• Sonuç bulunamadı

DE Hemerobius LINNAEUS, 1758 (NEUROPTERA, HEMEROBIIDAE)

ASSOCIADAS A CULTIVOS DE CAFÉ E MILHO EM RIBEIRÃO PRETO

(SP) E ERVA-MATE EM CASCAVEL E SÃO MATEUS DO SUL (PR)

Caracterização Morfológica de Espécies de Hemerobius Linnaeus, 1758 (Neuroptera, Hemerobiidae) Associadas a Cultivos de Café e Milho em Ribeirão

Preto (SP) e Erva-mate em Cascavel e São Mateus do Sul (PR)

RESUMO - O gênero Hemerobius registrado em todos os continentes, à exceção da Antártida, abriga 131 espécies e é o mais numeroso da família Hemerobiidae. Estudos taxonômicos sobre este grupo são escassos, como também raros são os registros sobre a presença de espécies deste gênero em agroecossistemas. Este trabalho teve por objetivo caracterizar morfologicamente as espécies de Hemerobius coletadas em cultivos de café e milho em Ribeirão Preto (SP) e, erva-mate em Cascavel e São Mateus do Sul (PR). As coletas nos cultivos de café e milho foram realizadas através de armadilhas de Moericke, na safra 2000/2001. Os exemplares coletados em erva-mate estão depositados na coleção do Departamento de Fitossanidade da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, UNESP, Câmpus de Jaboticabal (SP). Utilizou-se de microscopia ótica e microscopia eletrônica de varredura para observação e descrição dos caracteres morfológicos. Os treze exemplares estudados pertencem ao grupo Bolivari. Foram reconhecidas três espécies: H. bolivari Banks, 1910; H. domingensis Banks, 1941 e H. gaitoi Monserrat, 1996. H. domingensis é citado pela primeira vez para o Brasil.

PALAVRAS-CHAVE: controle biológico, hemerobiídeo, Neuropterida, predador,

Introdução

O gênero Hemerobius, registrado em todos os continentes à exceção da Antártida, congrega 131 espécies descritas, é o maior da família Hemerobiidae com 50 espécies citadas para o continente americano (MONSERRAT, 1996) e três têm ocorrência citada para o Brasil: H. cixiiformis (Gerstaecker, 1888), H. frontalis Navás, 1932 e H. lentus Hagen, 1861 (MONSERRAT, 1990).

O gênero Hemerobius é caracterizado por apresentar asas anteriores com três ramos radiais (raramente quatro ou cinco), com duas séries gradiformes (TJEDER, 1961); ectoprocto do macho alongado, com projeções apicais (PENNY & MONSERRAT, 1983) e pela presença de uma cerda sagital proeminente sobre o clípeo e parâmeros completamente divididos (OSWALD, 1993).

Os primeiros trabalhos taxonômicos desse gênero discriminavam as espécies a partir de caracteres como a coloração e a nervação das asas, que demonstraram serem insuficientes para a correta determinação específica. Tais caracteres foram utilizados até a descoberta do valor taxonômico da genitália do macho na identificação taxonômica. CARPENTER (1940), KEVAN & KLIMASZEWSKI (1987) e MONSERRAT (1996) realizaram revisões para o continente americano baseadas, principalmente em caracteres da genitália masculina.

MONSERRAT (1996) ao revisar a sistemática das espécies neotropicais de Hemerobius propôs a associação destas em quatro grupos (Albipennis, Bolivari, Stenopterus e Withycombei).

