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3. VERİ, METODOLOJİ VE AMPİRİK BULGULAR

3.2. Metodoloji

3.2.2. Eşbütünleşme Analizi

3.2.2.1. Engle-Granger Yöntemi

Neste tópico, último do capítulo, Marx apresenta uma visão aberta e nada dogmática do Direito, vendo nos miseráveis um dom natural para as criações jurígenas. Insurgindo-se contra os representantes da propriedade privada, que impõem a retirada do direito consuetudinário dos camponeses, gerando um processo tenebroso de pauperização do campesinato, ele defende a superioridade do direito desses miseráveis frente ao egoísmo dos proprietários.

Fazia parte do projeto inicial de Marx analisar os debates da VI Dieta Renana em três artigos, no entanto publicou somente o primeiro – sobre a liberdade de imprensa – e o terceiro – que trata da lei sobre o roubo da madeira. O segundo artigo foi objeto da censura prussiana, não chegando sequer a ser publicado

54 Para José Chasim, os escritos de Karl Marx anteriores às primeiras críticas ao pensamento hegeliano, que remontam ao ano 1843, podem ser considerados pré-marxianos, pois não se encontram neles nenhuma marca de originalidade filosófica. Depois de 1843, Marx passa a figurar no cenário intelectual como um pensador originário, que criticando a especulação, a política e a economia política. Antes de amalgamar essas três áreas do pensamento, o pensador renano os supera, criando, assim, um pensamento digno de se chamar marxiano.

posteriormente, o que se sabe é que supostamente abordava a ingerência da igreja em questões de Estado.

Em fins de 1842, entre os meses de outubro e novembro, ele escreve o artigo mais importante para o seu percurso ulterior, pois neste trabalho, publicado em cinco edições da Gazeta Renana (298, 300, 303, 305, 307), enfrenta pela primeira vez questões relacionadas às ditas necessidades materiais do povo55. Nele, diz Chasim (2009), ―[Marx] procurou resolver problemas socioeconômicos recorrendo ao pretendido formato racional do Estado moderno e da universalidade do direito‖ (p. 50). Sua argumentação segue a linha da contraposição entre os particularismos representados pela propriedade privada e a universalidade do Estado, que é a encarnação da própria Razão.

Esbarrando mais uma vez nos interesses egoístas dos estamentos, o ―Estado, que deveria ser a encarnação do ‗interesse geral‘, parece agir apenas no interesse da propriedade privada e, para fazê-lo, viola não apenas a lógica do direito, mas ainda princípios humanos evidentes‖ (MANDEL, 1978, p. 12). Portanto, nos debates sobre o roubo da madeira, Marx sente o calor da terra firme tocar seus pés e as questões relativas às necessidades materiais o encaminham para as incertezas do mundo econômico, estranho a ele até então.

No artigo cujo título é A lei sobre o roubo da madeira, a posição adotada é de radical defesa do direito consuetudinário dos camponeses de recolher a madeira seca, já caída, portanto. Uma lei aprovada pela Assembleia Estadual da Renânia passou a considerar furto a ―subtração de madeira caída e apanhada no chão ou o recolhimento de madeira seca‖ tal qual a ―subtração de madeira verde, ainda de pé‖ (MARX, 2006). Ao tratar como ―purismo gramatical‖ a discursão sobre a tipificação jurídica da ação de retirar a madeira, tratando-a, pois, como furto, a Assembleia é responsável que ―uma massa de seres humanos, sem intenção criminosa, seja abatida da verdejante árvore da moralidade e lançada no inferno do crime e da miséria, tal como se fosse madeira caída e apanhada no chão‖ (MARX, 2006).

A lei não cumpria seu dever de ser a ―porta-voz geral e autêntico da natureza jurídica das coisas‖, pois, segundo Marx (2006), ―a natureza jurídica das

55 Para uma compreensão mais profunda e contextualizada deste artigo de Marx, ver Daniel Bensaïd (2007), Jacques Michel (1986) e Mikhaïl Xifaras (2002).

coisas não pode, por isso, comportar-se segundo a lei, mas sim é a lei que deve comportar-se segundo a natureza jurídica das coisas‖, haja vista que resolve ignorar as diferenças fundamentais entre a ação humana de coletar e de roubar.

