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Enerji tasarrufu için yapılması

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garota (inclusive incluindo suas amigas e colegas), é caracterizado por visões mais conservadoras. Ou seja, há uma inversão na forma de socialização da sexualidade no caso de Teresa: a conivência mais esperada por parte de suas amigas, ela obtém da sua

mãe. Vimos aqui o que Heilborn (2006) chama de “virgindade moral” (que já foi

mencionado anteriormente), ou seja, a preocupação por parte dos outros (no caso, das amigas de Teresa) com a sua reputação, sendo, portanto, necessário que a mesma resguarde sua imagem de “moça de família”. Para tanto, há o controle, por parte de suas amigas, sob o número e a qualidade de seus possíveis parceiros.

A sociedade, através de seus diversos segmentos, entre os quais a família, as instituições educativas e as instituições religiosas, têm atuado descompassadamente no que diz respeito ao tratamento que é dado às questões sexuais dos adolescentes e jovens, uma vez que, se por um lado, demonstra atenção e cuidado quando prescreve as formas de vivências sexuais, estabelecendo as formas de controle nessas relações, normatizando as condutas sexuais dos jovens, sobretudo no que se refere às formas de contracepção à contaminação pelas DST e à gravidez precoce, por outro lado não reconhece como legítima a sexualidade adolescente, o que implica, inclusive, na ineficiência de suas práticas educativas. Daí a dificuldade de se colocar em prática nas escolas os temas transversais presentes nos PCN (o que já foi comentado anteriormente), sobretudo o relacionado à sexualidade, e a inclusão da discussão acerca das atitudes homofóbicas.

Quando muito, a prática sexual de jovens deve ser feita “dentro de um contexto velado e

clandestino, está sempre no lugar do proibido e, portanto, das quatro paredes, uma coisa confidencial, pois está cheia de misteriosas questões ainda desconhecidas, mas muitas

vezes já vivenciadas.” (MOTA,1998.p.154).

Quase todos os entrevistados mencionaram que a escola tem desempenhado um papel importante na orientação sexual, mas que se limita a transmitir informações técnicas e científicas, sobretudo nos conteúdos específicos da matéria de Biologia, e raramente em palestras e oficinas com conteúdo preventivo.

Questionei, durante as entrevistas, sobre as experiências em comum com os amigos, no que diz respeito à sexualidade. Oito garotos (dois meninos e seis meninas) afirmaram que a maioria dos amigos (amigas) tem comportamentos e opiniões semelhantes. Marcelo fala: “ [a sexualidade] vai aflorar na adolescência porque é quando você tem todos os seus amigos se relacionando”. Nesse mesmo sentido Luana fala:

“desde pequenos ,crescemos,bagunçamos,passamos de fases juntos, e quase sempre estavamos perto.depois de um certo tempo agente foi vivendo cada um experiencias e descobertas novas,cada um com sua história mais a moiria com quase as mesmas vivencias ! (texto mandado por e-mail)

Beatriz enfatiza que os meninos não pensam como ela. Uma minoria diz que só alguns concordam com suas opiniões.

T.R.O: As suas amigas pensam diferente de você?

Laura: Sim, porque todas têm uma religião e eu não tenho, sou ateia, e aí isso bate muito de frente comigo. E elas dizem: não, porque você é ateia...e não é assim. Qualquer atitude minha falam. A religião pesa muito, principalmente num relacionamento.

Outra menina, apesar de reconhecer que a maior parte das amigas pensa e age em comum com ela, afirma que o fato de algumas serem muito religiosas, isso representa uma marca na diferença de atitudes frente à sexualidade:

T.R.O: vc acha que suas amigas pensam como vc?

Renata: a maioria sim, já outras devido a religião dizem que se preservar [até o casamento] é a melhor opção

Segundo Meinerz (2004), “a relação entre sexualidade e juventude tem se apresentado como um frutífero foco de discussão acerca da variação de práticas e

significados sexuais ao longo da vida dos sujeitos.” (p.126) Na pesquisa que a autora

realizou entre os jovens evangélicos da Igreja do Evangelho Quadrangular (IEQ), um dos aspectos que lhe chamou a atenção foi com relação à trajetória afetivo-sexual, em que foi apontada uma grande diferenciação de gênero: todos os rapazes entrevistados falaram abertamente sobre suas relações sexuais, enquanto que pouquíssimas moças alegaram que não eram mais virgens. Além do mais, quando se referiram aos descontentamentos com relação às experiências afetivo-sexuais, relacionaram-nos aos princípios religiosos que já estavam nelas, enquanto que os rapazes, além de narrarem as suas práticas sexuais sem culpa, não demonstraram insatisfação para com elas. No geral, recortes de gênero à parte, a autora afirma que todos os depoimentos dos jovens evidenciavam uma opinião inicial negativa sobre as relações sexuais.

