O programa CRIATEC é uma iniciativa do BNDES para suprir a lacuna de capital semente no país. Lançado em novembro de 2007, o CRIATEC é um fundo de investimento de capital semente com
91 Os investimentos estruturados também incluem fundos imobiliários que não foram considerados no somatório total
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patrimônio de R$ 100 milhões que “tem como objetivo obter ganho de capital por meio de investimento de longo prazo em empresas em estágio inicial (inclusive estágio zero), com perfil inovador e que projetem um elevado retorno”92. Cada empresa investida pode receber na primeira rodada de investimentos até R$ 1,5 milhão com possibilidade de receber mais R$ 3,5 milhões em uma segunda rodada, perfazendo um total de R$ 5 milhões. A venda da participação na empresa investida acontece em um período que pode variar entre 2 (dois) e 10(dez) anos após o investimento (Fundo CRIATEC, 2013).
A gestão do CRIATEC é formada por uma colaboração entre os setores público e privado. Na gestão do fundo encontra-se o consórcio formado pela Antera Gestão de Recursos S.A. e a Inseed Investimentos Ltda. Já na relação de investidores, além do BNDESPAR que fez um aporte de R$ 80 milhões no fundo, o CRIATEC também conta com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento no Nordeste do Brasil (BNB) e apoio do BNY Mellon Serviços Financeiros.
Observa-se que a política de investimentos do CRIATEC restringe o universo de empresas apoiáveis àquelas que possuem faturamento líquido de, no máximo, R$ 6 milhões no ano imediatamente anterior à capitalização do fundo, sendo que: i) no mínimo 25% do patrimônio do fundo deve ser investido em empresas com faturamento de até R$ 1,5 milhão; e ii) no máximo 25% do patrimônio do fundo deve ser investido em empresas com faturamento entre R$ 4,5 milhões e R$ 6 milhões. O CRIATEC também apoia empreendedores individuais que tenham tecnologias nas fases de conclusão de pesquisa ou prototipagem com alto potencial de mercado93.
Em novembro de 2013, a carteira de investimentos do CRIATEC contava com 37 empresas investidas, classificadas em cinco segmentos específicos e um segmento denominado multissetorial94. Os segmentos específicos são formados por 10 (dez) empresas do segmento de Saúde Humana, 8 (oito) empresas do segmento de Agronegócios, 6 (seis) empresas do segmentos de TI/Eletrônica, e 3 (três) empresas do segmento de Energia Limpa. O segmento multissetorial é formado por 9 (nove) empresas com produtos e/ou serviços em áreas como Automação Industrial e Novos Materiais (QUADRO 3).
92 Disponível em: < http://www.fundocriatec.com.br/interna.php?p=quemSomos>. Acesso em: 14 nov. 2013. 93 Disponível em: <http://www.fundocriatec.com.br/interna.php?p=criterios>. Acesso em: 14 nov. 2013. 94 Disponível em: <http://www.inseedinvestimentos.com.br/portfolio/>. Acesso em: 17 nov. 2013.
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Esses dados revelam que o CRIATEC possui uma carteira de investimentos diversificada com foco em novas micro ou pequenas empresas emergentes com maior conteúdo tecnológico, diferenciando-se da maioria das organizações privadas de VC discutidas na subseção 5.3.3, que tem o foco em empresas do segmento de TIC com tecnologias e produtos já bem definidos.