No caso da coleta, a madeira já se desprendeu da propriedade, está caída; enquanto no roubo, ela está presa ao troco, ainda verde, portanto. Tal lei mente sobre a natureza das coisas, que sendo jurídica, cabe à lei apenas reconhecê-la. Assim como os lírios não nascem das leis, nesse mesmo sentido, concorda Marx, a estas não cabe o poder de criar natureza alguma, muito menos modificar a natureza das coisas. Coletar e roubar são ações e intenções distintas, é papel da boa legislação reconhecer isso.

O autor denuncia os interesses privados que inundam a assembleia com seu egoísmo, pois se baseiam na seguinte ideia: lei boa é aquela que me favorece, sendo o proveito próprio o critério de criação das leis. O utilitarismo legal domina as ações da assembleia, que contaminam os reais interesses do Estado, que é o bem comum do povo.

Na assembleia, o Direito Humano mais básico, a liberdade, é sufocado em nome de uma humanidade divorciada, animalesca. Nesse ambiente, somente é possível a igualdade no nível de cada estamento, isto é, dos interesses egoístas de cada estamento, subsumido nos privilégios de cada um deles. A igualdade jurídica é impossível nesse período animalesco da humanidade, pois ―a única igualdade que surge na vida real dos animais irracionais é a igualdade existente entre um destes e os outros de sua espécie determinada‖ (MARX, 2006). Acerca do caráter precário e antiliberal da Assembleia, onde o ser humano ainda vivencia sua história animal, diz Marx:

[...] se os privilegiados do Direito legal apelam ao seu Direito Consuetudinário, exigem, em vez do conteúdo humano do Direito, a forma irracional- animalesca do Direito que, agora, transformado em mera máscara selvática- animal, perde a sua realidade (MARX, 2006).

O ponto alto do artigo é a defesa do direito costumeiro dos pobres em disputa com os direitos da aristocracia. Ele argumenta que estes últimos contradizem a forma da lei universal justamente pelo seu conteúdo, constituindo verdadeiros

ilícitos consuetudinários; os direitos aristocráticos ―são formações condizentes com a ausência da lei‖ (MARX, 2006). Já o direito que emerge dos pobres e miseráveis, por outro lado, em nada contradiz a lei universal. São, por isso, um Direito Racional, pois mesmo os direitos consuetudinários devem passar pelo tribunal da razão. Nas modernas sociedades, ―o Direito deixa de depender do acaso de ser o costume racional ou não, sendo que o costume que se torna racional, porque o Direito se torna legal, porque o costume se torna costume do Estado‖ (MARX, 2006). O que garante a racionalidade dos costumes é se tornar um costume no seio de um verdadeiro Estado.

As influências de Marx nesse período, como já tratado, são as mais diversas, ficando, em muitos pontos, explícita a sua leitura kantiana, como atesta Ana Selva Albinati (2001, p. 115):

Nesses artigos, podemos perceber que Marx compartilha do reconhecimento do direito e do estado enquanto instâncias de representação da racionalidade e da liberdade humanas, herdeiro de uma antropologia racionalista de afiliação claramente kantiana.

O Direito Consuetudinário para ser Racional e, portanto, não colidir com a forma da lei universal deve ter no seu costume uma ―antecipação de um Direito Legal‖. Nisso, o autor firma o entendimento da impossibilidade de haver um Direito Consuetudinário Racional e ao mesmo tempo aristocrático, este é, necessariamente, contrário àquele. O mesmo não ocorre com os Direitos Consuetudinários da Pobreza. Eles, diz Marx,

[...] são direitos contrários aos costumes do Direito Positivo. Seu conteúdo colide não com a forma legal, senão muito mais com a sua própria ausência de forma. A forma da lei a ele não se opõe, visto ser este o que ainda não alcançou a forma da lei (MARX, 2006).

Em importante passagem, ele antecipa com lucidez em que resultariam as legislações da burguesia na sua fase de decadência ideológica, cita-se:

[...] em relação ao Direito Privado, as legislações liberais limitaram-se a formular e elevar a um nível universal os direitos que encontraram já existindo. Onde não encontraram tais direitos, não criaram nenhum [...]. Seu

comportamento foi correto por opor-se àqueles que possuíam costumes, situados além do Direito, porém foi incorreto por proceder contra os que possuíam costumes, a despeito do Direito (MARX, 2006).

