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Tablo V Periferde ore ksin reseptörleri (11).

2.2.1.EPİDEMİYOLOJİ

Valquíria valoriza a cooperação, o respeito mútuo e a troca de experiências, porém questiona a forma como isso vem aparecendo na cooperativa, já que é muito mais resultado da obrigação. Reconhece sua importância e identifica essa forma de cooperar nas comunidades tradicionais. Ela mesma é proveniente de uma comunidade rural tradicional, e valoriza essas questões. Por conta disso, apresenta, ao longo da entrevista, que irá se afastar da cooperativa, já que esta vem perdendo gradativamente seus princípios.

Fragmento 63

Então, pra mim o grande problema da COOPTER hoje é esse, muitas pessoas não têm perfil e não têm vontade de cooperar, estavam preocupada com o emprego e o resultado é esse, o resultado é não ter cooperação e as famílias não entender, as famílias que recebem esse acompanhamento acaba nem sabendo o quer que é cooperação, então é complicado, né, uma cooperativa que não transmite os seus princípios para as pessoas que recebem o trabalho, o seu público (VALQUÍRIA, 2013).

Fragmento 64

Tem pra mim eu sempre digo assim que existe vários níveis de cooperação, dentro do cooperativismo existe essa coisa de um nível de cooperação que a gente fala mais, como é que eu diria? Muito mais de obrigação, por exemplo, se juntou você vai prestar um serviço, então você tem uma meta a ser cumprida dentro da cooperação, dentro das comunidades e de outras entidades existe um nível de cooperação que é muito mais voluntária, né, voluntária mais a partir das necessidades [...] Já entre as comunidades essa cooperação é muito mais voluntaria, é forte, principalmente nas comunidades tradicionais é muito forte essa cooperação entre as famílias, entre as lideranças (JORGE, 2014).

São os quilombolas, os indígenas, os posseiros, essas comunidades que vivem há muito tempo, há séculos naquele lugar onde desenvolve várias atividades e uma delas que é muito forte é a cooperação. [...] Ainda cultiva muitos valores, essa coisa do acreditar, da confiança, ainda cultiva, é muito forte isso [...] Então, é tanto que eu diria assim que a cooperação voluntaria é muito mais forte do que a cooperação quando ela se torna jurídica, associação, por exemplo, nas comunidades que nós acompanhamos, as associações não funcionam, do tanto que nós da CPT a gente não incentiva muito essa coisa de criação de associação porque os grupos informais, a cooperação entre eles é mais forte, é muito mais verdadeira porque a associação fica uma pessoa pra fazer por todos (JORGE, 2014).

Dorival demonstra um interesse nos grupos, principalmente nos mais isolados, e insiste na possibilidade de trabalhar com planos de vida e ética a partir dos sonhos dos jovens, podendo, assim, analisar o que eles desejam da vida, o que a coletividade oferece e quais são seus problemas. Sua prática é voltada para a conquista da autonomia dos participantes e para a busca da independência financeira, social e emocional, através da cooperação e da coletividade. Fala de sua experiência também como professor e como vem tentado despertar em seus alunos essa consciência de que, juntos, podem mais.

Fragmento 66

E eu prefiro grupos que estejam bem distante de qualquer tipo de desenvolvimento, qualquer tipo de informação ou formação que seja, que exista por aí, então eu gosto muito de chegar na comunidade e encontrar com jovens que não conheço e começar a perguntar pra eles sobre a vida deles, o que eles pensam sobre a vida, o que eles pensam dos problemas que eles vivem, como eles veem as soluções dos problemas deles. Assim, a parte deles como que eles conseguem visualizar o futuro deles, o sonhos pra vida deles. Então a ideia minha é um pouco trabalhar essa dimensão com as pessoas, as dimensões dos sonhos deles, e aí nessa dimensão dos sonhos vários componentes se incluem aí, a identidade, a ética, plano de vida, vida social, vida em sociedade, os conflitos que existe na sociedade, os interesses que existem dentro das sociedades, tudo isso entra nesse trabalho que tem quer ser discutido com eles (DORIVAL, 2013).

