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EMLAK VERGĠSĠ KANUNU GENEL TEBLĠĞĠ (SERĠ NO: 67)

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EMLAK VERGĠSĠ KANUNU GENEL TEBLĠĞĠ (SERĠ NO: 67)

O conceito de espaço público tem sido abordado ao longo dos tempos sob diferentes perspectivas: política, filosófica, social e vários estudos sobre o conceito utilizam como denominador comum a comunicação.

Procurámos fazer uma distinção entre as teorias descritivas e normativas da esfera pública, sendo que, segundo a abordagem descritiva a esfera pública indica processos históricos de desenvolvimento da comunicação pública nas sociedades democráticas e, a abordagem normativa concentra-se nos critérios de eficiência da comunicação pública e nos princípios que a guiam, ou deveriam guiar, nomeadamente no âmbito público.

Sendo Habermas uma das mais importantes referências teóricas sobre esfera pública explicitámos o seu conceito, tendo por base a obra “Mudança estrutural da esfera pública: investigações quanto a uma categoria da sociedade burguesa”, de 1962.

"' A teoria habermasiana do espaço público combina os objectivos das teorias descritivas e normativas da esfera pública. A sua ideia é a de que a teoria da esfera pública deverá ao mesmo tempo enquadrar-se e justificar o modelo de democracia deliberativa.

Segundo o autor, a esfera pública passou a ser um debate público entre pessoas com o mesmo estatuto económico e social, com liberdade de expressão de pontos de vista, que se desenvolveu sobretudo nos clubes, cafés e jornais, no século XVIII. Representa um espaço autónomo (livre da intervenção do Estado/governo), composto pelos burgueses em ascensão económica politicamente marginalizados onde se confrontam as elites dirigentes com a opinião pública. Esta esfera pública é disseminada e tem lugar nos media, como grandes jornais ou outros emissores. Mais tarde, a centralização dos interesses comerciais acabou por ter influência na sua transformação. Esta alteração da esfera pública devido à comercialização fez com que os cidadãos deixassem de ser participantes e passassem a ser uma massa apática e atomizada de indivíduos, que transformaram a opinião pública, enquanto processo de formação de pontos de vista comuns, numa mera agregação de visões desinformadas, incontestadas, subdesenvolvidas e nocivas. Para Habermas a esfera pública é retratada como uma esfera social de interacções comunicativas, autónoma, onde os indivíduos privados, enquanto iguais, se tornam públicos. Entendida neste sentido a esfera pública pode ser vista como um fórum deliberativo.

Para a esfera pública burguesa não era suficiente o debate racional e argumentativo. Era necessário que este fosse tornado público, e para isso os media foram determinantes. A imprensa torna-se, aos poucos, emissora e formadora de opinião, assumindo-se como o veículo da opinião publicamente produzida nos espaços de convivência que eram as sociedades, os clubes, os cafés onde o cidadão, o proprietário, o notável, se confundiam no sujeito de um saber esclarecido. Segundo Habermas, os artigos de jornal eram objecto de discussão nas várias instituições da esfera pública burguesa, nomeadamente nos cafés.

Habermas considera que o declínio da esfera pública em finais do século XIX se deveu à “refeudalização” do espaço público, onde a publicidade crítica é substituída pela publicidade comercial, cuja característica é conferir às “pessoas ou coisas um prestígio público” e torná-las, por isso, “susceptíveis de ser adoptadas sem reserva nem discussão, no seio de um clima de opinião não-pública”. O público passa a comportar-se como um consumidor passivo dos temas validados e controlados pelos media. Com

" efeito, o raciocínio crítico transforma-se em consumo passivo, à medida que as leis do mercado passam também a dominar a esfera privada das pessoas privadas enquanto público. A esfera pública passa a ser uma área para a publicidade em vez de um lugar para o debate racional. O declínio da esfera pública literária conduziu assim a uma esfera pública desvirtuada da sua função original, passando a ser um mero instrumento de propaganda e legitimação do poder instituído.

O conceito de opinião pública é indissociável do de democracia deliberativa, que encontra na esfera pública informal e desregulada o veículo para a sua difusão. Habermas define a opinião pública como uma rede para a comunicação de conteúdos e tomadas de posição, ou seja, de opiniões, na qual os fluxos de comunicação são filtrados e sintetizados de tal modo que se condensam em opiniões públicas agrupadas sobre temas específicos. O espaço de opinião pública só é verdadeiramente eficaz se se sustentar num público representativo de todos os cidadãos, ou seja, se reflectir o mundo da vida. Por outro lado, não é a difusão da informação através dos mass media que irá garantir a completa estruturação da opinião pública, mas sim a garantia de uma prática partilhada de informação. As críticas de Habermas ao funcionamento dos media são, no fundo, uma alavanca para a revitalização do espaço público. É a capacidade que detêm de determinar os temas sobre os quais se pensa, que lhes permite constituir uma ligação fundamental entre o espaço público e o espaço que os rodeia.

Será com base no conceito de esfera pública de Habermas e no papel que os

media assumem na formação da opinião pública, que desenvolveremos a parte empírica deste estudo. Adoptando a visão de Habermas de que a esfera pública deverá ser um lugar de debate racional e de que a imprensa deverá garantir uma prática partilhada de informação, procuraremos identificar, na esfera pública portuguesa, traços de europeização, bem como, contributos para a formação de uma opinião pública acerca dos temas europeus.

No entanto, antes de avançarmos com o estudo empírico, sentimos a necessidade de avançar com algumas reflexões acerca da questão do défice democrático. Baseando- nos em alguns autores, constatamos que a dificuldade em verificar, ou comprovar, uma esfera pública europeia, pode dever-se a um défice democrático na União Europeia. Assumindo que existe uma relação entre estes dois conceitos, desenvolveremos a nossa abordagem no capítulo seguinte.

"* CAPÍTULOII