2. GENEL BİLGİLER
2.9. Tedavi
2.9.1. Epley manevrası
PÚBLICO PARTICULAR
Ano Total Federal Estadual Municipal Total % Total %
1957 1.351 31 186 47 264 19.5 1.087 80.4
1958 1.621 30 400 55 485 29.9 1.136 70.0
1959 1.713 31 388 72 491 28.6 1.222 71.4
320 A Lei nº 4.177/58 exigia a aprovação de 60% do valor dos títulos, e pelo seu Artigo 3º, cabia a uma Comissão nomeada pela Congregação de Professores do estabelecimento, julgar a documentação e aprovar a solicitação da estabilidade do candidato. (CEARÁ, Diário Oficial do Estado do Ceará, 18/08/1958, Lei nº 4.177 – Concede estabilidade profissional aos servidores que indica dá outras providências).
321 A sigla R-24, significa a referência da função na escala de funcionários mensalistas.
322 CEARÁ, Diário Oficial do Estado do Ceará, 18/08/1958, Lei nº 4.177 – Concede estabilidade profissional aos servidores que indica dá outras providências.
1962 2.559 34 705 87 795 31.0 1.733 67.2
1963 2.901 30 793 74 897 30.9 2.044 70.4
1964 2.722 66 820 98 984 36.1 1.738 63.8
1965 2.975 51 956 106 1.113 37.4 1.862 62.5
1966 3.226 36 1.092 113 1.241 38.4 1.985 61.5
É notória a elevação nos dados do ano de 1958, em relação ao ano anterior, e seu progressivo acréscimo no decorrer dos anos 1960. Contando com um número de profissionais, em torno de 186, no ano de 1957, esse índice chega a atingir o número de 400 professores no ano seguinte, período de início do crescimento vertical da matrícula nos colégios oficiais do estado. Daí em diante, verifica-se um progressivo acréscimo, ocasionado pela contratação de inúmeros professores suplementares, chegando à marca de 820 mestres, em 1964, ano de funcionamento dos primeiros Anexos.
O ingresso desses novos docentes, até 1964, havia sido efetivado sem a abertura de concurso público ou mesmo a criação imediata das devidas funções, embora a LDBEN houvesse determinado o concurso público de provas e títulos como instrumento para legitimar o ingresso do docente na rede oficial, um critério que não foi seguido no momento de instauração da política de ampliação do ensino secundário no Ceará. De acordo com a notícia, A Real situação do ensino: suplementares era a solução para uma situação de fato, publicada na edição do jornal Gazeta de Notícias no ano de 1962, percebe-se que a figura do professor suplementar vinha representando o verdadeiro sustentáculo da política de ampliação do ensino secundário cearense, com consequências para a carreira de professor.
O Colégio Estadual Justiniano de Serpa, criado em 1959 pelo atual Govêrno324 tinha em 1958 um efetivo de 1.200 alunas, como Instituto
de Educação e compreendendo os cursos primário, normal e secundário. Desmembrado o curso secundário do primário e Normal, estes transferidos para o hoje Centro Educacional, da 13 de maio, o Colégio Estadual Justiniano de Serpa teve criado, em 1959, o turno da noite. O número de alunos passou a mais de 3.000. De 1959 até esta data, a despeito do aumento vertiginoso de sua matrícula – resultado da criação indispensável de inúmeras turmas do ginasial e colegial, a despeito também da criação do turno da noite, não foi criado um só cargo para funcionário, nem função para professor. O colégio Estadual Justiniano de Serpa conta com um quadro de 33 catedráticos, sendo que 13 estão à disposição; 26 funções, com 4 à disposição. Seria possível a tão pequeno número de professores o atendimento escolar
de quase quatro mil alunos? O serviço burocrático, o que é óbvio, também cresceu. O caminho tomado pelo Govêrno foi a criação de turmas suplementares, admitindo de 1958 a esta data, 102 professores como contratados, pagos a salário aula – incialmente de 60 e até fevereiro dêste ano, a 150 cruzeiros. Sem posição funcional definida, os professores de turmas suplementares, bem como os funcionários admitidos, daí então, passaram a perceber pela Verba Consignação Vs. Despesas Diversas325.
