Para Oliveira e Gama (2014), as experiências positivas da infância apresentam grande influência sobre as decisões como escolha da carreira e posteriormente em suas próprias ações pedagógicas no exercício profissional. E desse modo, um professor bem-
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sucedido em suas práticas, assim como a manifestação de ações e atitudes que viabilizaram o processo de ensino-aprendizagem se mostram como aspectos singulares na vida de cada participante e que puderam ser explicitados pela narrativa ao longo do memorial.
Notamos, contudo, que as marcas deixadas pelos docentes não são apenas positivas. Encontramos na leitura dos memoriais muitas reflexões sobre marcas negativas que desabonam a imagem construída acerca do professor, sendo que muitas dessas recordações associam-se a situações de rigidez excessiva, agressões físicas e verbais, constantemente associadas ao medo de errar.
Consideramos que as marcas negativas se refletiram em modos coercitivos para manter ou modificar os comportamentos dos alunos por vezes concretizando-se, atualmente, em contra-modelos docentes. De modo geral, as formadoras relataram épocas distintas em que percorreram seus processos de escolarização, em sua grande maioria, anteriores à década de 1990, cuja marca mais acentuada na relação pedagógica nos parece o respeito e o temor pela figura do professor.
Os sujeitos em formação constroem seus saberes nas diferentes interações que estabelecem nas experiências vividas. Dessa forma, retomamos as contribuições de Josso (2004, p.143) que nos remetem ao entendimento de que:
[...] a experiência pode tornar-se em tal a posteriori de um acontecimento, de uma situação, de uma interação; é o trabalho de reflexão sobre o que se passou; mas uma atividade qualquer é também experiência desde que o sujeito se conceda os meios de observar, no decorrer da atividade, o que se passa e reflita sobre o que esta observação lhe traz como informação sobre a atividade empreendida. Em outras palavras, uma experiência é uma ação refletida a priori ou a posteriori (JOSSO, 2004, p.143).
As primeiras imagens, bem como as marcas deixadas pelos professores ainda no período de escolarização possibilitaram às formadoras uma retomada desses momentos considerando também o modo como foram ensinadas. Por isso, buscamos nesse momento retratar as práticas pedagógicas que são ressaltadas como experiências formadoras para as participantes dessa investigação.
Após a análise dos dezessete memoriais de formação pudemos organizar as rememorações das práticas pedagógicas em que as formadoras foram ensinadas, por meio de alguns temas comuns e que se sobressaem nesse momento, sendo eles: as marcas dos métodos utilizados para alfabetização; práticas pedagógicas que possibilitaram o protagonismo do estudante e marcas negativas das práticas pedagógicas.
Ao longo dos diferentes percursos formativos, o período de escolarização na Educação Básica se revela como um momento de aprendizagens e construção de algumas imagens sobre a docência que acompanham o sujeito em formação no curso de sua vida. Buscamos também algumas reflexões que se inserem na perspectiva daqueles que tiveram a experiência enquanto estudantes e agora pensam sobre as práticas pedagógicas pelas quais foram ensinados, analisando-as sob a ótica de seus conhecimentos profissionais.
O papel do professor frente ao processo de alfabetização foi destacado como um balizador das aprendizagens para as próprias estudantes que afirmaram terem sido estimuladas pelas práticas em que foram ensinadas.
É possível inferir que a menção a esse material é sempre carregada de expressões afetivas, como marcas significativas de um processo, contudo, como discutimos até aqui, esse processo de reflexão sobre as experiências de escolarização não está descolado de uma análise circunstanciada que se baseia nos conhecimentos que hoje compõem a bagagem teórica das formadoras. Ou seja, o que observamos é uma relação afetuosa com esse material, mas no decurso da escrita as práticas de alfabetização são revisitadas e o método empregado em sua própria alfabetização se torna questionável.
Emergiram ainda algumas práticas pedagógicas que contrapunham a metodologia descontextualizada da Cartilha e permitiram o desenvolvimento do protagonismo dos estudantes, especialmente a partir dos anos finais do Ensino Fundamental. Inferimos que essas marcas sejam ainda mais presentes nas concepções que permeiam sua atuação enquanto formadoras de professores e também pelo papel da escola e da Educação.