O grupo Bolivari é o mais numeroso e heterogêneo, abrigando dez espécies que compartilham dos seguintes caracteres: asas subtriangulares a ovóides; nervuras longitudinais bifurcadas mais de uma vez antes de alcançar a margem alar e pterostigma inconspícuo (MONSERRAT, 1996). As espécies H. bolivari Banks, 1910; H. centralis Navás, 1913; H. chilensis Nakahara, 1965; H. domingensis Banks, 1941; H. jucundus Navás, 1927 e H. nigridorsus Monserrat, 1996 apresentam asas anteriores com uma única nervura antes da bifurcação da medial; ectoprocto dos machos estreito, alongado, sem setas especializadas; entoprocessus delgado e fêmeas com ou sem placa subgenital, enquanto que as espécies H. cubanus Banks, 1930; H. exceptatus Nakahara, 1965; H. gaitoi Monserrat, 1996 e H. hernandezi Monserrat, 1996 possuem duas nervuras antes da bifurcação da medial; ectoprocto do macho curto, robusto e as fêmeas geralmente com placa subgenital (MONSERRAT, 1996).

As espécies de Hemerobius associadas às pragas agrícolas foram relatadas por SZABÓ & SZENTKIRÁLYI (1981), GONZÁLEZ OLAZO (1987), SANTOS ROJO & MARCOS – GARCIA (1998), STETZL & DEVETAK (1999) e REGUILÓN & GONZÁLEZ OLAZO (2000), principalmente em frutíferas, em diversos países.

No Brasil, os registros deste gênero são escassos, restritos aos trabalhos de CHAGAS et al. (1982) que relataram a presença de Hemerobius sp. em cultivos de citros e de PENNY & MONSERRAT (1983) que redescreveram H. hageni (Navás, 1918), da região Amazônica, posteriormente sinonimizada com H. bolivari Banks, 1910 (MONSERRAT, 1996).

O conhecimento atual das espécies de Hemerobius que ocorrem em agroecossistemas é ainda incipiente, dificultado pela escassez de estudos qualitativos e quantitativos desses predadores. Assim, os objetivos deste estudo foram: identificar as espécies de Hemerobius associadas aos cultivos agrícolas e fornecer parâmetros morfológicos bem definidos para o seu reconhecimento.

Material e Métodos

A maior parte do material estudado (10 exemplares) é proveniente da coleção depositada no Departamento de Fitossanidade da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, UNESP, Câmpus de Jaboticabal, São Paulo. Os exemplares foram coletados em cultivos de erva-mate e no Câmpus daquela instituição. Foram coletados três exemplares em cultivos de café e milho, em Ribeirão Preto (SP), através de aparatos de coleta adaptados por PERIOTO et al. (2000) (Figura 1).

Os aparatos são compostos por duas armadilhas de Moericke (pratos plásticos de coloração amarela, com diâmetro de 15 cm e 4,5 cm de altura, industrializados pela Copobrás (referência PRF-Y) dispostas a 0,5 e 1,0 m de altura, fixadas em estacas de madeira com auxílio de aros de arame. Como conservante, foi usada solução aquosa de formalina e detergente a 1%. As armadilhas foram mantidas no campo por três dias, sendo instaladas e retiradas durante o período da manhã. Para triagem dos insetos, o conteúdo das armadilhas foi vertido em peneiras plásticas recobertas com tecido de “voil” e, posteriormente, transferidos para frascos plásticos contendo álcool 70%.

As coletas de hemerobiídeos na cultura de café ocorreram no período de dezembro de 2001 a janeiro de 2002, com a utilização de 84 aparatos de coletas distribuídos em 4 ruas distantes 3,0 m entre si e, em cada uma delas, foram estabelecidos 21 pontos de amostragem distantes entre si por 3 m.

As coletas na cultura de milho foram realizadas no período de janeiro a março de 2001, através de 10 aparatos de coletas distribuídos em três linhas distantes entre si por 12 metros; nas linhas externas foram estabelecidos 3 pontos de amostragem distantes entre si por 25 metros e, na central, 4 pontos distantes entre si por 20 metros.

Para a mensuração dos caracteres utilizou-se microscópio estereoscópico equipado com ocular micrométrica de 1 cm / 100 divisões.

Na cabeça foram efetuadas as seguintes medidas, em vista frontal (Figura 2): largura da cabeça (lc): maior distância entre as margens externas dos olhos; largura dos olhos (lo): maior distância entre as margens interna e externa; altura dos olhos (ao): distância entre as margens inferior e superior do olho; largura do escapo (le): maior distância entre as margens laterais, tomadas perpendicularmente ao eixo do comprimento do segmento e comprimento do escapo (ce): distância entre as margens basal e apical.

