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Ambos métodos são considerados, por nós, principais dentro do campo da improvisação dirigida, muito por sua difusão e influência na música ocidental contemporânea, cada qual com sua particularidade. Nos últimos anos, o interesse pelo estudo de Soundpainting teve uma expansão exponencial, principalmente na Europa e nos Estados Unidos. Por outro lado, o Conduction® não foi tão difundido, mas influenciou no desenvolvimento de outros métodos a partir de sua base. Morris acreditava que cada regente deveria criar sua própria linguagem de acordo com suas inquietações e necessidades, proporcionando uma visão muito aberta para a interpretação e reinterpretação de seu próprio método.

1.4.1 América do Norte

Tanto o Soundpainting quanto o Conduction® ficaram bem conhecidos nos EUA, principalmente na downtown scene de Nova York, pois Thompson e Morris estavam constantemente se apresentando em casas noturnas e teatros da cidade. Posteriormente, em muitos casos, músicos que participaram e acompanharam, durante algum tempo, as sessões de performance de Thompson e Morris, acabaram por criar seus próprios grupos de improvisação dirigida. Evan Mazunik, por exemplo, foi durante muitos anos membro da orquestra oficial de Soundpainting de Walter Thompson, participando tanto como músico, quanto como regente. Após a sua saída, continuou seus estudos em Soundpainting, mas começou a buscar novas abordagens, tocando ou tendo contato com outros regentes e seus sistemas de improvisação dirigida. Participou de montagens do Cobra, de John Zorn, tocou com Morris, Berger, Braxton,

Deane, etc.. Estudioso da prática, usa da base sintática do Soundpainting, mas cria parte do seu próprio léxico de códigos, agregando gestos e sinais de vários outros métodos e, consequentemente, um estilo bastante singular. Outros nomes como Tomi Tsunoda, Gill Selinger, Leese Walker também podem ser citados como discípulos de Thompson e Dino Deane de Morris nos Estados Unidos.

1.4.2 América do Sul

Em 1998, Butch Morris viajou para Argentina para fazer uma de suas performances, o Conduction #104, que aconteceu em um festival de música experimental de Buenos Aires, o “Experimenta ’98”. Para compor sua orquestra, Morris convidou Santiago Vazquez, que era um percussionista renomado na época. Vazquez não poderia fazer o concerto com Morris por causa de um outro compromisso em sua agenda, mas se prontificou a comparecer nos ensaios. Muito impressionado, Vazquez decidiu desenvolver a técnica de Butch e aplicá-la em seu contexto musical. Baseado no método de Morris, criou ao longo de alguns anos o seu sistema Percussión con Señas ,desenvolvendo-o à medida em que tocava com seu grupo La Bomba del Tiempo.

La Percusión con Señas es una nueva forma hacer percusión, basada en la improvisación grupal en la que, mediante un lenguaje de alrededor de 150 señas realizadas con las manos y el cuerpo, un director puede coordina el flujo de la improvisación convirtiendo a la suma de las ideas individuales en una verdadera composición colectiva. (VAZQUEZ, 2013)

La Bomba del Tiempo ficou também conhecida por tocar todas as segunda-feiras em

um enorme espaço com capacidade para 2000 pessoas em Buenos Aires, a Ciudad

Cultural Konex. Neste evento, o grupo executava durante horas uma espécie de “rave”

improvisada, apenas com instrumentos acústicos e ritmos acelerados, enquanto o público dançava. Cerca de 15 a 20 percussionistas compunham a orquestra.

La Bomba de Tiempo practica la percusión con señas. Desde el comienzo hasta el final la música que hacen está improvisada y dirigida a través de un sistema

de más de 100 señas que hace el director con las manos, los dedos y el cuerpo. Cada concierto es único e impredecible ya que depende de la interacción de todos los involucrados en el ritual: los músicos, el director, el público, el lugar, la acústica, los instrumentos, el clima y el momento. (KONEX, 2015)

Em 2014, Santiago lançou seu primeiro livro, o Manual de Ritmo e Percussión con

Señas, um workbook bilíngue (em espanhol e inglês) que demonstra e ensina o

funcionamento do método de Vazquez.

No Brasil, influenciada por seu conterrâneo, a musicista argentina Milagros ‘Chaya’ Vazquez radicada em Belo Horizonte, criou seu grupo de improvisação dirigida, o Frito na Hora, baseando-se no método de Santiago. Ao mesmo tempo, a vinda de Walter Thompson ao Brasil, em 2011, ao Festival Internacional de Improvisação (FIMPRO) que aconteceu em Belo Horizonte, foi um marco na difusão do Soundpainting no Brasil e acabou por influenciar vários músicos da cidade, inclusive Chaya, quem decidiu abarcar alguns conceitos e códigos do Soundpainting. A partir daí, desenvolveu seu método de improvisação dirigida de uma forma híbrida, contendo tanto códigos advindos do método de Thompson quanto de Vazquez e senhas de sua própria autoria. Posteriormente, Chaya nos convidou a iniciar um projeto em conjunto, a Manufaturada Orquestra, que deu início à todo o processo desta pesquisa.

1.4.3 Europa

Tanto Morris como Thompson fizeram performances em países da Europa e acabaram por atrair interessados em seus sistemas inovadores. Contudo, talvez por uma série de fatores históricos, incluindo a mudança de Thompson para a Suécia e a sua relação com François Jeanneau, o Soundpainting ficou, muito mais do que o Condiction®, rapidamente conhecido em diversos países do continente, principalmente na França. Hoje existem vários Soundpainters certificados que utilizam da linguagem e ensinam o sistema: Vincent Le Quang, Sabine Vogel, Evan Mazunik, Jennifer Rahfeldt, Sonja Korkman, Christophe Mangou, Jeffrey Agrell, Angelique Cormier, Gustav Rasmussen,

Ketil Duckert, Sylvain Mazens, Etienne Rolin, Sarah Weaver, Todd Reynolds, Rafaele Arditti, etc.

Benzer Belgeler