O sentido atribuído às marcas deixadas pelas práticas dos professores pode influenciar a construção da profissionalidade dessas formadoras, tomando os protagonismos da adolescência como fatores que se coadunam com as concepções e conhecimentos adquiridos nos seus diferentes percursos de formação, tornando-as assim marcas relevantes que estão impressas em suas ações profissionais atualmente.
Os memoriais ainda revelaram algumas marcas negativas que da mesma forma parecem incidir sobre as concepções atuais das formadoras, tendo em vista a aversão que acompanhou suas reflexões.
Considerando as discussões de Moita (1992) buscamos averiguar as possibilidades de reconstrução de diferentes trajetórias de vida apresentadas pela autora como processos parciais de formação que engendram a dinâmica da constituição da identidade pessoal e profissional. Esse fato ocorre porque a contribuição do outro e dos diferentes espaços formativos da infância, seja ele familiar ou social, na relação profissional é um movimento
que pode vir a acontecer em algumas etapas da vida. O que buscamos dizer é que se constata a presença ativa, na vida profissional dos formadores, dos valores manifestados especialmente na cultura familiar. Desse modo:
Numa perspectiva diacrônica pode notar-se uma influência muito forte do tempo “passado” na vida profissional – o tempo de infância. As experiências feitas durante a infância projectam-se na relação com as crianças. É significativo ouvir educadoras explicitar as marcas das suas experiências de crianças nas relações educativas (MOITA, 1992, p.138).
Esse percurso formativo, de escolarização na Educação Básica, analisado a partir dos memoriais de formação revelou nossa percepção sobre o potencial da escrita de si como possibilidade de reflexão sobre sua trajetória pessoal e profissional. Corroboramos às discussões de Oliveira e Gama (2014, p.214) ao defenderem que analisar a própria escrita “[...] contribui na percepção de lacunas cujo preenchimento é necessário ao entendimento do processo vivido, o que mostra o movimento de reflexão experimentado”. Esse processo reflexivo realizado pelas participantes desse estudo cria condições para que possam analisar seus percursos anteriores e tomá-los como objeto de conhecimento, permitindo assim que se possam visualizar os componentes formativos que hoje se estabelecem como indicadores de uma constituição de sua profissionalidade.
Ao retomar as lembranças sobre o período de escolarização, frequentemente encontramos nos memoriais, situações relatadas que evocam as marcas deixadas ao longo dessa época e que podem se refletir em aspectos do Ser Formador de professores. Corroboramos com o entendimento de que, as imagens sobre a docência necessitam ser reformuladas ao longo dos processos formativos (MAGALHÃES, 2008). Isso se torna possível uma vez que concebemos a formação desde o período de escolarização quando são geradas as primeiras experiências e imagens sobre o Ser Professor, que continuam ao longo da formação inicial e seguem em toda vida profissional (MIZUKAMI et al., 2002).
Acreditamos ser pertinente costurar tais marcas aos achados dessa pesquisa, porque antes de se tornar formador de professores esse profissional percorreu o caminho da docência, constituindo-se enquanto profissional da Educação, tendo em vista que essa é uma das exigências para se tornar um formador na escola pública.
Nossas impressões sobre esses aspectos que configuram a constituição das imagens sobre a docência, se refletem especialmente nas marcas deixadas pelos professores pelos quais foram ensinados e suas respectivas práticas pedagógicas.
Essa retomada se faz necessária, pois é por meio de tal movimento que procuramos reconhecer aspectos de profissionalidade dos formadores de professores, uma vez que foram estudantes, formaram-se, lecionaram e agora atuam como formadores.
