No eixo das discussões acerca do desenvolvimento dos repositórios institucionais, em 2005, o IBICT lançou o Manifesto de Acesso Aberto à Informação
Científica25 no qual propõe a sensibilização da comunidade científica e tecnológica
do país em defesa do acesso livre. Por se configurar como um tema relativamente novo, a publicação desse documento define a intenção do IBICT em divulgar as iniciativas do acesso livre. Do texto do Manifesto, destacamos:
Com o surgimento das novas tecnologias da informação e da comunicação, diversos paradigmas estão mudando. Isso porque essas tecnologias facilitam o acesso à informação científica, promovendo o surgimento de novas alternativas para a comunicação científica. A Open Archives Initiative (OAI) é um exemplo disso. Esta iniciativa estabelece, além de padrões de interoperabilidade, alguns princípios e ideais, como o uso de software open source e o acesso livre à informação. (MANIFESTO, 2012, p.1)
Nos âmbitos político e legal, essa iniciativa entrou na pauta das discussões, em 2007, quando o deputado federal Rodrigo Rollemberg, hoje senador da república, submeteu à Comissão de Ciência, Tecnologia, Informática e Comunicação da Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 1120/2007. Essa proposta tinha como objetivo instituir os repositórios institucionais de acesso livre nas universidades e institutos de pesquisa públicos brasileiros, além de tornar obrigatório aos pesquisadores dessas instituições o depósito de sua produção publicada em periódicos científicos.
Após quatro anos de trâmites, o referido PL foi arquivado em atendimento ao regime interno da Câmara, sem direito a desarquivamento. Posteriormente, um novo projeto de lei foi elaborado e apresentado à Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação Comunicação e Informática do Senado Federal, o PLS 387/201126.
Em 2011, o senador Cristovam Buarque (PDT/DF) foi designado como relator do PLS 387/2011. Em maio de 2013, o senador João Capiberibe (PSB/AP) foi designado como o novo relator da Comissão de Educação, Cultura e Esporte.
25 Ver quadro V.
26PLS - PROJETO DE LEI DO SENADO, Nº 387 de 2011. Disponível em: <http://www.senado.gov.br/atividade/materia/detalhes.asp?p_cod_mate=101006>. Acesso em: 20 jun. 2013.
O projeto dispõe sobre o registro e disseminação da produção técnico- científica pelas instituições de educação superior, bem como as unidades de pesquisa no Brasil e dá outras providências. A proposta da nova lei é promover o acesso livre à produção científica brasileira, maximizando a visibilidade, uso e impacto das pesquisas, além de promovê-las em âmbito internacional e sinalizar para clara política de inovação e valorização da pesquisa científica nacional.
No intuito de alcançar as metas delineadas para a efetivação das propostas do movimento de acesso aberto à informação, destaca-se a implantação da via dourada e da via verde, estratégias que refletem as seguintes características:
A via dourada diz respeito à produção e ampla disseminação de periódicos eletrônicos de acesso aberto na rede. Ao publicarem em periódicos de acesso aberto, os pesquisadores potencializam a comunicação científica, já que esta via possibilita a ampliação do diálogo entre os seus pares. As barreiras econômicas enfrentadas pelos centros de pesquisa e unidades de informação desaparecem, e é possível estabelecer um fluxo direto de comunicação de novidades que podem vir a representar importantes avanços científicos.
A via verde trata da criação de repositórios institucionais para a organização e disseminação da produção científica das instituições de pesquisa. Nos repositórios institucionais tanto é possível o armazenamento e difusão de artigos de periódicos científicos eletrônicos, quanto de outros documentos científicos, tais como teses e dissertações, que são avaliados pelos pares. (LEITE, 2009, p.8).
Nesta subseção, abordaremos, especificamente, as perspectivas da via verde que envolvem a criação e a gestão de repositórios institucionais, os quais podem ser definidos como sistemas de informação que têm como objetivos a gestão e a disseminação do conhecimento, permitindo visibilidade imediata aos pesquisadores de uma instituição, ampliando o impacto das investigações, além de preservar a memória intelectual.
De acordo com Marcondes (2009, p.9), os repositórios são ferramentas essenciais para um sistema brasileiro de acesso livre à informação científica, configuram-se como “[...] uma biblioteca digital destinada a guardar, preservar e garantir livre acesso via internet à produção científica no âmbito de uma dada instituição”.
A adoção e o uso das funcionalidades de um repositório institucional proporcionam uma série de benefícios para pesquisadores, administradores
acadêmicos, bibliotecários, chefes de departamentos e toda a comunidade científica, contribuindo de forma significativa na gestão do conhecimento produzido pelas instituições de ensino e pesquisa. Acreditamos que a definição e o desenvolvimento de uma política institucional de informação27, adequada à realidade de cada instituição, permitirá a disponibilização de conteúdos através do RI e a sensibilização da comunidade acadêmica para a preservação e divulgação de sua produção intelectual.
À medida que colaborações científicas em grande escala tornarem- se a norma, os cientistas cada vez mais dependerão de métodos distribuídos para coletar dados, verificar descobertas e testar hipóteses, não apenas para acelerar os processos, mas também para aperfeiçoar a veracidade do próprio conhecimento científico. A publicação rápida, interativa e de acesso aberto vai envolver uma parte muito maior da comunidade científica no processo de análise por peering28. (TAPSCOTT; WILLIAMS, 2006,p.163)
O projeto dos repositórios institucionais, como descrito na seção introdutória desta dissertação, é posterior à proposta das bibliotecas digitais e tem como objetivo a implantação de um portal, semelhante ao da BDTD, que contenha toda a produção acadêmica considerada de valor científico pela instituição. O software de gerenciamento dos repositórios é o DSPACE, o qual foi traduzido para a Língua Portuguesa e disponibilizado pelo IBICT. Quanto a sua atuação, esse programa:
[...] gerencia e preserva objetos digitais fornecendo facilidades de recuperação. Nesse caso, cada instância do DSpace é um serviço de informação que disponibiliza aos seus usuários documentos digitais de forma facilitada, formando assim uma grande rede de serviços de informação. (SHINTAKU; MEIRELLES, 2010, p.19)
O uso dessa tecnologia no gerenciamento dos repositórios institucionais possibilita o depósito, o arquivamento e a disseminação de outros conteúdos de natureza acadêmico-científica produzidos por membros da instituição além dos disponibilizados pela BDTD. Nesse sentido, a política institucional de informação definirá os parâmetros da gestão do repositório institucional.
27O IBICT disponibiliza às instituições um modelo de política institucional passível de adaptação. 28
Peering é um esforço colaborativo, seja de pessoas ou organizações, onde cada parte contribui
voluntariamente e de forma aberta para a formação de determinado conteúdo. Essa definição é mais adequada para sua utilização no tráfego de dados na Internet, significando uma interconexão onde as partes envolvidas não necessitam de um acordo explícito. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Peering>. Acesso em: 10 jun. 2013.
Destacamos que as condições favoráveis à implantação do projeto de repositório institucional, na UFPB, são a existência da BDTD/UFPB e de outras iniciativas como o Portal de Periódicos Científicos da UFPB, ambos os projetos, têm como filosofia o Open Access – Acesso Aberto, e, respectivamente, estão em consonância com as estratégias de ação das vias verde e dourada.