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2. EMNİYET VANALARI

2.8 Emniyet Vanalarıyla İlgili Terimler

A teologia de Tillich é uma teologia existencialista45. O método aplicado por ele estabelece uma correlação entre uma pergunta existencialista e uma resposta contida em uma mensagem de fé.

O existencialismo constitui a tentativa de fugir da autoridade imposta pelo conhecimento controlador e do mundo objetivado produzido pela razão técnica; por ser dependente do conhecimento controlador para dizer “sim” para qualquer coisa ele deve ou se entregar a razão técnica ou formular a pergunta pela revelação. Ora, a revelação reivindica produzir uma união completa com aquilo que se manifesta na revelação46, ou seja, com o mistério do ser47. Não o bastante, apenas o mistério que é de preocupação última para o ser humano surge na revelação, em outras palavras apenas o mistério que aponta para o caráter existencial da experiência religiosa48 do ser humano aparece na revelação.

Quando Tillich recorre ao termo preocupação última ele busca representar a tradução abstrata do grande mandamento “O senhor, nosso Deus, é o único Senhor. Amarás, pois o

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Cf. TILLICH, 2005, p. 94.

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Ele é pelo menos cinqüenta por cento existencialista. Cf. TILLICH, P. Perspectivas da teologia Protestante

nos séculos XIX e XX. Trad. Jaci Maraschin. 3ª ed. São Paulo, ASTE, 2004, p. 246.

46 Cf. TILLICH, 2005, p. 113. 47 Cf. TILLICH, 2005, p. 140. 48 Cf. TILLICH, 2005, p. 30.

Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e toda a tua força” (Mc 12. 39). Para ele a preocupação religiosa em si é de caráter último, ela despoja todas as outras preocupações de uma significação última; transformando-as em preliminares. A preocupação última é incondicional, independente de qualquer condição e caráter, desejo ou circunstância.49

O termo preocupação indica o caráter existencial da experiência religiosa. Não é possível falar de modo adequado do objeto da religião sem retirar, simultaneamente, seu caráter de objeto. Algo que é último, só se dá a si mesmo na atitude de preocupação última. É o correlato de uma preocupação última, contudo não é uma coisa superior chamada “absoluto” ou “incondicionado”, sobre o qual se pudesse argumentar com fria objetividade. O último é o objeto de uma entrega total que exige também a entrega total de nossa subjetividade.

Preocupação última significa aquilo que determina o ser e o não-ser do ser humano. Apenas aquilo que tenha o poder de ameaçar e salvar o ser pode ser para o ser humano sua preocupação última.50

O termo “ser”, neste contexto, não indica existência no tempo e no espaço. Pois, a existência é continuamente ameaçada e salva por coisas e acontecimentos que não são de preocupação última para o ser humano. Por isso, a palavra “ser” significa, neste contexto, a totalidade da realidade humana, a estrutura, o sentido e a finalidade da existência.51 É como sentido e finalidade da existência que o ser se relaciona com a manifestação do mistério, pois diante desta manifestação o ser humano procura compreender o seu próprio ser e, ao mesmo tempo, busca compreender o seu mundo e a potencialidade do seu ser diante da realidade concreta em que ele está inserido52.

“Ser” exprime uma ação pura como tal, que as demais ações pressupõem e significam, uma possibilidade de participação sempre relativa a um sujeito que age consumando. “Ser” como verbo remete a uma relação de pertença lógica entre um sujeito e um predicado ou remete à existência.53 O significado etimológico da palavra “existir”, em latim existire, é “estar fora de”. Ao surgir o questionamento do que se está fora se encontra a resposta que 49 Cf. TILLICH, 2005, p. 29. 50 Cf. TILLICH, 2005, p. 30 51 Cf. TILLICH, 2005, p. 31. 52

Cf. HEIDEGGER, Martin. Ser e tempo. Trad. Marcia Sá Cavalcante Schuback. 4ª ed. Petrópolis: Vozes, 2009, p. 49.

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se está fora do não-ser. Dizer que as coisas existem significa que elas têm ser, que estão fora do nada. No grego encontram-se duas formas de compreender o não-ser: como ouk on, isto é, como não ser absoluto, ou como me on, o não ser relativo. Existir, estar fora, aborda a ambos o sentido de não-ser. Assim, no instante em que se afirma que algo existe, afirma- se que é possível encontrá-lo, direta ou indiretamente, no corpo da realidade; ou seja, que está fora do vazio do não-ser absoluto. No momento em que se afirma que tudo que existe está fora do não-ser absoluto, afirma-se que está, simultaneamente, no ser e no não ser, que não está totalmente fora do não-ser. Existir, então, significa está fora do seu próprio não-

ser.54

A manifestação do mistério ocorre sob as condições da existência, a pessoa receptora da revelação do mistério a recebe dentro de uma situação concreta de preocupação. A manifestação do mistério sempre é um evento subjetivo e objetivo em estrita interdependência que se apodera de um individuo ou de um grupo por meio de um individuo e, só pode ser recebida na profundidade de uma vida pessoal, em suas lutas, decisões e auto- entregas. Apenas nestas condições é revelado algo que ainda sim permanece um mistério e quando ocorre este evento a pessoa receptora da revelação do mistério sente-se excluída tanto do não-ser absoluto quanto do não-ser relativo.

