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1.3 Elateridae Familyası

1.3.2 Elateridae Familyasının Morfolojik Özellikler

As meninas, companheiras desde a infância nos Centros de Refe- rência que frequentavam, têm gestos de leitura muito parecidos e mani- festam claramente o desejo de ler, condições de ler, de aprender práticas de leitura, de mergulhar na cultura escrita. São leitoras em formação. A análise de suas práticas de leitura mostrou que as mães e as professoras leem em casa, na escola, na rua, no mercado, na Igreja, no Centro de Referência. Em suas práticas de leitura, a oralidade está presente como uma dimensão da cultura escrita, como na escuta da Palavra Sagrada que remete aos escritos da Bíblia ou nos escritos que incorporam a cultura oral em leituras em voz alta da cartilha.

A pesquisa apontou que, nos espaços da família, Igreja e escola, mães e professoras vivenciavam práticas de leitura significativas que foram lembradas por elas como experiências no cotidiano, que as marcaram desde a infância.

Os recontos possibilitaram que as mães e professoras desenvolves- sem práticas de escuta de contos de fada, de assombração, histórias de vida, casos, histórias bíblicas, contadas por avós, pais, tias, reunidos na sala, na rua, na varanda. Entre as figuras de leitores que se desta- caram, pais, mães, avós, irmãos, leitores assíduos ou eventuais, liam para se instruir, distrair, reverenciar e ensinar. Práticas de leitura em diversos suportes e gêneros textuais, em diferentes lugares e tempos, leituras extensivas de romances longos ou leituras práticas de receitas de cozinha, leituras rápidas de gibis e revistas de que essas leitoras ainda não alfabetizadas se apropriaram.

Os leitores de devoção, com quem aprenderam as leituras de reverência, deixaram marcas em suas memórias de leitura: maneiras de ler que não passam pela decifração do escrito. No contato com os escritos domésticos, os livros de histórias se sobressaem, mas são os escritos sagrados que emergem com força na presença da Bíblia aberta, reveladora da Palavra Viva.

Na escola, mães e professoras foram expostas a práticas de alfabe- tização assentadas na decifração do código alfabético. Cópias, ditados, leitura em voz alta, maneiras de ler na escola em que a cartilha foi o principal suporte. Resgatada como objeto de afeto e memória de leitura, a cartilha representa hoje a infância dessas mulheres e sua passagem

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para o mundo da escrita. Práticas escolares de leitura, apropriadas pelas mães e professoras, que reproduzem aos filhos e alunos ao ensinarem em casa e no CRDown as práticas de leitura aprendidas na escola de sua época. No papel de mediadoras da leitura e da escrita de seus filhos, as mães repetiam concepções e valores de leitura do ensino tradicional no qual haviam sido alfabetizadas.

As leituras religiosas são as leituras de sobrevivência das mães e professoras, Especialmente para as mães, a leitura da Bíblia permite ver o mundo de outro modo, criar forças e enfrentar o cotidiano. Lei- turas intensivas de livros de devoção, de liturgia, de ensinamentos, governadas pela relação com Deus, em que é preciso somente ouvir essa Voz. Tendo como suportes livros de orações, terços, novenas, a própria Bíblia, as leituras religiosas das mães e professoras mantêm uma relação direta com a oralidade: quando silenciosa, há uma Voz que fala, oralizada, repete maneiras de ler próprias desses escritos. Essas leituras são compartilhadas com a família, os amigos, outras mulheres, com a comunidade, em casa, na igreja, nos círculos bíblicos, nas missas, alimentam sua própria existência, também compartilhada com outros fiéis.