O excerto acima, embora extenso, serve de parâmetro para averiguar as condições impostas aos colégios oficiais do Estado, resultantes da política de expansão do governo estadual e federal. Tanto o Liceu do Ceará como o Colégio Justiniano de Serpa vinham enfrentando dificuldades em relação ao corpo docente, uma vez que as contratações efetuadas, a partir de 1958 não resultaram da abertura de funções, sem sequer haver uma previsão orçamentária específica ao pagamento desses professores, pagos com verba destinada a “despesas diversas”. Na mesma notícia há dados sobre o valor gasto pelo governo com pagamento do quadro docente, incluindo as aulas suplementares, no Colégio Justiniano de Serpa. Enquanto eram gastos por mês 13.626,00 cruzeiros com salário dos catedráticos, contando com as aulas excedentes e pagamento dos substitutos; e 671.750,00 cruzeiros com salários das funções, incluso aulas excedentes; o governo estadual pagava 1.425.000,00 somente com aulas suplementares. Isso significa dizer que sem os professores de aulas suplementares não seria possível dar cobertura aos quase 4 mil alunos matriculados na referida instituição, já nesse momento representando a maior parcela do quadro docente.
Os professores suplementares além de perceberem salários mais baixos, em relação aos efetivos, também enfrentavam atrasos em seus vencimentos, uma problemática que foi objeto de denúncia por parte da imprensa cearense. A nota, “Vencimentos em Atraso”, presente na “Coluna Canto de Página”, indica um atraso de cinco meses no salário dos suplementares e traça um quadro da situação deplorável em que se encontravam os mestres, em 1962.
Não foi muito agradável a notícia divulgada por um jornal de que possivelmente o Estado poderá ter dificuldade para manter o funcionalismo em dia [...] os mestres secundaristas, os que “ganhavam” por suplementares, estes estão sem receber nada, absolutamente nada, desde janeiro. Sem esperanças de ver seus
325 GAZETA DE NOTÍCIAS, 15/03/1962, p.04, A real situação do ensino: suplementares eram a solução para uma situação de fato.
vencimentos em dia, os professôres ainda sofrem as consequências da lenta tramitação legislativa na aprovação da Mensagem que cria o quadro do magistério secundário [...] Depois falam que a ausência do professor no colégio oficial é um crime, um ato reprovável e inconcebível. Pois eu digo que surpreendente é o elevado número de professores nas aulas, em razão da situação em que vivemos. Pessoal que vive exclusivamente do salário aula, naturalmente que é forçado a evitar desgaste material e humano na ida ao colégio. Como pagar as dívidas que existem? Como alimentar e sustentar a família? Com que se paga o aluguel da casa, se compra a carne, se vai à farmácia, se manda lavar a roupa, se anda de transporte coletivo?5 meses de atraso nos vencimentos, pensem bem, não é qualquer coisa para animar o cristão – seja ele o mais fiel à doutrina e ao dever. Entregues ao argiota – que nesta hora deixa de ser exclusivamente o sugador de nosso dinheiro e o vampiro de nosso trabalho para transformar-se em autêntico “salvador”, estamos com o resto do ano transformado em letra, promissória e vales [...] Querem que cumpramos o dever, porque não nos dão as condições necessárias a sua concretização? Já que nos faltam instrumentos de trabalho à altura de nossa missão, que nos paguem em dia afastando de nossas vidas, o espectro do desânimo, da fome, da marginalização326.
O relato da ex-professora do Colégio Estadual Justiniano de Serpa e jornalista, Adísia de Sá, demonstra que já no início dos anos 1960 havia uma parcela do magistério secundarista que apresentava condições precárias no exercício da atividade docente, em que um dos principais problemas constituía o atraso nos seus vencimentos. Esse era o cenário dos colégios secundaristas oficiais do Ceará já na primeira metade dos anos 1960, o que contradiz a representação presente no imaginário social de que a categoria dos professores secundaristas, como um todo, apresentava uma condição salarial privilegiada. Além do problema da contratação de suplementares, em detrimento do concurso público para efetivo, diante da heterogeneidade no interior do corpo docente dos colégios oficiais, outro agravante, era a ausência de uma política de regulamentação da carreira do professor do ensino médio. Esse problema passou a ter centralidade com o aumento do contingente de mestres suplementares, considerando que os efetivos eram amparados pelo Estatuto dos Servidores Estaduais.