QUADRO 3 – Perfil dos investimentos do Fundo CRIATEC
Empresa Ano Fundação Cidade/Estado Segmentos de Negócio
Acser 2005 Contagem/MG Multissetorial
(Automação industrial) Amazon Dreams 2002 Belém/PA Multissetorial (Biotecnologia)
Arvus 2004 Florianópolis/SC Agronegócios
Bioclone 2008 Eusébio/CE Agronegócios
BioLogicus 2004 Recife/PE Saúde Humana
BR3 NI São Paulo/MG Agronegócios
Bug 2002 Piracicaba/SP Agronegócios
Celer NI Belo Horizonte/MG Saúde Humana
Cianet NI Florianópolis/SC TI/Eletrônica
CVD Vale 1997 São José dos Campos/SP Multissetorial (Novos Materiais)
Daccord 2000 Recife/PE Mídia/Entretenimento
Deprocer NI Rio de Janeiro/RJ Multissetorial (Novos Materiais)
Diagnext NI Fortaleza/CE TI/Eletrônica
Enalta 1999 São Carlos/SP Agronegócios
Edetec NI Belo Horizonte/MG Saúde Humana
Geofusion NI São Paulo/SP Multisetorial
Hortiagro NI Lavras/MG Agronegócios
Imeve Biotecnologia
1980 Jaboticabal/SP Agronegócios
Inviron 2003 São Paulo/MG TI/Eletrônica
In Vitro Cells NI Belo Horizonte/MG Saúde Humana
Magnamed NI São Paulo/MG Saúde Humana
Nanoselect NI Rio de Janeiro/RJ Energia Limpa
Nanovetores NI Florianópolis/SC Multissetoral (Novos Materiais)
168 QUADRO 3 – Perfil dos investimentos do Fundo CRIATEC
(Continuação) Empresa Ano Fundação Cidade/Estado Segmentos de Negócio
Polinova NI Rio de Janeiro/RJ Multissetoral (Novos Materiais)
Purainova NI São Paulo/SP Saúde Humana
Radiopharmacus 2002 Porto Alegre/RS Saúde Humana
Rizoflora NI Viçosa/MG Agronegócios
Sabor Tropical NI São Gonçalo do Amarante/CE
Multissetorial
Silicon Reef NI Recife/PE Energia Limpa
Subsin NI Rio de Janeiro/RJ Energia Limpa
Tmed 1997 Recife/PE Saúde Humana
Trymed/Biocâncer 2004 Belo Horizonte/MG Saúde Humana
Usix NI Fortaleza/CE TI/Eletrônica
Vida Biotecnologia NI Belo Horizonte/MG Saúde Humana
Xact Tecnologia NI Fortaleza/CE TI/Eletrônica
Welle Tecnologia Laser
NI Florianópolis/SC Multissetorial
Fonte: Elaborado pela autora a partir do Fundo CRIATEC.
Dois elementos do QUADRO 3 chamam a atenção. O primeiro é que empresas constituídas muitos anos antes do CRIATEC ter sido sequer imaginado foram investidas como, por exemplo, a Imeve Biotecnologia (fundada em 1980). O segundo é que as 37 empresas investidas pelo CRIATEC estão concentradas em oito Estados, assim distribuídas: 11 em Minas Gerais, 6 (seis) em São Paulo, cinco no Ceará, 5 (cinco) em Pernambuco, 4 (quatro) no Rio de Janeiro, 4(quatro) em Santa Catarina, 1 (uma) no Pará e 1 (uma) no Rio Grande do Sul. Ou seja, apesar da diversificação regional, mais da metade das empresas que receberam aporte de capital se concentram na região Sudeste.
Ainda é cedo para avaliar o sucesso do CRIATEC como um fundo de investimento, mas ele já contabiliza o primeiro desinvestimento e retorno ao “Estado investidor”. A empresa Usix Serviços de Informática S.A. que recebeu aporte de R$ 1,5 milhão ao longo de um ano e meio foi adquirida pela Ebix Inc., empresa norte-americana líder mundial em soluções de software e comércio eletrônico para o setor de seguros. O valor da venda não foi divulgado, mas nas palavras do gestor
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do fundo: “o retorno foi bastante elevado e maior do que as nossas melhores expectativas”95. Outras
empresas do fundo – como a Bug Agentes Biológicos que produz insetos para o controle de pragas em lavouras, substituindo agroquímicos – também estão sendo monitoradas por investidores estrangeiros como a organização de VC norte-americana Kleiner, Perkins, Caufield & Byers e a multinacional israelense Bio-Bee Biological Systems96.