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Elektrokimyasal Polimerleşmede % Dönüşümü Etkileyen Faktörler

3. ARAŞTIRMA BULGULARI VE TARTIŞMA

3.1. Elektrokimyasal Polimerleşme

3.1.1. Elektrokimyasal Polimerleşmede % Dönüşümü Etkileyen Faktörler

Eu poderia começar este capítulo sobre o continente Africano falando sobre o lugar onde surgiu a humanidade, porém para não fazer um retorno tão grande, optei por estudá-lo a partir do mundo do século XV, período das navegações, das primeiras colonizações, do comércio triangular entre Europa, África e América, com o acúmulo de riqueza na Europa e o início da revolução industrial, no Reino Unido, com surgimento de um novo sistema de reprodução da vida, o capitalismo.

Diríamos que a partir destes acontecimentos, o continente Africano tem sido o lugar da exploração dos recursos materiais e humanos a exaustão, a serviço deste sistema.

Esse novo mundo capitalista, lança mão do “progresso”, através da revolução científica, criando a chamada era da modernidade, o “período das luzes”, de modo que, com o desenvolvimento das forças produtivas, a Europa “conquista” o mundo.

Esse progresso através do desenvolvimento da ciência proporciona a dominação dos homens poderosos, - detentores de riqueza e de um tipo de conhecimento -, sobre os homens “comuns”, as mulheres e a natureza, sinalizando então, a partir daí, que a razão é o que prevalecerá.

Enquanto que para os homens da burguesia emergente havia surgido, com a renascença, um período de novas oportunidades, para as mulheres, a Renovação política e cultural dos séculos XIV e XV, significou perda de poder, independência e influência. (CASIMIRO, 2004, p.95).

De agora em diante, serão produzidas ideias de inferioridade sobre grupos humanos, a partir de diferenças biológicas e culturais, naturalizando desigualdades criadas, desde então. E, na passagem do antigo regime para o novo, “o moderno mundo capitalista” constrói uma das poderosas áreas da ciência que é a área da medicina, especialmente as áreas, relacionadas à “ciência da mulher” ou, ao “sistema reprodutor feminino”.

Profissionais deste campo de estudos (médicos, biólogos, anatomistas e fisiologistas), declaram a sexualidade feminina como perigosa, a partir de uma rígida diferença entre homens e mulheres, expressada em uma ordem moral e social, definem assim a inferioridade da mulher, com pouca aptidão para a política e para as ciências.

Se nos primórdios da história humana a mulher possuía um lugar central, pelo fato de ser considerada um - ser sagrado pela sua capacidade de dar a vida, - onde, até então, não se conhecia o papel masculino na procriação -, logo mais os homens começam a dominar a sua função reprodutora e passam também a controlar a sexualidade da mulher, inclusive legislando para garantir que os seus herdeiros sejam facilmente identificados e, assim, nasce a instituição família, conforme a conhecemos, pelo menos no ocidente, “pois a maior parte das sociedades não estabelecem entre família e sexualidade esta ligação intima que se afirmou na nossa” (LEVI-STRAUSS, 1983, p. 86).

Nesse sentido, as mulheres são consideradas desiguais e inferiores e “nesta modernidade”, com a definição de que “somos todos iguais”, a diferença se dá no corpo, segundo Fanon (1975) foi através da objetivação sexual, que se desenvolveu a construção do outro.

A ciência segue tentando, portanto, fundamentar-se, naturalizando comportamentos sociais segundo as diferenças sexuais e raciais, na tentativa de justificar seu pressuposto de inferioridade biológica do corpo da mulher e de povos negros.

Um dos exemplos deste fato são as experiências científicas desenvolvidas no início do século XIX, na África com o povo Koisan, segundo Badou (2000), quando um naturalista (médico anatomista) alémão Gustav Fritsch, em 1872, afirmou que o formato de avental nos pequenos lábios vaginais nas mulheres do referido povo era a “consequência fatal da masturbação”, assim viajantes europeus em nome da ciência, desembarcam neste canto no sul

do continente Africano para verificação da capacidade ampliada de obter orgasmos das mulheres Hotentotes, como são chamadas.

