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2. KURAMSAL BİLGİLER VE LİTERATÜR TARAMASI

2.5. Epilepsi ve Egzersiz

Os primeiros princípios destacados na Lei são originários do direito ambiental e estão contemplados na Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981 (BRASIL, 1981), a qual instituiu a Política Nacional do Meio Ambiente: a prevenção e a precaução; do poluidor-pagador; e do protetor recebedor.

A palavra “prevenção”, conforme lembra Machado (2010), tem sua origem na raiz latina “praevenire”, que significa agir antecipadamente. Para haver ação, é necessário que se forme o conhecimento do que prevenir de forma dinâmica. Dessa forma, o autor destaca que o princípio da prevenção deve influenciar e atualizar a formulação de novas políticas ambientais, de ações dos empreendedores e de atividades da administração pública.

O princípio da precaução ambiental, conforme salienta Derani (2008), indica uma utilização racional dos bens ambientais com cuidadosa apreensão dos recursos naturais, que vai além de simples medidas de afastamento do perigo. Dever ser entendido como uma “precaução contra o risco, que objetiva prevenir já uma suspeição de perigo ou garantir uma suficiente margem de segurança da linha de perigo” (DERANI, 2008, p.150).

Ainda segundo Derani (2008, p. 150), “pelo princípio do poluidor-pagador, arca o causador da poluição com custos necessários à diminuição, eliminação ou neutralização deste dano”. Hupffer, Weyermuller e Waclawovsky (2011) destacam o entendimento errado que a expressão “poluidor-pagador” pode causar, pois não se refere à possibilidade de o agente poluidor sempre pagar pela sua poluição, mas, sim, a imputar ao gerador técnicas e mecanismos para evitá-la e, quando causá-la, cumpre-lhe a reparação do dano.

Dessa forma, entende-se que o gerador do resíduo e/ou rejeito, seja ele produtor, distribuidor, consumidor ou qualquer agente gerador, deverá arcar com os custos de redução, eliminação e destinação e disposição ambientalmente adequada dos resíduos e rejeitos, respectivamente.

Já o princípio de protetor-recebedor, conforme destaca Ribeiro (2005), visa incentivar economicamente os protetores/preservadores de uma área ao deixarem de utilizar seus recursos com vistas à sua preservação.

Esse princípio está explicitado na Política Nacional de Resíduos Sólidos em outro princípio: “o reconhecimento do resíduo sólido reutilizável e reciclável como um bem econômico e de valor social, gerador de trabalho e renda e promotor de cidadania”; no instrumento IV do artigo 8º: “o incentivo à criação e ao desenvolvimento de cooperativas ou de outras formas de associação decatadores de materiais reutilizáveis e recicláveis”; como também no artigo 42º, inciso III:

O poder público poderá instituir medidas indutoras e linhas de financiamento para atender, prioritariamente, às iniciativas de: [...] implantação de infra-estrutura física e aquisição de equipamentos para cooperativas ou outras formas de associação de catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis formadas por pessoas físicas de baixa renda. (BRASIL, 2010a)

A Legislação argentina, mais especificamente a província de Buenos Aires, também contempla princípios semelhantes, especificamente nos princípios 10 e 11, que destacam o aproveitamento econômico dos resíduos e a geração de emprego em condições salubres para os trabalhadores informais, bem como a participação social nas etapas e fases de gestão integrada de resíduos sólidos (BUENOS AIRES PROVÍNCIA, 2013).

Merecem destaque outros princípios e objetivos contidos na Política Nacional de Resíduos Sólidos:

A visão sistêmica, na gestão dos resíduos sólidos, que considere as variáveis ambiental, social, cultural, econômica, tecnológica e de saúde pública;

O desenvolvimento sustentável; A ecoeficiência;

A responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida do produto; A gestão integrada dos resíduos sólidos;

A não geração, redução, reutilização, reciclagem e tratamento dos resíduos sólidos, bem como disposição final ambientalmente correta dos rejeitos;

Estímulos à adoção de padrões sustentáveis de produção e consumo de bens e serviços;

Adoção, desenvolvimento e aprimoramento de tecnologias limpas; Redução do volume e da periculosidade dos resíduos perigosos; Estímulo da avaliação do ciclo de vida do produto (BRASIL, 2010a).

Um princípio interessante e que não está contemplado na Política brasileira é o contido na Política de Gestão Integral de Resíduos Sólidos chilena: o princípio da autossuficiência e soberania nacional. De acordo com esse princípio, todos os resíduos gerados no território chileno deverão ter sua destinação final ambientalmente correta, dentro do próprio território chileno (CHILE, 2005). Cabe destacar que esse princípio também não foi encontrado nas legislações dos países analisados, inclusive a legislação norte-americana prevê exceções para exportação até de resíduos perigosos para outros países (EPA, 2002).

