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Ekonomiyi Sektörlere Ayırmanın Gerekçeleri

Se malhar parece ser uma atividade central na vida das mulheres entrevistadas e se elas têm clareza do corpo que querem alcançar e do corpo veiculado como ideal, cabe nos perguntar qual o papel que os cuidados com o corpo têm no processo de construção da auto- estima feminina. Percebi que para a maior parte das entrevistadas, “malhar” foi uma espécie de divisor de águas entre gostar ou não gostar do corpo, levando muitas mulheres a mudar a percepção de si e investir ainda mais nos cuidados estéticos, como alimentação, massagens, drenagem linfática e até cirurgias plásticas. Muitas entrevistadas, antes de começarem a “malhar” estavam num processo de abandono do corpo, não se importando muito com roupas, recusando convites para sair, descuidando da alimentação e até mesmo, por estarem infelizes, apresentando um certo mal-humor no trato com as pessoas, como comentou uma das entrevistadas, Mulher 24, “era assim, eu me sentia mal, como eu te falei, eu não queria sair

na rua, porque eu tinha engordado muito, eu não queria mais sair, ficava de mal-humor, hoje não”.

Gráfico 20 - Exercício e auto-estima

Você acha que fazer exercícios mudou a sua auto-estima? 3% 1% 33% 63% não um pouco muito não respondeu

Segundo o gráfico 20, a prática de exercícios regulares interfere bastante na auto – estima. Para 63% ela influi na auto-estima. Para 33% ela influi um pouco. Somente 3% responderam que não.

Embora 33% da amostra tenha assinalado que a “malhação” interfere apenas um pouco, nas entrevistas ficou claro que isto se deve, em parte, ao fato das mulheres não terem alcançado o padrão corporal que desejavam e menos da importância que estas atribuíam ao corpo.

Vejamos o que as entrevistadas dizem a respeito da relação entre malhação e auto- estima:

“Claro, porque um corpo bonito melhora a sua auto-estima e aí você reafirma a sua identidade, você tem mais vontade de aparecer, de estar entre as pessoas, mesmo de se mostrar, né, entre aspas” (Mulher 2, 31 anos)

“Muda, com certeza, muda muito a auto-estima. Se você está se sentindo bem com você, se você está se sentindo bem com o seu corpo você fica muito mais bonita, acorda mais feliz, quando você olha no espelho e você está se sentindo bem esteticamente, você se sente melhor, com certeza. Então você muda, você fica mais feliz, você dorme melhor” (Mulher 24, 18 anos).

“A roupa cai melhor, sem dúvida. Se você está gorda, nada fica bem, agora não, qualquer coisa está bem. Se você põe uma calça, uma blusa, tudo cai bem então você se sente bem, e isso faz com que interiormente você se sinta bem, qualquer coisinha que você faz por fora melhora por dentro, por incrível que pareça” (Mulher 69, 45 anos). “Você se sente em forma novamente, se esforça. Eu tenho 54 anos e o corpo muda muito e os exercícios ajudam a modelar... Você começa a vestir roupas que você não vestia mais não . Isso dá uma levantada boa. Mexe muito com a auto estima...” (Mulher 31, 54 anos).

“Corpo e auto-estima? Pra mim é essencial. Eu gosto, e eu gosto de me ver bem pra mim, para os outros, assim, não me interessa. Se gostam ou não pouco me importa, cada um tem a sua imagem das outras pessoas” ( Mulher 37, 33 anos).

“Ah, sem dúvida, a auto-estima é diretamente proporcional à beleza física e à qualidade de vida.” (Mulher 44, idade não declarada).

“A ginástica me deixa mais confiante, eu me sinto bem fazendo ginástica, então isso acaba refletindo em mim” (Mulher 64, 39 anos).

“É muito importante, você se olhar no espelho e se sentir bem, você tem que se gostar, eu acho que foi um começo maravilhoso você se sentir bem com o seu corpo (...) Melhorou a auto-estima. Mas o que melhorou mesmo foi a plástica” (Mulher 55, 44 anos).

“Eu me sinto muito bem quando eu faço exercício, me sinto mais bonita quando eu consigo atingir o meu objetivo, eu acho que influencia. Me faz bem, eu me sinto melhor, me encaixo neste padrão que foi e é imposto, massificado” (Mulher 9, 27 anos).

