ARGUMENTOS RIGOROSOS
De acordo com a OE (2001:10) “A tomada de decisão que orienta o exercício profissional autónomo implica uma abordagem sistémica e sistemática. Na tomada de decisão, o enfermeiro identifica as necessidades de cuidados de enfermagem da pessoa individual ou do grupo (…). (…) No processo de tomada de decisão em enfermagem (…), o enfermeiro incorpora os resultados de investigação na sua prática.”.
A tomada de decisão implica a reflexão sobre a prática e saber sobre o agir (Nunes, 2006)13. A reflexão sobre a prática, monitorização e avaliação dos resultados permitiu-nos perceber se as nossas intervenções resultaram em ganhos em saúde.
O PIS, permitiu também desenvolver esta competência. Só após sermos conhecedores dos fatos podemos fazer o julgamento e escolher entre as alternativas, ou seja, tomar a decisão. Este processo permitiu desenvolver intervenções dirigidas a um problema que foi identificado e anteriormente descrito. Segundo Nunes (2006) a decisão é a escolha entre as alternativas e o julgamento é a avaliação das alternativas, são dois conceitos interligados quando falamos da prática de enfermagem e frequentemente discutidos como uma entidade única.
Este percurso permitiu desenvolver competências comuns do Enfermeiro Especialista, no domínio da melhoria da qualidade de cuidados prestados e da sua gestão, assim como no domínio do desenvolvimento das aprendizagens profissionais.
O processo de tomada de decisão encontra-se desenvolvido num enfermeiro proficiente, mas está totalmente presente num enfermeiro perito, sendo um elemento facilitador na gestão de situações complexas.
“Na procura permanente da excelência no exercício profissional, o enfermeiro contribui para a máxima eficácia na organização dos cuidados de enfermagem” 14.
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NUNES, Lucília – Autonomia e responsabilidade na tomada de decisão clínica em enfermagem. II Congresso da Ordem dos Enfermeiros, 2006.
14
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5 – INICIA, CONTRIBUI E/OU SUSTENTA INVESTIGAÇÃO PARA
PROMOVER A PRÁTICA DE ENFERMAGEM BASEADA NA EVIDÊNCIA
Uma das finalidades da realização deste PIS é contribuir para a melhoria da qualidade dos cuidados de enfermagem prestados pelos enfermeiros, que foram amostra deste estudo. A evidência científica mais recente e a análise, conceção e implementação dos resultados de investigação, podem ser um contributo para a resolução da pergunta de partida, logo um contributo para a melhoria da prática de cuidados.O tema do trabalho está diretamente ligado à area de especialização de Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiatria. Como projeto de investigação esperamos que seja um contributo para que novos projetos surjam nesta área.
Ao longo deste percurso seguimos as fases da metodologia de projeto, sustentada em artigos cientificos e peritos na área, o que facilitou o seu desenvolvimento.
Após escolhermos a problemática em estudo e termos uma pergunta de partida, durante a fase diagnóstica aplicamos instrumentos validados para a População Portuguesa, que permitiram dar resposta à pergunta inicialmente colocada.
A fase de planeamento foi realizada basaeada nos resultados da fase de diagnóstico e na evidência cientifica, em estudos anteriormente realizados, que permitiram juntamente com os resultados obtidos desenvolver estratégias de intervenção e métodos de avaliação, para dar resposta aos objetivos do trabalho.
Com este trabalho, não só apresentamos os resultados obtidos no PIS, mas também procedemos à divulgação dos resultados através de um artigo, permitindo à comunidade científica ter mais uma ferramenta que permita ter um olhar sobre a prevenção do stress dos enfermeiros e operacionalizá-los nos seus contextos.
Mobilizamos os conceitos adquiridos nas Unidades Temáticas como “trabalho de Projeto”, “Ética e Investigação”, “Direito em Saúde”, “Economia e Politicas de Saúde” e “Métodos de Tratamento de Informação”.
Ao longo deste processo desenvolvemos competências como enfermeiros dinamizadores do projeto de investigação. Os enfermeiros são cuidadores, com capacidade de reflexão, que devem reconhecer as práticas que transmitem segurança, não só na tomada de decisão, mas
também na prática de cuidados, mas que se não forem cuidados todo este processo ficará comprometido.
A investigação permite parar para refletir sobre as práticas; melhorar a qualidade dos cuidados prestados, baseados na evidência e adquirir conhecimentos que permitam mobilizar competências anteriormente adquiridas.
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6 – REALIZA ANÁLISE DIAGNÓSTICA, PLANEAMENTO, INTERVENÇÃO E
AVALIAÇÃO NA FORMAÇÃO DOS PARES E COLABORADORES,
INTEGRANDO FORMAÇÃO, A INVESTIGAÇÃO, AS POLITICAS DE SAÚDE E
A ADMINISTRAÇÃO EM SAÚDE EM GERAL E EM ENFERMAGEM EM
PARTICULAR
O percurso profissional desenvolvido até ao presente momento, permitiu que adquirissemos competências a este nível. Destacamos o curso de formação de formadores, que permitiu a aquisição de competências ao nível da pedagogia e da análise diagnóstica, planeamento, intervenção e avaliação em formação e o facto de no seu serviço exercer as funções de enfermeiro formador, desde 2003, com responsabilidades ao nível da formação em serviço e da formação em contexto de trabalho.