No tórax foram realizadas as seguintes medidas, em vista dorsal: comprimento do protórax (cp): maior distância entre as margens anterior e posterior do pronoto; largura do protórax (lp): maior distância entre as margens laterais do pronoto; comprimento da procoxa (cpc): distância entre as margens basal e apical; comprimento do fêmur (cf): distância entre as margens basal e apical; comprimento da tíbia (ct): distância entre as margens basal e apical; comprimento da asa (ca): distância entre a base e seu ponto apical; largura da asa (la): maior distância entre as margens anterior e posterior e largura da área costal (ac): maior distância entre as nervuras costal e subcostal.

As genitálias foram preparadas para dissecação através de maceração a quente em solução de hidróxido de potássio (KOH) a 10%, por 10 minutos, neutralizadas em ácido acético a 10%, enxaguadas em água destilada e, quando necessário, coradas com Clorazol Black a 1%. Cada genitália foi montada, temporariamente, em lâmina escavada contendo glicerina para exame das estruturas e, posteriormente, mantida em frasco de genitália, inclusa em glicerina. Para a observação das genitálias utilizou-se um microscópio óptico e as ilustrações foram feitas com o auxílio de câmara clara.

O material fotografado em microscópio eletrônico de varredura foi desidratado em bateria de álcool etílico de 80 a 100%, com incrementos de 5% (mantidos por 20 minutos em cada solução). As amostras foram dessecadas em secador de ponto crítico e recobertas por 35 nm de ouro em metalizador. A observação e fotografias foram realizadas em um microscópio eletrônico de varredura marca JEOL modelo JSM 5410, operado a 15 kV, em variados aumentos.

Foi utilizada a nomenclatura de CARPENTER (1940) para a nervação das asas e a terminologia de TJEDER (1954, 1961) para a descrição das genitálias, a exceção do termo arcessus - estrutura móvel fixada abaixo da parte mais alta do gonarcus - substituído por entoprocessus - projeções do gonarcus.

Os exemplares estudados foram montados em alfinetes entomológicos e serão depositados nas coleções do Instituto Biológico (IBSP) e do Departamento de Fitossanidade da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da UNESP, Câmpus de Jaboticabal – SP (FCAV/UNESP).

Resultados

Os exemplares de Hemerobius estudados pertencem ao grupo Bolivari, do qual foram reconhecidas três espécies nominais: H. bolivari (4 exemplares), H. domingensis (4 exemplares) e H. gaitoi (1 exemplar).

Quatro exemplares tiveram o ápice abdominal destruído durante o processo de dessecação para preparo do material para microscopia, possivelmente por se tratar de material conservado em álcool por vários anos. Algumas estruturas dos demais exemplares desintegraram-se totalmente e/ou foram danificadas, impossibilitando sua caracterização. MONSERRAT (1996), examinou o material tipo e outros espécimes de H. domingensis, citada para Cuba e Republica Dominicana, acrescentou dados da morfologia externa que foram omitidos quando da descrição da espécie e descreveu a genitália feminina.

Hemerobius gaitoi Monserrat, 1996 foi descrita a partir de exemplares coletados no Brasil, Costa Rica, Equador, Guatemala, México, Republica Dominicana e Venezuela (MONSERRAT, 1996).

Hemerobius bolivari Banks, 1910 tem um elevado número de sinonímias e trata- se da espécie Neotropical que apresenta maior distribuição, com citações de ocorrência para a Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, Guatemala, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela (MONSERRAT, 1996).

A identificação dos exemplares de H. bolivari foi confirmada pelo Prof. Dr. Enrique González Olazo, da Fundácion Miguell Lillo, San Miguel de Tucumán, Argentina.

A escassez de conhecimentos sobre estas espécies no Brasil ressalta a necessidade de novas coletas nos cultivos abordados tendo em vista ampliar as informações sobre a biologia e distribuição geográfica destas espécies.

