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Eril Dişi Sistemde Kadın Erkek İlişkileri

Belgede COVİD- 19 VE ETKİLERİ (sayfa 31-34)

SONUÇ YERİNE

1. Eril Dişi Sistemde Kadın Erkek İlişkileri

“[...] com a elaboração de Iamamoto, a vertente da intenção de ruptura se consolida no plano teórico-crítico. E se o faz pelo resgate da inspiração marxiana, é no seu leito que podem ser colmatadas as lacunas e solucionados os problemas que a própria autora não equacionou inteiramente.”

José Paulo Netto151

Dois pensadores serão responsáveis pelo evolver de algumas questões até suas últimas consequências sob a perspectiva teórico-metodológica herdeira do legado marxiano e resgatada pela própria Iamamoto, como já pontuamos. As contribuições desses autores são de extrema saliência no tocante ao método enquanto forma de proceder no pensamento — o que tentaremos demonstrar daqui por diante. Estamos falando de José Paulo Netto152 e Yolanda Demetrio Guerra. Ambos, em suas contribuições, prosseguem em fina sintonia com a proposta histórico-metodológica inaugurada por Iamamoto na profissão explicitamente filiada à teoria social de Marx, mesmo quando, teoricamente, dessolidarizam de algumas das soluções de Iamamoto. O que caracteriza, sobretudo, a linha evolutiva de mais do que simplesmente uma teoria acerca da profissão, trata-se de uma nova forma de apreender intelectualmente a profissão e sua realidade, que deflagra mais que isso: um novo método para leitura da realidade (relações sociais) pelos próprios profissionais.

Vale salientar, que Iamamoto, com invulgar justeza, se mantém como aquela que primeiro desenhou os termos exatos para uma nova consciência teórico-profissional (crítica de si) que permitiu apanhar o processo de significação da profissão nas duas dinâmicas principais que se debatem entre as relações sociais: aquela tocante às demandas postas ao Serviço Social na esfera da reprodução da sociedade; e outra, dinâmica interna à realidade profissional, que transladam os níveis da mera teorização153.

Nessa linha evolutiva de uma nova consciência (crítica de si) no Serviço Social é ainda imprescindível para nossa discussão destacar um aspecto: a marca de uma dinâmica

151 In: NETTO, 2001, p. 301.

152 Ficou evidente nossa referência já desde o início desde capítulo à obra de Netto. Nos detemos anteriormente ao título Ditadura e Serviço Social: uma análise do Serviço Social no Brasil pós-64 (2001); a partir de agora, iremos nos debruçar naquela produção teórica anterior a esta, mas que com ela compõe a totalidade de um único trabalho — a tese de doutoramento do referido autor no marco do Programa de Pós- Graduação em Serviço Social da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) —, e atende sob o título de Capitalismo Monopolista e Serviço Social (2005).

dialeticamente negativa no seu movimento enquanto “generalidade consciente”. Em cada

nova contribuição que surge a partir de um pensador (a exemplo de como demonstraremos em Netto ou Guerra), uma fração da contribuição anterior (a exemplo de Iamamoto, nosso ponto de partida) é tanto conservada como negada (Aufheben, ver capítulo I). Cada autor na sua singularidade enquanto consciência de um indivíduo debruçado sobre o estudo dos fundamentos teórico-metodológicos e profissionais do Serviço Social — nos diversos subtemas que se possam derivar — contribui para o desenvolvimento de uma mais ampla e abrangente consciência teórico-profissional (coletiva e mais geral); mas não ao modo do movimento de uma consciência por si mesma de face hegeliano (que já analisamos criticamente), ao contrário, trata-se de uma consciência que surge e se estabelece a partir do desenvolvimento histórico real de determinados sujeitos intelectuais (assistentes sociais ou não) dentro da sociedade em que vivem e na qual emerge o Serviço Social enquanto instituição.

Há mais: essa consciência crítica de si é indissociável de sua base real e histórico- social; não pode mover-se por si mesma, num suposto plano exclusivamente espiritual e autônomo. É historicamente determinada, e desenvolve reações que podem ser determinantes na sua história a partir de uma particularidade desenvolvida concretamente nessa sua própria história. É historicamente que compõe um complexo de (auto)representações teórico- profissionais — obviamente marcada por uma dimensão ideológica — que se particulariza concretamente na forma social que adquire o Serviço Social quando emerge enquanto profissão dentro da divisão sócio-técnica do trabalho em determinado momento histórico caracterizando-se por uma determinada relação entre os sujeitos reais (os profissionais) e as relações sociais e como estas se apresentam nesse momento histórico. Essa relação desses sujeitos numa particularidade histórica determina sua consciência; no caso da consciência crítica de si, é exatamente ao assumir uma perspectiva de classe no contexto dos embates

sociais e políticos da sua época. Ressaltamos que não se trata de uma suposta “consciência de classe” dentro da profissão, mas de uma forma de consciência teórico-profissional no Serviço

Social colocada por indivíduos mediados por uma perspectiva de classe. No Serviço Social a perspectiva assumida é aquela que se põe criticamente na leitura da realidade burguesa, desmistificando os desdobramentos da mercadoria fundados na relação capital/trabalho e revelando a questão social nas suas expressões ao mesmo tempo que desvenda na reificação a clara tendência de alienação das formas de consciência. Sendo crítica, a perspectiva assumida é voltada para trazer à ordem do dia a condição expropriada da classe trabalhadora e os diversos segmentos nos quais se desdobra.

Destarte, se universaliza quando conserva uma generalidade abstrata comum a todas suas manifestações: a forma como procede ao nível do pensamento frente à realidade; numa palavra, o método. Essa universalidade também está assentada numa factualidade histórica dessa consciência: em nosso caso, o momento inicia-se com o processo de renovação do Serviço Social, sobretudo com a nomeada intenção de ruptura — mais precisamente com a reflexão de Iamamoto. O próprio desenvolvimento do particular, quando o torna mais rico e maduro, permite o estabelecimento de uma universalidade. Em cada nova formulação deflagrada pelos sujeitos pensantes que singularmente agregam uma nova contribuição nessa linha evolutiva de ideias, vêm à tona uma tensão crítica que dá sua dinâmica nas modalidades de expressão que na e pela linguagem adquire expressão teórica viva. A cada passo formulações teóricas são dialetizadas entre negação e reafirmação (Aufheben); para que prossiga o movimento, nada escapa em ser tanto negado quanto reafirmado, dinâmica na qual nenhuma contribuição está imune de críticas.

1.3 Netto e Iamamoto: a interlocução no aprofundamento da desmistificação da

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Benzer Belgeler