E completa, dizendo:

[...] essas legislações eram necessariamente unilaterais, pois todos os Direitos Consuetudinários dos Pobres assentavam-se sobre o fato de que uma certa forma de propriedade possuía um caráter indefinido que nem a qualificava decididamente como propriedade privada nem tampouco resolutamente como propriedade comum, sendo uma mistura de Direito Privado e de Direito Público, tal como encontramos em todas as instituições da Idade Média (MARX, 2006).

As soluções unilaterais das legislações iluministas, que aplicaram as categorias do Direito Privado abstrato, já existente no Direito Romano, não deram conta do caráter híbrido das formações jurídicas medievais, onde a separação entre direito público e direito privado não estava assentada. No contexto da Idade Média é possível identificar um duplo direito privado, qual seja o do possuidor e a do desapossado, deste último não restou vestígio.

Em defesa dos pobres e desapossadas, ele destaca os limites do sistema jurídico burguês, que não levou em conta a essência híbrida das formas medievais do Direito, dizendo:

[...] há objetos de propriedade que, por sua própria natureza, não podem jamais adquirir o caráter da propriedade privada predeterminada, objetos da propriedade que pertencem, por sua essência elementar e sua existência eventual, ao Direito da Ocupação da classe que é precisamente excluída mediante o Direito da Ocupação de todas as demais propriedades, classe essa que assume, na sociedade civil, a mesma posição que aqueles objetos assumem na natureza (MARX, 2006).

Marx como se pode notar, não identifica a miséria real dos camponeses com as próprias condições como estão se acomodando as relações materiais da sua época, mas como uma questão de Estado e de Direito. O próprio autor vê o mundo invertido, para ele, a miséria real, verdadeiro sujeito, converte-se em predicado; enquanto a precariedade jurídica, consequência da miséria real, reverte-se de sujeito. A verdade é simples: a miséria jurídica dos pobres não é mais que consequência de sua miséria material.

Aos pobres, os despossuídos, o autor atribui um ―sentimento instintivo de Direito‖, que encontra sua raiz natural no Direito Consuetudinário, pois ―a existência da própria classe pobre tem sido, até o presente momento, um mero costume da sociedade civil, costume esse que ainda não encontrou nenhum local adequado, no interior do círculo da organização consciente do Estado‖ (MARX, 2006). Onde a propriedade privada fala – os ricos são seus tradutores oficiais, são seus representantes legítimos – a camada pobre e miserável da sociedade civil burguesa é excluída no seu Direito, perdendo sua cidadania, que é substituída pelo status de vilania; os pobres são marginalizados e tudo que conhecem do direito é o direito penal da sociedade capitalista. A lei em questão converte a miséria em crime, o que, segundo Marx, é consequência do caráter privado das decisões da Assembleia, os representantes ali reunidos não enxergam mais que seu próprio interesse.

O interesse privado não vê na lei racional uma manifestação universal da liberdade, mas tão somente a liberdade de manifestar seus desejos em forma de lei universal. Faz do Estado o seu servo e dos seus desafetos, inimigos do próprio Estado. Contra o egoísmo dos proprietários, Marx impõe a defesa da cidadania, que conecta o indivíduo-cidadão por meio de nervos vitais ao Estado. A cidadania, entende:

Não se limitará a retirar dos participantes de uma classe a impossibilidade de pertencerem a uma esfera superior de direitos, senão elevará ainda a própria classe destes à possibilidade real de possuir direitos (MARX, 2006). O Estado deve contemplar, diz Marx:

[...] até mesmo em um contraventor de madeira um ser humano, um membro vivo, no qual flui o sangue do coração do Estado, um soldado que deve defender a pátria, uma testemunha cuja voz deve valer diante do tribunal, um membro comunal que deve exercer funções públicas, um pai de família cuja existência é sagrada e, sobretudo, nele contemplará um cidadão do Estado (MARX, 2006).

