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Entrevistado 1 ( Coordenação Nacional de Saúde Mental )
1) O senhor esteve à frente da Coordenação de Saúde Mental no momento em que se iniciou a reforma psiquiátrica brasileira, no âmbito do Estado, como uma política de saúde. Gostaria que o senhor comentasse esse período, tentando enumerar os fatores que podem ter favorecido o surgimento dessa reforma no início da década de 90.
2) Em um texto de 1994, “A reestruturação em saúde mental: situação atual, diretrizes e estratégias”, o senhor reconhece que o consumo de álcool e outras drogas já se constituía em um grave problema de saúde pública. No período em que o senhor esteve à frente da Coordenação Nacional de Saúde Mental, foi feita alguma proposta de política para atenção a usuários de álcool e outras drogas?
3) A leitura das portarias ministeriais relativas à atenção em saúde mental do início da década de 90, dos relatórios das conferências nacionais de saúde mental não abordam ou abordam de maneira pouco expressiva a questão da atenção a usuários de álcool e outras drogas. No texto já mencionado, o senhor apresenta um dado do DATASUS que indica que cerca de 36 % dos leitos psiquiátricos eram ocupados por pacientes com problemas diretamente associados ao alcoolismo. Por que a atenção a usuários de álcool e outras drogas não foi objeto das políticas de saúde mental do início da década de 90, já que esse usuário estava no hospital psiquiátrico, que era o centro da atenção do modelo que estava sendo reestruturado?
4) A problemática das drogas foi, no Brasil, abordada pelo campo da Justiça e da Saúde. Havia alguma articulação entre o Ministério da Justiça, sobretudo entre o Conselho Federal de Entorpecentes-CONFEN e o Ministério da Saúde na discussão a respeito de uma política de atenção a usuários de drogas?
5) No ano de 2002, dez anos após a publicação das portarias que deram início à reestruturação da saúde mental no País, são publicadas portarias que regulamentam e garantem financiamento de dispositivos de atenção a usuários de álcool e outras drogas no SUS. Em 2003, é lançada a Política do Ministério da Saúde de Atenção Integral a Usuários de Álcool e Outras Drogas. Que fatores podem ter contribuído para o surgimento dessa Política?
6) Gostaria que o senhor comentasse alguns fatores que podem ser associados ao surgimento dessa política.
6.1) Essa política pode ter sido viabilizada para resgatar uma dívida com o usuário de álcool e outras drogas, ao reconhecer suas necessidades de atenção em saúde e seu direito ao acesso a serviços de saúde? O senhor acha que, a partir de 1990, houve algum movimento social que tentou garantir esse direito a usuários de álcool e outras drogas?
6.2) O impacto social e econômico da problemática associada ao consumo de álcool e outras drogas pode ter contribuído para que uma política pública de saúde voltada para usuários de álcool e outras drogas fosse proposta no País?
6.3) Essa política pode ter sido viabilizada por ser voltada para um público que vem ocasionando problemas para a manutenção da ordem social, para a legitimação do Estado?
6.4) Essa política pode ter sido viabilizada por recomendação de organismos internacionais do setor saúde e do controle de drogas?
Roteiro de Entrevista
Área: Políticas de Saúde MentalEntrevistado 2 (Coordenação Nacional de Saúde Mental)
1) Gostaria que o senhor comentasse o que existia no País em termos de políticas públicas de saúde sobre álcool/drogas quando o senhor assumiu a Coordenação Nacional de Saúde Mental? 2) No ano de 2002, foram publicadas portarias que regulamentam e garantem financiamento aos dispositivos de atenção a usuários de álcool e outras drogas no SUS. Em 2003, foi lançada a Política do Ministério da Saúde de Atenção Integral a Usuários de Álcool e Outras Drogas. Como foi o processo de formulação dessa política? De onde surgiu a demanda de formulação dessa política?
3) Houve alguma articulação com outras áreas do Ministério da Saúde na formulação dessa política?
