BÖLÜM 1: GENEL BİLGİLER
1.8. Enerji
Entre o plano da existência e o da eficácia do negócio jurídico, encontra-se, intermediariamente, o da validade.
Antônio Junqueira de Azevedo83 ensina que:
“A validade é, pois, a qualidade que o negócio deve ter ao entrar no mundo jurídico, consistente em estar de acordo com as regras jurídicas (“ser regular”). Validade é, como sufixo da palavra indica, qualidade de um negócio existente. “Válido” é adjetivo com que se qualifica o negócio jurídico, formado de acordo com as regras jurídicas”.
A validade do TAC, que se classifica como espécie de negócio jurídico diverso, deve estar intrinsecamente relacionada com a adequada garantia do direito transindividual
83AZEVEDO, Antonio Junqueira de. Negócio jurídico: existência, validade e eficácia. 4. ed. São Paulo:
tutelado.
Assim, para ser válido o ajuste de conduta deverá apresentar:
a) Declaração de vontade sem qualquer/quaisquer vício(s) de consentimento.
b) Licitude do objeto correspondente a obrigações de fazer/não fazer que estipulem o mínimo previsto pela legislação em vigor como forma de correção da lesão metaindividual trabalhista84 constatada. Ensina Hugo Nigro Mazzilli85 que o TAC “nunca poderá versar a disponibilidade material do próprio direito controvertido”.
c) Forma escrita.
d) Agente capaz, legitimado e devidamente representado para a celebração do compromisso.
e) Em regra, vigência temporal imediata, salvo se pactuada condição suspensiva, devendo constar cláusula expressa neste último caso.
f) Local de assinatura e abrangência territorial86 das obrigações estipuladas.
Por sua vez, a eficácia do negócio jurídico diz respeito aos efeitos que o mesmo surtirá uma vez celebrado, lecionando, neste sentido, Antônio Junqueira de Azevedo87:
“O terceiro e último plano em que a mente humana deve projetar o negócio jurídico para examiná-lo é o plano da eficácia. Nesse plano, não se trata, naturalmente, de toda e qualquer possível eficácia prática do negócio, mas sim, tão-só, da sua eficácia jurídica e, especialmente, da sua eficácia própria ou típica, isto é, da eficácia referente aos efeitos manifestados como queridos”.
Quanto aos principais efeitos do TAC, Geisa de Assis Rodrigues88 elenca:
“a) a determinação da responsabilidade do obrigado pelo cumprimento do ajustado;
84Lesão a direitos transindividuais ou supra-individuais (como expressões sinônimas), de que são espécies os
direitos difusos, coletivos e individuais homogêneos e que exsurgem, direta ou indiretamente, das relações de trabalho.
85MAZZILLI, Hugo Nigro. op. cit., p. 385.
86O limite territorial de vigência das cláusulas previstas no TAC é um requisito que, muito embora
facultativo, evita grandes questionamentos na esfera judicial acerca da amplitude do ajuste de conduta celebrado perante o Ministério Público e que deveria, em regra, constar de todos os TAC´s. Trata-se de elemento diretamente relacionado à eficácia territorial do compromisso. Exemplo bastante recorrente diz respeito ao elastecimento da obrigação de não contratar trabalhadores por intermédio de cooperativas de mão-de-obra tanto no que pertine à matriz quanto a todas as filiais de determinada empresa compromitente em território nacional.
87AZEVEDO, Antonio Junqueira de. op. cit., p. 49. 88RODRIGUES, Geisa de Assis. op. cit., p. 202.
b) a formação do título executivo extrajudicial.
c) a suspensão do procedimento administrativo no qual foi tomado, ou para o qual tenha repercussão;
d) o encerramento da investigação após o seu cumprimento”.
Regra geral, o ajuste de conduta gera todos os efeitos supra quando é assinado, não havendo óbice à sua eficácia, salvo previsão expressa estipulando prazo para vigência ulterior de suas cláusulas.
Eventual deficiência quanto à publicidade do compromisso não altera a eficácia do mesmo.
Por se tratar de título executivo extrajudicial e, para apresentar eficácia executiva, Geisa de Assis Rodrigues89 ensina que o TAC deve estipular:
“Quem é o responsável pelo seu cumprimento, a delimitação de seu objeto e, sendo cláusula de indenizar, o valor quantificado; sendo cláusula de entregar coisa, a individuação precisa desta; sendo obrigação de fazer e de não fazer, a definição mais precisa possível dessa obrigação, o modo de cumpri-la, onde cumpri-la, o resultado prático que se visa obter”.
