pedidos de esclarecimentos.” (www.camarb.com.br/imagensdin/areasdinamicas/arquivos/84_Regulamento_ camarb.pdf. Acessado em 03/11/2012); o artigo 7.7 do regulamento da Câmara de Arbitragem do Mercado- CAM: “7.7 Pedido de Esclarecimento. No prazo de 15 (quinze) dias a contar do recebimento da cópia da decisão, a parte interessada poderá solicitar ao Tribunal Arbitral que: i) corrija erro material da sentença arbitral; e/ou ii) esclareça alguma obscuridade, dúvida ou contradição da sentença arbitral, ou se pronuncie sobre ponto a respeito do qual deveria ter se manifestado.” (www.camaradomercado.com.br/InstDownload/ nova-regulamentacao.pdf. Acessado em 03/11/2012). O regulamento da Corte Internacional de Arbitragem da Câmara de Comércio Internacional - CCI também prevê a possibilidade de correção de erros materiais ou omissões, conforme o disposto em seu artigo 35.
462 Conforme o seguinte julgado: “A obtenção de efeitos infringentes, como pretende a Embargante, somente
é possível, excepcionalmente, nos casos em que, reconhecida a existência de um dos defeitos elencados nos incisos do mencionado art. 535, a alteração do julgado seja consequência inarredável da correção do referido vício; bem como nas hipóteses de erro material ou equívoco manifesto, que, por si sós, sejam suficientes para a inversão do julgado.” (STJ, Terceira Seção, EDcl no MS n.º 11.760/DF, Rel. Min. Laurita Vaz, j. 27/09/06, DJ 30/10/2006, p. 238, v.u.).
463 “(...) a decisão interlocutória concessiva da tutela cautelar, antecipatória ou inibitória proferida em sede
privada é irrecorrível, salvo estipulação em contrário na convenção de arbitragem (...)” (FIGUEIRA JÚNIOR, Joel Dias. Arbitragem, jurisdição..., p. 225). Tratando da sentença arbitral, mas em lição aplicável à decisão arbitral liminar, CARMONA também afirma que “a decisão tomada pelos árbitros não fica sujeita a recurso, a não ser que as partes, na convenção de arbitragem, estabeleçam uma modalidade interna de revisão do laudo”, bem como que “não se impede (...) que os contratantes estabeleçam, dentro do próprio procedimento arbitral, os recursos que entenderem necessários.” (Arbitragem e Processo..., p. 270).
464 Não vemos sentido em as partes convencionarem a possibilidade de recurso em uma arbitragem, pois isso
vulneraria uma de suas principais vantagens: a celeridade. Além disso, aumentaria os custos para as partes (na maioria das câmaras de arbitragem os árbitros cobram por hora e há cobranças de taxas mensais de manutenção do processo) e desafiaria a própria lógica do juízo arbitral, pois quem decide a questão já é, em regra, um especialista. Quanto ao tema, CARLOS ALBERTO CARMONA anota que “a experiência internacional revela que não é usual a previsão de duplo grau de jurisdição em sede arbitral, já que tal previsão acabaria por aumentar tanto a duração do processo como os seus custos.” (in Arbitragem e Processo..., p. 270).
465 ADA PELLEGRINI GRINOVER confirma “(...) que o ordenamento abre espaço para alguma forma de controle
estatal das decisões proferidas no seio da arbitragem”, ressaltando, no entanto, que “fica substraído ao Poder Judiciário o conhecimento do mérito - e respectivas questões de fato e de direito - da controvérsia.” (“Parecer – Arbitragem: ação anulatória e embargos do devedor”. Revista Brasileira de Arbitragem, n.º 18. São Paulo: IOB/CBAr, abr/jun de 2008, pp. 154/181, p. 163).
artigo 33, caput, da Lei n.º 9.307/96
466, ou (ii) por meio de impugnação ao cumprimento da
decisão
467, caso esta não tenha sido espontaneamente cumprida e a parte beneficiada pela
tutela de urgência tenha buscado a sua execução perante a justiça comum. Em qualquer das
hipóteses, a decisão arbitral de urgência somente poderá ser contestada se estiver eivada de
alguma das nulidades previstas no artigo 32 da mesma lei
468, não podendo a parte vencida,
de forma alguma, desafiar o mérito da decisão
469.
466 “Art. 33. A parte interessada poderá pleitear ao órgão do Poder Judiciário competente a decretação da
nulidade da sentença arbitral, nos casos previstos nesta Lei”. Nessa esteira, ARISTÓTELES ATHENIENSE também aduz que as decisões provisórias proferidas pelo juízo arbitral poderão se sujeitar à ação anulatória perante o Poder Judiciário (in As medidas coercitivas no juízo..., p. 314). Ainda sobre o tema: GRINOVER, Ada Pellegrini. “Parecer – Arbitragem: ação anulatória e embargos do devedor”. Revista Brasileira de Arbitragem, n.º 18. São Paulo: IOB/CBAr, abr/jun de 2008, pp. 154/181.
