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expressão da diversidade, e já que é uma questão transversal no campo de ação dos assistentes sociais, é preciso que seja um elemento de análise e questionamento tanto na academia quanto no cotidiano profissional. Para ver umas das formas nas quais tem sido contemplada essa diversidade cultural, tomamos o pluralismo como categoria constitutiva do projeto ético-político profissional e que nos servirá de porta de entrada para as reflexões e análises sobre a diversidade cultural.

1.4 O pluralismo como constitutivo da categoria profissional e da sociedade

Temos visto como a história se constitui e nos permite ver possibilidades de atuação, dependendo da perspectiva que tenhamos para essa realidade e o entendimento que ganhemos dela.

Para analisar a profissão como parte das transformações históricas da sociedade presente, é necessário transpor o universo estritamente profissional, isto é, romper com uma visão endógena da profissão,

prisioneira em seus muros internos. E buscar entender como essas

transformações atingem o conteúdo e direcionamento da própria atividade profissional; as condições e relações de trabalho nas quais se realiza; como afetam as atribuições, competências e requisitos da formação do assistente social (...) extrapolar o universo do Serviço

Social para melhor apreendê-lo na história da sociedade da qual ele é parte e expressão. (IAMAMOTO, 2006: 167)

Nesse processo de extrapolar nosso olhar e análises, evidencia-se como na realidade da sociedade brasileira, assim como em muitos outros países,

muitas temáticas adquirem importância segundo as conjunturas em que se apresentam. Esse é o caso da pluralidade, categoria que passa a ser um importante componente do projeto ético-político profissional e que faz parte dessas mudanças e novas ordenações da profissão. Essa aproximação ao pluralismo, por parte do Serviço Social, fundamenta-se na idéia de que

A elaboração e a afirmação (ou, se se quiser, a construção e a consolidação) de um projeto profissional deve dar-se com a nítida consciência de que o pluralismo é um elemento factual da vida social e da própria profissão, que deve ser respeitado. Mas este respeito, que não deve ser confundido com uma tolerância liberal para com o ecletismo, não pode inibir a luta de idéias. Pelo contrário, o verdadeiro debate de idéias só pode ter como terreno adequado o pluralismo que, por sua vez, supõe também o respeito às hegemonias legitimamente conquistadas. (NETTO, 2006: 146)

Nas palavras de Iamamoto (2003), “nosso pluralismo não é o pluralismo liberal, mas o pluralismo com hegemonia, que se fundamenta no respeito à democracia, à liberdade, aos direitos humanos, recusando todas as formas de preconceito e orientado para a emancipação dos indivíduos sociais” (p. 109)

Observe-se que o pluralismo, por ser parte integrante da vida social, se nos apresenta como um conceito amplo, de variadas e diversas definições assim como expressões

(...) o grau de heterogeneidade, ou falta de uma unidade teórica sobre o tema, expressa as ciladas de suas elucidações.

Sem redundâncias, é possível afirmar que o Pluralismo possui uma abordagem conceitual plural, isto é, não possui expressão nem conceito unívocos, mas uma diversidade de modelos que não devem restringir entre si. Adquirindo formas e dimensões variadas, este termo é freqüentemente utilizado por intelectuais dos mais diversos campos do conhecimento científico, os quais também lhe atribuem semânticas diversas. (ADRIANO, 2004: 11)

Coutinho (1991) caracteriza o pluralismo a partir de duas perspectivas; a primeira corresponde a um pluralismo como fenômeno social e político, o qual é expressão do mundo moderno, onde se tem uma nova visão no homem,

valorizando de forma particular o indivíduo, é assim que “a diferença é vista como um fator positivo na ordem social e no progresso social” (p. 6), isso tudo segundo o pensamento liberal e sustentado no que o autor chama de “valores pluralistas” como são: a perspectiva da positividade do conflito, a ideia de tolerância, a ideia de divisão dos poderes, e a ideia do direito das minorias. Assim mesmo, por ser uma categoria cambiante, foi adquirindo novas formas de se expressar. O autor chama a atenção para a nova dimensão na composição desse pluralismo “formado não apenas por indivíduos, mas também por sujeitos coletivos, por diferentes partidos, diferentes associações” (Ibid.: 9).

Outra forma de ver o pluralismo é a partir da teoria do conhecimento, onde, seguindo Coutinho (1991), pluralismo não implica ecletismo, mas uma “troca de ideias, da discussão com o diferente” porque assim é que “podemos afinar nossas verdades, fazer com que a teoria se aproxime o mais possível do real” (Ibid.: 13). Portanto, o pluralismo remete à “abertura para o diferente, de respeito pela posição alheia, considerando que essa posição, ao nos advertir para os nossos erros e limites, e ao fornecer sugestões, é necessária ao próprio desenvolvimento da nossa posição e, de modo geral, da ciência” (Ibid.).

O Serviço Social apropriou-se do pluralismo, a partir de diferentes “espaços”, como se pode ver no pluralismo profissional, no reconhecimento dos “membros do corpo profissional” como indivíduos diferentes, o que “configura um espaço plural do qual podem surgir projetos profissionais diferentes”, assim como no pluralismo no “plano da produção de conhecimentos”, permitindo que os assistentes sociais fizessem inter-relações com teorias e metodologias críticas em relação às condições econômicas e sociais que o conservadorismo vinha impondo (NETTO, 2006).

A profissão, no seu conjunto, reconhece e trabalha para dar conta desses novos contextos, dos sujeitos complexos que neles interagem, onde se afiançam valores como liberdade e igualdade, sem perder de vista que essa igualdade não impede o reconhecimento da diversidade.

Este projeto tem em seu núcleo o reconhecimento da liberdade como valor centrar – a liberdade concebida historicamente como possibilidade de escolha entre alternativas concretas; daí um

compromisso com a autonomia, a emancipação e a plena expansão dos indivíduos sociais. Consequentemente, este projeto profissional se vincula a um projeto societário que propõe a construção de uma nova ordem social, sem exploração/dominação de classe, etnia e gênero. A partir destas opções que o fundamentam, tal projeto afirma a defesa intransigente dos direitos humanos e o repúdio do arbítrio e dos preconceitos, contemplando positivamente o pluralismo, tanto na sociedade como no exercício profissional. (NETTO, 2006: 155)

Em síntese, destaca-se o fato de que o pluralismo institui-se como uma categoria importante nos próprios eixos do projeto ético-político (nas diretrizes curriculares e no Código de Ética), o que enriqueceu a perspectiva da formação e da prática profissional, e fortaleceu a profissão no seu esforço de conseguir uma ruptura com a tradição conservadora, como também no fato de fundamentar-se teórica e metodologicamente.

Para considerar especificamente o componente do pluralismo que se refere à diversidade implícita nas sociedades, torna-se necessário fazer uma aproximação à concepção de cultura e de diversidade cultural, variáveis com as quais a questão social adquire e mantém sentidos próprios, se transforma e reformula, o que temos que considerar, como assistentes sociais, para uma compreensão real dos campos de trabalho, assim como dos sujeitos que produzem e reproduzem as suas vidas.

1.5 Construções sociais fundamentais: a cultura e a diversidade cultural

Belgede Bartscher Deli-Cool II D (sayfa 3-8)

Benzer Belgeler