Em cada um de seus membros vive o Estado, independentemente das condições sociais, pois a igualdade jurídica é algo do qual não se pode abdicar. Ao excluir um de seus membros das suas determinações, o Estado amputa a si mesmo, isso ocorre sempre que faz de um cidadão um criminoso.

Sob a égide do interesse privado, a razão do Estado é capitulada e o legislador egoísta converte privilégios em leis fundadas no proveito próprio. Age, sobretudo, por medo de ver afetado seu patrimônio, por isso não reconhece a humanidade, mas apenas uma parcela dela; o instinto animalesco da autoconservação comanda o processo legislativo.

Na lei sobre o furto da madeira, encontra-se a regulamentação da jurisdição patrimonial. Impera a ―lógica do egoísmo‖, pois o interesse do proprietário da floresta é a alma da legislação, não se procura estabelecer uma proteção de igual medida para o proprietário de madeira e para o contraventor de madeira, predomina o padrão jurídico medieval, que não reconhece a igualdade jurídica. A Assembleia renana não reconhece o vínculo orgânico existente entre os indivíduos e o Estado, isto é, a própria cidadania.

Os representantes da propriedade privada rebaixam os interesses públicos, submetem-nos aos seus meios antijurídicos e irracionais; a propriedade privada não tem meios de elevar-se ao nível do Estado. Enquanto este, quando autônomo aos interesses privados, tem o dever incondicional de guiar sua conduta por meios racionais e universais, respeitando a sua própria dignidade. Portanto, a propriedade privada age como uma barreira à efetivação dos princípios que conduzem ao Estado racional. Este, que deve ser o fim, torna-se meio do vil interesse dos proprietários.

No caso da lei sobre o furto da madeira, como destacado, o proprietário da floresta é o único a ter seu interesse tutelado, não como cidadão, mas enquanto representante dos interesses da propriedade privada. Sobre as formas de proceder segundo privilégios, diz Marx:

[...] vê-se que o egoísmo, o proveito próprio, possui dois tipos de peso e medida como os quais mede e pesa os seres humanos, duas diferentes concepções de mundo, dois tipos de óculos: através de um deles, enxerga-se em preto, através do outro, enxerga-se colorido (MARX, 2006).

A vontade livre é aprisionada na ―sofística do interesse‖, sendo livre apenas quando ―coincida com a esfera do arbítrio daquelas pessoas privadas privilegiadas‖ (MARX, 2006). Por isso, é intento do espírito egoísta converter suas paixões em

paixões de Estado, suas devoções em devoções oficiais e seus privilégios em direitos.

Assim como o Estado, o Direito é apenas um meio para a realização dos interesses da propriedade privada; os proprietários ―tratam o Direito não enquanto um objeto autônomo, mas sim direcionam a sua atenção [...] por detrás das costas do Direito‖. Portanto, ―se o Direito não realiza esse objetivo final, é esse Direito um Direito anti-teleológico. Um Direito desvantajoso para o interesse privado é, portanto, um Direito de consequências desvantajosas‖ (MARX, 2006). Assim o interesse privado se considera o fim para o qual tudo no mundo deve caminhar.

Esses interesses não têm limites, mas limitam a razão estatal quando a subjugam, o Direito Público, então, converte-se em Direito Privado, a razão em cálculo egoísta, os fins tornam-se meios, ―ao sentimento de Direito e equidade, visando à proteção do interesse do proprietário da vida, do proprietário da humanidade, do proprietário do Estado, do proprietário de nada, a não ser de si mesmo‖ contrapõe-se ―o sentimento de Direito e de equidade, visando à proteção do interesse do proprietário de floresta‖ (MARX, 2006), sendo este último o que prevalece na Assembleia renana e onde quer que os interesses da propriedade privada falem mais alto.

O princípio que norteia a lei sobre o furto da madeira é o do interesse privado, que deve prevalecer, mesmo que para isso a liberdade e o Direito tenham que ser sacrificados. O Estado, para Marx, caminha na ―trilha solar da justiça‖, por isso ―[este] há de assegurar vosso interesse privado, na medida em que este possa ser assegurado mediante leis racionais‖, pois ―não pode proceder contra a natureza das coisas, não pode produzir o infinito contra as condições do finito, não pode fazer o plenamente seguro contra o acaso‖ (MARX, 2006). Neste sentido, as formas jurídicas são tremendo empecilho para a conclusão dos interesses privados, que se chocam constantemente com o sentido do Direito racional. O Direito do interesse é o único válido, pois a ele todos os outros direitos são subordinados.