Encontramos uma marca muito presente nas narrativas dos formadores: a imagem positiva dos professores, associada ao apreço por esse profissional dadas as manifestações de afeto que tinham para com eles enquanto estudantes. Nos diferentes períodos do processo de escolarização, referências positivas como as que foram trazidas por Augusta cuja relação professor-aluno parecia não se apresentar de maneira tão rígida, mas atravessada pela tentativa de estabelecer um vínculo afetivo próximo a uma relação de amizade:
[...] lembro-me de uma professora muito divertida e carinhosa, logo no primeiro dia de aula ensinou que não devíamos chamá-la de “tia” e sim de amiga Silvia. (Augusta, Formadora da SE, Memorial de Formação).
A lembrança positiva das professoras, especialmente na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental se faz recorrente, uma vez que a relação tende a ser mais próxima entre o estudante e o docente. Observamos isso nas reflexões de Luana quando por um motivo de saúde precisou se afastar da escola na Educação Infantil e ao retornar:
[...] a professora novamente fez aquela acolhida, pegar no colo, muitos beijos, muitas histórias contadas comigo ao seu lado e ao final do ano ganhei o personagem principal em uma peça de teatro. (Luana, Formadora da SE, Memorial de Formação).
Com referência aos primeiros anos do Ensino Fundamental, Vivian, descreve suas professoras considerando os elos afetivos que elas estabeleciam:
Minha professora da primeira série era amorosa, atenciosa, mas muito doente e tirava muitas licenças, nós ficávamos arrasados pois vinham várias substitutas [...]. Na terceira série minha professora era um verdadeiro anjo, muito atenciosa, me elogiava muito, me presenteava com lápis, borrachas e até um jogo de canetinhas ganhei por fazer as atividades e ter capricho no caderno. (Vivian, Formadora da SE, Memorial de Formação).
Os valores atribuídos às primeiras professoras nos conduziram a uma reflexão acerca as imagens da docência que foram construídas desde a infância. É possível inferir que as marcas positivas deixadas pelas primeiras professoras estão relacionadas ao modo como o aluno era tratado pelo professor, com atenção, com dedicação, com respeito.
Isso também pode ser analisado a partir da colocação realizada por Samara quando descreveu a imagem de sua professora:
Ela era muito especial: atenciosa com todos, dedicada, carinhosa, paciente e excelente professora. Trazia para nossa escola seu único filho, que assim como eu, era deficiente auditivo. (Samara, Formadora da SE, Memorial de Formação).
Após tantos adjetivos de valorização, encontramos a expressão “excelente professora” que na sequência da narração se expressa com a explicitação de seu método de alfabetização tradicional, cujo foco estava na aprendizagem por memorização, associado às músicas que possibilitavam esse movimento pedagógico. Ela relatou:
Ainda me recordo da sala toda entoando “Tic-tac, marcha ré, fecha a bolinha e desce o pé. Tic-tac, marcha ré, fecha a bolinha e põe o boné!” Assim aprendíamos a traçar as letras A e O. (Samara, Formadora da SE, Memorial de Formação).
Nessa direção, a narrativa de Ana Rita também retomou a imagem de uma professora de ensino tradicional, mas com grande dedicação ao trabalho que pode ser percebido pela formadora ao escrever sobre seu processo de escolarização:
Minha primeira professora da 1ª série, nunca me esquecerei dela, que me ensinou as primeiras letras, mesmo que de maneira muito tradicional, mas aprendi. Era muito dedicada, não me lembro dela gritando ou brava, eu a venerava. (Ana Rita, Formadora da Escola, Memorial de Formação).
Observamos pela escrita de Ana Rita uma imagem idealizada de sua professora. Essa idealização pode estar associada ao fato da autora narrar em diversos momentos, o grande desejo que manifestava em estar na escola, a grande valorização que os pais tinham sobre a escola e por ser sua primeira professora e deixou essa marca positiva em sua história pessoal.
A admiração pelo professor que manifestava características positivas, especialmente, quando relacionadas às palavras: carinho, dedicação, atenção, paciência, torcida, afinidade, pode ainda ser percebida em narrações trazidas também pelas formadoras Sara, Silvia e Laura. Por meio dos excertos que analisamos, a imagem de um bom professor e suas impressões positivas sobre o perfil desses sujeitos está prioritariamente associada aos aspectos
afetivos que destacamos. Isso nos remete a refletir que tais valores podem tangenciar a concepção do Ser Professor, do entendimento sobre como deva ser a relação professor-aluno.