Sabemos que há situações que fogem às expectativas com relação à vivência dos adolescentes: por exemplo, muitos deles, geralmente de camadas mais desfavorecidas, se veem diante de acontecimentos não planejados, como uma gravidez, a necessidade de trabalhar para se manter e/ou ajudar nas despesas da família que muitas vezes redirecionam o rumo de suas vidas, a começar pelo abandono da escola (por motivos de não poder conciliar estudo com trabalho ou estudo com maternidade, ou até

mesmo por vergonha da menina grávida em se expor no ambiente escolar). Em determinados casos, os jovens podem vir a ser considerados pela família e pela comunidade como adultos, apesar de estarem situados na faixa de adolescentes (como acontece nas classes mais populares quando da ocorrência de uma gravidez e/ou de ocupação em trabalhos remunerados). Porém, em outros grupos o mesmo acontecimento (por exemplo, uma gravidez na adolescência), não implica, necessariamente, numa passagem à fase adulta, pois os jovens continuam sua dedicação aos estudos, morando na

casa dos pais, às vezes nem constroem laços afetivos com o pai da criança etc.101

Nesse sentido, o fato de determinadas experiências serem vividas por um grupo de adolescentes e não por outro, não significa que um deles esteja vivendo fora de seu “tempo”. Isso implica que a concepção de adolescência e de juventude (assim como a definição de outras etapas da vida humana), varia muito conforme o contexto social e cultural em que os sujeitos estão inseridos. Como já mencionei em outros momentos, é o processo percorrido, com toda a carga de experiências e sentidos atrelados, que irão significar e definir a(s) adolescência(s). Segundo Heilborn:

a passagem para a vida adulta apresenta especificidades segundo as diferentes condições materiais de existência e os diferenciais de gênero e de raça/cor que condicionam as trajetórias juvenis. Essas características socioculturais fazem com que os perfis e percursos juvenis se apresentem muito heterogêneos quando comparados ao verificado em países desenvolvidos. (2006,p.41)

Para as ciências sociais, a adolescência e juventude são noções “historicamente datadas”102, e, sob esse ponto de vista, abordá-las na perspectiva de processo, é uma estratégia que pode ser muito eficaz na compreensão dos perfis e dos itinerários dos indivíduos que vivenciam essa etapa da vida. Para Heilborn (2006), o foco deve incidir sobre um grupo de pequenas e contínuas experiências que modulam a socialização dos indivíduos, que podem ocorrer simultaneamente: a iniciação sexual, a inserção no mundo do trabalho, a utilização de métodos contraceptivos ou não, a gestação, o aborto ou parentalidade, a socialização maior ou não com o grupo de pares etc.

Em síntese, neste capítulo, ao ter pretendido analisar os significados que a

sexualidade tem para os jovens adolescentes, bem como as suas prátic as afetivas e

101 Heilborn, 2006

sexuais, comecei abordando a sexualidade como mediadora das relações sociais entre os jovens, e como uma prática muito relevante na passagem de uma etapa da vida a outra. Foi esclarecido, para tanto, que a sexualidade está sendo empregada sob o ponto de vista socioantropológico, que a analisa com base na sua interação com a socialização e a aprendizagem dos adolescentes. Foi apresentada também uma discussão sobre a construção das relações de gênero, no intuito de auxiliar na análise dos relatos dos adolescentes sobre suas vivências e performances sexuais.

Partindo dessas considerações, foram expostos os relatos dos adolescentes, quando foram demonstradas suas opiniões, suas inquietações, impressões, enfim um pouco de suas vivências afetivas e sexuais, desde as apreciações sobre a sexualidade em si (que eles entendem como ato sexual), sobre a fidelidade, homossexualidade, o

casamento, o ter filhos, até suas próprias práticas, como o ficar, o namorar, a “primeira

vez”, a “perda” da virgindade. Ficaram expressas nas suas falas, direta e indiretamente, concepções sobre as representações de gênero, em alguns momentos mais flexíveis, disputando lugar com valores tradicionais que apareceram noutros momentos, apontados pelas diferenciações de gênero instituídas historicamente.

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