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THE EMERGENCE OF CENSORSHIP IN RUSSIA AND ITS TRANSFORMATION IN THE AGE OF PETER I

No período que compreende a fase não-diretiva do pensamento rogeriano, costuma-se destacar como principal referência sobre psicoterapia infantil a autora Virginia Mae Axline. No entanto, apesar de Axline referir que foi diretamente influenciada pela obra

Psicoterapia e Consulta Psicológica e chamar sua ludoterapia de não-diretiva, apresenta

avanços que fazem com que a autora não esteja unicamente nessa fase do pensamento rogeriano (BRITO, 2008). Dessa forma, consideraremos Rogers (2005[1942]) como autor com propostas de atuação ligadas ao atendimento infantil nessa fase.

O autor, no prefácio da obra supracitada, informou que seu contexto de atuação profissional – amparado por perspectivas que iam do “ponto de vista ultrapsicanalítico ao ponto de vista ultraestatístico” (p. XVI) – impelia os pesquisadores às escolhas alternativas quanto à orientação de trabalho. Assim, foi nascendo um novo ponto de vista sobre a consulta psicológica, que se originou na orientação pedagógica infantil (já relatada anteriormente) e que se tornou parte de uma nova forma proposta. Apesar dessa origem, a ludoterapia não seria analisada em profundidade. Apesar do não aprofundamento, o autor exemplifica suas ideias com casos de crianças, assim como também faz proposições sobre as indicações e os critérios que norteiam a consulta psicológica com crianças.

Rogers compreendia a consulta psicológica desenvolvida por ele como mais um método, dentre muitos, para ajudar no tratamento dos problemas do indivíduo. Era uma forma recente (à época) de tratamento direto com o indivíduo, no qual este seria diretamente influenciado para obter uma relação mais satisfatória com suas questões. Essa nova consulta psicológica visa a uma maior independência e integração do indivíduo ao invés de tentar resolver um problema específico. A terapia não seria uma preparação para a mudança, mas, sim, a própria mudança. A ludoterapia, nesse contexto, seria compreendida como uma terapia expressiva, definida mais através das ações do que das palavras, seria semelhante ao processo

de consulta psicológica verbal. Na verdade, a ludoterapia seria mais clara que a terapia verbal de adultos por não recorrer a meios verbais de expressão.

Sobre a terapia direta com a criança e os pais, Rogers (2005[1942]) informou que o tratamento deveria ocorrer separadamente e com profissionais diferentes. Esse acompanhamento seria semelhante, mas não idêntico, à consulta psicológica com adultos. As condições para o acontecimento desse tipo de terapia seriam:

1- Que os problemas da criança estejam, numa certa medida, na relação criança-pais; 2- O fato de que a criança ainda não é afetiva e espacialmente independente de sua

família;

3- Que os pais ou a criança sintam a necessidade de apoio, criando a situação para a ajuda terapêutica. Aqui, Rogers reconhece que quase sempre são os pais que apresentam essa necessidade;

4- Os pais seriam “tratáveis”, caso:

a. têm algumas satisfações fora da relação pais-filho, nas relações sociais e conjugais ou nas realizações pessoais; b. são relativamente estáveis; c. têm nível intelectual médio ou superior à média; d. são suficientemente jovens para conservar uma certa elasticidade de adaptação (ROGERS, 2005[1942], p. 78).

5- A criança seria relativamente “tratável”, se:

a. está relativamente livre de instabilidades orgânicas; b. o seu nível intelectual é médio ou superior à média; c. tem idade suficiente para exprimir as suas atitudes através do material de jogo ou através de outros meios na situação da consulta psicológica. Normalmente isso quer dizer que deve ter pelo menos quatro anos. (ROGERS, 2005[1942], p. 78).

Mais um elemento que Rogers (2005[1942]) considera pertinente quando se trata de atendimento com crianças é a natureza da ligação do cliente com sua família. O autor compreende que a psicoterapia com crianças, isoladamente, poderia ser fracassada caso a criança seja afetivamente dependente dos pais. Outro fator que contribui para o fracasso é a sujeição ao controle familiar ou mesmo a permanência da criança no lar. A criança em psicoterapia, por mais que consiga obter um grau de compreensão acerca do seu problema, ainda estaria sujeita a esses fatores.