Para Oliveira e Gama (2014), as experiências positivas da infância apresentam grande influência sobre as decisões como escolha da carreira e posteriormente em suas próprias ações pedagógicas no exercício profissional. E desse modo, um professor bem- sucedido em suas práticas, assim como a manifestação de ações e atitudes que viabilizaram o processo de ensino-aprendizagem se mostram como aspectos singulares na vida de cada participante e que puderam ser explicitados pela narrativa ao longo do memorial.
Notamos, contudo, que as marcas deixadas pelos docentes não são apenas positivas. Encontramos na leitura dos memoriais muitas reflexões sobre marcas negativas que desabonam a imagem construída acerca do professor, sendo que muitas dessas recordações associam-se a situações de rigidez excessiva, agressões físicas e verbais, constantemente associadas ao medo de errar.
Para Luana, a marca negativa mais representativa concentrou-se nas duas primeiras séries do Ensino Fundamental, em que evidenciou que a professora era muito brava e “dava reguadas na mesa”. Assim, um pouco mais além que bater com a régua na mesa, Leni e Letícia teceram narrativas semelhantes, pontuando com maior ênfase o fato de suas respectivas professoras serem “enérgicas” e “distribuírem reguadas” nos próprios alunos da classe.
O medo de errar se destaca com a exposição vexatória, como narrado por Karina. Essa situação poderia acontecer caso o comportamento fosse desviado daquele que era esperado para um aluno nas diferentes épocas escolares. Gisele relatou a difícil relação com a professora de Matemática que era excelente nessa área do conhecimento, e além disso:
[...] agredia as crianças verbal e fisicamente, muito choro saía de lá. (Gisele, Formadora da SE, Memorial de Formação)
Para Augusta, o incômodo advindo de sua professora da primeira série, a quem atribuiu o fato de que sua ida à escola “transformou-se em infelicidade”, pode ser compreendida pela excessiva necessidade de manter o silêncio, em que os alunos eram dominados por gritos e rigidez na condução feita pela professora. Vivian também relata a necessidade que as professoras tinham em manter o silêncio por meio de “exaustivas cópias”.
Consideramos que as marcas negativas se refletiram em modos coercitivos para manter ou modificar os comportamentos dos alunos. A narrativa a seguir ratificou nossa inferência:
Tenho muito nítida a lembrança de momentos cujo, desvio de comportamento não vieram acompanhados de uma conversa somente. Quando, na pré-escola não queria cantar, a professora conversou e eu dizia “não quero cantar” e ela pedia para cantar, ora! não queria cantar! Mas, quando ela pegou uma tesoura e disse que aquele que não cantasse ela cortaria a língua, passei a cantar lindamente (talvez não lindamente, mas com força!). (Marcela, Formadora da Escola, Memorial de Formação).
Marcela toma essa experiência narrada como um contra-modelo. Para ela, sua experiência enquanto aluna pareceu-nos evidenciar suas concepções sobre o respeito à individualidade do aluno. Isso ocorre, porque ela mesma tinha um comportamento desviante devido às próprias condições emocionais que tinha na infância, mas não acredita que práticas coercitivas são promotoras de aprendizagem, apesar de declarar que sempre foi alvo dessas ações dos professores. Ao longo de seu memorial de formação, a autora relatou que enquanto docente perdeu-se no modo de conduzir sua aula, pois o fato de não repetir as práticas de seus professores fez com que ela não tivesse um modelo a seguir diante do comportamento desviante.
De modo geral, as formadoras relataram épocas distintas em que percorreram seus processos de escolarização, em sua grande maioria, anteriores à década de 1990, cuja marca mais acentuada na relação pedagógica nos parece o respeito e o temor pela figura do professor. A lembrança de Márcia enfatizou essa questão:
Eu tinha pavor de errar na escola os professores naquela época eram rígidos e comunicavam para minha mãe minhas travessuras e eu levava logo umas palmadas. Pois o professor era muito respeitado pela família. (Márcia, Formadora da Escola, Memorial de Formação).
