O serviço GSM, inicialmente chamado de 2G, acrescentou mobilidade ao antigo serviço telefónico tornando-se no sistema de comunicações móveis com maior sucesso, com mais de 784 redes a operar em mais de 210 países. Além do serviço telefónico, os utilizadores deste sistema podem utilizar serviços de mensagens, Short Message Service (SMS), de multimédia, Multimedia Messaging Service (MMS), e de dados, General Packet Radio Service (GPRS), que ficou conhecido como serviço 2.5 G.
O GSM é um sistema digital que utiliza o meio radioelétrico e como tal necessita de frequências onde operar - a banda disponível para o serviço é a dos 900 MHz. Para o
uplink (transmissão do móvel para a estação base), usa uma banda entre os 890 MHz e os 915 MHz e para o downlink (transmissão da estação base para o móvel) entre os 935 MHz e os 960 MHz. Em Portugal, existem três operadores que dispõem de infraestruturas rede móvel baseadas na tecnologia GSM, sendo que cada um deles opera num conjunto de frequências distinto, atribuído pela ANACOM. A Tabela 2.2 apresenta as diferentes atribuições de frequência na banda dos 900 MHz [15].
Tabela 2.2 - Banda e Canais das Principais Operadoras Portuguesas
Operadora Uplink (MHz) Downlink (MHz) Nº de Canais
Vodafone 890,2 – 898,2 935,2 – 943,2 40
MEO 906,0 – 913,8 951,0 – 958,8 39
NOS 898,3 – 905,8 943,3 – 950,8 39
No que diz respeito à EDPD, este tipo de tecnologia é usada na sua maioria em sistemas de controlo TCMT. Como foi possível perceber na abordagem do Rádio VHF, na Secção 2.2.1 e do Rádio Microondas, na Secção 2.2.2, ambos permitem o acesso às unidades TCMT, porém, com a evolução e a estabilidade apresentada pelo serviço GSM/GPRS, devido à sua enorme cobertura, a EDPD está a adotar esta tecnologia, que em muitos casos se encontra ainda numa fase de teste. Como se pode perceber, este serviço está dependente de terceiros e, por essa razão, as probabilidades de uma falha ocorrer não são na sua totalidade controladas pela EDPD. Por esse motivo, estão a ser tomadas medidas auxiliares para tentar alertar o provedor de serviços externos, antes de
uma falha ocorrer, principalmente por indisponibilidade ou baixo nível de sinal. Exemplo disso são os mini sistemas de monitorização constante, para medir os níveis de qualidade e potência do sinal.
2.2.3.2. TETRA
O sistema Terrestrial Trunked Radio (TETRA) é uma norma Europeia para o sistema de redes de radiocomunicações móveis dirigido a utilizadores profissionais. Suporta um vasto leque de aplicações, desde comunicações de voz e dados, transferência de ficheiros, acesso a base de dados e serviços de localização, pelo que se poderia tornar numa excelente tecnologia a adotar pela EDPD.
A norma TETRA, cujas principais caraterísticas estão presentes na Tabela 2.3, foi desenvolvida ao longo dos anos através da cooperação entre fabricantes, utilizadores, operadores e outros especialistas, aproveitando as lições e as técnicas dos sistemas de rádio privado analógico e dos desenvolvimentos, com sucesso, dos sistemas GSM. Utiliza a tecnologia Time Division Multiplex Access (TDMA), com 4 canais de comunicação independentes, numa largura de banda de 25 kHz, o que resulta numa utilização extremamente eficiente do espetro radioelétrico.
Tabela 2.3 - Principais Características do Sistema TETRA (adaptado de [16])
Parâmetros Valor
Distância entre portadoras 25 kHz
Modulação p/4 - DQPSK
Método de acesso TDMA com 4 time-slots por portadora Débito binário por portadora RF 36 kbit/s
Débito binário do utilizador 7.2 kbit/s
Débito binário máximo do utilizador 28.8 kbit/s (4*7.2 kbit/s)
Codificador de voz ACELP a 4.56 bit/s
O Supervisor deste estágio na EDPD foi um dos responsáveis pelo desenvolvimento do estudo do projeto piloto para a utilização desta tecnologia, de acordo com as necessidades
da EDPD, suportado na rede de comunicação do sistema integrado das redes de emergência e segurança de Portugal (SIRESP). No entanto, apesar do potencial e adequação às necessidades da empresa, não foi ainda possível implementar em larga escala uma rede baseada nesta tecnologia ou outra que responda igualmente aos exigentes requisitos da EDPD.
