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3.5.3 Ekonomi ve Sosyal Hayat Ünitesindeki “Hiç Bitmeyen Destek” Adlı Konunun Müze ile Eğitim Etkinlik Planı

Rio Grande do Norte

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�uando se instalou em Ipueira se arvorava pela arte-técnica da fotograia, foi o primeiro fotógrafo oicial das duas cidades, tanto de Ipueira quanto São João do Sabugi. O ofício na marcenaria lhe permitiu adquirir a primeira máquina fotográica, tratava-se de um modelo Kapsa “box”, excelente câmera, com ilme 120, apenas uma lente (menis- co) no sistema de objetivas, e operação bastante simples. Enoque guardou por todo o tempo sua primeira máquina e relata o processo de aquisição do equipamento

Foi o seguinte, tinha um senhor com essa maquininha, era uma came- razinha bem simples. Aí ele vendia santo, trazido de Canindé, e eu fazia uns tamboretes, uns tamboretes com uma gavetinha embutida, porque trabalhei muito como marceneiro, aí ele me chamou para a gente trocar. Ele dava a máquina, eu o tamborete. A máquina custava 45, e eu voltava 5 do tamborete. Sei que nós izemos negócio. Tá aqui a maquinazinha; depois comprei outras máquinas a Zé Ezelino, ainda hoje os restos mor- tais – como se diz. E eu tô por aqui ainda batendo. E assim aprendi a fazer retrato. Eu num faço bem não, porque eu nunca tive estudo. Meu estudo foi esse assim de cabeça. Eu iz muita coisa em fotograia. Assim que comprei a máquina saí tirando foto em garimpo – ainda hoje tem muito ali. Eu vou tirando esses retratos. Eu nunca ganhei dinheiro com fotograia, fazia, gosto da arte [...].

(Documentário “Fotógrafos do Seridó”, 1998).

Em 01 de abril de 1948, aos trinta anos de idade, Enoque se casou com Floriza Nóbrega, em Ipueira, viveu com sua esposa até o último dia de sua vida, ela ressalta que só tem palavras de amor para Enoque: “nunca hei de esquecer aqueles momentos que passei ao seu lado, saudade não tem idade. Enoque, se você morresse primeiro do que eu icava como uma doida” (Entrevista concedida em junho de 2004).

O casamento dos dois parece ter sido estável e harmonioso, de modo que Flo- riza fala de Enoque com muita emoção e saudades, ressaltando que ele foi seu grande amor. Ela destaca as seguintes características do esposo: a docilidade, a serenidade, o cuidado com a família e a generosidade.

Os familiares, contemporâneos e amigos dizem que Enoque era bastante reser- vado, falava pouco e de um modo suave. Sobrancelhas arqueadas, olhos esverdeados, olhar esperançoso, profundo e plácido; tanto para sua esposa como para seu ilho, Eno- que foi uma pessoa que representava afetuosidade e simplicidade no viver, valorizando a arte de entalhar madeira, a família, a fotograia e os amigos.

O território familiar se revela como um sistema de relações, um horizonte inter-

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dependente no reconhecimento do próprio acervo. Da união com Floriza, teve dois ilhos, sobreviveu somente Riovaldo Nóbrega Neves, que nasceu em 1949. O segundo ilho do casal José Ronaldo Nóbrega Neves, nasceu em 1954 e morreu em fevereiro de 1955, aos seis meses de nascido, na residência do casal, em Ipueira.

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Enoque se interessou por quatro grandes domínios: agricultura, artesanato, fotogra- ia e política. Foi prefeito da cidade de Ipueira entre 1977 a 1982, pelo partido da ARENA, apoiava o ex-governador Dinarte Mariz. Em seu mandato realizou as seguintes obras: cons- truiu o prédio sede da prefeitura municipal; implantou o posto de comunicação da TELERN; construiu o colégio; calçou a rua principal; construiu um sistema de drenagem para a cida- de. A política pouco a pouco o afastou da fotograia.

Como prefeito passou a fotografar apenas internamente no Studio com ênfase nos closes frontais, peris masculinos e femininos, fotograias em 3x4; uma fotograia menos sinuosa, porque nela se ausentou o ritmo da vida de quando ele fotografava as pessoas no seu cotidiano, nas suas casas, feiras, moradias, marcando uma nova fase na vida desse fotógrafo, e/ou uma despedida discreta da fotograia. Mas, Enoque foi capaz de airmar sua relação com a fotograia “[...] nunca deixei a função da fotograia, mesmo eu sendo prefeito eu andava, nunca deixei meus serviços” (Documentário “Fotógrafos do Seridó”, 1998).

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Perto de morrer, arquivou todo seu acervo fotográico e doou as máquinas para sua neta. Fazia a manutenção do acervo e, com frequência, ia ao armazém da fotograia para hi- gienizar as caixas (limpando-as do cupim, retirando a umidade dos negativos) e arquivar os negativos, construindo, dessa forma, uma espécie de arquivo fundamental para a história da fotograia, como também aspectos que emblematizam toda uma sociedade.

O fato de Enoque arquivar todo o seu acervo recai naquilo que Kossoy (2001, p. 42) denomina de importante informação histórico-cultural da fotograia, por gerar uma orga- nização e sistematização próprias com a inalidade de difundir e preservar a memória his- tórica. “É em função dessa multiplicação da informação que a fotograia alcança sua função social maior”, diz o autor.

Amigos evidenciam que sempre o viam “mexendo” no seu acervo; para encontrá-lo iam ao armazém (onde funcionou seu Stúdio e laboratório fotográico), e lá estava Eno- que se encantando com as imagens, procurando fotograias, juntando séries de imagens, fazendo o trabalho de sistematização do seu acervo. Como numa espécie de procura por parcelas e níveis diferentes da fotograia (LEITE, 1998).

Foto: Enoque Neves

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Naquele lugar Enoque inventava e habitava outro mundo, recuperando outras for- mas de dizer do homem e seu estar no mundo, povoado de murmúrios e lembranças para além de todo real. Lá icava horas a io olhando suas caixas Kodak abarrotadas de negati- vos, receitas de preparação dos equipamentos, recados e encomendas de clientes, além dos manuais de fotograia.

As caixas estão todas cronometradas (nas tampas há a inscrição temporal do tipo 1942, 1943 [...], 1950, 1980), sendo possível acompanhar todo o percurso de produção, de- notando ainda, a necessidade de temporalizar tudo o que fotografou. Sobre esse valor histórico que atribuía ao seu acervo Enoque diz

Eu iz isso esperando que me servisse – eu guardei e cuidei desses materiais pensando que ia me servir, tenho a minha 1ª máquina, outras máquinas; out- ras máquinas que se quebrou, uma que o cupim comeu, tudo isso eu tenho guardado e tenho muita coisa. Filmes tanto de máquina lambe-lambe, como da outra mesmo. Todo arquivo está guardado, todo ilme batido eu tenho guardado, revelado. Agora tem uns que o cupim já comeu. E as máquinas velhas tudo eu guardo. (Documentário “Fotógrafos do Seridó”, 1998).

A ligação, a inseparabilidade, o cuidado e a sensibilidade com seu acervo era algo tão intenso que, no dia de seu faleci- mento, vinte e quatro de setembro de dois mil de dois, ocorreu de ir à casa de um vizinho entregar três negativos 6x6, em preto e branco – os encontrou naquela manhã em seu arquivo. A partida da casa com as fotograias foi também, despedida da vida. Mexeu com “retrato velho” até as 12 horas do dia 24 de setembro de 2002.

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Benzer Belgeler