• Sonuç bulunamadı

7. ARAŞTIRMA SONUÇLARI VE TARTIŞMA

7.4. CTP Boruların Düşük Hızlı Darbe Deney Sonuçları

7.4.7. Enerji-zaman değişimi ve enerji dağılımı

A família das crianças em sua relação com a vida dos filhos e, mais especificamente, a vida escolar deles, foi identificada por todos os professores entrevistados como sendo um fator fundamental responsável pelas dificuldades de aprendizagem das crianças. Percebemos que o peso dado à família, nessas questões, é significativamente maior que os dos outros fatores mencionados. Essa tendência também não é nova. Couto (2012) realiza em seu trabalho intitulado O fracasso escolar e a família: o que a clínica ensina?, já citado, uma interessante análise sobre a participação da família como causa para os problemas de aprendizagem. Partindo das críticas já realizadas em relação ao argumento de que a dinâmica familiar seria a principal responsável pelos problemas das crianças na escola, utiliza o aporte teórico da psicanálise para demonstrar a inconsistência dessa tese. Para essa pesquisadora, a hipótese de uma família desestruturada como responsável pelas dificuldades das crianças se sustenta em uma concepção "ambiental e ideal da família e de pai" além de produzir, como efeito, a manutenção da criança "na posição de objeto/vítima do Outro." (Couto, 2012, p.266). A conclusão de Margareth Couto coincide com a concepção de família presente nos pressupostos escolanovistas, identificados por nós anteriormente. Enfatizamos como o contexto familiar ganha importância como ambiente precursor da socialização das crianças e, consequentemente, sendo o responsável pela aquisição de comportamentos indesejados do ponto de vista da escola ou, mais amplamente, da sociedade. Para nossos interesses, contudo, é importante registrar o fato de uma pesquisa tão recente se propor a discutir essa questão como mais um sinalizador de que essa concepção de família, como justificativa para os problemas escolares, permanece ainda bastante presente nos meios escolares. Em nossa investigação a relação família/dificuldades das crianças em aprender, apresentou-se como uma unanimidade entre os professores entrevistados. Vejamos, então, como falam das famílias os professores.

P3: [...] pode ser uma falta de acompanhamento também, assim, da família, po ue assi , se a fa ília v ta ó o eu filho t o essa difi uldade vem e conversa com a professora também, não sei, pode ser isso tudo junto. P4: Tipo a ge te es uta oisa do tipo, eu ão ue o sa e , eu te ho ais 4 filhos p a ia , eu ão estou po o ta dele , eu ão ue o sa e , eu ão

ue o ue a es ola e ha e ais , e ai assi , essa se a a a ge te hegou a ficar assim deprimida de tanta coisa que a gente escutou das famílias, sabe? P5: um caso bem serio o menino chegou a fugir essa semana e ai ficou, veio pra escola 9:30 da noite pedindo abrigo mesmo né, voltou pra escola, o porteiro ligou pra direção, ele com medo de ir pra casa e apanhar da mãe.

P8: Eh, outra coisa que eu acho falta de acompanhamento e assistência da família, que a família deveria tá mais próxima, ver e acompanhar sabe?

P9: Bom, eu vejo mais como uma causa psicossocial Pesquisadora: E aí? Como é isso?

P9: Porque esses alunos tem muitas dificuldades familiares. E realmente esses pais colocaram determinadas situações familiares e isso daí é que desarticula um pouco esses alunos.

P10: E é a mesma coisa, a família é hiper, muito, muito, muito, muito, muito complicada, muito complicada, então assim, e todos assim, em questão de, de, de questão socioeconômica da família, a questão de, da mãe sabe, da ajuda dessa mãe sabe, consegue trazer pra eles, então assim, a família é muito complicada e os meninos vão, a questão de disciplina pega muito, pega muito e quando a gente chama a família a mãe sempre ela, lógico que é o papel da mãe eu ão sei isos , as assi , fi a do lado da ia ça ah t , as po ue eu filho isso , po ue vo s deixa ele de lado fo a , e po ue fi a uito fo a de sala e tão se p e justifi a a favo do filho

P11: Eu acho que a gente tem de todo tipo, tem menino que não era criado pela mãe que faltava mãe mesmo sabe.