Nesta direção, a ampliação no quantitativo da categoria, com a sucessiva contratação de suplementares, em meio à aprovação da Lei nº 4.024/61, ocasionou o estabelecimento de um conjunto de medidas com vistas a regulamentar a carreira do professor do ensino médio. A LDBEN, no capítulo IV (Da formação do magistério para o ensino primário e médio), já havia instituído as diretrizes para a estruturação da
carreira do professor secundarista, em todo o País, de acordo com as tendências debatidas no campo educacional naquele momento. Os Artigos 59º e 60º indicavam como critérios fundamentais ao exercício da profissão no nível secundário, a formação, a ser realizada nas faculdades de filosofia, ciências e letras, e as formas de provimento do cargo efetivo, somente por meio de concurso público de provas e títulos. As políticas de ampliação da rede secundária oficial, que vinham sendo implantadas no Ceará desde o final da década de 1950, não atendiam a tais critérios, sobretudo, em razão da carência de professores formados nos cursos de licenciatura.
Somente após as determinações da Lei Federal, o governo estadual cearense passou a estudar formas de normatizar a carreira docente, de modo a atender aos seus preceitos, face à precária situação que se impôs à maioria dos professores das escolas públicas estaduais, momento que reflete sua decisiva ação no campo da profissionalização dos professores secundaristas no Ceará. O primeiro documento legal, nesta direção, foi o Decreto nº 4.823, de 28 de fevereiro de 1962, publicado no final da gestão do governador Parcifal Barroso. O Decreto apresentava como objetivo central regularizar a situação dos professores contratados que ministravam as aulas suplementares.
Considerando que, desde o ano de 1958, cresceu o número de alunos matriculados nos três estabelecimentos oficiais de ensino secundário ou normal sediados nesta capital, e consequentemente o de turmas, de tal modo que os atuais cargos ou funções ali existentes não comportam a distribuição total de aulas que vêm sendo ministradas [...] considerando a necessidade de regularizar a situação desses professores, que ainda não possuem as garantias próprias dos servidores públicos estaduais; [...] considerando que a distribuição de aulas excedentes não está claramente definida em critérios legais [...] considerando que é premente esta disciplinação e embora em caráter de emergência deverá vigorar já no corrente ano letivo [...]327.
A legislação criava 140 funções de professor secundário e 12 funções de Orientador Educativo328, distribuídas nos três colégios oficiais do Estado localizados na capital – Colégio Estadual Liceu do Ceará, Colégio Estadual Justiniano de Serpa e Centro Educacional do Ceará - sendo dada prioridade ao preenchimento das vagas, a
327 CEARÁ, Diário Oficial do Estado do Ceará, 03/03/1962, Decreto nº 4.823 – Cria as funções que indica e dá outras providências.
328 A função de orientador, prevista pela Lei nº 4.024/61, foi instituída nos colégios secundaristas, na gestão do Governador Virgílio Távora (1963-1966).
efetivação dos docentes que ministravam as aulas suplementares329. Essa medida legal tratava especificamente do problema da regularização dos contratos temporários, contudo, o governo vinha estudando uma lei específica para a regulamentação da carreira do professor do ensino médio, que viria a ser a Lei nº 5.989, a qual será tratada mais adiante.
Neste cenário é que surgiu o que, possivelmente, seriam as primeiras associações docentes no setor do ensino secundarista cearense. A iniciativa dos governos, federal e estadual, em torno da estruturação da carreira docente teve como um de seus corolários a mobilização da categoria, num movimento que se direcionou a criação das entidades. Fontes coletadas em jornais locais demonstraram que o magistério secundarista não estava alheio às ações do poder público no campo da educação. Na Coluna “Canto de Página”, do jornal Gazeta de Notícias, foi localizado referências à reivindicação dos professores junto ao governo estadual para que fossem legalizadas suas funções. “Criadas as funções é chegada a vez da segunda etapa ‘carreira de professor’. Essa segunda fase de nossa luta não seria menor do que a primeira, talvez tenha sido tão intensa, forte e cansativa quanto a outra”330.