Como instrumentos da Lei brasileira, podem-se citar: os planos de resíduos sólidos; os inventários e o sistema declaratório anual de resíduos sólidos; a coleta seletiva; os sistemas de logística reversa; a pesquisa científica; a educação ambiental; o Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão dos Resíduos Sólidos (SINIR); o SINISA (Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico); o Cadastro Nacional de Operadores de Resíduos Sólidos. Esses princípios, objetivos e instrumentos corroboram para que as organizações adotem procedimentos não só para a gestão de resíduos, como também para a gestão ambiental como um todo. Nesse sentido, a “adoção de um modelo de gestão ambiental faz com que haja coerência na realização de atividades desenvolvidas por diferentes pessoas, em diversos momentos e locais e sob diferentes modos de ver as mesmas questões” (BARBIERI, 2011, p. 119).

Dessa forma, cada elemento da cadeia produtiva de calçados descrita na Figura 1, apresentada anteriormente, enquadra-se como um virtual poluidor-pagador, pois vários são os resíduos gerados ao longo da cadeia produtiva de calçados. O couro, principal matéria-prima para a confecção de calçados, caracteriza-se por gerar grandes quantidades de resíduos; porém, a geração de resíduos ocorre em toda a cadeia produtiva do calçado.

Informações divulgadas pelo Ministério da Agricultura confirmam a importância da cadeia, desde seu início na pecuária, mas alertam sobre a heterogeneidade do setor e problemas sanitários:

A cadeia de carne bovina ocupa posição de destaque no contexto da economia rural brasileira, ocupando vasta área do território nacional e respondendo pela geração de emprego e renda de milhões de brasileiros. O conjunto de agentes que a compõe apresenta grande heterogeneidade: de pecuaristas altamente capitalizados a pequenos produtores empobrecidos, de frigoríficos com alto padrão tecnológico, capazes de atender a uma exigente demanda externa, a abatedouros que dificilmente preenchem

requisitos mínimos da legislação sanitária. (MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO, 2007, p. 19)

Nos abatedouros, o grande consumo de água acarreta grandes volumes de efluentes com alta carga orgânica, ocasionada pela presença de sangue, gordura, esterco, conteúdo estomacal não digerido e conteúdo intestinal. “No caso dos abatedouros lavarem e/ou descarnarem e/ou salgarem as peles ou couros, despejos específicos destas operações serão incorporados aos efluentes líquidos destas unidades” (PACHECO; YAMANAKA, 2006, p. 58). Os autores ainda destacam que tais resíduos podem causar problemas ambientais graves se não forem gerenciados de forma correta, e que tal gerenciamento pode ser crítico para pequenas empresas que necessitam de recursos e nas quais o processamento interno dos resíduos, não raramente, é inviável sob o ponto de vista econômico.

A Figura 2 apresenta uma síntese das entradas e saídas do curtimento do couro.

Figura 2 – Entradas e saídas do processo de curtimento do couro.

(1) DQO – Demanda Química de Oxigênio e (2) DBO – Demanda Bioquímica de Oxigênio: medem a quantidade de oxigênio necessária para a oxidação ou degradação química e bioquímica, respectivamente, de materiais oxidáveis presentes nos efluentes e, portanto, o potencial de desoxigenação de corpos d’água onde forem lançados; (3) SS – Sólidos Suspensos ou em suspensão.

O processo de curtimento do couro, tomando-se como base uma tonelada de peles salgadas, exige grandes quantidades de água: entre 15 a 25 m3; cerca de 500 kg de produtos químicos e entre 2600 a 11700 kWh de energia.

Esse processamento resulta em 150 a 350 kg de couro acabado e na geração dos seguintes resíduos: por volta de 15 a 25 m3 de efluentes líquidos; 649 a 924 kg de resíduos sólidos e em torno de 40 kg de poluentes atmosféricos (CETESB, 2014a). O agente que torna esses resíduos potencialmente perigosos é o cromo trivalente.

Estudos realizados por Kolomaznik et al. (2008), Kurian e Nithya (2009) e Herva, Álvarez e Roca (2011) apontam significativos impactos ambientais causados durante o curtimento e acabamento do couro, bem como alguns danos à saúde.

Os autores, Kolomaznik et al. (2008), Kurian e Nithya (2009) e Herva, Álvarez e Roca (2011), não questionam os benefícios econômicos gerados pelo setor, mas destacam que esses benefícios normalmente são conseguidos por meio de um alto custo para o meio ambiente e à saúde das pessoas.

Além desses impactos, Kolomaznik et al. (2008) alertam para alguns danos à saúde das pessoas, como a contaminação de fontes de água potável e o risco de usar sapatos de baixa qualidade, nos quais o teor de cromo não é controlado, o que pode causar contaminação através da pele, cujo contato prolongado pode causar reações alérgicas e dermatites, bem como o comprometimento dos rins.

Kolomaznik et al. (2008) ainda destacam que há evidências de que o cromo hexavalente pode ser cancerígeno.

Benzer Belgeler