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O estudo foi realizado em Centro de Saúde da Família, localizado de Caucaia-CE. Os critérios para seleção para inserção deste centro de saúde no estudo foram: ter equipe completa, incluindo médico; ser coberta por uma equipe NASF; ter infraestrutura adequada e ter a permissão do coordenador do centro.
O município de Caucaia-CE é parte integrante da Região Metropolitana de Fortaleza, limitando-se ao norte pelo oceano Atlântico e a leste com a capital cearense. Ao sul, limita-se com o município de Maranguape, sendo que os municípios de São Gonçalo do Amarante e Pentecoste confrontam-se a oeste. A distância do município para a capital é de 16,5 km e as vias de acesso são a BR-020 e CE – 085. Sua área 1.227.895 km², distribuída pelos distritos de Caucaia/sede, Guararu, Catuana, Sítios Novos, Bom Princípio, Tucunduba, Mirambé e Jurema, representados graficamente em croqui de localização, enquadrado pelas coordenadas extremas longitude -38º45’20”WGr e -38º53´53”WGr e latitude -3º20´49” e - 3º46’37” (IBGE, 2010).
Figura 1 - Mapa dos distritos de Caucaia. Caucaia, CE, Brasil, 2012
Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE
A Zona Urbana do Município é integrada por Caucaia/Sede e Jurema, e conta com toda a infraestrutura que os caracterizam como zona urbana. A sua população corresponde a mais de 90% dos habitantes do município, com serviços e toda a logística necessária à administração pública. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE - apontam que, em 2010, o município tinha população de 325.441 habitantes (IBGE, 2010).
O município de Caucaia aderiu ao Pacto de Gestão em 2006 e encontra-se em Gestão Plena, pertencendo à macrorregião de Fortaleza. Divide-se em 06 (seis) distritos sanitários - Sede, Praia, Sertão I (BR 222), Sertão II (BR-020 e Metrópole), Jurema I e Jurema II, sendo composta por 46 Centros de Saúde da Família (CSF), 74 equipes de Saúde da Família, 49 equipes de Saúde Bucal e seis equipes de NASF – Núcleo de Atenção à Saúde da Família (uma para cada distrito). Destas, seis equipes de Saúde da Família e cinco equipes de Saúde Bucal (Planalto Caucaia, Itambé, Tabuba, Sérgio Rodrigues, Araturi e Parque
Soledade) atuam no terceiro turno, priorizando o atendimento do trabalhador. Com todo este aporte de profissionais atuando na atenção Primária priorizando a Prevenção, Promoção e Recuperação da saúde da população caucaiense. Na atenção secundária é município polo, sendo referência para 09 municípios (Apuiarés, General Sampaio, Itapajé, Paracuru, Paraipaba, Pentecoste, São Gonçalo do Amarante, São Luis do Curu e Tejuçuoca) da região da 2ª Célula Regional de Saúde - CRES, onde possui um Hospital Municipal Abelardo Gadelha da Rocha com serviços de urgência, clínica médica, pediatria, traumato-ortopedia e cirurgia. Também com uma Maternidade Santa Terezinha, que atua como referência para pré- natal de alto risco, cirurgia cesariana e urgência pediátrica (CAUCAIA, 2010).
Na Saúde Mental, possui dois Centros Psicossociais: um CAPS AD (álcool e drogas) e um CAPS Geral. E, no nível terciário, realiza serviço de hemodiálise. Há, ainda, uma Clínica de Especialidades Médicas e um Centro de Especialidades Odontológicas, além de outros estabelecimentos de saúde conveniados para diagnóstico e tratamento (CAUCAIA, 2010).
O CSF estudado localiza-se no centro do município, tendo população de 4.726 pessoas cadastradas pelos sete agentes comunitários de saúde. Uma micro área ainda permanece sem agente de saúde. A equipe profissional conta com uma enfermeira, três auxiliares de enfermagem, uma dentista, uma auxiliar de consultório dentário, três agentes administrativas, um porteiro e uma auxiliar de serviços gerais, além do médico, que é o pesquisador responsável por este estudo. Uma equipe NASF atua na área, contando com uma fisioterapeuta, uma farmacêutica, uma terapeuta ocupacional, um educador físico, uma nutricionista e uma fonoaudióloga (TAVARES et al., 2011).
