceira, faz. Tem dias que ela tira pra fazer xarope. Quando as crianças começam a cair de gripe, coceira. Ela tira a coisa e passa a noite todinha fazendo.

A percepção que possuem sobre seu conhecimento é o de um dom que deve ser aplicado exclusivamente em cuidar do outro. O valor aplicado ao conhecimento é afetivo e, não, monetário. Então, a troca não valia como um risco `a disseminação do

conhecimento, seja com pessoas das comunidades ou atores externos.Sobre isso, em entrevista um ribeirinho expôs sua preocupação:

Essa inocência faz com que se pague bem caro. Assim como eu tava falando do açaí branco pra [nome suprimido para preservar os envolvidos]. Ela já tem não sei quantos anos trabalhando com açaí, mas não tem o conhecimento do açaí branco, que a gente chama aqui, né. E aí a gente acaba trocando conversa, conhecimento como eu tava dizendo pra ela e eu troco meu conhecimento na inocência. Já ela, que tem um conhecimento técnico, ela pode querer aproveitar esse conhecimento. Adaptar ou ir profundamente, mas a gente troca ideia num conhecimento que eu chamo inocência, aqui. Porque? Por que você tá ensinando apenas o que você sabe.

Pude constatar que, na realidade, ainda que o projeto tenha realizado oficinas sobre Acesso e Repartição de Benefícios, o texto do Protocolo Comunitário do Bailique não entra em detalhes sobre como o processo de obtenção ou não de consentimento prévio para os acessos. Este traço o diferencia de outros protocolos comunitários, que, em geral, detalham os processos para evitar interpretações incorretas. No PCB, no entanto, as relações de acesso ao conhecimento tradicional e consentimento prévio serão vistos caso a caso, através da ACTB.

Para as comunidades, o conceitode ABS é recente e não deriva da produção de conhecimentos tradicionais, mas de relações comerciais que podem ter dois efeitos. De um lado proporciona a possibilidade de repartição de benefícios justa e equitativa, mas de outro lado há o risco de que os interesses comerciais modifiquem a forma de interação das comunidades com a natureza. De toda sorte, o ABS pode ser encarado como um risco necessário quando se busca a melhoria econômica das comunidades, desde que sua autonomia seja respeitada nesse processo.

Benzer Belgeler