4.FABRİKA BİLGİLERİ VE ANKETLERİN UYGULAMA AŞAMASI
4.7. Ergonomik Kontrol Listesi ile Nitel Gözlem Yapılması
4.7.2. Ergonomik Risk Bulguları ve Değerlendirilmesi 1.Kısım: Tekrarlayan Hareketler 1.Kısım: Tekrarlayan Hareketler
A primeira transposição do Sítio para os quadrinhos aconteceu no mês seguinte do início do seriado do Sítio na Rede Globo, em abril de 1977, pela editora RGE, que fazia parte do Grupo Globo. De acordo com Silva (2013), a revista possuía 52 páginas, com distribuição nacional e seu primeiro número vinha acompanhado de um adesivo da Emília de brinde e uma tiragem de 120 mil exemplares, que rapidamente se esgotaram, fazendo com que a editora liberasse a impressão de mais 100 mil exemplares.
Figura 14 – Capa da primeira edição da revista em quadrinhos do Sítio em 1977. Fonte: SILVA, 2003.
Nesta época, a indústria dos quadrinhos infantis crescia muito no país, com o sucesso de vendas de revistas da Disney e da Turma da Mônica, de Maurício de Souza, pela editora Abril. Silva (2013) explica que a equipe de criação da revista do Sítio era dirigida por Luiz Felipe Aguiar e era composta por vários desenhistas, como o editor de arte Ambrósio Dutra Moreira e o desenhista Gustavo Machado. O objetivo da revista era atrair o público que acompanhava a série animada pela TV e procurava pela revista, como uma forma de continuar dentro do universo do sítio.
A talentosíssima equipe de criação de hqs da RGE conseguiu traduzir fielmente a atmosfera do programa de TV. Tudo estava lá. A Emília, Narizinho, Pedrinho, Dona Benta e Tia Nastácia tinham alguma semelhança com os atores que os
interpretavam. Os cenários e ambientação das histórias eram bem próximos do que víamos na TV. E era isso que encantava os leitores. Ao término de cada programa, que ia ao ar de segunda à sexta às 17:25, as crianças tinham o gibi para continuar mergulhado no universo de Monteiro Lobato. (SILVA, 2013, online).
Uma característica importante das histórias em quadrinhos do Sítio é o seu caráter inovador ao não apresentar somente uma adaptação do material literário ou televisivo, mas sim criar novas histórias sem descaracterizar o mundo criado por Lobato, antecipando assim um caráter transmidiático de expansão do universo do Sítio. Essa é uma prática comum dos quadrinhos infantis que são adaptações de outras mídias. Quadrinhos da Turma da Luluzinha, Picapau, Popeye, Mickey, entre outros, realizam expansão dos universos devido à característica de necessidade de criação de muitas histórias para cada edição lançada, bem como incentivo para atrair os fãs que estão em busca de novidades.
Assim, as histórias publicadas nas revistas do Sítio procuravam apresentar novidades e apresentavam muitas participações especiais de personalidades conhecidas da época (Anexo 2).
Os roteiros, além de contar as aventuras da turma no Sítio, incluíam lendas, personalidades históricas, artistas da época, em um mix de diversão, conhecimento e entretenimento, tal e qual sua versão televisiva. Nessa primeira fase, os leitores puderam apreciar e curtir histórias com a participação do Barão de Munchausen, o ex-presidente do Brasil Juscelino Kubistchek (mesmo em época de fim de ditadura), Horta (presidente do Clube Atlético Fluminense, que vem ao Sítio para contratar um craque e quase contrata o Saci, imaginem só!), Tiradentes, Auguste Rodin, entre outros. (SILVA, 2013, online).
A produção da revista do Sítio prosseguiu até agosto de 1979, quando foi interrompida para a realização de uma reformulação editorial, conforme explica Silva (2013, online):
A diretoria da empresa decide reformular os personagens e o estilo gráfico do título. Tal reformulação foi feita por um ilustrador de fora, contratado apenas para isso. Os artistas da casa se sentiram desprestigiados e muitos pediram demissão ou foram trabalhar como free lancer. [...]. Concluída a reformulação, surgem as novas revistas. Em outubro de 1979, sai o primeiro número da revista da Emília e, no mês seguinte, a do Visconde. Também foi lançada a revista do Pedrinho e até o título principal foi relançado. A nova revista do Sítio, trazendo além de hqs, textos e passatempos, foi lançada em agosto de 1981. Algum tempo depois, mudou de nome passando a se chamar Revista do Sítio. Essa segunda fase durou 36 números que circularam nas bancas entre 1981 e 1984.
Figura 15 – Novo título lançado em 1979, marcando a reformulação dos personagens. Fonte: SILVA, 2013.