4.1.1 Explorando o campo
A observação participante natural e a análise de outras pesquisas realizadas pelo pesquisador responsável por este estudo foram de extrema importância para a definição do objeto de estudo na fase exploratória deste trabalho.
O início da exploração do campo ocorreu em março de 2010, com o processo de implantação de um projeto de intervenção elaborado pelo pesquisador, baseado no projeto de conclusão do curso de especialização de práticas clínicas em saúde da família, cursado pelo mesmo na Escola de Saúde Pública do Ceará, com término em 2009. Este projeto teve como
objetivo facilitar o acesso dos usuários portadores de transtornos mentais e dos que faziam uso problemático de álcool e outras drogas da área de abrangência da equipe de saúde da família através da inclusão de ações em saúde mental no centro de saúde estudado. Foram propostas ações, como: cadastro e busca ativa dos usuários; capacitação dos profissionais; avaliação dos cadastros levantados; realização de visitas domiciliares; estruturação no calendário de um dia de atendimento quinzenal (individual e/ou em grupos educativos) aos portadores de transtornos mentais; utilização do matriciamento e da interconsulta em saúde mental para casos selecionados; educação voltada à saúde mental; criação de planilha de indicadores específicos em saúde mental; efetivação de parcerias e constituição de novos espaços de reabilitação psicossocial dentro da comunidade; e instituição da terapia comunitária (TAVARES, 2009).
Parte das ações foi implementada devido ao engajamento e à vontade dos profissionais do Centro de Saúde. Porém, a carência de apoio da gestão municipal dificultou o funcionamento satisfatório e a completa implantação desta intervenção, o que motivou a realizar o levantamento no município de Caucaia para avaliar se as equipes de saúde da família estavam realizando ações de saúde mental (TAVARES, 2010).
O questionário deste estudo foi respondido por 48% dos enfermeiros, que atuavam na Estratégia Saúde da Família de Caucaia. Vinte e nove por centos dos enfermeiros consideraram que nas equipes eram realizadas ações de saúde mental, sendo que ao analisar que atividades eram estas, percebeu-se que as mesmas se restringiam à assistência aos pacientes psiquiátricos (cadastro-58%, busca-ativa-66%, atendimentos individuais-90% e visitas domiciliares-75%). O matriciamento não era realizado no município. Nenhuma equipe realizava grupos educativos, terapia comunitária, diagnóstico em saúde mental da comunidade ou sala de situação. Setenta e um por cento (71%) destes enfermeiros referiram não realizar nenhum tipo de ação em saúde mental. Os principais motivos para a ineficácia nesse campo de atuação foram: ausência de integração da rede de saúde (46%); insuficiente capacitação específica em saúde mental (68%); carência de suporte/apoio adequado às equipes (79%); elevada demanda de atendimentos (68%); e infraestrutura inadequada (46%). A partir do estudo realizado, comprovou-se que as ações de saúde mental ainda não eram uma realidade no cotidiano das equipes de saúde da família do município, fazendo-se necessário o uso de novas estratégias para maior integralidade na atenção básica em relação à saúde mental. Optou-se então por realizar, neste momento, estudo quantitativo, objetivando avaliar a taxa de
atendimentos a usuários com queixas de saúde mental nos Centros de Saúde da Família de Caucaia. Desta forma, seria possível sensibilizar a gestão quanto à magnitude do problema e, assim, tentar consolidar a implantação da intervenção proposta no centro de saúde em questão e expandi-la às outras unidades de saúde da atenção primária do município. Este estudo foi considerado o primeiro componente desta pesquisa (TAVARES, 2010).
Dessa forma, esta pesquisa foi dividida em dois componentes, o primeiro constituído por um estudo quantitativo, e o segundo por estudo de natureza qualitativa. Tendo em vista que o conjunto de dados quantitativo e qualitativo não se opõe, ao contrário, estes se complementam, pois a realidade é abrangida por eles dinamicamente, excluindo qualquer dicotomia (MINAYO, 2006).