GEREÇ VE YÖNTEMLER
ERKEKLERĐN CĐNSELLĐKLE ĐLGĐLĐ BĐLGĐ TUTUM DAVRANIŞLARI VE ERKEK EREKTĐL FONKSĐYONU
A sobrecarga de informações tornou mais difícil do que nunca influenciar a consciência coletiva predominante. As redes são enormes, e adentrar a elas é um desafio longo. Ainda assim, “os clientes gostam da oportunidade de comunicar sua satisfação com um produto ou serviço, estendendo o momento positivo para a empresa” (TAPSCOTT, 2010, p.248); embora também se sintam bastante a vontade em postar críticas – construtivas ou não – quando suas expectativas não são plenamente atingidas, como foi visto no último tópico.
Para entender um pouco sobre como funciona o fluxo de informações e a motivação para esse trabalho gratuito, é didático fazer-se alusão novamente à Grécia antiga: nesta época, por volta de 450 a.C., a democracia em Atenas aflorava, com o governo exercido pelo povo na Assembleia. Qualquer cidadão ateniense que estivesse presente poderia fazer uso da palavra. Porém, apenas os que possuíam uma boa oratória, o conhecimento sobre os assuntos pautados, a habilidade de raciocínio e sabiam utilizar com primazia a voz e os gestos, conseguiam impor seus pontos de vista, através da persuasão. A eloquência, portanto, tornou-se um grande diferencial para os cidadãos em Atenas, fazendo com que o povo, de certa forma, fosse governado por oradores que, por sua vez, eram reconhecidos como referência. (SANTOS, 2011).
A verdade é que, seja na Grécia antiga, seja nos dias de hoje, “não há quem não goste da ideia de conseguir expor seu ponto de vista de uma maneira cristalina e convincente” (SANTOS, 2011). A ânsia pela participação não é uma novidade das gerações atuais; sempre foi assim; o que mudou foram as possibilidades de acesso e utilização das ferramentas que possibilitam tais atividades. Na Grécia antiga, os mais habilidosos com as palavras falavam; atualmente, qualquer um que disponha de acesso à internet pode falar, com um alcance extremamente maior do que antigamente.
As pessoas gostam de se sentirem ouvidas e participantes. Entretanto, mais do que isso, as pessoas gostam de ser admiradas. Na maioria das vezes, elas colaboram na rede não somente por uma questão de vingança com as marcas que lhes decepcionaram, ou eticamente a favor da sociedade; elas participam também com o interesse intrínseco – e, muitas vezes, aparentemente despercebido – de
serem admiradas pelos seus conhecimentos. As informações postadas, as perguntas respondidas, os assuntos polêmicos debatidos; algumas vezes parecem vir como informação desinteressada, de viés unicamente colaborativo para a rede. Não é. Como afirma Mikhail Bakhtin (MENDONÇA, 2003, p.36), “todo discurso é ideológico, em todas as suas manifestações”. Para ele, não existe palavra sem valor; o discurso é dotado de carga de interferência social em todas as circunstâncias. Isso quer dizer que não existe discurso ingênuo. No fundo, o usuário que posta sempre está tentando passar uma ideologia, influenciar redes de pessoas e acumular admiração dos receptores.
Em uma situação em que um consumidor não tem certeza do que fazer, é possível verificar essa atuação ideológica arraigada: quanto mais o usuário emissor consegue facilitar as coisas para os integrantes de suas redes sociais, mais ele consegue ficar em evidência. Exemplificando: ao descobrirem um aplicativo novo para o Facebook ou até mesmo uma nova rede social; indicarem algum site ou blog que ajude a solucionar algum problema; ou postarem em seus Twitters sobre alguma informação útil para seus seguidores; esses usuários emissores de conteúdo passam a ser vistos como pessoas capazes de ajudar na travessia desse imenso e abrangente mar de informação. Dessa forma, se o seu trabalho for realmente ao encontro da informação pretendida pelo internauta receptor, esse usuário emissor torna-se, crescentemente, uma referência online no assunto, ou seja, um webexpert, que será consultado mais vezes e respeitado como tal.
É imprescindível salientar, ademais, que não é repugnante possuir essa ideologia adjunta na participação online. O usuário emissor não está sendo mau caráter ao colaborar. Pelo contrário; é natural de todo ser humano dialogar com a comunidade a sua volta e visar admiração. Assim como na Grécia Antiga, em que os oradores se destacavam por sua eloquência e habilidade nos assuntos, as mídias sociais oferecem espaços para que as pessoas mostrem seu conhecimento e auxiliem seus pares; ganhando, por consequência, reconhecimento pelo seu trabalho e aumentando seu status online. O material disponibilizado traz uma forma própria de poder, o que justifica a motivação para criação de conteúdo.