As revistas do Sítio já haviam sido canceladas quando o seriado do Sítio parou de ser produzido pela Rede Globo e não houve nova produção até o lançamento da nova versão do Sítio para a televisão. Nesse ínterim, apenas revistas promocionais publicitárias, divulgação de brinquedos e alguns produtos do Sítio foram produzidos, estimulados, principalmente, pelas reprises do seriado da década de 1970 ocorridas na década de 1990.
Figura 16 – Revista do Batavinho, promocional dos produtos Batavo (década de 1990).
Fonte: SILVA, 2013.
Na década de 2000, com o retorno de produções inéditas do Sítio para a televisão, a Editora Globo não investiu na produção de quadrinhos logo de início. A editora havia cancelado várias revistas ao longo da década anterior e mantinha apenas a produção das revistas da Turma da Mônica.
Essa realidade mudaria com um projeto firmado entre a editora Globo e o Governo Federal, que resultou na criação de uma revista em quadrinhos de divulgação do projeto do
governo chamado “Fome Zero”.
Uma revistinha de 36 páginas, comprada nas bancas a 1 real, dava a oportunidade a 6 famílias conhecerem e se beneficiarem do programa Fome Zero, mola mestra do primeiro mandato de Lula, na época Presidente do Brasil. As histórias, de cunho didático mostravam a necessidade de se ter um país sem miséria, a importância da reciclagem do lixo, do não desperdício da água, da limpeza dos rios e cidades. Produzida nos estúdios de Roberto Fukue, com a colaboração de João
Anselmo, Marcos Alves, Flávio Bezerra e Fernando Jr, a revista não tinha periodicidade definida e teve um total de 4 edições lançadas. (SILVA, 2013, online).
Figura 17 – Revista do Sítio do projeto “Fome Zero”
Fonte: SILVA, 2013.
Em julho de 2006, a editora Globo perdeu o contrato que tinha com Maurício de Sousa (ele passou a editar suas revistas em quadrinhos pela editora Panini) e se encontrou em uma situação difícil por ter que oferecer uma alternativa aos seus assinantes, pois nesse momento fora os quadrinhos do Maurício eles editavam apenas uma revista em quadrinhos do escritor Ziraldo. Assim, foi decidido lançar revistas em quadrinhos da Turma do Sítio do Picapau Amarelo.
Em novembro de 2006, chegam às bancas as revistas em quadrinhos do SÍTIO com 68 páginas (quinzenais!), CUCA com 36 páginas mensais e VOCÊ SABIA? Título educativo que já existia com os personagens do Maurício, também mensal. [...]. Seguindo o mesmo método de trabalho, aplicado nos anos 1990, havia na editora uma redação enxuta, que apenas fazia a edição, aprovação de roteiros, revisão e capas das revistas. Toda a parte de criação era feita por estúdios externos. Apenas a colorização era feita dentro da editora, por uma equipe contratada.
Para dar conta de uma grande produção mensal, vários estúdios passaram a produzir hqs para os três títulos. Começou com Rosana Valin (Cor e Imagem), Roberto
Fukue e Luis Podavin (Digiclan) e o desenhista Kanton. Em fevereiro de 2007, a revista do SÍTIO torna-se mensal e um novo título chega às bancas: EMÍLIA. Foi aí
que muitos artistas e estúdios passaram a colaborar com a editora para suprir a demanda de 4 títulos de hqs em bancas. Eli Leon, Marinho Gomes, Estúdio
Zabumba, Fernando Arcon nos desenhos. Eduardo Vetillo retornava aos quadrinhos infantis, assim como Sérgio Morettini (criador do Mico Legal). Nos roteiros, Denise
Ortega, Raimundo Guimarães, Roberto Munhoz, Verde, Edde Wagner, Tina Glória, Ruy Jobim, Jorge Barreto, Gustavo Luiz, Julia Spadaccini (atualmente nos roteiros da novela Malhação), Victor Klier. Boa parte das capas eram criação e arte de Sérgio
Furlani (Pardal) ex-desenhista Disney da Abril. (SILVA, 2013, online).
Figura 18 – Revistas do Sítio produzidas entre 2006 e 2007.
Fonte: SILVA, 2013.
As histórias eram originais e não apenas adaptações literais das histórias de Lobato ou do seriado, havia expansão da narrativa sem desrespeitar a base do universo desenvolvida por Lobato. Silva (2013) conta que as revistas duraram pouco tempo e, em dezembro de 2007, a editora Globo resolveu cancelar todos os seus títulos de histórias em quadrinhos e passaria a publicar apenas álbuns em livrarias (que estão à venda até hoje no catálogo da editora).
Figura 19 – História em quadrinhos do Sítio em livro.