CARACTERIZAÇÃO DE Hemerobius bolivari Banks, 1910

Coloração (Figura 3): Cabeça, vértice e dorso torácico com faixa meso-

longitudinal amarelo palha, marrom lateralmente; genas marrons; palpos maxilares e mandibulares amarelo palha, sombreados de marrom, exceto o 5o palpômero maxilar e o

3o palpômero labial que são marrons, com a extremidade apical amarelo palha; vértice,

antenas e pernas amarelo palha. Olhos escuros, com reflexos metálicos. Asas anteriores hialinas; nervuras longitudinais amarelo palha intercaladas por áreas de coloração marrom; nervuras transversais sc-r, mp-cu1 e cu1-cu2 marrons; séries gradiformes marrons claro; pterostigma indistinto. Asas posteriores hialinas; nervuras longitudinais amarelo palha; séries gradiformes marrons claro e pterostigma amarelado.

Cabeça (Figura 4): bastante esclerotizada, 4,3 X mais larga que a largura do olho

(lc/lo), marcada pelas suturas frontogenal, clípeogenal e transtorular. Vértice convexo, coberto por microtriquias anteriormente e com longas cerdas esparsas; olhos proeminentes, hemisféricos, 2,4 X mais altos que largos (ao/lo); ocelos ausentes; antenas moniliformes; escapo achatado, 1,2 X mais longo que largo (ce/le); flagelo com cerdas abundantes, curtas; orifício tentorial anterior bem demarcado, na intersecção das suturas frontogenal e clípeogenal; labro com margens laterodorsais arredondadas; genas lisas, com cerdas esparsas; margem distal da fronte com um par de longas cerdas; clípeo com dois pares de longas cerdas na margem distal, uma cerda sagital na região central (Figura 5); mandíbulas assimétricas, a direita com projeção na margem interna, a esquerda com dente pronunciado na mesma margem; palpo maxilar com cinco segmentos, o quinto fusiforme, com extremidade apical afilada (Figura 6), os demais, simples com cerdas longas esparsas; gálea bisegmentada, segmento distal com pilosidade densa, curta; região apical da lacínia densamente pilosa; palpo labial com três segmentos, palpômeros simples, com cerdas longas e esparsas, exceto o terceiro que é semelhante ao quinto palpômero maxilar (Figura 7).

Figura 3. Hemerobius bolivari Banks, 1910.

3

0,7 mm

Figura 2. Cabeça (vista frontal). ao, altura do olho; lc, largura da cabeça; lo, largura do olho; ota, orifício tentorial anterior; scg, sutura clípeogenal; sfg, sutura frontogenal; smf, sutura mesofrontal; sso, sutura subocular; st, sutura transtorular; stf, sutura transfrontal (adaptada de OSWALD, 1993).

smf l c lo ao stf sso scg st ota sfg

2

62

Figura 4 - 7. Elétron-micrografias de varredura de Hemerobius bolivari Banks, 1910. 4. cabeça, vista frontal; 5. detalhe do clípeo; 6. detalhe do 5o palpômero maxilar; 7. detalhe do 3o palpômero labial. cs,

cerda sagital; ota, orifício tentorial anterior.