4) Pode-se dizer que houve pressão de movimentos sociais organizados para que o governo brasileiro formulasse uma política de saúde para os usuários de álcool e outras drogas?
5) Houve alguma articulação com a Secretaria Nacional Antidrogas na elaboração dessa política? 6) Gostaria que o senhor comentasse a influência das recomendações das Convenções e Assembléias da ONU no que se fez e no que se faz no Brasil em relação à questão das drogas. Há de fato um maior comprometimento do governo em desenvolver ações a partir dos compromissos assinados nesses encontros internacionais?
7) Que fatores podem ter contribuído para a decisão do governo brasileiro de se formular essa política?
8) Gostaria que o senhor comentasse alguns fatores que podem ser associados ao surgimento dessa política.
8.1) Essa política pode ter sido viabilizada para garantir ao usuário de álcool e outras drogas o direito ao acesso a serviços de saúde, definido na Constituição Federal de 1988, como direito de todo cidadão brasileiro?
8.2) O impacto social e econômico (sobretudo no SUS) da problemática associada ao consumo de álcool e outras drogas pode ter contribuído para que essa política pública de saúde fosse formulada no País?
8.3) Essa política pode ter sido viabilizada por ser voltada para um público que vem ocasionando problemas (violência, por exemplo) para a manutenção da ordem social, para a legitimação do Estado?
8.4) Essa política pode ter sido viabilizada por recomendação de organismos internacionais do setor saúde e do controle de drogas?
Roteiro de Entrevista
Área: Políticas de Saúde MentalEntrevistada 3 (Movimento Social de Saúde Mental / Luta Anti-manicomial )
1) Quando e como foi sua aproximação com os movimentos sociais no campo da saúde mental? 2) Quando e em que contexto esses movimentos surgiram no País?
3) As portarias ministeriais relativas à reestruturação da atenção em saúde mental do início da década de 90 não abordam ou abordam de maneira pouco expressiva a questão da atenção a usuários de álcool e outras drogas. Um dado do DATASUS indica que em 1992 cerca de 36 % dos leitos psiquiátricos eram ocupados por pacientes com problemas diretamente associados ao alcoolismo. Esses movimentos sociais que reivindicavam a extinção progressiva dos hospitais psiquiátricos e propunham, entre outras ações, uma rede de atenção substitutiva ao hospital psiquiátrico, contemplavam, em suas discussões, a atenção a esses usuários de álcool e outras drogas. Por quê?
4) Nas conferências nacionais de saúde mental essa temática foi abordada?
5) No ano de 2002, dez anos após a publicação das portarias que deram início à reestruturação da saúde mental no País, foram publicadas portarias que regulamentam e garantem financiamento a dispositivos de atenção a usuários de álcool e outras drogas no SUS. Em 2003, foi lançada a Política do Ministério da Saúde de Atenção Integral a Usuários de Álcool e Outras Drogas. Os movimentos sociais do campo da saúde mental são favoráveis a essa política?
6) Que fatores podem ter contribuído para o surgimento dessa política?
7) Gostaria que fossem comentados alguns fatores que podem ser associados ao surgimento dessa política.
7.1) Essa política pode ter sido viabilizada para resgatar uma dívida com o usuário de álcool e outras drogas, ao reconhecer suas necessidades de atenção em saúde e seu direito ao acesso a serviços de saúde? A partir de 1990, houve algum movimento social que tentou garantir esse direito a usuários de álcool e outras drogas?
7.2) O impacto social e econômico da problemática associada ao consumo de álcool e outras drogas pode ter contribuído para que uma política pública de saúde voltada para usuários de álcool e outras drogas fosse proposta no País?
7.3) Essa política pode ter sido viabilizada por ser voltada para um público que vem ocasionando problemas para a manutenção da ordem social, para a legitimação do Estado?
7.4) Essa política pode ter sido viabilizada por recomendação de organismos internacionais do setor saúde e do controle de drogas?