3. POLÍTICAS DE MANUTENÇÃO
Atualmente, todos os ativos do sistema de telecomunicações/telecontrolo são tratados recorrendo à utilização de uma metodologia de manutenção corretiva, preventiva condicionada, ou preventiva sistemática (com base na tecnologia).
O objetivo é atualizar essa política de manutenção, de forma a criar um sistema com maior fiabilidade, diminuindo os custos, mas mantendo a qualidade de serviço [17]. Antes de começar a abordar esta política, apresentam-se de seguida alguns conceitos relacionados com a manutenção.
3.1. Gestão de Ativos
A gestão de ativos da EDPD é realizada com base numa estratégia de manutenção e substituição de ativos, enquanto as melhores práticas e as mais atuais preconizam uma abordagem diferente para a gestão dos ativos técnicos, onde o ciclo pode ser visualizado na Figura 3.1.
A atual gestão é marcadamente reativa e retrospetiva, baseada essencialmente na análise de históricos de indicadores de qualidade de serviço e avarias, o que está em harmonia com a especificação Britânica PAS 55:2008. A nova mudança de paradigma prevê que a gestão de ativos passe a ter como requisito a norma BSI PAS 55:2008, de forma a ficar em concordância com as melhores práticas internacionais, passando assim a uma abordagem baseada no risco e na condição dos ativos, ou seja, atuando de uma forma mais proactiva [18].
Figura 3.1 - Ciclo da Gestão de Ativos (adaptado de [18])
A gestão de ativos assenta numa filosofia intitulada de “curva da banheira”, que se
encontra ilustrada na Figura 3.2. Esta representação permite definir zonas de gestão, tendo em conta o tempo, desde que o ativo foi colocado em funcionamento pela primeira vez. No início da implementação, o equipamento encontra-se numa fase em que pode ser afetado por problemas de defeito de fabrico, o que leva a uma substituição imediata ou a uma manutenção corretiva. Na maturidade, após a primeira fase de implementação, os problemas tendem a estabilizar e é possível prever a necessidade de manutenção, tendo em conta o tempo de funcionamento, pelo que se verificam poucas avarias.
Numa última fase, onde o ativo ultrapassa o seu tempo de vida útil previsto é necessário recorrer a estratégias de manutenção mais rigorosas, uma vez que para prolongar o funcionamento do equipamento é necessário cumprir todos os requisitos da manutenção. É sem dúvida, nesta altura que é possível afirmar que os planos de manutenção são uma mais-valia para cumprir esta tarefa, desde que sejam bem articulados [19].
Figura 3.2 - Gráfico da "Curva da Banheira" [19]
3.1.1. Objetivos da Manutenção
Quando se realiza uma manutenção existe um conjunto de parâmetros que temos que ter em conta para rentabilizar da melhor forma o nosso esforço [20], [21].
Os principais objetivos de uma manutenção são:
Detetar desgaste ou falhas;
Recolher dados para facilitar inspeções futuras;
Evitar tempos de paragem do equipamento e ou instalação; Reduzir os casos críticos e as avarias;
Aumentar o tempo de vida útil;
Monitorizar e prever possíveis falhas futuras; Aumentar a fiabilidade;
Relacionar de forma consciente os custos e o tempo, envolvidos na manutenção.
3.1.2. Tipos de Manutenção
A Manutenção está dividida em duas grandes categorias. Se, por um lado, temos a Manutenção Preventiva (MP), que tenta corrigir os problemas ou prever acontecimentos, antes de existir uma falha, por outro, temos a Manutenção Corretiva (MC) que funciona como um pronto-socorro, para corrigir um problema em caso de falha ou até mesmo
substituir o equipamento. Um diagrama ilustrando os tipos de manutenção normalmente considerados está representado na Figura 3.3.
Figura 3.3 - Esquema dos Tipos de Manutenção
Importa salientar que, de acordo com os objetivos deste estágio, a Manutenção Preventiva Sistemática (MPS) será a mais abordada, indo assim ao encontro da nova política para a gestão de ativos, pelo que se prevê que a Manutenção Corretiva seja reduzida apenas a casos pontuais e onde não for possível prever as falhas, provocadas muito possivelmente por fatores externos.
As principais vantagens da MPS:
O custo de cada operação está pré-determinado; A gestão financeira é mais simplificada;
As operações/manobras e paragens são programadas; Na generalidade, o custo é mais reduzido que uma MC.
As principais desvantagens da MPS:
Soma de várias MPS pode ultrapassar o valor que se gastaria em MC; Necessidade de maior número de recursos humanos disponíveis; Multiplicidade de operações aumenta o risco de novas avarias; Paragens programadas contam para o tempo de indisponibilidade.