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4.TÜRKİYE’DE TURİZMİN NİCEL YAPISI

5.2. TURİZM TALEBİNİ ETKİLEYEN FAKTÖRLER

5.2.1. Ekonomik Faktörler

A mídia é um importante agente social, diretamente relacionada ao direito à comunicação e à informação. Podemos entender o conceito de mídia como o conjunto de instituições que utilizam tecnologias específicas para produzir a comunicação humana. Nesse caso, a mídia iria sempre implicar a existência de um aparato técnico, tecnológico, que teria o papel de intermediar a comunicação (LIMA, 2006, p. 53).

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), considerando o relevante papel social desempenhado pela mídia, elaborou uma série de definições que podem ser a ela atribuídas, dependendo da função por ela desempenhada num caso concreto em um determinado grupo social. Nesse sentido, a UNESCO (2010) considera a mídia:

Um canal de informações e educação pelo qual os cidadãos e as cidadãs podem comunicar-se entre si um difusor de matérias, ideias e informações

Um corretivo para a assimetria natural da informação entre governantes e governados e entre agentes privados concorrentes

Um mediador do debate bem fundamentado entre diversos atores sociais, estimulando a resolução de conflitos por meios democráticos

Um meio para o autoconhecimento da sociedade e para a construção de um espirito de comunidade; um meio que molda a compreensão de valores, costumes e tradições Um veículo para a expressão cultural e coesão cultural dentro e entre as nações

Uma entidade de fiscalização do governo em todas as suas formas, promovendo a transparência na vida pública e o escrutínio público dos detentores do poder por meio da exposição da corrupção, da improbidade administrativa e dos crimes de iniciativa privada

Um instrumento para aumentar a eficiência econômica

Um mediador essencial do processo democrático e um dos garantidores de eleições livres e justas

Um legítimo defensor e ator social, respeitando valores pluralistas. É igualmente evidente que, por vezes, a mídia pode prestar-se para reforçar o poder de interesses particulares e exacerbar desigualdades sociais, ao excluir vozes críticas ou marginalizadas. A mídia pode até promover o conflito e a segregação social (UNESCO, 2010) 18.

A supracitada entidade internacional, reconhecendo a nobreza que a comunicação pode ser exercido através dos meios de comunicação mundiais, considerou a necessidade de haver independência e imparcialidade no ofício comunicativo dessa mídia mundial. No entanto, devido a influências dos mais variados tipos, diversas deturpações foram feitas no papel social desses veículos de comunicação que inicialmente objetivavam promover a livre difusão de informações, de conhecimento e de entretenimento.

Assim, diversos agentes políticos e econômicos, visualizando na mídia um importante aliado em sua busca por dinheiro e poder numa sociedade, num contexto em que, na dinâmica capitalista do mercado essa grande mídia também teria assumido elementos igualmente empresariais, realizaram com ela uma aliança bastante perigosa para o resto do todo social, uma aliança que, ao objetivar o lucro a todo o custo, passou a restringir a própria liberdade da massa espectadora, na medida que a transmissão de informações passa a ocorrer de modo filtrado, no qual seriam divulgadas apenas informações favoráveis a essa aliança formada pela grande mídia com o grande capital.

Assim, entendemos que grande parte dessa mídia global, desvirtuada do papel social de permitir a todos um livre acesso à informação, buscou reforçar o seu próprio poder e o de seus aliados, distanciada do papel emancipatório que uma livre circulação de ideias e de experiências poderia representar, longe de ser democrática e participativa, mas se revelando autoritária e parcial.

18 UNESCO. Indicadores de Desenvolvimento da Mídia: Marco para a avaliação do desenvolvimento dos meios de comunicação. Disponível em: < http://unesdoc.unesco.org/images/0016/001631/163102por.pdf>. Acesso

Thompson (2008, p. 21) aborda quatro tipos de poder exercidos pela grande mídia na sociedade moderna, que seriam os poderes desenvolvidos por essa poderosas entidades nos âmbitos econômico, político, coercitivo e cultural. Partindo da proposta de classificação apresentada pelo autor, destacamos o poder econômico e o poder político adquirido por essa grande mídia.

Essa concentração de poder se torna perigosa até mesmo para as instituições democráticas das sociedades que sofrem sua influência, pois, em sua sede de poder, esses poderosos meios de comunicação seriam capazes de, até mesmo, apoiar regimes autoritários ou ditatoriais, num paradoxo que lhes concedessem privilégios políticos ou econômicos em troca. Nesse caso, essa gananciosa parte da mídia se tornaria contrária à própria liberdade de expressão que permitira a sua existência. Nesses casos, utilizando-se o filtro de informações desses grandes veículos de mídia, tais governos buscariam usar a opinião pública controlada por essa mídia de modo a se legitimar socialmente.