Para Rogers, portanto, uma psicoterapia eficaz com crianças implica necessariamente o tratamento conjunto dos pais. A terapia somente com a criança poderia levá-la a se fixar numa posição radical quanto aos pais e a um agravamento do problema. Os pais também poderiam se tornar ciumentos ao se darem conta da relação entre o terapeuta e a

criança. Outro aspecto necessário ao atendimento eficaz com crianças é o afastamento do convívio familiar. Essas questões não seriam importantes apenas no caso de a queixa da criança não ter ligação com a relação pais-filhos.

Como características da postura do terapeuta na consulta psicológica, Rogers (2005[1942]) elenca quatro qualidades que o psicólogo busca criar para que se estabeleça uma relação terapêutica. À medida que Rogers desenvolve as qualidades, vai exemplificando-as a partir de experiências suas (ou de membros de sua equipe) de atendimentos infantis.

1- Há a expressão, por parte do terapeuta, de um interesse real pelo cliente e uma aceitação deste em suas diversas nuances. Há, de fato, um reconhecimento de envolvimento afetivo nessa relação. Porém, controla sua identificação pessoal com as questões do cliente para que este seja ajudado da melhor maneira possível:

[...] Um calor e uma capacidade de resposta por parte do psicólogo que torna a relação possível e a faz evoluir gradualmente para um nível afetivo mais profundo. Do ponto de vista do psicólogo, porém, trata-se de uma relação nitidamente controlada, uma ligação afetiva com limites definidos (ROGERS, 2005[1942], p. 87).

2- “Permissividade em relação à expressão de sentimentos” (ROGERS, 2005[1942], p. 88). Quando o terapeuta promove ao seu cliente a completa ausência de julgamentos morais, proporciona que ele reconheça e expresse seus sentimentos. Esse é o diferencial da relação terapêutica para outros tipos de relações do cotidiano do cliente. Ao mesmo tempo em que há uma completa liberdade de expressão dos sentimentos, também há limites que estruturam essa relação;

3- “Existem limites definidos à ação do indivíduo na entrevista terapêutica” (ROGERS, 2005[1942], p. 88). Os limites apresentam-se como elementos primordiais na terapia para que o cliente lide com segurança com as suas questões e consiga uma melhor compreensão de si. Nesse sentido, os limites não constituem obstáculo à terapia e sim segurança para o profissional e para o cliente. Os limites devem ser claramente definidos e compreendidos pelo cliente. Rogers elenca os seguintes limites em sua atuação: 1) limitação da responsabilidade – o terapeuta evita que a criança (ou os pais) coloque a responsabilidade de resolver seus problemas nas mãos do profissional; 2) limitação de tempo – o tempo definido (e respeitado) de atendimento dá ao atendimento psicológico um lugar na vida real cotidiana, ao qual o cliente precisa se adaptar; 3) limites de uma ação agressiva – esse limite, de acordo com o autor, é aplicado apenas na ludoterapia. Embora a criança tenha uma liberdade maior na

terapia do que em outros contextos para expressar sentimentos hostis, essa liberdade não é indiscriminada. O reconhecimento do sentimento, para Rogers, já se constitui como suficiente para atenuar a necessidade da criança de ataque ao terapeuta. Em alguns momentos, porém, é preciso a verbalização do limite pelo profissional. É preciso que fique claro para a criança que ela pode agir destrutivamente com materiais disponíveis na sala, mas não pode atacar fisicamente o terapeuta; 4) limitação da afeição – A relação terapêutica não é um contexto para que a criança tenha um espaço irreal de afeição e carinho. Pode-se manifestar em exigência de presentes (no caso da criança, quando esta quer levar material da sala consigo) ou no desejo de estender a terapia para outros círculos sociais. Isso promove dependência do profissional;

4- “Relação de consulta psicológica [...] livre de qualquer tipo de pressão ou coerção” (ROGERS, 2005[1942], p. 89). O psicólogo não coloca na relação os seus desejos e expectativas sobre o cliente. A hora da terapia pertence ao cliente e não ao psicólogo. Logo, aconselhamento, sugestão e pressão não devem ocorrer no espaço terapêutico. Isso é, para Rogers, “[...] uma base positiva para o crescimento e desenvolvimento da personalidade, para a escolha consciente e para a integração autocomandada” (p. 89- 90).