4. KOMBİ SAYAÇLAR
4.5. Endekslere Göre Ceza Oranının Hesaplanması ve Örneklerle Açıklanması
Não há como interpretar a identidade gaúcha ou a simbologia que ela representa sem que se questione o que define o gaúcho para os tradicionalistas. Ao entrevistá- los11 sobre o que representa ser gaúcho hoje, qualidades como honra, hospitalidade e respeito foram mais representativas do que sua imagem como homem do campo. O fato de se ter nascido ou não no Rio Grande do Sul, estado onde iniciou-se o MTG, também não apresenta grande relevância entre os participantes do movimento. O maior destaque em nossa sondagem foi relegado aos sentimentos de gosto ou amor pela cultura regional, o caráter de culto do movimento e o papel desempenhado pela tradição.
Quadro 3: O que é ser gaúcho para os tradicionalistas Ser gaúcho é uma questão de: Porcentagem
Tradição / Cultura 34%
Culto / Cultivo / Manutenção 19%
Gosto / Amor 13% Orgulho / Honra 7% Respeito / Valores 9% Nascimento 4% Participação 4% Estado de espírito 5% Homem do campo 4%
Não tem explicação 2%
Nas palavras de Alice Terres (e.p.), 3ª Prenda Veterana do MTG-PR, “ser gaúcho é amar o tradicionalismo e passar essa tradição para a família”. Mário Eurich (e.p.) concorda com ela: “ser gaúcho é um estado de espírito. É você cultivar a tradição independente do estado em que nasceu. Pode ser paranaense, catarinense, pode ser mato- grossense, pode ser até de outro país, você gostando da tradição gaúcha, cultivando, é gaúcho”. Ambos freqüentam o CTG Estância Colorada, de Cascavel (PR). As respostas porto- alegrenses apresentam teor semelhante: “ser gaúcho pra mim é um estado de espírito, é cultivar uma tradição, é preservar os antepassados, é o jeito de agir... é ter amor pela terra
onde a gente nasceu”, registra Marcelo de Jesus (e.p.).
Os valores do herói mítico parecem-nos atrativo maior nestes tempos do que a imagem do pampeiro, já que a estância de gado não representa, como outrora, o poder econômico do estado. As qualidades de um povo cristalizadas no imaginário permitem que o pertencimento à cultura seja experienciado por todos os iniciados que partilham a compreensão da história, dos costumes e dos ritos reiterados pelo movimento. A constante alusão à tradição, porém, demarca o contorno dessa identidade comum e, de certa forma, define a iniciação. O passado glorioso de trabalho e guerras, que desafiaram a bravura do gaúcho, precisa ser conhecido e transmitido, bem como a forma de vida galponeira e comunal que marcou esse passado. A tradição é apresentada não apenas como costumes, normas morais e lendas, mas como história revivida, como o resgate dos antepassados. Alguns testemunhos são emblemáticos dessa importância relegada ao passado: “ser tradicionalista em primeiro lugar é trabalhar para manter a cultura do Rio Grande, manter as raízes, manter as origens de nossos ancestrais gaúchos”, assegura o porto-alegrense Mozart Gonçalves (e.p.). O curitibano Fábio Ferreira (e.p.) corrobora: “ser gaúcho é cultuar as tradições, é valorizar a família – que acho que é um dos princípios do tradicionalismo. É valorizar tudo o que já passou, o povo que lutou tanto, principalmente no Rio Grande do Sul. O gaúcho é isso: mais um estado de espírito do que viver em algum lugar”.
Há uma combinação de elementos na defesa da identidade gaúcha, que vai desde a imagem do homem do campo até a defesa da família, da honra e de outros valores culturalmente importantes. Além disso, a capacidade de reunir diferenças sob uma mesma imagem é ressaltada, agregando pessoas e possibilitando o surgimento de espaços de convivência com normas estabelecidas e aceitas pelos tradicionalistas. Erton Bittencourt (e.p.), presidente do MTG-PR na gestão 2003-2007, reflete sobre a identidade:
Ser gaúcho é uma qualidade, na minha concepção, social e cultural. O que se busca é uma cultura agregada ao convívio social, em conjunto com a família, e o objetivo de que seus filhos participem e que dêem continuidade a isso com seus sucessores. Não resta dúvidas de que hoje a cultura compete com a disponibilidade financeira (um forte concorrente), e também com o desagregamento social da juventude. Não é fácil transmitir a Tradição para nossos sucessores numa sociedade conturbada. As famílias que participam do movimento geralmente estão mais satisfeitas do que estariam fora dele. Há circunstâncias em que alguns membros nos desagradam, mas o número daqueles que participam com respeito, e nos agradam, é maior e mais representativo. O que se busca no mundo (não só no Brasil, mas no mundo conturbado de hoje), é viver com entendimento, com boa consciência, com boa conduta. São critérios para a formação da cidadania, e acho que o movimento oferece isso de várias formas. Um jovem com pouca idade já participa do cotidiano, dos eventos e das competições, se coloca em situações de comunicação, de expressão, trabalha a gestualidade, a oratória, aumenta seu potencial para participar
do movimento e também do mercado de trabalho.
A identidade gaúcha é fundamental ao tradicionalismo, e sua defesa constitui a defesa dos valores familiares conforme entendidos pelo movimento e seus adeptos. O pampeiro, homem do campo, é figura constante no imaginário, mas não representa a realidade vivida pelos tradicionalistas majoritariamente citadinos que participam do movimento desde sua origem (já que seus fundadores também viviam nas cidades). As características com as quais os tradicionalistas de hoje se identificam parecem-nos mais o culto e o gosto, ou seja, cultuar uma tradição para que ela não seja esquecida, gostar do conjunto de conhecimentos propostos por ela, do ambiente que ela promove, porque esta é a forma encontrada pelo tradicionalismo para fazer com que os valores representativos dessa forma de vida não percam sua validade. A retomada do passado pode ser vista também como projeção do futuro. Cultivar e manter uma tradição e passá-la adiante, como prega o MTG; é a forma de manutenção dos núcleos sociais e familiares que formam a base da cultura regional gaúcha.