O fato é que a maioria dos viajantes europeus, logo desembarcou na África do Sul, que - eles alegaram - sem outra preocupação além do avanço da ciência, apressou-se a levantar campanhas para que algumas mulheres hotentotes fossem verificadas. François Perón e Charles Alexandre Le Sueur, membros da expedição francesa chegam a bordo dos navios Geographe e Naturalista. Após a chegada, os dois cientistas vão para um hospital da cidade exclusivamente aberto aos negros. Um médico lhes permite examinar várias mulheres. François Peron escreve os comentários e Le Sueur executa os desenhos. “Nos comentários, não aparecem o que foi o método "muito especial" usado pelos cientistas para provocar orgasmos nas mulheres com o enigmático "avental", apenas deixa escapar que a "curioside" dos oficiais franceses que participaram da expedição se assemelhava menos num experimento científico do que as distrações habituais de marinheiros em paradas nos portos”. (BADOU, 2000 P. 50 – 51).

Como se percebe no texto o autor argelino, muito critico a este tipo de expedição científica europeia, citando os comentários dos médicos anatomistas, sobre tais experiências, no corpo da mulher Africana, satiriza o valor científico relatado, conforme apresenta a pouca seriedade dos oficiais franceses a bordo, que aproveitaram tais expedições muito mais para violarem e utilizarem o corpo destas mulheres.

Mediante o exposto, as mulheres, especialmente as mulheres negras27 terão ao longo dos anos um destino traçado com a construção estereotipada de um corpo exótico para o uso e espetáculo, a exemplo de Saartjie Baartman (Venus Hotentote28), que com apenas 18 anos foi retirada da sua região, na África do Sul e levada para exibições nas feiras e circos em Londres e Paris, entre os anos 1810 a 1815. Essas feiras e circos também eram conhecidos por zoológicos humanos. O corpo dessa jovem era o espetáculo, pela formação diferenciada das nádegas (esteatopigia) e dos pequenos lábios (avental) vaginais (BADOU, 2000).

Saartjie morreu na Europa, por sua vida de opressão e exploração, em condições insalubres, incluindo o alto consumo de bebida alcoólica. Do seu corpo foi produzido um molde de cera em tamanho natural e depois teve o seu corpo dissecado pela comunidade científica, coordenada pelo naturalista George Cuvier, um dos mais importantes médicos

27 Para estudos sobre mulheres negras no Brasil, ver SANTOS, Mirian Lucia. Um olhar racial para a violência conjugal contra as mulheres negras.

28Além da obra de Gérard Badou, “L’énigme de La Vénus Hottentote”, no ano de 2010 é lançado o filme “Vénus Noire”, do diretor Abdellatif Kechiche, baseado no livro.

anatomistas do período. Os órgãos genitais dessa jovem foram conservados e expostos no Muséum d’ Homme, em Paris até meados do século XX, quando após as brigas internacionais, Nelson Mandela e o povo da África do Sul, conseguiu retirar oficialmente da Europa, devolvendo seus restos mortais para o povo Africano (BADOU, 2000).

Tal fato pode nos dar exemplo da construção histórica racial e sexual de inferioridade e superioridade de povos no decorrer dos séculos, bem como da relação destas ideias com a ciência do período.

Há que se ressaltar que, não daria para falar de Moçambique e sua Província de Maputo, onde está a capital do país e também o lugar para a pesquisa de campo, sem falar do continente Africano, esse lugar geográfico (Figura 2) e social semidesconhecido ou, em alguns casos, desconhecido totalmente.

Figura 3 - Mapa Político atual da África. Fonte: MISOÁFRICAPT (2012)

A África que já foi considerada um lugar sem história, passa ao lugar das belezas naturais e culturais, belezas estas que precisavam ser trazidas para a Europa porque os seus

donos, chamados de povos primitivos, não teriam condições intelectuais e culturais de preservação e cuidado do seu patrimônio artístico, visto que estes eram tidos como sem cultura. Hoje o continente continua visto como o lugar de povos que precisam de ajuda para sair das chamadas guerras tribais e conseguirem se desenvolver e progredir. Esta foi e continua sendo a justificativa para a interminável pilhagem em suas várias regiões. (LAPLATINE, 1994; KI-ZERBO, 2006).