Fragmento 67

Esse é outro princípio também interessante, a gente trabalha muito com essa ideia da participação e da autonomia também de quem atua [...] uma das característica que diferencia até a nossa atuação das de outros países é que a gente aqui trabalha muito com parceiros, com parcerias, com organizações locais, esse é um principio interessante que a gente adota, que é o princípio da confiança na comunidade, que ela tem capacidade de gerir seus recursos, tem capacidade de tomar decisões, de fazer gestão e isso em alguns países da América Latina não, a própria Visão Mundial vem e gerencia os recursos e trabalha com as comunidades. Esses modelos são mais tranquilos. No

nosso caso, dá muito mais trabalho. Porque você tem que fazer todo um processo de formação de quem vai ser os parceiros, para que aquele parceiro ou um conjunto de parceiros de um determinado local possa fazer uma gestão compartilhada, cooperativa, coletiva dentro do processo de desenvolvimento local que quer desenvolver (DORIVAL, 2013).

Fragmento 68

Então, tem muitas experiências que a gente incentivou e continua ate hoje, desde produção, de pequenas produções, cultivos, por exemplo, na região do Bico do Papagaio o pessoal tem trabalhado muito a questão da agroflorestal, produção de mel, produção de remédios naturais, cultivos de coisas nativas, extrativismo e uma afinidade de coisas, artesanatos a partir do babaçu e de outras plantas que existe, então eu vejo que muitas experiências que estão resistindo, eu acho que é um trabalho de resistência mesmo (DORIVAL, 2013).

Fragmento 69

[...] em qualquer ambiente social existe também atitudes que não contribuem muito com isso, tipo inveja, espírito competitivo e tal, eu tento quebrar isso, mostrando o contrário, que quanto mais eu colaborar com o outro eu vou crescer junto com ele e junto com as pessoas que estão ali e começar criar essa ideia de grupo, porque é muito fácil você criar qualquer atitude, qualquer prática competitiva, basta ligar um programa de televisão você ver lá o programinha lá dizendo: oh, você vai competir com ele, você tem que fazer isso, é fácil você encontrar, agora encontrar atitudes que sejam cooperativa você vai encontrar muito pouco, você vai encontrar em algumas ONGs, em alguns movimentos sociais, você vai encontrar em algumas práticas. E eu tento mostrar para as pessoas que quando você faz essa atitude colaborativa você ganha mais do que perde, aliás, você ganha muito com isso porque você colabora e o outro ganha a confiança sua (DORIVAL, 2013).

Jorge percebe a cooperativa como um ambiente aglutinador e que permite que os mais isolados e que se encontram à margem da sociedade possam, de alguma forma, participar. Faz, ainda, uma análise crítica, mostrando que pouco adianta investimentos financeiros se estes não vierem acoplados a um projeto maior de resgate humano e de cidadania.

Fragmento 70

Eu percebo que o histórico tá assim voltado muito pra esse lado. Então quem se ancora dentro de uma cooperativa e dentro do associativismo são pessoas que estiveram ou estão na margem de risco, com problemas psicossociais, com problemas de relacionamento, de trabalho, dificuldades em se enquadrar no mercado tradicional, no mercado de trabalho tradicional, não tem competências profissionais, nem habilidades, a gente quer, mas não tem oportunidade, não teve oportunidade. Então, são pessoas que estão resgatadas nesses polos, quando você entra nesse meio, que começa sentir

isso aí a gente começa enxergar o outro lado da moeda. Agora a pergunta que se faz é o seguinte: de que adianta fazer tantos investimentos físicos, estrutural? De que adianta criar programas maravilhosos. ES, é, sei lá, minha casa, minha vida, meu vale compra? Sendo que você não dá as condições humanas e psíquicas pra aquela pessoa falar: Olha, eu gosto do que eu faço, faço com prazer e quero melhorar a situação (JORGE, 2014).

Benzer Belgeler