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O GE consumiu 1,2g de gengibre na forma extrato seco 0,1% em cápsula durante 90 dias. Nesse mesmo período o GC recebeu placebo, com cápsulas idênticas às do gengibre, composto por celulose microcristalina MC-102. A posologia indicada foi 2 cápsulas de 600 mg/dia, 30 minutos antes do café da manhã e do almoço.

A opção pela dose, forma farmacêutica e posologia baseou-se nos ERC que avaliaram o efeito do gengibre no DM2, que utilizaram de 1,6 g a 4 g de gengibre em pó in natura na forma farmacêutica em cápsulas, com exceção do estudo de Azimi et al. (2015), que utilizou o pó do gengibre no chá preto.

Outro fator levado em consideração para a escolha da apresentação e posologia foi a segurança do paciente. Os estudos de toxicidade aguda e crônica dessa especiaria demonstraram a ampla segurança do consumo do gengibre, inclusive durante a gestação (RONG et al., 2009; HEITMANN; NORDENG; HOLST, 2013). Estudo de meta-análise utilizando cinco ensaios clínicos randomizados com o uso do gengibre apontou que apenas um participante de todos os estudos apresentou azia após a ingestão do gengibre, ratificando a segurança do seu consumo (DAILY et al., 2015).

Apesar de os estudos estrageiros comprovarem uma dose de segurança de até 6g/dia No Brasil, as dosagens máximas permitidas nas farmácias de manipulação para consumo diário são de 2g para o gengibre in natura e 1,2g para o gengibre extrato seco 0,1%. Desse modo, optou-se pelo gengibre extrato seco, no qual a dose diária foi distribuída em 2 cápsulas de 600mg ao invés do gengibre in natura, que teria sua dose diária dividida em 4 cápsulas. Fato que possivelmente implicaria problemas de adesão, conforme constado nos estudos de Araújo et al. (2011) e Tavares et al. (2016), que ratificam que o maior número de comprimidos por dia é fator para a não adesão do tratamento.

Quanto à dosagem, a ingestão de doses terapêuticas não causa efeitos colaterais. Acerca do gengibre extrato seco a 5%, considera-se dose terapêutica máxima de 250 a 1000 mg ao dia, dividida em 2 doses (TESKE; TRENTINE, 1995). Ademais, embora existam lacunas quanto à comparação do efeito entre o gengibre in natura e o extrato seco, a formulação extrato seco apresenta várias vantagens em relação pó in natura, como necessidade de menor espaço de armazenamento, estabilidade, facilidade na padronização e na uniformidade quantitativa do princípio ativo, melhor rendimento e o processo farmacocinético do produto (SILVA et al, 2012).

Basedo no supracitado, a escolha da intervenção foi previamente discutida com profissionais da área de saúde, incluindo enfermeiro com experiência no manejo do diabetes, endocrinologista e bioquímico com experiência em farmacologia.

O gengibre utilizado (zingiber officinale), da família zingiberácea, é de origem/procedência da China/Brasil, fabricado por uma índustria de insumos farmacêuticos autorizada pela ANVISA e demoninada Quimer, com identificação IVA: 5495-GENGIBRE EXT. PÓ P. SOLÚVEL 0,1%, com lote interno (Quimer): 5/1 e distribuído por uma indústria de insumos farmacêuticos com certificado do ANFARMAG.

Para produção da matéria-prima foi utilizado o rizoma, processado na forma de pó e o produto final foi o gengibre extrato seco 0,1%. Para obtenção da matéria-prima foi realizada uma extração com água como solvente e amido como excipiente. A secagem foi feita por spray dryer. Quanto aos aspectos físicos, a concentração do extrato em água foi de 33,51% e de álcool 0,89%.

A doseamento foi de 0,36% para gingerois totais (6-gingerol, 10-gingerol, 6-shogaol). Além do teste físico-químico realizado pelo fabricante, foi realizado o microbiológico, com valores dentro da normalidade para contagem de bactérias, fungos e leveduras, e o teste de pureza com contagem de metais pesados, como chumbo, cobre e antimônio.

O gengibre tem uso autorizado no Brasil e compõe as pesquisas isentas de autorização. Não se aplica, portanto, o conceito de "Acesso ao Patrimônio Genético" disponível na Medida Provisória nº 2186-16/2001. Vale lembrar que essa especiaria, apesar de ser originária da ilha Java, Índia e China, tem seu uso bastante difundido nas regiões tropicais do mundo.

Após a aquisição do pó do gengibre extrato seco 0,1% pela Gemini Indústria de Insumos Farmacêuticos Ltda, a pesagem, o encapsulamento e a repetição dos testes de controle de qualidade, como físico-químico, foram realizados em uma farmácia de manipulação que possui o selo verde de qualidade, o selo de excelência em franchising e a Diplomação Sinamm. A pesagem foi computadorizada em balança analítica.

As cápsulas foram acondicionadas em recipientes invioláveis com tampas lacre rosca, em temperatura ambiente e com um prazo de validade superior ao período da intervenção. Os recipientes foram adesivados com identificação do participante, indicação da posologia e data do retorno.

O acompanhamento foi realizado mensalmente na UAP, com data previamente definida para cada encontro. Dois dias antes do acompanhamento, a pesquisadora entrava em contato por telefone para reforçar o convite para a continuidade do estudo. Para os participantes que informavam a dificuldade em comparecer era agendada outra data ou uma

visita domiciliária, e para os que faltavam, a pesquisadora entrava em contato por telefone ou realizava uma visita domiciliária. Ademais, em uma UAP foi disponibilizado transporte em todos os acompanhamentos.

Durante os acompanhamentos foi realizada coleta de informações sobre o exercício físico, o comportamento alimentar e a mudança de tratamento farmacológico para avaliar a interferência dessas variáveis nos desfechos, a saber, níveis glicêmicos e lipêmicos. Ademais foi mensurada a glicemia capilar, investigada a ocorrência de efeitos adversos e realizada a contagem das cápsulas de gengibre e placebo consumidas em relação às disponibilizadas previamente.

O método de contagem adotado foi o de Obreli-Neto et al. (2012), no qual procedeu-se a contagem mensal das cápsulas de gengibre e placebo pela pesquisadora e pelos coletadores devidamente treinados, a fim de certificar a ingestão de pelo menos 80% das cápsulas para o seguimento dos participantes no estudo (LEE et al.,1996).

Benzer Belgeler