A respeito dos processos de transformação implementados na segunda metade do século XX, que repercutiram nas mudanças da relação entre esses agentes da comunicação e os demais grupos da sociedade mundial, com intensos reflexos na política e na, o autor Dominique Wolton (1999, p. 368) dispõe:

Que devemos entender por comunicação? Essencialmente quatro fenómenos complementares, que vão muito além do que entendemos por comunicação, identificada com os média. A comunicação é, em primeiro lugar, o ideal de expressão e de troca que está na origem da cultura ocidental e, consequentemente, da democracia. Pressupõe a existência de indivíduos livres e iguais. Adivinham-se as terríveis batalhas levadas a cabo desde o século XVII para estabelecer estes conceitos inseparáveis do conceito de modernização. É, também, o conjunto dos média de massas que, da imprensa, à rádio e à televisão transformaram consideravelmente, no espaço de um século, as relações entre a comunicação e a sociedade. É, igualmente, o conjunto das novas técnicas de comunicação que, a partir da informática, das telecomunicações, do audiovisual e da sua interrelação vêm, em menos de meio século, modificar as condições de troca, mas também, de poder a nível mundial. São, enfim, valores, símbolos e representações que organizam o funcionamento do espaço público das democracias de massas e, de maneira mais geral, da comunidade internacional através da informação, dos média das sondagens, da argumentação e da retórica. Quer dizer, tudo o que permite às colectividades representar-se, entrar em relação com as outras e agir sobre o mundo (WOLTON, 1999, p. 368).

Na sociedade de espetáculos, o papel dos meios de comunicação em massa assume grande importância, sendo um aspecto que pode ser destacado na compreensão desses espetáculos como fenômeno mundial. Através da grande mídia e da mobilização social por ela realizada é que tais

eventos assumem tamanhas proporções, que, conforme o que estabelecemos anteriormente, permitem a classificação desses eventos como “mega”.

Através de uma mídia mundializada, um cidadão que almoça em Londres assistindo a uma partida de futebol vê a mesma partida que é transmitida “ao vivo” para alguém que, àquela hora, está tomando seu café-da-manhã em Bogotá; na pausa para um cafezinho em Fortaleza; lanchando nas ruas da Cidade do Cabo; saindo do trabalho em Dubai ou, quem sabe, jantando num restaurante na cidade de Tóquio.

Mas esse espectador, ao obter seu entretenimento nesses eventos não tem acesso somente às partidas esportivas que são exibidas, pois também é submetido aos anúncios publicitários que nelas são veiculados, com os atraentes comerciais dos produtos de parceiros comerciais da organização dos eventos e daqueles que são veiculados pela mídia ao longo de suas programações, num contexto em que as milhões ou até bilhões de pessoas são encaradas como potenciais consumidoras de produtos idênticos, em anúncios que muitas vezes são somente adaptados pelas empresas no que se refere à língua falada por cada público-alvo, o que significa uma padronização do consumo mundial.

Através dos avanços técnicos no setor das telecomunicações, os megaeventos esportivos puderam ter seu potencial de mobilização acentuado, de forma que passaram a atingir, consequentemente, um maior número de pessoas, o que acarretou o aumento do número de consumidores-alvo do aparato publicitário que financia e lucra com esses espetáculos.

A respeito da importância do lucrativo mercado de megaeventos esportivos para a mídia mundial, para o qual ela representa um importante agente de sua viabilização como fenômeno global de massas, Klein (2007, p. 59), sistematizando dados que refletem uma progressiva evolução da importância da cobertura televisiva para a ocorrência das Copas do Mundo FIFA, utilizando-se de dados referentes às edições da Espanha (1982), Itália (1990), França (1998), Coréia do Sul e Japão (2002) e Alemanha (2006), elaborou o gráfico que ora destacamos:

GRÁFICO 01

Quantidade de horas dedicadas à cobertura da Copa do Mundo FIFA pela mídia televisiva mundial

Fonte: Klein, 2007, em Megaeventos Esportivos, Legado e Responsabilidade Social, p. 59.

Analisando a importância do megaevento Copa do Mundo para a mídia global, verificamos que a progressiva elevação da quantidade de horas dedicadas à cobertura de tal evento nas programações da mídia televisiva está diretamente relacionada a uma também crescente obtenção de lucros com por essa mesma mídia em cada edição do megaevento.