Para Ki-Zerbo (2006, p. 11), entre as grandes questões para pensar nas soluções para a África estão dúvidas sobre o formato de desenvolvimento que o continente Africano precisaria ou deveria perseguir. Questiona-se se a África poderia ter o mesmo tipo de

progresso que os países do hemisfério norte. Ki-Zerbo (2006, p. 12), em suas análises interrogou-nos, enquanto pesquisadores (as): “A África terá tempo de criar Estados semelhantes aos europeus? Será que daria tempo de desenvolver o mesmo tipo de Estado que o ocidente se pretendeu?” Ainda para o autor, na África, “O Estado mal consegue se formar e já é pressionado por instituições como o Banco Mundial” (p. 11).

Em função disto, Ki-Zerbo (2006) afirma que o continente tem vivido do envio de produtos primários, recebendo os produtos manufaturados, pois na economia global, a África continua enviando os produtos de menor valor.

O históriador burkinês mostrou a relevância da reflexão sobre a história Áfricana ser refundada a partir de matrizes Africanas, diferenciando-a das experiências que as crianças em seu país tiveram que passar quando utilizavam nos livros didáticos trazendo os gauleses, os antepassados franceses, como seus também antepassados burkinêses (KI-ZERBO, 2006, p. 14).

No trabalho de Latouche (2012), também em referência às soluções para a África, destacam-se quais seriam as contribuições que o continente poderia oferecer ao ocidente na resolução da sua crise atual, indo assim num caminho inverso sobre o desejo quase que universal de um desenvolvimento que tem resultado muito mais na acumulação desigual de capital e riqueza ainda em regiões do norte mundial, com consequências desastrosas para os recursos naturais e humanos.

Nesse sentido, o interesse em estudar uma região Africana é, além de refletir sobre as questões mostradas anteriormente, é compreender a situação das mulheres postas em tais conjunturas, já que mundialmente estas são as mais atingidas em situações adversas como, por exemplo, as alterações econômicas e políticas, bem com as epidemias.

Diante do exposto, apresentar aspectos da história de Moçambique, um dos 55 países do continente poderá indicar algumas das características do continente, que nas palavras de Fabio Leite:

[...] são duas as maneiras de abordar sociedades negro-Áfricanas. A primeira, chamada de periférica, a África-Objeto, esta África tem sido a visão tipicamente ocidental divulgada por todo o mundo, inclusive dentro da África e a segunda, a interna, a profunda, a África-Sujeito, a que considera a África ancestral, com aspectos tradicionais, mal conhecida [...]” (LEITE, 2008, p. Xviii).

Sobre o tema, Amadou Hampâté Bâ, um filósofo maliense é bastante acurado, ao falar sobre uma África tradicional, pois para este autor:

[...] nunca se deve generalizar sobre uma ‘tradição Africana’, pois não há uma África (Figura 2), não há um homem Africano, não há uma tradição Africana válida para todas as regiões e etnias, o que existem são grandes constantes, (a presença do sagrado em todas as coisas, a relação entre os mundos visíveis e invisíveis e entre os vivos e mortos, o sentido comunitário, o respeito religioso pela mãe, etc.), mas também há numerosas diferenças: deuses, símbolos sagrados, proibições religiosas e costumes sociais delas resultantes [...]. (HAMPATÉ BÂ, 2003, p. 14).

Figura 4 - Mapa Político e Mapa Étnico do continente Africano. Fonte: MAE/USP (2006)

É necessário ressaltar, portanto, que os autores e autoras citados até o momento apresentam um conjunto de cuidados que se deve ter nos estudos Africanos, perspectiva que está na mesma direção da presente tese, pois estes estudos estão fora do conhecimento hegemônico até então produzidos por povos ocidentais.

Benzer Belgeler