4

c s

5

ota

7

6

Tórax – arqueado em vista lateral, coberto por microtriquias; pronoto e mesonoto

densamente coberto por cerdas longas; esparsas na pleura. Protórax: pronoto 1,4 X mais largo que longo (lp/cp), com margens laterais arredondadas que cobrem parte dos escleritos laterais. Mesotórax: mesoescuto deprimido na região mediana. Metatórax: metaescuto, grande e transverso. Pernas: ambulatórias com pilosidade densa e curta; procoxa alongada, cilíndrica, 0,8 X o comprimento do profêmur (cpc/cf); meso e metacoxa curtas e cônicas; comprimento dos fêmures e tíbias semelhantes, à exceção do metafêmur que apresenta comprimento 0,6 X o da metatíbia (cf/ct); tíbia anterior com um esporão apical; tíbias mediana e posterior com dois esporões; tarsos pentâmeros, pré-tarso com um par de garras laterais e um empódio mediano, em forma de almofada. Asas: anteriores e posteriores com macrotriquias sobre as nervuras longitudinais, transversais da área costal e nas margens; membrana densamente coberta por microtriquias. Asa anterior (Figura 8): 2,3 X mais longa que larga (caa/laa); área costal ampla, próxima a base, 0,3 X a largura máxima da asa (ac/laa); nervura umeral recorrente definida; 14 - 16 nervuras transversais bifurcadas na metade proximal e simples na apical; uma nervura transversal sc-r preestigmal; radial (R) e setor radial (Rs) em tronco único (R + Rs) com três ramos; duas séries gradiformes (3 internas e 6 externas); medial (M) unida basalmente a radial; medial posterior (MP) unida a cubital 1 (Cu1) por uma nervura oblíqua, curta; duas nervuras transversais mp-cu1 localizadas apicalmente a esta fusão; mpcu1 e cu1-cu2 não coincidentes, próximas; célula cubital aberta; 3 nervuras anais (A), ramificadas; lóbulo jugal distinto. Asa posterior (Figura 9): 0,8 X o comprimento da anterior (cap/caa), 2,7 X mais longa que larga (cap/lap); área costal reduzida com nervuras transversais simples; subcostal espessa; R e Rs não coalescidas, tocando-se através de uma nervura transversal; 2 séries gradiformes (2 internas e 5 externas); medial anterior (MA) unida a radial por uma transversal oblíqua.

Genitália masculina: estruturas danificadas durante preparação do material para

microscopia eletrônica. Genitália feminina (Figura 10): nono esternito, nono e décimo tergitos coberto por microtriquias, com cerdas longas, esparsas, em maior número nas margens posteriores e ventrais, que se inserem em pequenas protuberâncias do tegumento; nono tergito estendido posteroventralmente, com margem posterior sinuosa; nono esternito (gonapófises laterais) ovóide, ectoprocto ovóide, sem projeções (Figura 11); callus cercus com 18 trichobotrias; décimo esternito ausente.

Figuras 8 –9. Hemerobius bolivari Banks, 1910. 8. asa anterior; 9. asa posterior. Anal 3 Anal 2 Anal 1 Cubital 2 Cubital 1 Transversal sc-r Área costal Transversal costal Transversal cu1-cu2 Transversal mp-cu1 Medial Posterior (MP) Medial Anterior (MA)

Subcostal

Setor Radial + Radial (Rs + R) Gradiforme interna Gradiforme externa Gradiforme externa Gradiforme interna Medial Posterior (MP) Cubital Anal 1 Anal 2 Anal 3 Radial (R) Setor Radial (Rs) Medial Anterior (MA) Radial (parte basal)

Medial (parte basal) Subcostal

2 mm

6

9

8

Figuras 10 –11. Elétron-micrografias de varredura de Hemerobius bolivari Banks, 1910. 10. ápice abdominal da fêmea, vista lateral; 11. ectoprocto da fêmea, vista lateral. cc. callus cercus; ec. ectoprocto; gl. gonapófises laterais; tr. trichobotria.

ec

gl

tr

c c

11

Material examinado: BRASIL. São Paulo: Ribeirão Preto, 3. i. 2002, (Lara, R.I.R.) 1 fêmea (IBSP); Jaboticabal, vi. 1995 (Ferreira, R.S.), 1 fêmea (FCAV/UNESP); Monte Alto, 6. ix. 2000, (Belelli, C.N.) 1 macho (FCAV/UNESP); Paraná: São Mateus do Sul, 17. xi. 1999 (Leite, M.S.P.), 1 fêmea (FCAV/UNESP).

Comentários: Os exemplares apresentaram pequena variação na coloração na

da cabeça, tórax e asas. MONSERRAT (1996) relatou que a maior parte dos exemplares estudados possuía as nervuras mpcu1 e cu1-cu2 coincidentes e as fêmeas apresentaram callus cercus com 12 - 14 trichobotrias.