467 Embora o § 3.º do artigo 33 estabeleça a hipótese de anulação da decisão arbitral por meio de embargos do
devedor: “§ 3º A decretação da nulidade da sentença arbitral também poderá ser argüida mediante ação de embargos do devedor, conforme o art. 741 e seguintes do Código de Processo Civil, se houver execução judicial”, esclarece-se que a Lei n.º 11.232, de 22 de dezembro de 2005, alterou a forma de impugnação da execução de título judicial, estabelecendo que o agora cumprimento de sentença somente poderá ser objeto de impugnação (art. 475-L do CPC), e não mais de embargos do devedor (os quais ficaram restritos à Fazenda Pública e às execuções de títulos extrajudiciais - cf. alterações trazidas ao CPC pela Lei n.º 11.382, de 2006).
468 “Art. 32. É nula a sentença arbitral se: I - for nulo o compromisso; II - emanou de quem não podia ser
árbitro; III - não contiver os requisitos do art. 26 desta Lei; IV - for proferida fora dos limites da convenção de arbitragem; V - não decidir todo o litígio submetido à arbitragem; VI - comprovado que foi proferida por prevaricação, concussão ou corrupção passiva; VII - proferida fora do prazo, respeitado o disposto no art. 12, inciso III, desta Lei; e VIII - forem desrespeitados os princípios de que trata o art. 21, § 2º, desta Lei”. Nesse sentido: “(...) a decisão interlocutória concessiva da tutela cautelar, antecipatória ou inibitória proferida em sede privada é irrecorrível, salvo (...) se estiver eivada de nulidade, por alguns dos motivos assinalados no art. 32 da Lei 9.307/96, procedendo-se da mesma forma que as hipóteses de anulação de sentença arbitral.” (FIGUEIRA JÚNIOR, Joel Dias. Arbitragem, jurisdição..., pp. 225/226). Na Alemanha, o § 1059, (1) a (5), da ZPO traz as hipóteses em que a decisão arbitral poderá ser questionada perante a justiça estatal. Dentre elas, há também a previsão de ofensa a ordem pública (“ordre public”) - § 1059, (2), “2”, “b”. Em Portugal, também são restritas as hipótese de anulação da decisão arbitral: “Artigo 46.º Pedido de anulação 1 - Salvo se as partes tiverem acordado em sentido diferente, ao abrigo do n.º 4 do artigo 39.º, a impugnação de uma sentença arbitral perante um tribunal estadual só pode revestir a forma de pedido de anulação, nos termos do disposto no presente artigo”. Na Itália, nos termos dos artigos 827 a 831 de seu Código de Processo Civil, a decisão arbitral pode ser impugnada “per nullitá, per revocazione e per opposizione di terzo” (trad. livre: por nulidade, por revogação e por oposição de terceiro). Na França, por sua vez, o artigo 1492 do CPC francês traz as razões pelas quais uma decisão arbitral pode ser anulada.
469 Nessa esteira, a jurisprudência: “Consoante o art. 31 da referida Lei, a sentença arbitral produz os mesmos
efeitos da sentença judicial só que, no entanto, não se sujeita a recurso nem a homologação do Poder Judiciário (art. 18 da Lei de Arbitragem). A sentença arbitral é portanto, soberana e irrecorrível e deste modo, não pode ser revista nem mesmo pelo Poder Judiciário; o Poder Judiciário apenas poderá rever, em caráter excepcional, os aspectos formais relativos ao procedimento adotado no julgamento arbitral, nas hipótese de nulidade, taxativamente previstas no art. 32 da Lei de Arbitragem.” (TJ/SP, 35.ª Câm. Dir. Privado, A.I. n.º 0293432-12.2011.8.26.0000, Rel. Des. Manoel Justino Bezerra Filho, j. 13/02/2012, v.u.); “Como maneira de prestígio da função arbitral e estímulo a sua utilização como meio alternativo extrajudicial de resolução de conflitos, o Poder Judiciário apenas pode rever aspectos formais relativos ao procedimento adotado no julgamento arbitral, além de eventuais nulidades no decisum e ferimentos à ordem jurídico-constitucional, consoante rol do art. 32 da Lei 9.307/96. No mais, a sentença arbitral é soberana e inatacável.” (TJ/SP, 8.ª Câm. Dir. Privado, A.I. n.º 0516363-59.2010.8.26.0000 - antigo n.º 990.10.516363-7, Rel. Des. Theodureto Camargo, j. 09/02/2011, v.u.); “Não é possível a análise do mérito da sentença arbitral pelo Poder Judiciário, sendo, contudo, viável a apreciação de eventual nulidade no procedimento arbitral.” (STJ, 3.ª Turma, REsp 693.219/PR Rel. Min. Nancy Andrighi, j. 19/04/2005, v.u.). Ainda: TJ/SP, 27.ª Câm. Dir. Privado, A.I. n.º 1.106.247-0/0, Rel. Des. Berenice Marcondes Cesar, j. 24/04/2007, v.u.