• Sonuç bulunamadı

Elektro-eğirme Yöntemi ile Üretilen Nanofiber Tipleri

A partir da constatação do contexto de crise e da necessidade de revisão do paradigma da sociedade atual, deu-se o envolvimento de inúmeros setores da sociedade com vistas a atuar nesse processo. Este envolvimento, com relação à EA, partiu principalmente do movimento ambientalista, que se insere no contexto dos movimentos de contracultura e lutas para emancipação, durante os anos 1960, denominados de novos movimentos sociais. Estes movimentos, segundo Carvalho (2001), são vistos como um conjunto que configura uma nova cultura política de esquerda, marcada pelo caráter emancipatório e afirmativo das lutas, e:

“neste contexto a questão ambiental será vista, ora ao lado das temáticas de gênero, etnia; ora

ocupando um lugar aglutinador das novas reivindicações” (CARVALHO, 2001, p.49).

Assim, na específica contribuição do processo educativo como possibilidade de alteração do atual quadro apresentado frente à questão ambiental, a EA se constitui (CARVALHO, 2006), unindo reflexões e proposições trazidas pelo campo ambiental e pelo campo da educação (CARVALHO, 2001). Lembramos, contudo, que para Carvalho (2001) a EA não nasce no seio do campo educativo, pois “parece ser um fenômeno cuja gênese e desenvolvimento estariam mais ligados aos movimentos ecológicos e ao debate ambientalista do que propriamente ao campo educacional e à teoria da educação”, sendo “herdeira direta do movimento ecológico e do debate internacional sobre meio ambiente” (CARVALHO, 2001, p.49).

Cabe ressaltar, de acordo com Pádua (2010), que a crítica ambiental no Brasil e em outros países não está restrita somente às ultimas décadas do século XX, há diversos textos e relatos que retratam a história da crítica ambiental em séculos anteriores, trazendo reflexões acerca do tema da capacidade humana para degradar ou mesmo destruir o mundo natural. Este tema é considerado pelo autor como essencialmente moderno, aparecendo nas discussões já a

partir do século XVIII, através de observações empíricas das consequências das devastações ocorridas pela ação humana na Europa. Estes críticos ambientais podem ser reconhecidos tanto na Europa quanto no Brasil, sendo José Bonifácio a figura mais reconhecida no Brasil. Embora sendo representantes da formação de uma consciência crítica em relação aos problemas ambientais, o autor ressalta que:

Não se trata, por certo, de traçar uma linha direta entre a crítica ambiental que começava a aparecer nos séculos XVIII e XIX, utilizando categorias e vocabulários próprios da época, e o fenômeno do ambientalismo contemporâneo. Não é o caso de buscar “precursores”. Mas sim de analisar um movimento histórico mais amplo e difuso: a construção da sensibilidade ecológica no universo da modernidade (PÁDUA, 2010, p.84).

Continuando, o autor valoriza como ponto fundamental para a compreensão desta crítica ambiental observar como naquele momento histórico-social “começaram a aparecer reflexões históricas sobre as consequências ambientais do agir humano” (PÁDUA, 2010, p.84).

Carvalho (2009) também salienta que a produção de sentidos sobre a natureza e meio ambiente, ao longo da história da modernidade no Ocidente, “remete a uma história de longa duração dos sentidos do ambiental dentro da qual se localizam as (re)interpretações contemporâneas e a partir de onde se (re)constroem os sentidos atuais da experiência da

natureza e do ambiente” (CARVALHO, 2009, p.136). A autora destaca diversas

compreensões desta relação ao longo da história moderna:

a compreensão iluminista de uma natureza controlada pela razão, a visão pastoral idílica do naturalismo inglês do século XVII; as novas sensibilidades burguesas do século XVIII; o romantismo europeu dos séculos XVIII-XIX; e o imaginário edênico sobre a América (CARVALHO, 2009, p.136).

Neste sentido, podemos observar que, ao longo da tradição moderna, várias são as maneiras de experienciar o ambiente e significar a natureza. Segundo a autora, muitos dos valores e sensibilidades que constituem o ideário ambiental contemporâneo poderiam ser compreendidos como herdeiros de uma tradição que perpassa desde a visão iluminista de natureza até sua visão romântica e idealizada (CARVALHO, 2001). Deste modo, os movimentos ambientalistas contemporâneos trazem em seu bojo estas experiências, ressignificam-nas e a atualizam, sendo uma permanente renegociação de sentidos (CARVALHO, 2009).

Assim, lembramos que discussões internacionais que implicaram no processo de legitimação do campo ambiental se iniciaram com mais força na década de 1960 (CARVALHO, 2001). Historicamente, os movimentos que se intensificaram a partir da segunda metade do século passado partem da compreensão global dos problemas ambientais juntamente com o questionamento do poder da ciência e das bases políticas em que a sociedade se estabelecia.