Os sujeitos em formação constroem seus saberes nas diferentes interações que estabelecem nas experiências vividas. Dessa forma, retomamos as contribuições de Josso (2004, p.143) que nos remetem ao entendimento de que:
[...] a experiência pode tornar-se em tal a posteriori de um acontecimento, de uma situação, de uma interação; é o trabalho de reflexão sobre o que se passou; mas uma atividade qualquer é também experiência desde que o sujeito se conceda os meios de observar, no decorrer da atividade, o que se passa e reflita sobre o que esta observação lhe traz como informação sobre a atividade empreendida. Em outras palavras, uma experiência é uma ação refletida a priori ou a posteriori. (JOSSO, 2004, p.143)
As primeiras imagens, bem como as marcas deixadas pelos professores ainda no período de escolarização possibilitaram às formadoras uma retomada desses momentos considerando também o modo como foram ensinadas. Por isso, buscamos nesse momento retratar as práticas pedagógicas que são ressaltadas como experiências formadoras para as participantes dessa investigação.
Após a análise dos dezessete memoriais de formação pudemos organizar as rememorações das práticas pedagógicas em que as formadoras foram ensinadas, por meio de alguns temas comuns e que se sobressaem nesse momento, sendo eles: as marcas dos métodos utilizados para alfabetização; práticas pedagógicas que possibilitaram o protagonismo do estudante e marcas negativas das práticas pedagógicas.
Ao longo dos diferentes percursos formativos, o período de escolarização na Educação Básica se revela como um momento de aprendizagens e construção de algumas imagens sobre a docência que acompanham o sujeito em formação no curso de sua vida. Buscamos também algumas reflexões que se inserem na perspectiva daqueles que tiveram a experiência enquanto estudantes e agora pensam sobre as práticas pedagógicas pelas quais foram ensinados, analisando-as sob a ótica de seus conhecimentos profissionais.
Laura, ao descrever o modo como foi alfabetizada enfatizou a metodologia da professora que era assentada em práticas de silabação. Com sua formação e conhecimento sobre os caminhos da alfabetização ela narrou:
Por causa dessa afinidade com a professora e a ansiedade de aprender a ler, “inventei” um jeito que pudesse ir adiante da metodologia silabada utilizada pela professora. A medida que eu conhecia o nome das letras, olhava a primeira de uma palavra, a última, e adivinhava o resto. Na maioria das vezes dava certo e eu conseguia ler o texto. As tais sílabas complexas, não foram tão complexas assim, a adivinhação as tornaram muito simples. Logo, logo me vi lendo de fato. (Laura, Formadora da SE, Memorial de Formação).
A reflexão de Laura ilustrou sua compreensão sobre a metodologia da professora, fato que pode ser considerado diante do contexto apresentado pela formadora em seu memorial. Percebemos que posteriormente ela nos apresentou novas reflexões sobre como as crianças são alfabetizadas e as bases teóricas que hoje estão no bojo de suas concepções sobre o ensino, aliás bastante diferentes do modo como foi ensinada.
Nessa mesma direção, outras formadoras refletiram sobre o modo como foram alfabetizadas e os métodos que hoje visualizam em tais práticas. Algo que se repete em três
dessas narrativas é a presença da cartilha na qual cada formador atribuiu um sentido diferente ao impacto desse material e consequentemente de uma metodologia impressa no processo de alfabetização. As narrativas de Vivian e Melissa trouxeram em si uma carga mais afetiva sobre esse processo:
Outro episódio que marcou bastante foi a forma como minha professora da 1ª série nos apresentou nossa cartilha, que ao contrário da maioria das pessoas da minha geração não foi “Caminho Suave”. Minha professora foi nos envolvendo com uma história que não me recordo bem, mas ela fez de tal forma que para nós pareceu que havíamos colocado os nomes dos personagens principais que eram “Marita e Paulinho”19. (Vivian, Formadora da SE, Memorial de Formação).
Lembro-me da cartilha Caminho Suave e de estar fascinada