BÖLÜM 2: TOPSELVİ'DEKİ SURİYELİ KADINLAR: TOPLUMSAL UYUM
2.2. Entegrasyon Politikaları
Para os entes federativos brasileiros seus atos externos não significam a consecução da Política Externa Brasileira, mas apenas o exercício de Relações Internacionais. Este entendimento vem ao encontro de preceito constitucional, conforme a Constituição da República do Brasil, ao afirmar que a competência em matéria de política externa é exclusividade da União Federal, de acordo com seu artigo 21:
Art. 21. Compete à União:
I - manter relações com Estados estrangeiros e participar de organizações internacionais;
II - declarar a guerra e celebrar a paz; III - assegurar a defesa nacional;
IV - permitir, nos casos previstos em lei complementar, que forças estrangeiras transitem pelo território nacional ou nele permaneçam temporariamente;
V - decretar o estado de sítio, o estado de defesa e a intervenção federal;
VI - autorizar e fiscalizar a produção e o comércio de material bélico;
VII - emitir moeda; (...)
No mesmo sentido, a redação do Artigo 84 da Constituição da República:
Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: VII - manter relações com Estados estrangeiros e acreditar seus representantes diplomáticos;
VIII - celebrar tratados, convenções e atos internacionais, sujeitos a referendo do Congresso Nacional;
171 Conforme explicitam os referidos artigos, correspondem privativamente à União e ao Presidente da República as competências internacionais referentes à condição estrita de “Estado”, enquanto sujeito originário de Direito Internacional, dotado de personalidade jurídica internacional.
Ainda, segundo a Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados de 1969, já estudada exaustivamente na Parte I desta tese, resta clara a sua inaplicabilidade aos entes federativos brasileiros:
Artigo 1º - A presente Convenção aplica-se aos tratados entre
Estados.
Artigo 2º - Para os fins da presente Convenção:
a)“tratado” significa um acordo internacional concluído por escrito entre Estados e regido pelo Direito Internacional, quer conste de um instrumento único, quer de dois ou mais instrumentos conexos, qualquer que seja sua denominação específica;
(...)
Artigo 6º - Todo Estado tem capacidade para concluir tratados. Artigo 7º -
1. Uma pessoa é considerada representante de um Estado para a adoção ou autenticação do texto de um tratado ou para expressar o consentimento do Estado em obrigar-se por um tratado se:
a)apresentar plenos poderes apropriados; ou
b)a prática dos Estados interessados ou outras circunstâncias indicarem que a intenção do Estado era considerar essa pessoa seu representante para esses fins e dispensar os plenos poderes.
2. Em virtude de suas funções e independentemente da apresentação de plenos poderes, são considerados representantes do seu
Estado:
a) os Chefes de Estado, os Chefes de Governo e os Ministros das
Relações Exteriores, para a realização de todos os atos relativos à conclusão de um tratado;
b) os Chefes de missão diplomática, para a adoção do texto de um tratado entre o Estado acreditante e o Estado junto ao qual estão acreditados;
c) os representantes acreditados pelos Estados perante uma
conferência ou organização internacional ou um de seus órgãos, para a adoção do texto de um tratado em tal conferência, organização ou órgão (grifou-se).
Significa que os entes federativos brasileiros não têm capacidade para firmar tratados e que a seus representantes não compete qualquer das funções de representação elencadas no artigo 7º da Convenção de Viena sobre Direito dos Tratados.
172 Não há que se confundir as competências de “Estado” diante do Direito Internacional Público e do direito constitucional, com as competências de “órgãos do Estado” ou “entes da federação” diante das mesmas ordens jurídicas.
Nesse diapasão, cabe tão somente ao governo federal brasileiro a consecução dos tratados internacionais e a elaboração e cumprimento de toda a Política Externa Brasileira. No âmbito de suas exigências constitucionais a Presidência da República é assistida por órgãos de assessoria imediata da Presidência e, principalmente, pelo Ministério de Relações Exteriores, cuja natureza, atribuições e estrutura são regulamentadas pelo Decreto nº 7.304, de 22 de setembro de 2010312. Suas ações
consistem em:
Art. 1o
O Ministério das Relações Exteriores, órgão da administração direta, tem como área de competência os seguintes assuntos:
I - política internacional;
II - relações diplomáticas e serviços consulares;
III - participação nas negociações comerciais, econômicas, técnicas e culturais com governos e entidades estrangeiras;
IV - programas de cooperação internacional e de promoção comercial; e
V - apoio a delegações, comitivas e representações brasileiras em agências e organismos internacionais e multilaterais.
Parágrafo único. Cabe ao Ministério auxiliar o Presidente da República na formulação da política exterior do Brasil, assegurar sua execução e manter relações com Estados estrangeiros, organismos e organizações internacionais.
De forma mais descritiva, sobre a execução das competências que lhes são inerentes, o Itamaraty denomina como “incumbências”313 as seguintes ações:
a. Executar as diretrizes da política externa estabelecidas pelo Presidente da República;
b. Propor ao Presidente da República linhas de atuação na condução de negócios estrangeiros;
c. Recolher as informações necessárias à formulação e execução da política externa do Brasil, tendo em vista os interesses da segurança e do desenvolvimento nacionais;
d. Contribuir para a formulação e implementação, no plano internacional, de políticas de interesse para o Estado e a sociedade em colaboração com organismos da sociedade civil brasileira; e. Administrar as relações políticas, econômicas, jurídicas, comerciais, culturais, científicas, técnicas e tecnológicas do Brasil com a sociedade internacional;
312
Modificado pelos Decretos nº 7.557, de 26/08/2011, e nº 7.561, de 14/09/2011. 313
Conforme elencado na página eletrônica do MRE. Disponível em:
173 f. Negociar e celebrar tratados, acordos e demais atos internacionais;
g. Promover os interesses governamentais, de instituições públicas e privadas, de empresas e de cidadãos brasileiros no exterior;
Discorrendo-se brevemente sobre tais competências e ações, pode-se depreender que se trata claramente de ações de Política Externa do Estado brasileiro. Os atos externos provenientes da atuação internacional de entes federativos não se comparam, confundem e não se contrapõem à Política Externa Brasileira. Ao contrário, como regra, os entes federativos seguem as diretrizes da Política Externa Brasileira na consecução de suas ações e de seus atos externos.