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1.7 Yaşlılıkta Bakıma ve Yardıma Muhtaçlık Problemi

1.7.2 Ekonomik Bağımlılık

Wisner foi um médico e um dos fundadores da ergonomia francesa. Dirigiu o laboratório de ergonomia do “Conservatoire National des Arts et Métiers” (CNAM) e foi presidente da “Sociéte d’ergonomie de langue française” de 1969 a 1971. Fundou, em 1955, o primeiro serviço de ergonomia da Renault e, em 1962, tornou- se professor do Laboratório de Fisiologia do trabalho do CNAM. Deixou uma imensa contribuição ao desenvolver uma singular abordagem da ergonomia, aproximando-a dos atos reais de trabalho, centrando o olhar sobre a atividade e afirmando que o

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Le médecin Oddone confirme, dans son approche expérimentale des questions du travail, ce que le

trabalho e a saúde no trabalho não podem ser estudados somente em laboratório. No CNAM, criou um dispositivo de ensino inovador chamado “Ergonomiste plein- temps”, permitindo a obtenção de qualificação universitária em ergonomia em apenas um ano, o que possibilitou a formação de um grande público, de sindicalistas a estudantes estrangeiros.

As questões do trabalho impostas pela informatização já eram trabalhadas por Wisner no final dos anos 1970. O autor foi inovador também no desenvolvimento da interface entre ergonomia e antropologia, disciplina que intitulou “antropotecnologia”, publicando em 1985 sua primeira obra sobre o tema intitulada: Quand voyagent les usines (Wisner, 1985). Nesta obra ele aborda os fracassos das transferências de tecnologia que ignoram os aspectos sociais e culturais dos países de implantação e propõe que a condução dos projetos deve incluir os estudos das dimensões antropológicas.

Schwartz (2007) interroga-se sobre o sentido subjacente à noção de atividade desde Platão, passando por Descartes, Arristóteles e Kant. O autor afirma que é com a psicologia soviética de Vygotski e Léontiev, na tradição da conceitualização marxista, que o termo é reelaborado e ganha força, tendo sido reapropriado, nos anos 1970, pela ergonomia, que passa a se distinguir como “ergonomia da atividade”. Sua figura principal é Wisner.

É atribuída à ergonomia da atividade a descoberta da distância entre trabalho prescrito e trabalho real. Anos atrás, um grupo de ergonomistas, ao observar postos de trabalho extremamente taylorizados, haviam descrito pela primeira vez a existência da ineliminável distância entre esses dois campos. A noção permitiu o lançamento de uma campanha intitulada “batalha do trabalho real”, com o objetivo de defender sua inclusão em propostas de ações no campo do trabalho humano. O trabalho prescrito é entendido como a tarefa concebida, decomposta, que compõe as obrigações impostas pelos que comandam a execução. Já o trabalho real remete- nos ao conteúdo da atividade efetivamente posta em ato e que torna possível a execução da tarefa (SCHWARTZ, 1988, p. 30).

Com Alain Wisner (1995), a ergonomia de origem francesa colocou em evidência no trabalho o que chamamos a distância entre o prescrito e o real. É uma primeira etapa para compreender a atividade como um debate de normas. (DURRIVE, 2011, p. 50).

O reconhecimento da distância entre trabalho prescrito e real é o centro da contribuição do que Wisner deixa para a ergologia, permitindo uma prática que é, se podemos chamá-la clínica, excêntrica e inovadora ao buscar promover a saúde humana tendo como foco a atividade de trabalho enquanto lugar sempre singular. A visada clínica exige a tomada de consciência da distância entre trabalho prescrito e real e a proposição conjunta de trabalhadores e ergonomistas sobre formas mais saudáveis de se conceber um trabalho.

É relendo essa distinção que Schwartz, na démarche da ergologia, desenvolve as noções de normas antecedentes e de renormalização, junção das contribuições de Wisner, Odonne e Canguilhem. Se a saúde, como vimos com Canguilhem, é entendida como a capacidade de estabelecer novas normas enfrentando as adversidades das normas impostas pelo meio, essa atividade vital se faz sempre presente também nas atividades industriosas. A relação entre norma antecedente e renormalização traz para o universo ampliado das atividades humanas o fenômeno observado na distinção entre trabalho prescrito e trabalho real.

O exemplo que Durrive e Schwartz (2008, p. 27) apresentam sobre renormalização toca um ponto importante: “a linguagem é na atividade um esforço de singularização do sistema normativo que é a língua”. Ela é apenas uma parte daquilo que, em ergologia, se entende por atividade, já que as normatividades com as quais toda vida tem que lidar em suas renormalizações não se restringem àquelas impostas pelo uso da língua enquanto sistema normativo.

Podemos pensar a atividade como uma espécie de materialização de um impulso de vida que se manifesta nas renormalizações das restrições do meio (físico, químico, biológico, social, individual, subjetivo, cultural, histórico, etc.), integrando em ato todas as partições que o conhecimento humano produziu na tentativa de compreender a vida. Nesse contínuo combate da vida para manter e promover seus próprios valores, a atividade mostra-se um momento de mediação entre individual e coletivo, conceito transgressor que tende a reagregar a dimensão de unidade do humano e que, por isso, penetra em todas as suas dimensões, não podendo, contudo, ser propriedade de uma só disciplina científica, pois “cada apropriação exclusiva seria, em algum lugar, mutilação”49 (SCHWARTZ, 2007, p.

131, tradução nossa).

Foi na busca de uma noção do lugar que serve de suporte a essas dinâmicas normativas da vida com o meio que a démarche ergológica, partindo do conceito de atividade e mantendo o foco nos meios de vida especificados como meio de trabalho, elaborou a noção de corpo-si: “unidade enigmática da experiência humana, ao mesmo tempo corpo biológico e ponto de confluência espiritual dos valores do viver humano” (SCHWARTZ; ECHTERNACHT, 2009, p. 32).

Com a concepção de dramáticas do uso, sempre associada a esse corpo-si, são postos em evidência os debates sobre normas, renormalizações, arbitragem, microescolhas que o corpo-si realiza na atividade industriosa, entre o uso que faz de si e o uso que dele é feito. Com as dramáticas do uso de um corpo-si, quer-se destacar não só a dimensão supostamente subjetiva desse uso, mas também aquelas nem sempre subjetivadas, que se expressam nas posturas, nas mímicas, no gestual, nas formas de se relacionar com o outro. Trata-se de uma noção que busca englobar todos os atos que um corpo humano, no trabalho, põe em cena.

A distância aberta pela ergonomia entre o prescrito e o real do trabalho permitiu à ergologia aprofundar-se nessa faceta eminentemente clínica das dramáticas do uso do corpo-si, identificando-a na dimensão real da atividade humana sempre como exercício de uma renormalização da normatividade proposta pelo meio. Se o trabalho humano é, enquanto atividade industriosa, convocado como categoria central na ergologia para pensarmos as relações entre os seres humanos, é exatamente por apontar para a positividade de possibilidades dos usos do corpo-si em atividade. Circunscrever e fazer reconhecer que em toda atividade há um uso desse corpo-si permite à ergologia empreender uma proposta clínica de promoção de saberes sobre esses usos que, mesmo sempre provisórios, encontram sua força no reconhecimento da singularidade de seu valor performativo na atividade de cada indivíduo ou grupo no trabalho.

Benzer Belgeler