Segundo a filosofia, a característica da admiração leva o ser humano a se sentir próximo da perfeição que, por sua vez, é composta pelos princípios da ética, estética e lógica. As pessoas procuram mostrar que elas têm sensibilidade para o belo, destreza para o ético e facilidade para o lógico; procuram seguir esses
princípios, sendo éticas (ou seja, boas), estéticas (belas) e lógicas (racionais), pois quando elas se mostram dessa maneira, aproximam-se da perfeição – um ideal que, todavia, não existe.
As redes sociais online são lugares onde os consumidores podem discutir, influenciar e obterem admiração por seus conhecimentos. O ser humano gosta de ser notado, de se tornar ponto de referência. A internet abriu a possibilidade de sanar essa necessidade humana; um dos motivos que a tornou motivo de grande aderência populacional, em todo o mundo, em um espaço de tempo bastante pequeno.
4.2.1. Wikipédia e as postagens anônimas
Por outro lado, a internet abrange também sites de colaboração em que o usuário não é destacado como provedor do conteúdo postado; ou possui a opção de postar como “anônimo”, ficando somente seu comentário ou texto. Com isso, ele não recebe os créditos que o exibe para a rede, mas, mesmo assim, participa na criação de conteúdo disponibilizado. A maior enciclopédia digital do mundo, Wikipédia, utiliza esse modelo.
Ela reúne atualmente mais de 19 milhões de artigos (dentre esses, mais de 700 mil em português) escritos de forma colaborativa por voluntários de todo o mundo, e permite que qualquer pessoa com acesso ao site faça modificações ou atualizações nos textos. A credibilidade dada a ela é consideravelmente grande também: é considerada, atualmente, tão credível e precisa quanto a enciclopédia Britannica (TERDIMAN, 2005). Porém, não identifica formalmente os usuários que criam ou modificam seu conteúdo. Quem posta na Wikipédia, posta com a consciência de que não será evidenciado como expert sobre o assunto; apenas colaborará para que mais conteúdo fique a disposição dos internautas globais.
Por que, mesmo assim, as pessoas participam com esse trabalho imaterial, sendo que não são identificadas por ele? Segundo Lima e Santini (apud ITO, 2011, p.72), o que motivaria esse movimento comum (que implica em desconhecimento da identidade real entre os colaboradores) de criação e edição coletiva de conteúdos de plataformas de produção colaborativa aberta (como a Wikipédia) seriam interesses não capitalistas. Esse viés explica que, em virtude da característica desses
interesses, as pessoas de todo o mundo se voluntariam a dedicar parte substancial de seu tempo para, por exemplo, redigir ou aprimorar um verbete da Wikipédia.
Muitos fazem isso porque consideram esta atividade divertida, outros o fazem porque acreditam estar retribuindo conhecimento à sociedade, e outros ainda porque querem se sentir parte de uma iniciativa global que pode beneficiar diretamente centenas de milhares de pessoas.” (LIMA, SANTINI, 2007, apud ITO, 2011, p.72)
Nesses casos, portanto, as pessoas participam porque se sentem bem em fazer parte de um grupo colaborativo, seja por motivos de diversão ou consciência coletiva. Esse mecanismo utilizado por sites colaborativos como a Wikipédia tem feito bastante sucesso, e colocado a disposição mais conteúdo que compõe a inteligência coletiva de Lévy.
Essas postagens não identificam os autores, nem lhes atribuem créditos por seus conhecimentos. Entretanto, isso não quer dizer que seja inexistente o desejo do usuário colaborativo em ser referência. Da mesma maneira, ele quer colocar sua ideia para que ela seja aceita pela parcela geral; se sente bem em fazer parte e discorrer sobre assuntos que serão lidos por seus semelhantes. Mesmo não identificado, é seu discurso que está presente na rede – há uma limitação da ferramenta quanto à identificação dos colaboradores, mas não é possível se afirma que, necessariamente, não haja o desejo de poder ser reconhecido por seu trabalho (prova disso é o fato de que alguns autores colocam seus nomes no rodapé de seus textos disponibilizados na Wikipédia).
Por fim, quanto às postagens anônimas propositalmente, é assertivo se concluir, todavia, que o usuário preferiu não se identificar mais para não receber a responsabilidade causada por suas palavras, do que por um abrir mão de ser admirado pelo seu conhecimento.