Antes do ano de 1962, na ausência de associações de professores do ensino secundário331, é provável que o principal instrumento de manifestação dos suplementares, face às ações do governo, tenha sido a imprensa local, a exemplo de outros estados brasileiros332. No caso do Ceará, ainda não existem estudos que analisem, especificamente, o papel da imprensa nas lutas dos professores. Percebeu-se, no entanto, na coleta das fontes hemerográficas que a imprensa local constituiu um veículo fundamental nas reivindicações de suas demandas, continuando a exercer essa função mesmo após a criação das entidades docentes. Era comum a presença de “colunas” em jornais locais, destinadas a discutir assuntos ligados à educação e ao magistério,
329 A Lei nº 4.823/62 determinou que os docentes contratados, num prazo de 180 dias, deveriam prestar um exame escrito de habilitação, salvo aqueles que já tivessem realizado esse exame e o mesmo ainda não tivesse sido aproveitado (CEARÁ, Diário Oficial do Estado do Ceará, 03/03/196, Decreto nº 4.823 – Cria as funções que indica e dá outras providências).
330 GAZETA DE NOTÍCIAS, 30/05/1962, p.03, Coluna Canto de Página, Carreira de Professor.
331 A Congregação de Professores não representava os docentes sem funções, considerando que a estes não era permitida participação. O Sindicato dos Professores do Ensino Primário e Secundário de Fortaleza (SINPRO), fundado em 1942, representava os interesses do magistério em relação ao setor privado, não tendo representatividade para debater perante o Estado e a sociedade sobre assuntos referentes ao magistério oficial, embora muitos de seus filiados também fossem professores de colégios oficiais, tendo o Sindicato exercido um papel na fundação da APEOC, aspecto abordado adiante.
332 Na tese de Paula Vicentini, a autora estuda o papel da imprensa jornalística na trajetória do
associativismo em São Paulo (VICENTINI, P. P., Imagens e representações de professores na história da profissão docente no Brasil (1933-1963). 2002. 212 f. Tese (Doutorado em Educação), FEUSP, São Paulo, 2002).
assinadas por professores. Pode-se destacar a coluna, já citada, “Canto de Página” do jornal Gazeta de Notícias; “Informes do Magistério”, publicada no jornal Unitário333; e
a coluna, “O ensino médio no Ceará”, também do jornal Unitário334.
Através do noticiário citadino é possível acompanhar o impacto da Lei nº 4.024/61 na estruturação da carreira do magistério secundarista cearense, uma vez que, tanto as ações do governo estadual, quanto à organização coletiva docente em prol da regulamentação da profissão, decorrem de sua publicação. A aprovação da LDBEN e, consequentemente, a intervenção mais direta do governo estadual no campo do ensino secundário oficial, podem ser indicados como fatores que impulsionaram o aparecimento das associações docentes no Ceará. Foi nessa circunstância que professores secundaristas passaram a se organizar coletivamente, em torno de entidades. Não obstante, a experiência cearense difere da realidade de outros estados, em que a heterogeneidade do corpo docente secundarista não desencadeou a formação de múltiplas entidades no campo do ensino secundário.
De acordo com Vicentini e Lugli, a APEOESP, em São Paulo, desde sua fundação abrangeu em seu quadro de associados, professores efetivos e interinos, o que corroborou na fase inicial da entidade, “[...] a existência de interesses conflitantes entre os membros do magistério secundário, devido à sua heterogeneidade”335. No caso do
Ceará, identifica-se que a diversidade presente no quadro que, consequentemente, deu origem a interesses diversos no processo de regulamentação do trabalho docente no ensino secundário, foi determinante à formação de três entidades, cada uma direcionada a representar demandas específicas dos professores da rede oficial. Desse modo, observa-se um fracionamento na construção das práticas associativas docentes do nível secundário.
2.3 – A emergência do associativismo docente no magistério oficial cearense face às mudanças no ensino secundário
333 A coluna, Informes do Magistério era assinada pelo professor João Alves Pires.
334 A coluna, O ensino Médio era de autoria do ex-diretor do SINPRO e um dos fundadores da APEOC, professor José Gonçalves Sobreira.
Mariano Enguita no texto, A ambiguidade da docência: entre o profissionalismo e a proletarização, ao analisar a profissão docente, destaca como uma de suas principais características, a heterogeneidade. Para o autor,
referir-se ao ‘professorado’ sem maior especificação é ocultar as notáveis diferenças que separam os distintos grupos de professores, diferenças que dizem respeito a seus salários, suas condições de trabalho, seu prestígio, suas oportunidades de promoção e outros bens e vantagens sociais desejáveis336.
