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O primeiro nível consiste no que foi descrito no item 4.8.1. Sobre como operam as redes de cooperação, um dos entrevistados, E1, respondeu que ela é constituída por micro e pequenas empresas, e os pilares de atuação da rede são negociação e marketing. Além disso, mencionou que a troca de informações entre os associados é um ganho importante, pois as experiências compartilhadas são como uma consultoria gratuita sobre como lidar com problemas em comum, como por exemplo, dificuldades com vendedores.

Nas negociações, a rede opera como um organizador desse conjunto de sociedades empresárias, no sentido de representar os associados perante os fornecedores de mercadorias e

prestadores de serviços. Em outras palavras, ela é uma espécie de central ou intermediária de negociações; não no sentido negativo de “atravessador” – que leva vantagens sobre o grupo –, mas sim como um organizador e representante do grupo de sociedades.

O entrevistado E2 afirma que a rede de cooperação é uma “centralizadora das ideias e dos negócios”. Ela negocia as condições para a aquisição de produtos ou contratação de serviços que os associados receberão diretamente do fornecedor das mercadorias ou prestador dos serviços. Ou seja, a rede não compra, ela negocia, pois quem realiza a compra é a sociedade empresária associada. É para esta que o fornecedor irá entregar a mercadoria e em nome desta é que serão emitidas faturas e notas fiscais.

O entrevistado E3 assim resume a atividade da rede como negociadora: “a associação funciona como um intermediário... nós intermediamos o negócio, definimos a política de preço e enviamos ao associado, depois disto é entre associado e fornecedor... nota fiscal e fatura, em nome do associado”.

A rede, como negociador do grupo opera basicamente de duas formas.

A primeira é chamada por alguns de compra conjunta. A rede se informa junto aos associados sobre a quantidade que cada um precisa de um determinado produto. Então, a rede vai ao fornecedor com o montante de pedido de todos os associados, e dessa forma, ela consegue melhores preços e melhores condições para os associados, pois o volume é maior do que se cada associado fosse individualmente perante o fornecedor. Geralmente é celebrado um contrato de intenção de compra entre a rede e o fornecedor. A entrega é feita diretamente aos associados, e notas fiscais e faturas são emitidas em nome destes, ou seja, a transação final é realizada diretamente entre a sociedade empresária membro da rede e o fornecedor.

A segunda forma é uma espécie de parceria entre o fornecedor e a rede de cooperação. A rede escolhe alguns fornecedores, com os quais firma contrato por determinado prazo. O fornecedor oferece um mix de produtos e são estabelecidas as condições, preços, inclusive com diferentes tabelas para preços à vista ou a prazo. Os associados, então, podem realizar compras, conforme seus interesses, nas condições negociadas pela rede. Não raro, há um sistema de informática administrado pela rede de cooperação que conecta os associados e os fornecedores parceiros cadastrados, as condições negociadas estão registradas nesse sistema, e os pedidos são feitos através dele. Também nesse caso a transação final é entre o fornecedor e a sociedade empresária associada, com a entrega das mercadorias diretamente a esta, bem como nota fiscal em seu nome.

É importante compreender que os membros de uma rede também atuam individualmente. Quanto à relação com fornecedores, por exemplo, compram de alguns em grupo, e ao mesmo tempo compram de outros individualmente.

No que diz respeito ao marketing compartilhado, é comum a rede de cooperação firmar contratos de campanhas de publicidade em nome próprio. Um dos entrevistados informou ao pesquisador que a rede por ele presidida estava firmando um contrato para campanha publicitária cujo valor ultrapassava os R$ 100.000,00 (cem mil reais), informou também, que esse valor estava dentro do orçamento da rede. Cumpre observar que as redes, em geral, fazem contratos de publicidade em nome próprio, ou seja, em nome da pessoa jurídica da associação.

Ainda, quanto às contratações em nome próprio, as redes contratam funcionários para a própria rede. Todavia, todas essas obrigações contraídas pelas redes em nome próprio são, em regra, de valores baixos e estão dentro do orçamento delas. Além disso, o terceiro contratante tem ciência que está tratando com uma associação cuja finalidade não é a obtenção de lucros para si, e que não possui capital social.

Uma observação importante é que a maior parte das redes visitadas recebe de seus fornecedores parceiros um valor que corresponde a um percentual de tudo o que foi comprado deles pelos membros da rede. Esse percentual é, em média, de 2% a 3% do referido valor. Por exemplo, os associados da RedeX compram, através da Rede, R$ 200.000,00 (duzentos mil reais) em mercadorias, num mês, de um determinado fornecedor. Este fornecedor concede à RedeX, a título de doação, 2% desse valor, vale dizer, paga à Rede R$ 4.000,00 (quatro mil reais). Ou seja, em todas as transações feitas pelos associados com os fornecedores parceiros há uma captação para a rede. Os valores dessas contribuições são, geralmente, destinados a marketing, e são parte dos fundos de manutenção da rede, que também recebe contribuições mensais de seus associados.

Cumpre ressaltar que as redes não visam lucro (item 4.8.1), e, portanto, todos os recursos por ela adquiridos são reinvestidos nela mesma.

Algumas outras atividades realizadas pelas redes foram mencionadas pelos entrevistados. Exemplos: a RedeA obteve melhores condições de preço e serviços de um escritório de contabilidade que atende a maior parte de seus associados; a RedeB promoveu um curso de qualificação de gestores para seus associados; a RedeC tem um plano de telefonia celular que é intermediado e subsidiado por ela, por meio do qual disponibiliza duas linhas a cada associado, totalizando de 50 linhas com tarifa zero para ligações entre as mesmas.

Benzer Belgeler