Um sentimento contramoderno, validado pelo ecologismo contracultural, atualizava a ideia romântica da natureza como lugar utópico, reivindicando o papel relegado da natureza. Dessa forma, Carvalho (2001) sinaliza que o processo vivido neste momento acabou trazendo a discussão da temática ambiental para todos os meios de comunicação, até para a política e

economia. Assim, a autora reflete que “uma das conseqüências desta entrada em cena da

natureza é seu estatuto como sujeito de direitos” (CARVALHO, 2001, p.85), o que acabou resultando em medidas que partiram de diversos setores da sociedade, na tentativa de se promover uma nova relação com a natureza, procurando regulamentar a ação humana sobre a mesma.

A partir deste momento entram em pauta questões voltadas a repensar a relação do

homem com a natureza, pois “o ecologismo traz como elemento diferencial a ênfase

emancipatória com que atualiza estes elementos da tradição destacando seus componentes de crítica social” (CARVALHO, 2001, p.89). Levando então a problemática à esfera pública, é lhe conferida uma dimensão política que, de propostas idealistas e românticas, passa então a se configurar como formas de ação por meio de encontros, conferências, documentos e leis que foram sendo construídas nas últimas décadas e que permitiram estruturar e estabelecer as bases da EA.

Nos anos 1960 destaca-se a produção de livros e textos que levantaram questionamentos mais amplos acerca da temática ambiental, tornando-se marcos para a constituição do campo ambiental. Entre estes estão: “A Primavera Silenciosa” (1962), de

Rachel Carlon, que trata da devastação dos agrotóxicos e do desequilíbrio ecológico; “Antes

que a natureza morra” (1965), de Jean Dorst; o documento publicado e conhecido como Clube

de Roma (1968) e, entre os textos, a “Carta do Cacique de Seattle”, que relata a relação de

harmonia dos nativos com a natureza, contrapondo-se à sociedade capitalista (REIGOTA, 2002; CARVALHO, 2008). Entre os acontecimentos que marcaram a construção deste ideário, podem ser citados os desastres ambientais, “recorrentemente associados a causas mobilizadoras do avanço do movimento ambientalista da consciência ambiental em geral, tais

como os desastres de Minamata (Japão), Bhopal (Índia) e Chernobyl (ex-URSS)” (CARVALHO, 2008, p.153).

Ainda nos anos 1970 acontece a Conferência sobre o Ambiente Humano realizada pela Organização das Nações Unidas (ONU), conhecida como Conferência de Estocolmo (1972), reunindo governos de diversos países para discutir os problemas ambientais. Neste encontro, embora tenha havido um consenso sobre a necessidade da educação para despertar a consciência mundial acerca dos problemas ambientais, ficam evidentes divergências acerca da resolução dos problemas quanto ao desenvolvimento econômico e a industrialização. A partir deste elaborou-se a Carta de Belgrado (1975), idealizada a partir de um Encontro Internacional promovido pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), que estabeleceu um conjunto de diretrizes e princípios para a EA. Em seguida foi realizada a Conferência de Tbilisi (1977), também promovida pela UNESCO juntamente com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), sendo a primeira realizada em caráter específico para tratar da EA. Esta conferência estabeleceu princípios mais específicos e objetivos à EA, bem como conteúdos, diretrizes e atividades que fossem incorporadas nas políticas educacionais.

A partir de então, valorizou-se a interdisciplinaridade no contexto da EA, tornando-se essa reunião um marco político e filosófico para a mesma, onde também se assumiu que as dimensões socioculturais, econômicas e os valores éticos tem um importante papel na compreensão da questão ambiental (AMARAL, 2001; CARVALHO, 2001; LAYRARGUES, 2002). No Brasil, esta década é considerada o marco inicial do movimento ecológico brasileiro, quando associações e movimentos ambientalistas começam a surgir nas regiões sul e sudeste, com a ligação de movimentos sociais ecológico-conservacionistas e a comunidade científica (CARVALHO, 2001).

Em meados dos anos 1980, no Brasil, termina o período de ditadura militar, e neste processo de mudança há uma intensa movimentação de grupos e lutas sociais até então reprimidas. Segundo Carvalho (2001, p.47, grifos da autora), “conceitos como sociedade civil e cidadania vão sendo definidos em sua oposição ao Estado”, e os movimentos sociais ganham força e passam a ser protagonistas da transformação social, tidos como novos sujeitos da revolução social. Neste contexto de valorização da ação civil surgem as Organizações não Governamentais (ONGs), repercutindo através de ações ecológicas e políticas. Neste período o debate ambiental tem ampliada sua discussão no mundo, passando também a fazer parte do cenário político, bem como aliando-se a reivindicações sociais (CARVALHO, 2001).