A heterogeneidade, nesta perspectiva, inclui as diferenças existentes entre os diversos níveis de atuação do magistério337, considerando que cada segmento apresentou trajetória específica em relação à formação, remuneração, as formas de regulamentação pelo poder público e singularidades, no que diz respeito, ao exercício das tarefas docentes. Tais diferenças, historicamente, também se expressaram na forma de organização coletiva, cuja tendência no associativismo tenha sido a de o magistério do antigo curso primário e secundário se organizar em torno de associações específicas, fragmentação esta que reflete a própria heterogeneidade da categoria.
O caráter heterogêneo da profissão docente também tem sua expressão no interior do magistério secundarista, na medida em que este tende a apresentar um quadro composto por segmentos diversos. Tomando como referência a trajetória cearense, que se assemelha à realidade nacional, seu corpo docente foi sendo composto por três segmentos – mestres catedráticos, mensalistas e suplementares. No que diz respeito ao vínculo com o governo estadual, esse grupo apresentava diferenças na forma de ingresso, na regulamentação de sua função e no seu padrão de vencimentos. Havia, porém, ainda diferenças relacionadas à formação docente, com a presença de professores portadores do grau de licenciado, obtido nas faculdades de filosofia, ciências e letras; com o nível superior na modalidade do bacharelado; ou docentes sem formação em nível superior.
O processo de composição desse quadro ocorreu num cenário em que a carreira do professor secundarista cearense oficial ainda não era regulamentada, na ausência de diretrizes nacionais que normatizassem aspectos como, forma de ingresso, grau e tipo de formação, padrão salarial, de acordo com um plano de cargos e carreira.
336 ENGUITA, M. F.A ambiguidade da docência: entre o profissionalismo e a proletarização. In Revista Teoria & Educação (Dossiê interpretando o trabalho docente). Porto Alegre: Editora Pannonica, n. 4, p.41-61, 1991.
337 Nas décadas de 1950 e 1960 o sistema de ensino era composto pelos níveis, primário, secundário, técnico e superior.
A promulgação da LDBEN em 1961 constituiu um passo importante nesta direção, na medida em que determinou dois pontos centrais: 1ª) A formação docente a ser realizada em cursos superiores ministrados nas faculdades de filosofia, ciências e letras; e 2ª) O concurso de provas e títulos como meio para o ingresso nos cargos efetivos do setor público338.
Com a finalidade de promover a organização nacional do sistema de ensino, a Lei deveria ser seguida por todas as unidades federativas, incluindo o estado do Ceará, que passou a estudar formas de atender aos preceitos da legislação federal. Nesse contexto, identifica-se a atuação do magistério secundarista oficial no sentido de se organizar, coletivamente, em prol de acompanhar e contribuir com o governo estadual na regulamentação de sua carreira. A heterogeneidade da categoria, entretanto, foi determinante na fragmentação do seu processo de organização coletiva, uma vez que, houve a fundação de três entidades na década de 1960, cada uma apresentando finalidades específicas, de acordo com as medidas que envolviam a regulamentação da carreira do professor secundário no Ceará.
A primeira associação fundada, nesse cenário, foi a Associação dos Professores dos Estabelecimentos Oficiais do Ceará (APEOC)339, entidade registrada em fevereiro de 1962340, com propósito de representar os mestres secundaristas, qualquer que fosse o tipo de habilitação e vínculo empregatício341.A fundação da APEOC foi noticiada por alguns jornais da capital cearense, a exemplo do jornal O Estado342.
338 A Reforma Francisco Campos, instituída em 1931, havia esboçado uma tentativa de se estabelecer critérios ao exercício da docência, o que representou um passo importante na demarcação do seu campo profissional.
339 A APEOC é a primeira associação de professores do ensino secundário de que se tem notícia até o momento.
340 CEARÁ, Diário Oficial do Estado do Ceará, 17/08/1962 (Estatutos da Associação dos Professores dos
Estabelecimentos Oficiais do Ceará - APEOC).
341 Nesse período havia diversas maneiras dos professores obterem habilitação para exercer o magistério. Além do diploma de licenciado em faculdades de filosofia, ciência e letras, havia o Registro emitido pelo Ministério da Educação, para docentes que não possuía licenciatura e ainda a licença precária, normalmente concedida aos professores leigos, sem formação em nível superior. Também os mestres