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2.2. ERTELEME

2.2.7. Ertelemenin Türleri

Lagunense nascido em 30 de setembro de 1806, filho de militar e educado na Escola Militar da Corte, aos 18 anos de idade Jerônimo Francisco Coelho já era capitão do Exército, sendo designado para importantes missões. Em 1831, atraído pela política e trazendo um prelo na bagagem, o jovem, com 25 anos, chega à terra natal determinado a “cumprir um plano, premeditado, ponto por ponto: os acontecimentos políticos, O

Criou ainda a Associação Patriótica Santa Catarina e O Expositor, órgão oficial daquela sociedade cívica e política.

Jerônimo Coelho logo ganhou projeção pública e iniciou a consolidação de uma impressionante carreira política. É considerado pelo historiador Martinho Callado Júnior como o mais ilustre catarinense do século XIX. “Dotado de uma grande capacidade de angariar simpatias, até a sua morte tornou-se o líder inconteste de uma grande parte da sociedade barriga-verde, alistado nas hostes de um partido político de cores liberais [...]” (Ibidem, p. 145).

O ilustre militar ocupou os mais importantes cargos públicos catarinenses que um provinciano poderia ambicionar na época. Foi deputado provincial quatro vezes (1835, 1837, 1842 e 1845), chegando à presidência da Assembléia Provincial em 1841; deputado geral três vezes (1838, 1842 e 1857).

Sua projeção na esfera federal o levou a ocupar o Ministério da Marinha, pela primeira vez, em 1844, no Gabinete Macaé. No mesmo ano, recebeu o título de Conselheiro da Coroa e também foi nomeado ministro interino da Guerra, mas exonerou-se de ambos os ministérios em 1845. Em 1839 foi vice-presidente da província de Santa Catarina, de 1848 a 1850 presidiu a província do Pará e em 1856 foi nomeado presidente da província do Rio Grande do Sul. De 1857 a 1858, agora no Gabinete do Marquês de Olinda, foi novamente ministro da Guerra. O pioneiro da imprensa catarinense morreu em Fraiburgo, no Rio de Janeiro, em 16 de janeiro de 1860, aos 54 anos, como brigadeiro e vogal do Supremo Tribunal Militar.

Fica evidente que os atos de fórum privado do capitão de engenheiros ilustrado na Corte, onde incorporou ares liberais vindos da Europa, tinham o objetivo direto de interferência na esfera pública. Os motivos que o levaram a lançar O Catharinense foram principalmente os de combater a Coroa Portuguesa, o regime monárquico de Dom Pedro I e àqueles que pretendiam restaurar o trono do imperador, embora este já tivesse deixado o país após a abdicação ao trono em 7 de abril de 1831. Na política ilhéu, fazia oposição ao presidente da província, Miguel de Souza Mello e Alvim, que era de origem portuguesa e tinha idéias conservadoras.

Quinze dias após a abdicação de Dom Pedro I, Alvim é deposto por um movimento popular. O levante de civis e militares tem duas razões principais: rejeição ao gabinete conservador instaurado por Dom Pedro e o atraso de 11 meses no soldo dos

militares. Com sete batalhões em seus domínios, o atraso de salários teve ampla repercussão em Desterro, embora este encargo financeiro fosse de competência da esfera federal. Callado Jr. conclui que Jerônimo Coelho deve ter influenciado preponderantemente na deposição do presidente. Este passou o cargo ao vice-presidente provincial Francisco Luiz do Livramento, de origem brasileira e da simpatia do jovem militar.

A Sociedade Patriótica foi criada em 4 de outubro de 1831, com o apoio do novo presidente da província, Feliciano Pires. Calcada nos moldes dos clubes políticos do final do século XVIII que fomentaram a Revolução Francesa, tinha como objetivos “sustentar a liberdade e a independência nacional e usar o direito de petição e de representações populares, sempre que o exigisse o bem da pátria”.

