2. ERNST TROELTSCH’UN TOPLUM BİLİM TARTIŞMALARINA YÖNELİMİ VE
2.1. Troeltsch’un Tarih-Toplum Bilim Anlayışı
2.1.3 Ernst Troeltsch Düşüncesinde Tarihselcilik ve Yöntemi
Para atender às exigências da Lei Federal nº 11.340/2006, mais conhecida como Lei Maria da Penha - concretizando a norma do art. 226, § 8°, da Constituição Federal de 1988, e os ditames da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres e da Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência Doméstica - destaca-se a criação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher. Esta iniciativa alterou o Código de Processo Penal e a Lei de Execução Penal e estabeleceu medidas de assistência e proteção às mulheres em situação de violência doméstica e familiar. Agora, o juiz criminal tem de arbitrar alimentos provisórios, determinar a guarda provisória dos filhos e arbitrar sentença penal contra o infrator. Reza o art. 14 da Lei nº 11.340/06:
Art. 14. Os Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, órgãos da Justiça Ordinária com competência cível e criminal, poderão ser criados pela União, no Distrito Federal e nos Territórios, e pelos Estados, para o processo, o julgamento e a execução das causas decorrentes da prática de violência doméstica e familiar contra a mulher (SOUZA; GONÇALVES, 2009).
De acordo com a determinação desta lei federal, essas unidades jurisdicionais especializadas devem ser criadas em todos os Estados e no Distrito Federal, e sua incumbência é tratar somente os casos de violência doméstica e familiar. Para ajudar na solução de questões em que se faça necessária a atuação de profissionais, contará com pessoal de apoio especializado tais como médicos, psicanalistas, assistentes sociais, etc. (SOUZA; GONÇALVES, 2009).
Hermann (2008) afirma que a base institucional invocada no art. 266, § 8° da Constituição da República consiste no dever do Estado em oferecer assistência à família, não apenas como grupo ou unidade, mas em relação a cada um dos seus membros de forma a criar estratégias e ferramentas de enfrentamento da violência no âmbito intrafamiliar. A proteção da mulher preconizada na Lei Maria da Penha
decorre da constatação da sua fragilidade no contexto familiar, fruto da cultura patriarcal que facilita sua vitimização em situações de violência doméstica. Todavia o reconhecimento da situação de fragilidade da mulher vítima de violência doméstica e/ou familiar não implica invalidar sua capacidade de administrar seus próprios conflitos.
Com a Lei nº 9.099/95 retirou-se das delegacias a autonomia para resolver os conflitos de gênero, pois os processos passaram a ser encaminhados para os Juizados Especiais Criminais. Tal mudança resultou, de fato, num maior número de litígios encaminhados para a justiça, já que antes os casos, em geral, eram negociados e arquivados na própria delegacia (FAISTING, 2008; CAMPOS; CARVALHO, 2006). Assim, os crimes de ameaças e de lesões corporais que passaram a ser julgados pela “nova” lei eram majoritariamente cometidos contra as mulheres e respondiam por cerca de 60% a 70% do volume processual dos Juizados (CAMPOS; CARVALHO, 2006).
No Estado do Ceará, o Poder Judiciário, no dia 18 de dezembro de 2007, inaugurou o Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da Comarca de Fortaleza e, em 2009, instalou-se sua nova sede que, além de possuir duas defensorias, tanto para o homem quanto para a mulher, destina espaços ao atendimento psicossocial dos envolvidos nos processos de agressão doméstica contra a mulher. Além deste, o Estado conta com mais um Juizado Especializado localizado no município de Juazeiro do Norte (CEARÁ, 2007b).
As Promotorias de Justiça dos Juizados da Mulher foram criadas no âmbito do Ministério Público do Ceará, pela Lei n° 14.059 de 9 de janeiro de 2008 (CEARÁ, 2008). Com esta iniciativa, instituiu-se também o cargo de promotor de justiça da Promotoria da Mulher na estrutura do Ministério Público do Ceará. Atualmente tramitam na Promotoria da Mulher cerca de 8.400 processos (CEARÁ, 2011). São atribuições dos promotores: Instaurar ação penal pública, nos crimes praticados com violência doméstica e familiar contra a mulher; Representar pela prisão preventiva; Propor medidas protetivas de urgência, bem como a revisão das medidas concedidas; Exercer o controle da atividade policial; Velar pela proteção e defesa dos interesses, direitos individuais atinentes aos direitos fundamentais da mulher; Propor campanhas educativas de prevenção à violência doméstica e familiar contra a mulher (CEARÁ, 2011).
Conforme o mesmo documento, a equipe multidisciplinar da Promotoria da Mulher da Comarca de Fortaleza é composta por profissionais de diversas áreas contratados via convênio celebrado entre a Procuradoria Geral de Justiça e o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania. O intuito é oferecer o melhor atendimento à mulher e à família que se encontram dentro do contexto da violência doméstica e/ou familiar. Apesar de haver 43 Juizados Especiais espalhados pelo Brasil, seis Estados não possuem os juizados específicos e o atendimento é feito em Juizados Criminais: Bahia, Paraíba, Piauí, Roraima, Santa Catarina e Sergipe (RICHA, 2010).
De modo geral, as redes de atendimento que complementam as ações ou suprem deficiências das instituições judiciais têm sido fundamentais para o apoio a vítimas fragilizadas, porquanto, muitas vezes, as mulheres que se encontram amparadas legalmente não possuem reais condições para o exercício pleno dos direitos. Segundo Moreira e Cavalcanti (2007), em seu estudo sobre a violência intrafamiliar e o Poder Judiciário, a vítima se sente duplamente agredida, em casa e pelas instituições. Consoante sugerem, a real política pública seria a prevenção e a conscientização das pessoas sobre o problema da violência intrafamiliar.
Em Fortaleza, o Juizado da Comarca local vem buscando garantir os direitos das mulheres perante a lei de forma integrada e humanizada mediante diversas atribuições e serviços prestados pela equipe da unidade e por meio das parcerias com a rede socioassistencial de Fortaleza. Faz-se o atendimento diário da demanda espontânea aos usuários da Promotoria por representantes das áreas psicossocial e jurídica. São efetivados atendimentos psicossociais multidisciplinares pelos profissionais da psicologia e do serviço social. Amiúde, o atendimento começa na triagem e demanda uma escuta mais aprofundada, podendo também ser designado pelo promotor, além das visitas domiciliares realizadas, geralmente, para dar mais embasamento aos pedidos de prisão preventiva da Promotoria da mulher. Nos casos em que a medida protetiva de urgência é estendida aos filhos, a equipe multidisciplinar proporciona e viabiliza visitas supervisionadas por profissionais e estagiários, com vistas ao contato e ao resgate dos vínculos afetivos existentes entre pai e filhos. E, nos casos mais complexos, são feitos acompanhamentos de forma a supervisionar todos os membros em situação de violência doméstica e familiar (CEARÁ, 2011).
Efetivados pela equipe da rede socioassistencial de Fortaleza e Região Metropolitana, os encaminhamentos podem ser direcionados para os Centros de Atenção Psicossocial, Álcool e Drogas, Alcoólicos Anônimos, Centros de Referência em Assistência Social e Centros de Referência (CEARÁ, 2011).
Segundo a Promotoria do Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a mulher da Comarca de Fortaleza, se instaurará no serviço o Cadastro de Violência Doméstica, o qual será preenchido por profissionais competentes e treinados para lidar com a situação da mulher fragilizada e obter um perfil mais preciso da vítima, do agressor e dos dados da ocorrência.