P11: Chega em casa ele tá sozinho, ele tá por ele mesmo não é, então tem que te algu ue es ute, ue d u o selho, ue fala ah ão, ão faz assi ão, faz de out o jeito a ho ue p e isa si , e o PIP passa uito po aí.

A ideia de uma estrutura familiar adequada à formação da criança e que contribua para o processo de aprendizagem aparece, em sua versão negativa, nas falas de todos os professores entrevistados. A criança, nessas justificativas, é abandonada à sua própria sorte po u a fa ília uito o pli ada ue o a a o pa ha e o uida de sua ida es ola . Há uma clara crítica na avaliação que os professores fazem da não participação da família na

vida, principalmente escolar, dos filhos. Como se a falta de acompanhamento dos filhos fosse uma escolha dos pais. Fato semelhante foi percebido por Patto (1993), ao não encontrar nas falas dos professores com os quais desenvolveu sua pesquisa, uma consideração das razões que poderiam ter as famílias para agirem assim em relação aos filhos. Mesmo não afirmado abertamente, o fato é que nenhuma consideração é feita para justificar ou explicar, na perspectiva dos pais, tal falta de acompanhamento. Ao contrário, alguns professores arriscam até mesmo a afirmar um certo saber sobre como as famílias deveriam agir com as crianças.

P2: Agora às vezes existem também famílias que não estão se desestruturando, mas os pais não tem aquele acompanhamento necessário eh... Também existe, existe muito isso. Eu digo mesmo, não se faz mais pai e mãe como antigamente P6: Eu acho que a família eh, assim que tem; que valoriza a leitura, que valoriza a leitura né, o estudo, eu acho que o menino sobressai mais, sabe. Agora aquela família que não dá muita importância, a gente não sabe por que motivo, ai o menino tem mais dificuldade mesmo.

O fato de a família adquirir uma importância especial no conjunto das variáveis que intervém no desempenho escolar das crianças é, sem dúvida, tributário do processo descrito por nós anteriormente. Da família, que aparece como parte essencial do ambiente social da criança no âmbito do projeto de renovação educacional do início do século XX, é cobrada, como atesta o Manifesto dos Pioneiros, uma participação mais efetiva na vida escolar dos filhos. Acrescente-se a isto, a interferência das ideias psicanalíticas que darão valor especial à relação dos pais na formação dos filhos. Partindo-se de tais pressupostos, o papel da família é naturalizado também nas falas dos professores entrevistados por nós. Nenhum deles coloca qualquer questão sobre como se daria essa participação ou porque os pais agiriam desta ou daquela maneira com seus filhos.

Nas justificativas para as dificuldades das crianças que se apoiam na precariedade das famílias, constatamos também, reflexos mais explícitos desse processo, já tão denunciado em pesquisas sobre a educação, e também identificado por nós, de psicologização da educação. Os exemplos abaixo atestam isso.

P1: Isso é muito comum, por exemplo, nas relações com os pais que o pai fala assi oh e i o u o . E eu falo uidado ... po ue isso vai fi a g avado o inconsciente, então vocês vão achar que são burros mesmo, vai crescer assim. Cada vez que estão ouvindo isso vai guardando. Então grande parte disso, dessa família... a forma de relacionamento da família acaba consolidando isso

P7: Eh, uma vez eu assisti uma palestra, que eles estão bloqueados psicologicamente.

Pesquisadora: E como você entendeu isso?

P7: Entendi isso assim, por exemplo, quando eu, quando a criança participa de alguma situação, está ali inserida no meio né. E que às vezes vê, por exemplo, esse caso da menina que presenciou a mãe querendo matar o pai. Aí parece que ela fica bloqueada.

A maneira como os professores justificam as dificuldades de aprendizagem das crianças a partir de uma avaliação de seu contexto familiar como inadequado, reforça, por fim, a tese funcionalista de que o meio sociofamiliar é determinante dos comportamentos e dificuldades das crianças. É importante que consideremos, sobretudo, que a crença nessa justificativa irá orientar as ações dos professores em relação às crianças, pois tais justificativas não se restringem apenas no plano das ideias. Cada saber constituído sustenta e justifica, desde pequenas respostas no cotidiano escolar até a elaboração de estratégias coletivas de enfrentamento das dificuldades.

Nessa direção vale registrar também a maneira como a escola aparece nas respostas dos professores sobre as dificuldades de aprendizagem.

Benzer Belgeler