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Ao se analisar o controle jurisdicional de políticas públicas, em matéria de garantia do direito fundamental à saúde, observa-se que, de um lado, está o argumento que invoca o direito constitucional à saúde, cuja finalidade é garantir a realização da dignidade da pessoa humana e na garantia do mínimo existencial. Por sua vez, o argumento da reserva do possível vem sendo utilizado cada vez mais pelo Estado para tentar se eximir de suas obrigações. Muitas vezes, o ente estatal não demonstra sequer a procedência de suas afirmações.

Conforme evidenciado, não basta a mera alegação da inexistência de recursos públicos. É ônus do Estado a demonstração que o erário está atuando de maneira eficiente, ou seja, deve ser demonstrado que a alocação de recursos públicos sempre obedece a critérios racionais, de modo a concretizar o maior número possível de direitos sociais.

Não obstante, cabe também ao Poder Judiciário verificar, minuciosamente, as alegações do ente público. Assim, de acordo com a atual orientação jurisprudencial, a invocação da cláusula da reserva do possível não pode ser utilizada para impedir a concretização do direito fundamental à saúde. Nesse contexto, a atuação dos magistrados é cada vez mais evidente, via ativismo judicial, tendo em vista que o Brasil, por ser um país ainda pobre, não garante a todos a prestação do serviço público de saúde com qualidade, restando ao cidadão, como única saída, o atendimento a seu direito por meio do acesso à justiça.

Sendo assim, é imperioso que o direito fundamental à saúde receba a relevância que merece. A própria jurisprudência pátria avançou no tema e, atualmente, reconhece a possibilidade de o indivíduo exigir, em juízo, a efetivação desse direito. Destarte, com fulcro na base axiológica da dignidade da pessoa humana, nos ditames constitucionais, no reconhecimento da relevância do direito à saúde pelo direito comparado e pelas decisões do Supremo Tribunal Federal, verifica-se que a invocação da cláusula da reserva do possível não pode ser utilizada, de maneira genérica, como um obstáculo à efetivação do direito constitucional à saúde, tendo em vista o corolário do mínimo existencial, o qual tenta garantir, em última análise, o direito à vida.

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Benzer Belgeler