Nos anos 1990, na redefinição do cenário político global, com o fim da Guerra Fria, queda do Muro de Berlim e crise do socialismo, há um sentimento de descrença nas utopias, aumentado pela hegemonia do capitalismo. Mas, há também um clima de valorização das práticas ambientais, aliado ao crescimento da participação civil, com os movimentos e as ONGs. Neste contexto, ocorreu a Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental, também conhecida como ECO-92, no Rio de Janeiro, Brasil. Esta conferência teve grande importância no cenário ambiental nacional e internacional, e produziu uma importante difusão da problemática, sendo um divisor de águas para o posicionamento da sociedade civil frente às questões ambientais (CARVALHO, 2001). Os desdobramentos desta conferência se encontram tanto em termos de políticas públicas quanto da ação coletiva e sobre os termos que repercutiram na mesma: desenvolvimento sustentável, sociedades sustentáveis, cidadania planetária, responsabilidade global, entre outros, passando-se a constituir como referências para as discussões e ações no campo ambiental, constituindo-se em documentos chamados: Agenda 21, Carta da Terra e a Convenção sobre o Clima (CARVALHO, 2001; LAYRARGUES, 2002).

Paralelamente às reuniões oficiais da ECO-92 ocorreu o Fórum das ONGs, uma união de ONGs, movimentos sociais e movimentos ecológicos. Este espaço de negociação contribuiu para “mudar o patamar das discussões e alianças entre lutas sociais e ambientais” (CARVALHO, 2001, p.52), levando em consideração um universo plural, com as diferentes identidades e afinidades entre os grupos. Este fato permitiu uma ampliação dos significados do ideário ambiental, “para que este não ficasse restrito ao movimento e às agendas ecológicas estrito senso, e pudesse abarcar sob o signo da qualidade de vida e do desacordo

com o atual modelo de desenvolvimento” (CARVALHO, 2001, p.52, grifos da autora),

trazendo ao Fórum uma identidade política. Deste fórum resultou um documento chamado Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global, ou Tratado das ONGs, o qual, fruto das discussões da sociedade civil, pode ser considerado como representante dos anseios da mesma.

Nascendo primeiramente ligada a políticas ambientais, enquanto uma ação educativa não formal, a EA foi oficializada no Brasil por políticas e órgãos educacionais no contexto escolar formal na década de 1990, na forma de tema curricular transversal nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) (CARVALHO, 2001). Em 1999 foi estabelecida a Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA), onde se afirma a EA como um componente essencial e permanente na educação nacional, que deve estar presente de forma articulada em todos os níveis e modalidades do processo educativo, formais ou não formais (BRASIL, Lei

n.9795/99, artigo 2º). Fica também estabelecido como papel das instituições educativas promover a EA de maneira integrada aos programas educacionais. (BRASIL, Lei n.9795/99, artigo 3º, inciso II).

Assim, para Amaral (2001), o ensino de EA nas escolas deve tratar do desenvolvimento de uma compreensão do ambiente na totalidade das inter-relações dos diferentes aspectos que envolvem a realidade, sendo eles físicos, econômicos, sociais, políticos e culturais, para então se conceber a importância do ambiente como meio de realização social, permitindo viabilizar ações mais justas dos homens entre si e com a natureza. Concordando com este autor, consideramos que a EA, dado seu caráter interdisciplinar, deve ser concebida e realizada levando em conta estes diferentes aspectos.

Com base em Carvalho (1989, 2006), entendemos que três dimensões devem ser igualmente consideradas para o desenvolvimento de atividades em EA:

- conhecimentos vindos das ciências naturais e sociais, para a compreensão tanto de fatos e conceitos relativos à natureza e à relação sociedade-natureza, como também do próprio processo de produção do conhecimento científico, além da abertura a outras formas de conhecimento e apreensão do mundo;

- valores éticos e estéticos para a construção de novos padrões de relação com o meio natural; - participação política do indivíduo para o desenvolvimento da cidadania e a construção de uma sociedade democrática.

Para o autor estas dimensões referem-se à práxis humana e devem interagir constantemente visando à formação de sujeitos emancipados, críticos e comprometidos com a ação no mundo. Estas podem ser melhor visualizadas na figura de um triângulo (Figura 1).

Figura 1: As três dimensões da práxis humana a serem consideradas em articulação nas práticas e projetos de EA (Adaptação de CARVALHO, 2006, p.27).

A partir desse autor, adotamos a EA como forma de contribuição crítica e transformadora dos problemas ambientais. Assim, nesta pesquisa, vislumbrando esta transformação, damos especial atenção ao trabalho com a dimensão de valores éticos e estéticos da EA. Considerando, juntamente com Razera e Nardi (2001), a existência de questões éticas que perpassam todos os propósitos e ações da humanidade, o trabalho com valores deve possibilitar a reflexão e o envolvimento com estas questões, procurando buscar novos caminhos e ações que contribuam para uma real transformação.

Desse modo, verificamos a importância da dimensão axiológica na EA, como forma de reorientar e ressignificar nossa relação com a natureza, e como elemento que nos ajudaria a apreender o “modo como a natureza se faz presente para o homem; ou melhor: no modo como

o homem torna a natureza presente” (BORNHEIM, 1985, p.10), sendo este um dos principais

pontos de partida apontados nas reflexões em EA que adotamos. Assim posto, a seguir

destacaremos reflexões sobre o conteúdo valorativo, com o objetivo de aprofundar e compreender os elementos que o envolvem, procurando também traçar caminhos para sua prática.

Benzer Belgeler