CARACTERIZAÇÃO DE Hemerobius domingensis Banks, 1941

Coloração: Cabeça, vértice e dorsotorácico com faixa meso-longitudinal amarelo

palha, marrom lateralmente; genas marrons; palpos maxilares e labiais amarelo palha, sombreados de marrom, exceto o 5o palpômero maxilar e 3o palpômero labial que são

marrons, com a extremidade apical amarelo palha; vértice, antenas e pernas amarelo palha. Olhos escuros, com reflexos metálicos. Asas anteriores hialinas; nervuras longitudinais amarelo palha intercaladas por áreas de coloração marrom; séries gradiformes marrons claro; nervuras transversais sc-r, mp-cu1 e cu1-cu2 marrons; pterostigma indistinto. Asas posteriores hialinas; nervuras longitudinais amarelo palha intercaladas por áreas de coloração marrom; séries gradiformes marrons claro; pterostigma amarelado. Abdome amarelo palha, exceto as margens latero-dorsais que são sombreadas de marrom (Figuras 12, 13).

Figura 13. Detalhe do dorsotorácico e base das asas anteriores de Hemerobius domingensis Banks, 1941.

12

1,4 mm

Figura 12. Hemerobius domingensis Banks, 1941, vista dorsal.

Cabeça – bastante esclerotizada, 6,0 X mais larga que a largura do olho (lc/lo),

marcada pelas suturas frontogenal, clípeogenal e transtorular. Vértice convexo, coberto por microtriquias anteriormente e com longas cerdas esparsas; olhos proeminentes, hemisféricos, 2,9 X mais altos que largos (ao/lo); ocelos ausentes; antenas moniliformes; escapo achatado, 1,2 X mais longo do que largo (ce/le); flagelo com cerdas abundantes, curtas; orifício tentorial anterior bem demarcado, na intersecção das suturas frontogenal e clípeogenal; labro com margens laterodorsais arredondadas; genas lisas, com cerdas esparsas; margem distal da fronte com um par de longas cerdas; clípeo com dois pares de longas cerdas na margem distal, uma cerda sagital na região central; mandíbulas assimétricas; palpo maxilar com cinco segmentos, o quinto fusiforme, com extremidade apical afilada, os demais, simples com cerdas longas esparsas; gálea bisegmentada, segmento distal com pilosidade densa, curta; região apical da lacínia densamente pilosa; palpo labial com três segmentos, palpômeros simples, com cerdas longas e esparsas, exceto o terceiro que é semelhante ao quinto palpômero maxilar.

Tórax – arqueado em vista lateral, coberto por microtriquias; pronoto e mesonoto

densamente coberto por cerdas longas; esparsas na pleura. Protórax: pronoto 2,5 X mais largo que longo (lp/cp), com margens laterais arredondadas que cobrem parte dos escleritos laterais. Mesotórax: mesoescuto deprimido na região mediana. Metatórax: metaescuto, grande e transverso. Pernas: ambulatórias com pilosidade densa e curta; procoxa alongada, cilíndrica; meso e metacoxa curtas e cônicas; comprimento dos fêmures e tíbias semelhantes, à exceção do metafêmur que apresenta comprimento 0,6 X o da metatíbia (cf/ct); tíbia anterior com um esporão apical; tíbias mediana e posterior com dois esporões; tarsos pentâmeros, pré-tarso com um par de garras laterais e um empódio mediano, em forma de almofada. Asas: anteriores e posteriores com macrotriquias sobre as nervuras longitudinais, transversais da área costal e nas margens; membrana densamente coberta por microtriquias. Asa anterior (Figura 14): 2,3 X mais longa que larga (caa/laa); área costal ampla, próxima a base, 0,3 X a largura máxima da asa (ac/ laa); nervura umeral recorrente definida; 11 - 14 nervuras transversais bifurcadas na metade proximal e simples na apical; uma nervura transversal sc-r preestigmal; R e Rs em tronco único (R + Rs) com três ramos; duas séries gradiformes (3 internas e 6 externas), algumas delas interrompidas medialmente; M unida basalmente a R; MP unida a Cu1 por uma nervura oblíqua, curta; duas nervuras transversais mp-cu1 localizadas apicalmente a esta fusão; mpcu1 e cu1-cu2 não coincidentes, próximas; célula cubital aberta; 3 nervuras anais