A Assembleia Estadual Renana ―perfurou o coração do Direito‖, deixando a ―consciência ético-moral‖ ser vencida pela consciência egocêntrica dos proprietários de florestas, que fazem do Direito uma simples formalidade, sem valor algum, já que ―não é a forma do conteúdo‖, pois ―ao conteúdo servil uma forma servil‖ (MARX,

2006). A Assembleia suplantou o Direito em nome do frio interesse particular, que despida de qualquer legalidade, vestiu-se com trajes legais para esconder seu espírito de porco.

Portanto, é possível assegurar que a posição de referência do autor nesse momento é a de um elegante defensor dos institutos liberais, que garantem a cada indivíduo a medida da igualdade, permitindo a cada um gozar da mais ampla e revigorante liberdade pública.

No entanto, já se percebe que o Estado garante a coesão racional da sociedade civil-burguesa, que de outra maneira se desintegraria diante dos interesses da propriedade privada. Esta passa a ser encarada por Marx como produtora de não- direitos, pois tendo-a como paradigma nenhuma assembleia legislativa é capaz de produzir leis em seu sentido material, enquanto positivação da liberdade, pois o horizonte é sempre o dos privilégios.

Em contrapartida, da parte dos miseráveis, sem propriedade, pode-se esperar dos seus costumes um direito inteiramente condizente com os ideais racionais e universais, pois fora do mundo do frio cálculo da propriedade privada, a sua posição é, portanto, inteiramente condizente com os interesses da humanidade com um todo.

Marx se mostra um defensor do caráter positivo do Estado e do Direito, delineado pelos ideais do Aufklärung e alinhado com a crítica radical dos jovens hegelianos de esquerda, numa espécie de idealismo ativo. Isso é, em linha gerais, ainda de modo bastante precário, o que se pode afirmar acerca das posições político- filosóficas de Karl Marx nos tempos da Gazeta Renana, onde ele permanece até 17 de março de 1843, quando a censura não lhe dá outra escolha que não seja a sua saída.

Em 1842, ele critica o projeto de lei do divórcio, que contou com a direção de Savigny. Esse projeto sobre o divórcio ostentava status de ultrassecreto, contudo a sua publicação foi antecipada na Gazeta Renana, que, posteriormente, na figura de seus editores, negou-se a revelar a fonte. Toda essa celeuma causou a ira dos censores que empreenderam verdadeira batalha contra o jornal renano, levando em breve à sua suspensão.

Com a insuportável censura, em 17 de março de 1843, Marx pede demissão da Gazeta Renana, dizendo: ―El abajo firmante declara que, en vista de las actuales condiciones de la censura, ha decidido apartarse de la redacción de la Gazeta Renana a partir del día de hoy‖ (MARX, 1982, p. 703). Ele via nos órgãos de imprensa uma função política, tanto que em carta a Dagobert Oppenheim, enaltece o caráter prático e crítico que devem ter a imprensa, pois, frente aos problemas vividos na Alemanha, os jornais são os locais indicados para se realizar a crítica ao Estado prussiano. Escreve ele,

[…] un escritor aislado no puede atalayar los problemas en su conjunto como el periódico mismo, [por tanto] yo considero imprescindible que la Gaceta Renana, en vez de ser dirigida por sus colaboradores, sea ella la que los dirige‖ (1982, p.686).

Convencido da necessidade prática dos periódicos enquanto órgãos críticos, além disso, exige que a Gazeta Renana, enquanto tal, e não somente seus colaboradores isolados, seja um órgão símbolo dessa crítica. Contudo, na Alemanha é impossível tal intento, escreve ele em carta a Ruge, poucos meses antes de pedir demissão, ―En Alemania ya no tengo nada que hacer. Aquí se adultera uno. Le quedaré, pues, muy agradecido si tiene usted a bien orientarme y aconsejarme en este punto‖ (MARX, 1982, p.691). É um incômodo, portanto, os resultados que obteve na Alemanha, pois ―es malo tener que prestar servicios de vasallo incluso en favor de