8. The Justice Party Governments (1965-1971)
9.2. The End of “Above-Party” Government and a further division in the PRP
A complexa questão da participação popular nas decisões das autoridades no exercício de seus respectivos mandatos, nas esferas municipal, estadual e federal, ainda que em tese se mostre necessária e amplamente atrativa, exige uma amplitude de conhecimentos que se sobrepõem nos campos da política, da gestão administrativa, da sociologia, da comunicação de massa, da educação, da religião, entre outros. Tais conhecimentos comportam-se como líquidos segundo o “princípio dos vasos comunicantes”, descritos por Drucker (1966), nos quais tendem todos a um equilíbrio em patamares mais elevados, ou seja, o avanço no domínio de um dos fatores induz à elevação dos demais, equilibrando-os ao longo do tempo.
A análise e a avaliação metodológica do grau de maturidade e da real capacitação (capability) de um determinado segmento da sociedade que o habilite a participar, propor, defender, coordenar e controlar uma decisão, dentro do equilíbrio de recursos disponíveis, de possibilidades tecnológicas (realizabilidade e exequibilidade) e de prioridades realisticamente estabelecidas são altamente complexas pela sua multidisciplinaridade e sua subjetividade, chegando a exigir uma alta competência da liderança e, por que não, uma visão de estadista em suas decisões.
Conceito de habilidade (skill), de sensibilidade (feeling) e de espírito republicano elevado são fundamentais ao decisor público final. Conceito como escolha entre padrões e
estilos de liderança (liberal, autoritário ou democrático) são amplamente conhecidos, cabendo
ao líder de sucesso saber escolher e dosar a aplicação de cada um deles ao grupo a ser administrado.
O conceito de maturidade gerencial também representa uma possibilidade de aferição da capacidade de grupos decisores específicos, conforme a ferramenta que se aplica em gerenciamento de projetos (Capability Maturity Model – CMM) ou a proprietários-gerentes de pequenos empreendimentos (ANTONUCCI, 2009).
Com isso, a identificação e a caracterização do estágio de maturidade da participação contributiva e construtiva são fundamentais para a apresentação de um instrumento aplicável ao esforço global e estruturado de se “pensar a cidade” sistematicamente.
Isso se mostra imprescindível quando se depara com uma condição de dispersão de esforços, não definição de objetivos e de metas, práticas apoiadas na improvisação e no empirismo, tendo como consequência os resultados de baixa qualidade e de carências fortemente percebidas na disponibilização de serviços públicos municipais.
A partir da caracterização e da identificação dos níveis de participação popular no processo de tomada de decisão, poder-se-á dar início a um trabalho de reversão e de integração público-social, considerando-se os diversos segmentos e os subsistemas predominantes no município de forma integrada e integradora.
A avaliação do estágio de maturidade da participação dos agentes e dos agentes em compartilhamento, com tratamento diferencial por subsistemas ou segmentos sociais, como condição prévia às suas respectivas participações, permite ao grupo gestor escolher as mais adequadas abordagens e instrumentos metodológicos visando a uma contribuição pretendida. Dessa forma, os trabalhos serão encaminhados de acordo com o perfil do subgrupo e com o seu nível de maturidade, requerendo maior ou menor atividade de preparação, de detalhamento das informações, da linguagem a ser adotada, das técnicas de negociação a serem trabalhadas. Também, a avaliação do estágio de maturidade dos agentes permite uma adequada relação para participação em grupos a serem organizados para avaliação e escolha de alternativas, novos investimentos, alterações de percursos em decisões que estão em andamento, interrupções, postergações, cancelamento, em estreita colaboração com os centros de decisões. Neste trabalho, é oferecida uma escala de maturidade em 5 níveis a partir da qual se apresentam os procedimentos para sua aplicação.
maturidade com relação aos regimes de governança colaborativa entre sociedade e a administração pública. São eles: a identificação dos critérios e das escalas a serem utilizados para a efetiva análise da maturidade do regime de governança colaborativa e a descrição de um roteiro que sirva de guia para a sua aplicação. Em tecnologias de projetos digitais, tem-se o Capabilite Maturity Model (CMM), modelo utilizado na informática, bastante difundido para a avaliação das condições de maturidade empresarial para implementação de soluções e novos modelos de software em informática.
Outros conceitos, com relevo neste âmbito, são: Picture of the Future, Visioning, Análise do Macro e do Microambiente e Análise de Cenário, Planejamento Estratégico Integrado (BSC - ampliado), enunciados por Kaplan e Norton (2000), por Perestrelo e Caldas (2009) e por Poister (2010). Ainda, Mintzberg (1994) propõe uma relativização do planejamento estratégico que deve servir como balizador de diretrizes, mas não como engessador dos procedimentos uma vez que os inúmeros fatores de influência externos e internos estão sujeitos a rápidas mudanças. São conceitos amplamente conhecidos e que certamente a grande maioria não domina, mas cuja importância se torna fundamental no amplo processo de planejamento urbano e decisório.
A falta de domínio, ou melhor, da competência para a utilização das ferramentas gerenciais tende a remeter as demandas sociais para os níveis das necessidades mais fundamentais (como a moradia, a saúde, a educação básica, o transporte público (mobilidade), o saneamento) e com vista, em regra, à sua satisfação imediata, sem permitir explorar soluções inovadoras de maior alcance e efetividade.
Também é importante salientar o conceito de Governança Colaborativa que se destaca no trabalho de Emerson, Nabatchi e Balogh (2012), cujos componentes principais são: contexto geral do sistema; regime de governança colaborativa; dinâmica de colaboração, e detalha suas respectivas conceituações e abrangências.
Desta forma, desenvolver uma ferramenta para aferir o grau de capacidade da população em participar nos processos decisórios é fundamental para se estabelecerem parâmetros precisos com o intuito de desenvolver métricas precisas de inclusão e, por consequência, a melhoria na gestão pública.