Para Tillich não basta perguntar do que se está fora, também é preciso perguntar como é possível que algo esteja fora do seu próprio não-ser. Em resposta a sua pergunta ele responde que tudo, quer exista ou não, participa do ser. Tudo participa do ser potencial antes que possa se tornar ser efetivo. Sendo ser potencial, está em estado de não-ser, é um

ainda não-é. Contudo, não é o nada. A potencialidade é o estado de possibilidade real, ou

seja, é mais do que uma possibilidade lógica. A potencialidade é o poder de ser que, falando de modo metafórico, ainda não se tornou efetivo. Sendo assim, ao se dizer que algo existe significa dizer que esse algo abandonou o seu estado de mera potencialidade e se tornou efetivo, que esse algo está fora da mera potencialidade, fora do não-ser relativo. Por isso que a revelação do mistério se dá para uma pessoa que vive uma situação limite que, via de regra, é uma situação que expõem a sua finitude.

Para que algo se torne efetivo deve superar o não-ser relativo, o estado de me on. Ele não pode estar plenamente fora dele. Deve estar, simultaneamente, fora e dentro do me on. Algo que é efetivo está fora da mera potencialidade, contudo permanece nela. Não joga

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exaustivamente o seu poder de ser no estado de existência. Nunca cessa suas potencialidades. Permanece não apenas no não-ser absoluto, como revela sua finitude, mas também no não-ser relativo, como demonstra o caráter mutante de sua existência.

Em suma o termo existência pode significar estar fora do não-ser absoluto mesmo permanecendo nele; pode significar finitude, a união do ser e não-ser. Da mesma forma, existir pode significar estar fora do não-ser relativo ao mesmo tempo em que se permanece nele; pode significar efetividade, a unidade do ser efetivo e a resistência contra ele. Contudo, recorrendo a um sentido ou outro do não-ser, existir sempre significa estar fora do

não-ser.55

Essa ruptura no conjunto da realidade é uma das primeiras descobertas do pensamento humano. As mentes pré-filosóficas anteriores a Platão experimentaram dois níveis de realidade. Podemos chamá-los de nível de “essencial” e nível “existencial”. A existência, de acordo com Platão, é o reino da mera opinião, do erro e do mal. Ela necessita de verdadeira realidade. O verdadeiro ser é o ser essencial, que está localizado no universo das ideias eternas, ou seja, nas essências. Para atingir o ser essencial o ser humano deve ergue-se acima da existência. Sobre esse prisma, a existência do ser humano, seu estar fora da potencialidade, é compreendido como uma queda daquilo que o ser humano é essencialmente. O potencial é o essencial, e existir, ou seja, estar fora da potencialidade, é a perda da verdadeira essencialidade. Não é uma perda total, visto que o ser humano ainda permanece em seu ser potencial ou essencial.

O existencialismo dos séculos dezenove e vinte nasceu como protesto contra o essencialismo. Os pensadores existencialistas atacaram a ideia essencialista como tal e, com ela, todo o desenvolvimento moderno da atitude humana para consigo mesmo e para com o mundo. Seu ataque foi e permanece sendo uma revolta contra a autointerpretação do ser humano na sociedade industrial.

Todas as investidas existencialistas coincidem na afirmação de que a situação existencial do ser humano constitui um estado de alienação da natureza essencial. Para os existencialistas a reconciliação é objeto de antecipação e expectativa, contudo não é uma realidade. A humanidade não está reconciliada, nem no individuo, nem na sociedade, nem na vida como tal. Existência significa alienação e não reconciliação; é desumanização e não expressão da humanidade essencial. A existência é o processo pelo qual o ser humano se

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torna coisa deixando de ser pessoa. A história não é uma auto-manifestação divina, e sim uma serie de confrontos irreconciliáveis que ameaçam a humanidade com sua própria destruição.

O teólogo existencialista, ao investigar a existência, descobre estruturas mediante seu distanciamento cognitivo, mesmo que sejam estruturas de destruição. Mesmo entre esses dois pólos existe um largo campo de envolvimento misturado com distanciamento, como na biologia, na história e na psicologia. Entretanto, chamamos de “existencial” aquela atitude cognitiva em que predomina o elemento de envolvimento. O inverso também é verdadeiro. Uma vez que o elemento de envolvimento é tão dominante, as análises existencialistas mais penetrantes foram produzidas por romancistas, poetas e pintores. Contudo, eles só conseguiram escapar da subjetividade irrelevante submetendo-se a uma observação distanciada e objetiva. Para Tillich envolvimento e desenvolvimento não são alternativas conflitantes, mas pólos. Pois, não existe análise existencialista sem distanciamento não- existencial.

Uma descrição detalhada dos conflitos da cognição existencial pressupõe uma compreensão de sua estrutura ontológica. A ontologia é um ponto central no pensamento tillichiano quando se trata das condições prévias de recepção da revelação e enquanto eixo sistematizador das questões existenciais. Ela pode ser compreendida como as condições que iniciam as experiências mais profundas do ser humano e que, previamente condicionam todas as suas experiências particulares, inclusive suas experiências da revelação e da fé.56 Portanto, a revelação do mistério pressupõe a participação ontológica. Por isso, o próximo tópico irá expor uma síntese do pensamento ontológico tillichiano que vai ao encontro da “manifestação do mistério ser para a função cognitiva da razão humana”57.

Benzer Belgeler