Ainda com relação a auto-estima, 84% das entrevistadas afirmaram que passaram a gostar muito mais de si a partir da hora que ingressaram na academia de ginástica e que isto as influenciou a cuidar da aparência de modo geral. É como se a prática regular de exercícios físicos tivesse alavancado outros cuidados com o corpo:

Nas falas esta associação fica evidente:

“Nossa, muito, é assim, antes eu odiava academia, e... tava bem, e me sentia bem com o corpo e depois eu fui, fui comparando, fui olhando e fui vendo que não tava legal, muita gordura, tô com uma alimentação errada, então assim, depois que emagrece você se acha linda, maravilhosa, se até se cuida mais, eu passei a me cuidar mais depois que eu emagreci. Mudou totalmente os cuidados com o corpo, passei a fazer drenagem linfática, passei a cuidar mais da pele, passar protetor solar, fiz dieta, tive uma reeducação alimentar, eu não como muita gordura, como pouquíssima gordura, como muita fruta, muito cereal, muita coisa integral, mudei radicalmente, até porque tava me sentindo bem,

Gráfico 21 - Interferência da malhação nos cuidados corporais interferência da malhação na auto-imagem e nos

cuidados com o corpo

1% 84% 1% 14% não interfere interfere um pouco interfere muito não respondeu

então você vê que muda, você fala bom, vou mudar totalmente, então mudou muito os cuidados, muito, mudou muito mesmo” (Mulher 49, 27 anos).

“Sim, eu acho que influi bastante. É o que eu digo, hoje eu me gosto mais do que antigamente eu acho que por isso eu gosto muito de malhar, eu acho que a minha auto- estima se elevou muito desde que eu comecei a fazer diariamente, eu acho que influi bastante, mudou até a alimentação” (Mulher 1, 30 anos)

“Muito! O meu corpo tem vários defeitos, até por causa da idade, mas eu gosto muito mais dele hoje do que quando eu tinha 18 anos. Quanto mais eu faço atividade física, mais tenho vontade de investir no meu corpo, seja na alimentação, seja em tratamentos estéticos. Sinto-me mais magra, mais malhada e isto dá mais auto-confiança na gente, pra se expor, usar roupas mais justas, mostrar a barriga e mesmo se cuidar mais” (Mulher 68, 34 anos)

“Antes de fazer ginástica eu era meio largada, me achava feia, caída, nem vontade de comprar roupa eu tinha. Depois que comecei com a ginástica, fui vendo que dava pra melhorar minha aparência, comecei a fazer drenagem linfática, a me cuidar mais, até no banho, usar bucha vegetal pra diminuir a celulite. Mudou muito, e pra melhor” (Mulher 70, 30 anos).

O que podemos apreender das falas transcritas? Bem, em primeiro lugar, que quase todas as entrevistadas associam malhação e auto-estima, com exceção de duas entrevistadas, Mulher 57, que prefere ficar mais à vontade porque vê o corpo como um instrumento para o lazer e Mulher 52, que não gosta de atividades físicas, mas que também associa a auto-estima ao corpo. O que muda é apenas o mecanismo – tratamentos estéticos e plásticas – para alcançar esta satisfação consigo mesma. Todas as outras afirmam que fazer exercícios físicos faz com que elas se sintam mais bonitas, para si próprias, para os companheiros e para a sociedade em geral. Olhar-se no espelho e gostar da imagem refletida, sentir-se bem ao vestir uma roupa, perceber o corpo tomando nova forma depois das gestações faz com que as mulheres se sintam mais confiantes, e, como ressalta Proust, “a reabilitação do corpo

certamente constitui um dos aspectos mais importantes da vida privada. Com efeito, ela modifica a relação do indivíduo consigo mesmo e com os outros” (Proust, 1993: 102). Sentir-

se bem consigo mesma torna-se questão de honra, e fazer exercícios é um mecanismo fundamental neste processo, que dá à mulher nova identidade, na medida em que a percepção de si mesma é indissociável da relação com o corpo. Mesmo quando as entrevistadas não salientam questões estéticas como centrais para a auto-estima, reforçam que fazer exercícios

melhora a auto-estima por liberar hormônios, gerando assim uma sensação de prazer e de satisfação consigo mesma.

Mas, se houve uma reabilitação do corpo na construção da auto-estima, significa que no passado esta importância podia ser menor. Cabe-nos perguntar, então, o que mudou, e como mudou.