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A democracia local proclama-se em vários domínios dos princípios e dos valores da autonomia local: no processo eleitoral para os órgãos das autarquias locais; no referendo local; e no estatuto do direito da oposição. Os cidadãos delegam nos órgãos autárquicos eleitos a condução das políticas públicas locais que conduzam à prossecução dos interesses coletivos das populações e ao desenvolvimento e sustentabilidade da coesão social e territorial. Nas questões de relevante interesse local e cuja determinação das matérias obedeça aos princípios da unidade e subsidiariedade do Estado, da descentralização, da autonomia local e da solidariedade inter-local, os cidadãos podem pronunciar-se através do referendo local promovido pelos órgãos municipais e de freguesia (artigo 3.º, da Lei Orgânica n.º 4/2000). Aos partidos políticos com representação nas assembleias municipais e de freguesia, e que não estejam representados nos respetivos órgãos executivos, é assegurado o direito de constituir e exercer uma oposição democrática, nos termos da Constituição e da lei (artigos 1.º-3.º, da Lei n.º 24/98).

2.1. Lei Orgânica n.º 1/2001, de 14 de agosto – Eleição dos titulares dos órgãos das autarquias locais e alteração do financiamento dos partidos políticos e das campanhas eleitorais

Gozam de capacidade eleitoral ativa e passiva os cidadãos maiores de dezoito anos (portugueses; dos Estados membros da UE; de países de língua oficial portuguesa com residência legal há mais de dois anos; outros cidadãos com residência legal em Portugal há mais de três anos) (artigos 2.º e 5.º)9. Estão previstas inelegibilidades gerais e especiais, sendo impedidos de se candidatarem: os titulares de cargos políticos, de magistratura e judiciais; das forças armadas e de segurança no ativo; altos funcionários da administração pública; insolventes ou falidos (salvo se reabilitados); cidadãos com ligações diretas e indiretas à autarquia respetiva (devedores, incumpridores de contratos e fornecedores de bens e serviços). Não pode haver mais do que uma candidatura às freguesias integradas no mesmo município e a vários municípios territorialmente diferentes (artigos 6.º-10.º). A duração do mandato dos órgãos autárquicos é de quatro

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A capacidade eleitoral ativa e passiva dos cidadãos não portugueses aplica-se quando de igual direito gozem legalmente os cidadãos portugueses no Estado de origem daqueles (artigos 2.º e 5.º da Lei Orgânica n.º 1/2001, de 14 de agosto).

anos e, após iniciado o exercício do mandato, é incompatível, dentro da área do mesmo município, o exercício simultâneo de funções autárquicas do órgão da câmara municipal com os órgãos das juntas de freguesia, assembleia de freguesia e assembleia municipal, bem como o exercício de funções nos órgãos autárquicos com o desempenho efetivo de altos cargos ou funções de Estado ou da administração pública (artigos 220.º e 221.º).

O sufrágio constitui um direito e um dever cívico e o eleitor vota uma só vez para cada órgão autárquico (artigos 96.º e 97.º). Os órgãos deliberativos e o órgão executivo do município são eleitos por sufrágio universal, direto e secreto, por listas plurinominais apresentadas em relação a cada órgão, dispondo os eleitos de um voto singular de lista (artigo 11.º). As listas de candidaturas podem ser apresentadas pelos partidos políticos, por coligações de partidos políticos constituídas para fins eleitorais e por grupo de cidadãos eleitores, podendo os partidos políticos e as coligações de partidos incluir nas suas listas candidatos independentes, devendo as listas ter um representante dos proponentes e mandatários (artigos 11.º-30.º).

2.2. Lei Orgânica n.º 4/2000, de 24 de agosto – Regime jurídico do referendo local

As autarquias locais podem submeter a referendo matérias incluídas nas competências dos seus órgãos, podendo a lei atribuir a cidadãos eleitores o direito de iniciativa de referendo (artigo 240.º da CRP). O referendo não tem sido adotado para a definição das grandes questões locais, embora, em muitos casos, “(…) os referendos são antecedidos de sondagens de opinião a fim de averiguar se a resposta realmente interessa aos partidos políticos.” (Valles, 2006, p. 277)

O referendo local é exercido em qualquer autarquia local, só podendo ser objeto de referendo questões de relevante interesse local, havendo um conjunto de matérias excluídas que são da competência legislativa reservada aos órgãos de soberania (artigos 2.º-4.º). Cada referendo prevê uma só matéria, no máximo com três perguntas, cabendo a iniciativa aos órgãos das autarquias locais, devendo a deliberação ser submetida ao tribunal constitucional para efeitos de fiscalização preventiva da constitucionalidade e da legalidade (artigos 6.º, 7.º e 25.º). Em tudo o mais – direito de participação, incapacidades, campanha para o refendo, propaganda, meios específicos de campanha, financiamento da campanha, organização do processo de votação, apuramento, entre outros – os procedimentos são análogos à eleição dos órgãos das autarquias locais.

2.3. Lei n.º 24/98, de 26 de junho – Estatuto do direito de oposição

O diploma assegura às minorias – partidos políticos que não estejam representados no órgão executivo – o direito de constituir e exercer uma oposição democrática, cuja atividade consiste no acompanhamento, fiscalização e crítica das orientações políticas (artigos 1.º-3.º). Os titulares do direito de oposição têm direito de ser informados, regular e diretamente, pelos órgãos executivos, sobre o andamento dos principais assuntos em curso, de ser ouvidos sobre as propostas dos orçamentos e planos de atividade, de se pronunciar e intervir sobre quaisquer assuntos de interesse público relevante. Têm, ainda, direito de presença e participação em todos os atos e atividades oficiais (artigos 4.º-6.º). Os órgãos executivos das autarquias locais elaboram, até ao fim de março do ano subsequente àquele a que se refiram, relatórios de avaliação dos graus de observação do respeito pelos direitos e garantias (artigo 10.º).

3. Políticas públicas do Estado e das autarquias locais: análise e avaliação do

Benzer Belgeler