A evolução da relação entre os megaeventos esportivos e a mídia mundial, com destaque para as edições da Copa do Mundo FIFA e para os Jogos Olímpicos de Verão, além de fortalecê- los como grandes acontecimentos do calendário esportivo internacional, no sentido de intensificar sua mobilização social, sua repercussão internacional e seus consequentes reflexos econômicos, propiciou a esses grandes meios de comunicação o seu próprio fortalecimento.

Tal fato se deveu aos reflexos econômicos advindos dos elevados lucros advindos da venda de espaços publicitários, seja nas programações televisivas ou em anúncios de websites, jornais ou revistas. O fortalecimento dessa mídia mundial também ocorreu no ponto de vista simbólico, com o prestígio de exibir tais megaeventos para seus próprios países significou um grande prestígio para as “emissoras oficiais” espalhadas pelo mundo, de modo a fortalecer seu poder em relação a suas concorrentes.

Nesse contexto, outro fenômeno que poderíamos destacar como reflexos do poder adquirido por essa mídia na modernidade seria a monopolização da informação pública resultado da aquisição de veículos de comunicação menores pelos grandes conglomerados de mídia. Avançando nesse processo de concentração, grandes fusões e aquisições ocorreriam entre os próprios conglomerados de mídia, o que trouxe como consequência a formação de verdadeiros

impérios da mídia mundial, que juntos passaram a controlar não só as notícias, o esporte, e o entretenimento, mas a própria opinião pública mundial, que seria informada, entretida e também alienada por esses grandiosos grupos de empresas.

Ilustrando esse processo de múltiplas fusões e aquisições do mercado da mídia, Ramonet (2001) discorreu sobre o processo mundial de concentração de empresas de mídia, sobre o processo de concentração dessas vozes que passaram a comunicar de forma uníssona os mais relevantes fatos políticos, econômicos e sociais ocorridos mundialmente, num contexto em que a formação de tais monopólios se mostrou bastante prejudicial à própria liberdade de circulação de informações:

A América Online tornou a comprar a Netscape, a revista Time, a Warner Bros e a cadeia de informação CNN; a General Eletric, a maior empresa mundial pela sua capitalização em bolsa, apossou-se da rede NBC, a Microsoft de Boll Gates reina sobre o mercado de softwares, quer conquistar o de jogos eletrônicos com o seu console X-Box e, através da sua agência Corbism domina o mercado do fotojornalismo; a News Corporation de Rupert Murdoch, tomou o controle de alguns importantes jornais britânicos e americanos (The Times, The Sun, The New York Post), possui uma rede de TV por satélite (BskyB), uma das cadeias dos Estados Unidos (Fox), além de uma das principais produtoras de filmes (20th Century Fox) (RAMONET,2001)19.

Dessa forma, tais gigantes da comunicação mundial, refletindo a emergência de uma nova mídia que buscou reforçar seu poder nos mais diversos âmbitos, ao se relacionar com o fenômeno igualmente mundial dos megaeventos esportivos, buscaram, além de obter os altos lucros com essa associação, reforçar seu poder e seu prestígio internacionalmente.

Nas sociedades que acolhem eventos de tamanha magnitude, a mídia assume ainda um outro papel, relacionado à legitimação de tais eventos nessas localidades. Através de alianças feitas com a organização desses eventos, com as grandes empresas a ela relacionadas, e com os dirigentes políticos das localidades em que ocorrem tais espetáculos, a mídia cumpriria a função de destacar seus aspectos positivos de sua realização, de modo que, utilizando-se de toda a sua influência, inseriria na população os seus valores e os de seus parceiros econômicos e políticos.

Ao alienar essa massa de espectadores-consumidores de tais espetáculos esportivos, essa poderosa mídia, esse “quarto poder”, forjando um clima festivo, receptivo e amigável, cumpriria

19 O sociólogo e diretor da versão espanhola do jornal Le Monde Diplomatique, Ignacio Ramonet, analisa o processo

de concentração da mídia mundial e seus perigos para a liberdade de fluxo de informações. No editorial La Tyrannie de la communication, Folio Actuel nº 92, Paris, 2001, aborda a formação dos grandes conglomerados de mídia, o que ele qualifica como um processo de “construção de impérios”. OS NOVOS imperadores da mídia. Le monde

diplomatique Brasil. Paris, 2001. Tradução Jô Arnaldo. Disponível em: <http://www.diplomatique.org.br/acervo

a função de mascarar ou de omitir os mais diversos impactos que são provocados na sociedade, na política, na economia, no direito, e em diversas outras áreas dessas localidades anfitriãs.

2.3. Os objetivos pretendidos com a realização de megaeventos esportivos por seus países-