Após ter sido diagnosticado o problema que levaria a elaboração do PIS, foram realizadas várias ações de formação que veem fundamentar tudo o que anteriormente foi referido neste relatório e o porquê deste tema ter tanta importância para quem trabalha num serviço de oncologia.
Foi elaborada e aceite a candidatura aos programas de fundo comunitários do POPH, do Curso Básico de Cuidados Paliativos, no sentido de, no local de trabalho, ser ministrada formação que permita aos enfermeiros desenvolver competências nas áreas relacionais e comunicacionais, para que desenvolvam estratégias de adaptação a um contexto identificado como sendo muito stressor.
A orientação de estudantes em ensino clínico, e de cursos de especialização, permite integrar os contributos anteriormente referidos, mas também, durante este percurso formativo, integrar as políticas de saúde que se relacionam com este contexto de trabalho.
A publicação de um artigo científico como forma de divulgar o PIS desenvolvido, tal como foi referido anteriormente, poderá ser um contributo para o desenvolvimento de outros projetos, e que os profissionais de saúde passem, também, a ser clientes dos cuidados de enfermagem dos Enfermeiros Especialistas em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiatria, no âmbito da promoção da saúde e prevenção da doença mental.
Pensamos, após reflexão das Competências de Mestre em Saúde Mental e Psiquiatria, ter conseguido demonstrar e mobilizar as competências desenvolvidas ao longo de todo o percurso académico e ao longo da prática clinica de enfermagem.
As Unidades Temáticas de “Economia e Politicas de Saúde”, “Psicologia das Organizações” e “Capacitação e Saúde Global”, permitiu-nos mobilizar conhecimentos para atingir esta competência.
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CONCLUSÃO
Este relatório permitiu dar a conhecer o percurso percorrido ao longo do 2º Curso de Mestrado em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiátria. Neste contexto este documento faz a síntese, não só do PIS, como também da análise das competências do Mestre.
O PIS permitiu-nos perceber se os enfermeiros do serviço de oncologia tinham a perceção da vulnerabilidade ao stress, e após a análise do diagnóstico e reflexão sobre as teóricas de enfermagem, evidência científica e a problemática do stress, identificar os agentes indutores de stress e delinear as intervenções, não só individuais, mas também organizacionais.
A arquitetura de um trabalho de projeto ajudou a traçar um caminho onde a reflexão esteve sempre na base de todas as intervenções. Com o trabalho de projeto foi possível construir uma ponte entre a teoria e a prática, ou seja, através do suporte fornecido pelo conhecimento teórico foi possível realizar um projeto de intervenção aplicado a uma situação real de um local de estágio.
Durante este percurso os enfermeiros sentiram-se valorizados, cuidados, pelo que este PIS se revelou de maior importância, não só no desenvolvimento de estratégias para redução do stress, mas também para a manutenção e/ou melhoria da qualidade dos cuidados prestados. Pensamos ter atingido as competências do Mestre nas suas unidades de competências, mobilizando saberes teóricos e práticos, suportados na evidência e na prática profissional. No processo de cuidar, o enfermeiro tem um trabalho árduo e simultaneamente gratificante. O enfermeiro é valorizado pelas suas competências técnicas, pela empatia e relação de ajuda, como intervenção autónoma sempre presente para satisfazer as necessidades dos doentes, mas também é uma pessoa em que os valores, crenças, sentimentos e histórias de vida esão presentes.
Pensamos que este trabalho nos proporcionou um caminho, a pesquisa científica, a experiência profissional, o bom senso, leva a um maior conhecimento, a uma maior capacidade de agir eficazmente em determinadas situações. Neste sentido o Modelo Adaptativo de Roy facilitou-nos a compreensão deste percurso porque admite que o indivíduo é um sistema com capacidade de se adaptar, que os recursos internos podem levar a alterações no ambiente e que essas mudanças poderão interferir no processo de adaptação.
Tal como a Ordem dos Enfermeiros, no documento dos Padrões de Qualidade, este modelo baseia-se em quatro elementos essenciais, a Pessoa, o ambiente, a saúde e a enfermagem. Integra o processo de enfermagem, orientando a prestação de cuidados e a prática clínica, nas fases de avaliação dos comportamentos e estímulos, do diagnóstico que facilita a ação do enfermeiro, das intervenções e na (re) avaliação, tendo como finalidade melhorar os cuidados de enfermagem, estabelecer diagnósticos de enfermagem com base nas necessidades e melhorar a comunicação intra e interdisciplinar, promovendo o processo de adaptação. A enfermagem é uma arte e uma ciência, que se revela pelos diferentes saberes e na prática do cuidar e procura a excelência nos cuidados prestados, encontrando na investigação contributos preciosos para o desenvolvimento do conhecimento.
Assim, com um elevado autoconhecimento do “EU”, integrando as competências específicas do Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiátria, o Mestre está apto a refletir sobre a prática de cuidados, desenvolver estratégias e intervenções adequadas para a redução do stress, resultante do ambiente em que estamos inseridos na prática diária do cuidar.
Chegados a esta fase existe uma ambiguidade de sentimentos, por um lado confrontamo-nos com a satisfação de vermos todo o nosso esforço materializado, algo que parecia difícil de concretizar e que em determinadas fases foi um caminho difícil, tortuoso e muito só. Por outro lado, fica o sentimento do percurso académico ter terminado, mas temos o compromisso de dar continuidade prática e cumprir os objetivos a que nos propusemos.
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