Dois objetos de leitura permaneceram no cotidiano das leitoras, mães e professoras. A cartilha Caminho suave, principal referência de escrito na alfabetização, foi ganhando novos sentidos por elas atri- buídos que não estão mais na materialidade desse objeto. Resgatada como um tempo de criança que não volta mais, na memória de leitura guardada há tanto tempo, a cartilha foi embebida de outros sentimen- tos e valores: admiração, amor, beleza. A Bíblia, objeto de devoção, sempre reverenciada, ouvida no rádio, percebida nos gestos do avô que a folheava, ensinada pela avó que contava histórias bíblicas, lembrada como presença Viva na casa de infância, persiste nas leituras das mães e professoras. Especialmente para as mães, as leituras de devoção da

Bíblia dão sentido à vida no cotidiano, pois ela é a Palavra Viva que

responde a suas inquietações.

O estudo revelou ainda que as meninas Jane, Dânia e Andréa, lei- toras em formação, desejam aprender a língua viva, dominar a escrita e desenvolver práticas de leitura, entretanto não são oferecidas a elas

condições para que efetivamente possam apropriar-se das práticas lei- toras. Os desenhos e jogos evidenciaram a necessidade de apropriação da linguagem como processo de enunciação e apontaram a ausência de práticas de linguagem significativas no CRDown. Por isso, essas meninas seguem realizando atividades de desenhar e brincar próprias da pré-escrita infantil.

O acervo de desenhos, colagens e bricolagens guardados revelam uma leitura de imagens muito presente no cotidiano, reafirmada nas preferências pela leitura de histórias na tela da televisão, em CD e DVD e incentivada nas atividades de linguagem que se realizam no Centro de Referência. As cartinhas vazias de Dânia são a evidência do desejo de dominar a escrita, escrever textos, ler em suportes e gêneros diversificados.

As brincadeiras de escolinha em casa apontaram, de um lado, a interlocução concreta das meninas ao dialogarem com as bonecas; de outro, a reprodução das práticas escolares de leitura aprendidas nas escolas de ensino regular e no CRDown, circunscritas à codificação e decodificação do código alfabético. Outra evidência do desejo de dominar a escrita é a escrita não convencional de Jane em seu caderno- -agenda, um traçado que, imitando a escrita alfabética, apontou a necessidade de participar plenamente da cultura escrita.

As meninas leem, mais em voz alta, menos silenciosamente. Lei- turas soletradas de textos curtos, de gibis, álbuns, livros de histórias, revistas, lições da cartilha, bilhetes, letras de música que, guardados em acervos escriturísticos, como sacolas, pastas, mochilas, testemunham o desejo de tomarem posse da escrita. Entretanto, esses escritos não chegam à sala de aula, ignorados pelo Centro de Referência, pela escola e, até mesmo para a família, permanecem estocados, vivos para essas meninas, mortos para aquelas que medeiam as práticas de leitura.

No caderno-agenda, o principal suporte utilizado pelas meninas em casa, as meninas constituem-se leitoras de seus próprios escritos. O ato de escrever para ler seus próprios escritos denuncia a luta pela posse da escrita que lhes é negada no Centro de Referência e na esco- la. Essa autoria de escritos mostra que as meninas afirmam-se como sujeitos no processo de escrever e de ler, usam táticas de leitura de

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não submissão às maneiras de ler que vêm sendo a ela impostas. Na ausência de escritos para suas leituras, produzem seus próprios escritos no cotidiano. Escrevem para ler.

A cartilha Caminho suave, um dos suportes mais utilizados no exercício diário de leitura, impõe treinos diários de leitura a que as meninas prontamente obedecem, motivadas pelo desejo de se apo- derar da escrita. As mães, motivadas a enfrentar o desafio de vê-las alfabetizadas, reproduzem as maneiras de ler que aprenderam na escola de sua época. No jogo de palavras desconexas da pseudolíngua que consiste a cartilha, as meninas estão aprendendo que ler e escrever é reconhecer marcas gráficas e reproduzem essas maneiras de ler em seus gestos de leitura.

Jane, Dânia e Andréa estavam aprendendo que escrever é cifrar e ler é decifrar o escrito por meio de um código alfabético. Ao analisar seus gestos de leitura poder-se-ia afirmar que as situações de leitura nas escolas de ensino regular e nos Centros de Referência não atendiam suas necessidades de inclusão na cultura escrita.

As práticas de leitura no

Benzer Belgeler