A respeito da eficácia do termo de ajuste de conduta, é importante destacar alguns temas polêmicos:
Discute-se, então, sobre a eficácia do TAC firmado perante o Ministério Público Estadual, tendo em vista o disposto pela Lei Complementar Paulista 734/93.
Uma corrente90 sustenta que o termo de compromisso apenas surte efeitos quando homologado pelo Conselho Superior do “Parquet” Estadual, tendo em vista o disposto pela Lei Complementar Paulista 734/93 (condição suspensiva91 do ajuste celebrado).
Outra vertente92, contudo, entende que a previsão constante do artigo 112 da Lei Complementar Estadual 734/93 é inconstitucional ao estipular eficácia de título executivo extrajudicial, matéria de competência privativa da União (artigo 22, I da Constituição Federal/88). Além disso, a lei federal não prevê qualquer dispositivo neste sentido, assim como o constante da Lei Complementar Paulista 734/93 e, de fato, o objeto do ajuste
89RODRIGUES, Geisa de Assis. op. cit., p. 209.
90Neste sentido: Luis Roberto Proença, Fernando Grella Vieira.
91Cláusula que subordina a eficácia do negócio jurídico até a realização do evento determinado, na hipótese, a
homologação pelo Conselho Superior do Ministério Público Estadual Paulista.
poderia restar comprometido em razão da demora dos trâmites burocráticos.
No âmbito do Ministério Público do Trabalho, não há qualquer regulamentação similar, de forma que os termos de compromisso de ajustamento de conduta não dependem de prévia homologação do Conselho Superior para surtirem efeitos. Neste sentido, transcreve-se, inclusive, Precedente nº 1993 do Órgão Superior do “Parquet” Laboral:
“CELEBRAÇÃO DE TAC. NÃO CONHECIMENTO DA REMESSA. Não se conhece da remessa de procedimento encerrado em virtude de celebração de Termo de Ajustamento de Conduta entre o Ministério Público do Trabalho e o Denunciado”.
Outro assunto bastante discutido refere-se à necessidade de participação do Ministério Público em ajustes celebrados por outros órgãos legitimados.
Uma vertente94 sustenta que há necessidade de participação obrigatória do Ministério Público nos TAC´s celebrados por outros órgãos públicos, com base no § 1º do artigo 5º da Lei 7.347/85. Como principais argumentos, citam-se: única forma de compatibilizar o sistema de tutela dos direitos transindividuais; Ministério Público seria o único Órgão com poderes para instaurar inquérito civil, requisitar informações necessárias à defesa dos direitos difusos e coletivos e para intervir, como “custos legis”, em ações civis públicas propostas por outros co-legitimados. Com base em tais motivos, a intervenção, também na esfera extrajudicial da celebração do ajuste, seria obrigatória.
Outra corrente95 defende que não há previsão legal sobre a participação obrigatória do Ministério Público nos TAC´s celebrados por outros Órgãos Públicos, de forma que o § 1º do artigo 5º da Lei 7.347/85 não se aplica à via extrajudicial, mas apenas à judicial (ações civis públicas ou coletivas).
De fato, não parece sustentável a extensão de regras envolvendo a obrigatoriedade de participação do Parquet em TAC´s celebrados por outros Órgãos com base em interpretação analógica ao disposto pelo § 1º do artigo 5º quando inexiste, de fato, lei neste sentido.
A eficácia do ajuste apenas reflete na seara jurídica daquele que expressamente se obrigou no termo, de sorte que a eficácia plena se verificará quando o direito
93Aprovado na 108ª Sessão Ordinária em 30.03.2006. Publicado no DJ-I em 12.04.2006, p. 475.
94Neste sentido: Paulo Cezar Pinheiro Carneiro, Fernando Grela, Francisco Antonio de Oliveira, Geisa de
Assis Rodrigues.
metaindividual transgredido ou na iminência de ocorrer estiver tutelado.
Por fim, os titulares de direitos individuais puros ou individuais homogêneos poderão se beneficiar das obrigações de natureza difusa ou coletiva estipuladas no TAC ou, então, postular, judicialmente, outros direitos que não estejam previstos no ajuste de conduta. Em sentido inverso, poderão insurgir-se, ainda, acerca do teor das cláusulas estipuladas no termo de compromisso através da correspondente ação anulatória, desde que comprovados vícios do negócio jurídico.
3.5. Direitos difusos, coletivos e individuais homogêneos e abrangência do termo de