ramificadas; lóbulo jugal distinto. Asa posterior (Figura 15): 0,8 X o comprimento da anterior (cap/caa), 2,7 X mais longa que larga (cap/lap); área costal reduzida com nervuras transversais simples; subcostal espessa; Rs e R não coalescidas, tocando-se através de uma nervura transversal; 2 séries gradiformes (2 internas e 5 externas), algumas interrompidas medialmente; MA unida a R por uma transversal oblíqua.

Abdome – tergitos e esternitos transversos; nono esternito, nono e décimo tergitos

coberto por microtriquias, com cerdas longas, esparsas, que se inserem em pequenas protuberâncias do tegumento; décimo tergito bipartido com maior número de cerdas longas na margem interna, callus cercus com 13 trichobotrias. Genitália masculina (Figura 16): nono tergito estreito em vista dorsal e lateral, sem projeções, com margens anterior e posterior paralelas a margem anterior do ectoprocto; nono esternito semicircular em vista ventral; ectoprocto subtriangular em vista lateral, arredondado posteriormente, margem interna com projeção apical digitiforme (Figura 17). Gonarcus (Figura 18): estrutura fina,

placas laterais subovóides, margem dorsal em forma de “U” aberto, membrana acima desta margem com sete gonosetas curtas e quatro longas (Figura 19); entoprocessus subcilíndrico, estrutura dupla, longa, fina, com extremidade apical afilada, margem basal larga em vista lateral, cruzados no terço apical, extremidade apical para baixo (Figura 20). Parâmeros (Figura 21): pequenos, livres, situados lateralmente às placas laterais do complexo gonarcus e acima do 9o esternito; arqueado em vista dorsal, com dentículo

apical de forma triangular; margem basal alargada. Hypandrium internum (Figura 22):

trapezoidal, largo; margem lateral anterior retorcida.

Material examinado: BRASIL. São Paulo: Ribeirão Preto, 26. xii. 2001 (Lara, R.I.R.), 1 macho (IBSP); Paraná: Cascavel, 15. xi. 1999 (Leite, M.S.P.), 1 macho (FCAV/UNESP); idem, 17. xi. 1999, 1 macho (FCAV/UNESP); idem, 30. vi. 1999, 1 macho (FCAV/UNESP).

Comentários: H. domingensis distingui-se de H. bolivari por apresentar: asas mais largas; nervuras mp-cu1 e cu1-cu2 não coincidentes; a margem dorsal do gonarcus em forma de “U” aberto enquanto que H. bolivari a apresenta em forma de “V” e entoprocessus cruzados no terço apical, paralelos em H. bolivari. Um único exemplar estudado apresentou asas anteriores com setor radial com quatro ramos e a margem

Figuras 14 - 15. Hemerobius domingensis Banks, 1941. 14. asa anterior; 15. asa posterior.

15

Gradiforme externa

Gradiforme interna Transversal mp-cu1

Transversal cu1- cu2 Cubital 1 Cubital 2 Anal 3 Anal 2 Anal 1 Transversal sc-r Área costal Transversal costal Medial Posterior (MP) Medial Anterior (MA)

Subcostal

Setor Radial + Radial (Rs + R)

14

Gradiforme externa Gradiforme interna Cubital Anal 2 Subcostal Medial Posterior (MP) Setor Radial (Rs) Anal 3 Anal 1

Medial Anterior (MA)

Radial (R) Medial (parte basal)

Radial (parte basal)

0,5 mm

16

cc

ec g

ent

Figuras 17 - 18. Elétron-micrografias de varredura de Hemerobius domingensis Banks, 1941. 17.

Benzer Belgeler