O Sertão Central Cearense está inserido no semi-árido cearense (Figura 4.2), o qual, segundo o Ministério da Integração Nacional (MI, 2005), abrange uma área de 126.514,9 Km2, equivalente a 86,8 % do território do Estado.
Figura 4.2: Região semi-árida cearense Fonte: IPECE (2004a)
O Anuário Estatístico do Ceará 2004 divide o Estado do Ceará em 20 (vinte) Regiões Administrativas (RA), agrupadas em 8 (oito) Macrorregiões de Planejamento (Figura 4.3): Região Metropolitana de Fortaleza, Litoral Oeste, Sobral/Ibiapaba, Sertão dos Inhamuns, Sertão Central, Baturité, Litoral Leste/Jaguaribe e Cariri/Centro Sul. A Macrorregião Sertão Central divide-se em 3 (três) Regiões Administrativas (RA) e é composta por 21 municípios conforme mostra o Quadro 4.1.
O sistema rodoviário principal básico utiliza-se de estradas federais e estaduais, com destaque para a BR-122, a BR-020 e a BR-456, interligadas à CE-060 como estruturante do sistema básico do Sertão Central. A região é cortada pela linha tronco- sul da Companhia Ferroviária do Nordeste - CFN, hoje de uso restrito ao transporte de carga, interligando as cidades de Quixadá, Quixeramobim e Senador Pompeu.
As características geoambientais do Sertão Central Cearense, segundo LIMA et al. (2000), são:
a) Superfície plana e moderadamente dissecada, com altitude variando de 150 a 400 m, em média;
b) Climas semi-áridos quentes com precipitações médias anuais entre 600 e 800 mm entre janeiro e maio; e
c) Média a elevada freqüência de rios e riachos intermitentes sazonais e esporádicos;
d) Muito baixo potencial de águas subterrâneas;
e) Predominância de solos rasos a medianamente profundos, de boa a media fertilidade natural nas colinas rasas do sertão, com freqüentes afloramentos de rochas e chãos pedregosos, e pequenas serras secas; e f) Grande parte da área revestida com caatingas e utilização de
agropecuária com baixo rendimento.
Já as condições ecodinâmicas, ambientais e de sustentabilidade da região, também segundo LIMA et al. (2000), são:
a) Tendência à instabilidade em função de degradação indisciplinada dos recursos naturais renováveis;
b) Evidências muito nítidas de desertificação que comprometem a sustentabilidade; e
c) Necessidade de aumento da superfície hídrica e favorável à utilização agropastoril com manejo adequado dos solos e das pastagens.
Figura 4.3: Macrorregiões de Planejamento do Estado do Ceará Fonte: IPECE (2004a)
Quadro 4.1 Macrorregião de Planejamento Sertão Central Cearense (SCC)
REGIÕES ADMINISTRATIVAS MUNICÍPIOS
Canindé Caridade General Sampaio Itatira Paramotí Região Administrativa 7 Santa Quitéria Banabuiú Boa Viagem Choro Ibaretama Ibicutinga Madalena Quixadá Região Administrativa 12 Quixeramobim Deputado Irapuan Pinheiro
Milhã Mombaça Pedra branca Piquet Carneiro Senador Pompeu Região Administrativa 14 Solonópole Fonte: IPECE (2004a)
Na agropecuária do SCC, como na maioria do Estado do Ceará, predomina a pecuária bovina extensiva mista (carne e leite) e a cultura tradicional de subsistência para a produção de grãos (milho e feijão). A maior parte da produção ocorre em estabelecimentos de pequenas dimensões, em geral, de modo extensivo, com a utilização de técnicas tradicionais, que causam sérios impactos ambientais no meio ambiente rural. Praticamente toda a agricultura é de sequeiro, de alto risco, desaconselhável ecologicamente, improdutiva e extremamente vulnerável ao fenômeno das secas e estiagens.
Os principais problemas, que impedem o desenvolvimento agrícola sustentável do SCC, são: a deficiência hídrica agravada pelos períodos cíclicos de secas; os solos com sérias limitações (pedregosos, rasos, ácidos e salinizados); a utilização de técnicas agrícolas rudimentares (queimada, desmatamento e irrigação imprópria); os sistemas de infra-estrutura insuficientes (açudes, barragens, adutoras, estradas, armazéns e rede de eletrificação) e a falta de políticas públicas adequadas.
Dentre os impactos causados por esta produção agropecuária extrativista e insustentável, destacam-se: o desmatamento desordenado; a destruição e poluição das reservas de água-doce (subterrâneas e de superfície); o aumento da erosão; o assoreamento dos rios e lagoas; a perda da fertilidade e salinização do solo e, por fim, a desertificação (LIMA et al., 2000).
O Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará – IPECE (2004b) analisa as vinte regiões administrativas do Estado utilizando o Índice de Desenvolvimento Regional (IDM-RA), que permite classificar as regiões administrativas de acordo com seu grau de desenvolvimento. Para o cálculo do IDM- RA o IPECE agrupou os indicadores em 4 (quatro) grupos:
a) Fisiográficos, fundiários e agrícolas (IG1): precipitação pluviométrica, percentual da área explorável utilizada, percentual do valor da produção vegetal, percentual do valor da produção animal, salinidade média da água e consumo de energia rural;
b) Demográficos e econômicos (IG2): densidade demográfica, taxa de urbanização, PIB per capita, receita orçamentária per capita, percentual do consumo de energia industrial e comercial sobre o consumo total, percentual do PIB do setor industrial sobre o PIB total do município e percentual de trabalhadores do emprego formal que receberam mais de 2 salários mínimos mensais;
c) Infra-estrutura de apoio (IG3): telefones por cem habitantes, agências de correio por dez mil habitantes, agências bancárias por dez mil habitantes, veículos de carga por cem habitantes, coeficiente de proximidade, percentual de domicílios com energia elétrica e rede rodoviária pavimentada relativa à área do município;
d) Sociais (IG4): taxa de escolarização no ensino médio, taxa de aprovação no ensino fundamental, relação de escolas públicas com bibliotecas e/ou salas de leitura e/ou laboratórios de informática pelo total de escolas públicas, equipamentos de informática por escola pública, percentual de função docente no ensino fundamental com grau de formação superior, taxa de
mortalidade infantil, leitos por mil habitantes, médicos por mil habitantes e taxa de cobertura de abastecimento d’água.
Uma análise da Tabela 4.1 mostra a posição relativa das RA’s que compõem o SCC, em termos de estágio de desenvolvimento regional. A RA 12, que ocupa a 14a. colocação no ranking de IDM-RA, possui o 6o pior índice fisiográfico, fundiário e agrícola (IG1), porém, os índices referentes ao acesso a educação, saúde e saneamento (IG4) e à disponibilidade de serviços ofertados à população (IG3), aparecem em 6a e 7a colocação respectivamente. Tornando-se, com estes índices, a região Administrativa do Sertão Central que apresenta a melhor qualidade de vida e bem-estar da população.
A RA12 tem a segunda maior participação na produção animal do Estado, com percentual de 9%, ficando atrás apenas da Região Metropolitana de Fortaleza (RA1), que corresponde a 16,5% da produção animal do estado. A RA 12 é grande produtora de bovino, ovino, caprino, suíno e leite, com destaque para os municípios de Quixadá e Quixeramobim. Em Quixadá encontra-se também produção de aves e ovos (IPECE, 2004b).
A RA7, que ocupa a 16a. colocação no ranking de IDM-RA, obteve o pior índice fisiográfico, fundiário e agrícola do estado, com IG1 igual a zero; a 6a colocação entre os piores índices relativos tanto à infra-estrutura de apoio (IG3), quanto ao aspecto social (IG4). Caracteriza-se como a região administrativa do Sertão Central com maior concentração de rendas e de terras e, contraditoriamente, apresentou o 5o melhor grau de desenvolvimento econômico.
A RA14 tem o terceiro pior IDM-RA do Estado. Colocação esta motivada pelo 2o pior índice de desenvolvimento econômico (IG2) e, também, pelo 2o pior índice de acesso à educação, saúde e saneamento (IG4). Esta RA ocupa uma posição intermediária com relação aos aspectos fisiográfico, fundiário e agrícola (IG1) e à infra- estrutura de apoio (IG3), os quais ocupam a 8a e 10a colocação, respectivamente.
Tabela 4.1: Hierarquização das regiões administrativas de acordo com o Índice de Desenvolvimento Regional - Ceará - 2002
REGIÃO ADMINISTRATIVA
IDM-
RA RANKING IG1 IG2 IG3 IG4
RA 1 Região Metropolitana de Fortaleza 79,36 1 16,95 100,00 100,00 100,00 RA 9 Litoral Leste/Jaguaribe 40,35 2 40,28 34,93 46,57 39,83 RA 10 Litoral Leste/Jaguaribe 35,30 3 59,71 20,41 27,43 35,16 RA 5 Sobral/Ibiapaba 35,01 4 100,00 1,37 21,60 18,88 RA 6 Sobral/Ibiapaba 31,95 5 7,22 52,79 28,21 38,54 RA 19 Cariri/Centro Sul 30,34 6 17,30 31,76 17,22 57,99 RA 8 Baturité 30,28 7 43,02 22,97 20,13 36,57 RA 2 Litoral Oeste 27,73 8 56,51 15,61 12,56 27,79 RA 18 Cariri/Centro Sul 26,47 9 2,84 26,03 23,75 56,18 RA 16 Cariri/Centro Sul 25,59 10 19,81 18,10 23,74 43,06 RA 20 Cariri/Centro Sul 22,05 11 50,62 1,32 2,74 37,35 RA 11 Litoral Leste/Jaguaribe 19,65 12 15,90 10,68 18,89 35,40
RA 13 Sertão dos Inhamuns 19,22 13 16,64 7,01 30,29 24,09
RA 12 SERTÃO CENTRAL 19,22 14 8,01 11,06 27,80 31,58 RA 17 Cariri/Centro Sul 18,35 15 8,01 1,41 28,77 24,68 RA 7 SERTÃO CENTRAL 15,56 16 0,00 27,06 13,03 21,83 RA 3 Litoral Oeste 15,06 17 25,25 7,77 10,80 17,39 RA 14 SERTÃO CENTRAL 13,69 18 20,89 1,29 23,71 9,20 RA 4 Litoral Oeste 5,95 19 1,93 10,47 0,00 11,74
RA 15 Sertão dos Inhamuns 2,18 20 5,29 0,00 3,38 0,00
Fonte: Adaptado de IPECE (2004b)