De dezembro de 1832 a dezembro de 1834, a Sociedade editou O Expositor, o seu jornal oficial. Era impresso no prelo de O Catharinense, adquirido de Jerônimo Coelho em outubro de 1832. Este integrava o quadro de redatores do novo periódico, mas o deixou em 3 de março de 1833, devido a divergências quanto à linha editorial, já que alguns colegas de redação insistiam em publicar notas ofensivas. Quando da sua suspensão, em 1834, O

Expositor contava com apenas 57 subscritores (assinantes). Em março de 1835, a sua

tipografia começa a imprimir papéis da Assembléia Legislativa e o jornal passa a denominar- se Expositor Oficial. Ainda entre o final de 1831 e início de 1832, na tipografia de O

Catharinense, foi impresso O Brazil, o segundo jornal da província e que teve apenas algumas

edições.

Com a dissolvência da Sociedade Patriótica em 26 de fevereiro de 1836, sua tipografia foi negociada com a Assembléia Legislativa. Várias leis foram criadas, então, para definir os critérios de uso da tipografia, até que a resolução número 40, de 31 de maio de 1836, aprovada pela Assembléia e sancionada pelo presidente da província, Francisco Luiz do Livramento, trazendo a seguinte redação:

Art. 1º. - A tipografia oferecida à Assembléia Legislativa da Província pela

“Sociedade Patriótica” é considerada propriedade Provincial e da sua administração fica encarregado o Governo da Província.

Art. 2º. - Este estabelecimento é destinado: 1o. - À impressão de quaisquer

peças oficiais, tanto do Governo, como da Assembléia da Província; 2o. - À publicação de um Periódico Oficial, o qual só terá lugar quando o rendimento cubra a despesa que com ela se fizer; 3o. - À impressão de jornais ou de pessoas particulares.

Estava assinada a sentença oficial de atrelamento da imprensa à esfera pública. Os jornais desterrenses passavam a ser editados sob os auspícios do Poder Público. Este quadro só mudaria, em termos, em 20 de março de 1843, com a Lei número 176, que abria a Tipografia Provincial ao uso particular, independente do consentimento do presidente da província, para “quaisquer publicações, guardadas as disposições que regulam a liberdade de imprensa”.

Entre 1836 e 1849, quando da chegada do segundo prelo à ilha, surgiu o oficioso

O Benfazejo (1836), que “se transformou em odiento veículo de discórdia da família

desterrense” (Boiteux in Callado Jr., 1970 : 130); O Mercantil, possivelmente iniciado em 1843; O Relator Catarinense, de apenas dez edições, com o objetivo de registrar a vista de Dom Pedro II e da Imperatriz, Dona Teresa Cristina, a Desterro, em outubro de 1845.

O segundo prelo pertencia ao relojoeiro francês Emile Grain, que pretendia montar um jornal na ilha. Antônio Pereira Pinto, de linha liberal, presidia a província. Grain procurou os governistas - simpatizantes dos jeromistas - propondo parceria, mas estes já dispunham de uma tipografia e rejeitaram a proposta. Foi assim que, com o apoio da oposição conservadora, o francês fez circular em 1º de abril de 1849 o bi-semanário Progresso

Catarinense, que versava sobre política, literatura e comércio.

Prevendo o risco de um jornal nas mãos da oposição, de imediato o governo entrou em negociações com o francês e um mês de depois o jornal adotava o nome de

Conciliador Catarinense, defendendo abertamente a ideologia liberal. O poder público

concentra sob sua tutela as duas tipografias: a de Emile Grain instalada no largo do Palácio, e a Provincial no edifício da Assembléia Legislativa. Em janeiro de 1850, o novo presidente da província, João José Coutinho, rescindiu o contrato com Grain. Estes oito jornais, incluindo O

Catharinense, fecham o primeiro ciclo da imprensa catarinense, de 1831 a 1849.

Benzer Belgeler