• Sonuç bulunamadı

B) MÜLKİYET HAKKININ KAPSAMI

2. EKLENTİ (TEFERRUAT, KEREK JARAK)

apresentar como fim, como produto para apresentação e descrição do projeto enquanto objeto final do processo de projetual, como representação de uma edificação futura ou já construída.

Nesta dissertação, na qual se discute a relação entre as representações arquitetônicas e o processo de concepção projetual, tem-se como foco a função que a representação assume como auxílio à concepção, atuando como instrumento de apoio à espacialização das ideias e à evolução do raciocínio criativo do arquiteto durante as etapas iniciais do processo de projetação.

Uma vez realizada esta explanação sobre as funções que as representações podem assumir no decorrer da projetação, é possível discorrer sobre o papel das representações arquitetônicas no processo de concepção projetual.

3.5 O PAPEL DAS REPRESENTAÇÕES ARQUITETÔNICAS NO PROCESSO DE CONCEPÇÃO PROJETUAL

Como visto no item anterior (3.4), uma das funções assumidas pelas representações na produção do projeto arquitetônico é auxiliar a concepção. Considerando que no processo projetual existe uma progressão da incerteza para a certeza à medida que o projeto é aprimorado, é primordial que no momento da concepção, em que o problema ainda é mal definido, as representações atuem como instrumento catalizador para a promoção das ideias e fluidez da criatividade, despertando a imaginação do arquiteto. Diversos autores destacam, neste contexto, as representações analógicas como os esquemas e diagramas, os modelos de estudo e, principalmente, os croquis como representações mais adequadas às etapas iniciais da projetação (PERRONE, 1983; DURAND, 2000; LAWSON, 2011).

Os croquis podem ser tidos como o DNA da ideia arquitetônica (BELARDI, 2014). Apresentam-se como manifestações do arquiteto e possuem caráter sugestivo-descritivo, registrando operações cognitivas diversas no processo projetual (PERRONE, 2008). O croqui de concepção é mais que um registro gráfico, é um desenho embrionário, ambíguo, indefinido, provisório e impreciso, sem necessidade de escala, que permite ao projetista expressar múltiplas ideias sem pretensões de acerto atuando, desta maneira, como suporte ao pensamento criativo, estimulando a percepção e a imaginação (FLORIO, 2011a).

Para Robbins (1997), os desenhos são meios para a prática projetual criativa consistindo na base para a concepção. Pensar, ver e desenhar, em várias interações e permutações, consiste na matriz da qual deriva a concepção do projeto. O autor explica ainda que os profissionais divergem na maneira como lidam com as representações na concepção do projeto. Alguns iniciam com croquis, outros com modelos, outros com desenho técnico. Podem começar o projeto com o desenho de plantas, por exemplo, ou de perspectivas. Assim como alguns arquitetos acreditam que o ato de desenhar consiste na base para geração de suas ideias, enquanto outros creem que os desenhos são simplesmente resultados de ideias já formuladas em suas mentes (ROBBINS, 1997).

Os desenhos iniciais do projeto, segundo Castells (2012), são interlocutores do próprio projetista. O desenho é estático, no entanto, o processo de produzir desenhos iniciais de um projeto, por meio de esquemas ou croquis, permite que o arquiteto veja além, lendo ou enxergando mais informações do que aquelas estritamente apresentadas. Isto porque, como idealizador e criador dos desenhos, o projetista antecipa mentalmente o que virá a ser. Castells (2012) defende então a ideia do desenhar projetando ou do projetar desenhando, e ainda afirma que os recursos gráficos digitais, como as ferramentas CAD, são inadequados para as etapas iniciais da projetação porque não possuem a necessária imprecisão.

Carvalho e Savignon (2012) explicam que, no início da adoção dos sistemas CAD, os desenhos manuais eram entendidos como o corpo ou como próprio processo de trabalho do arquiteto, e o instrumento digital era utilizado apenas para digitalização, não influenciando a tomada de decisões, portanto, sem atuar como suporte à concepção. Para os autores, os desenhos em CAD 2D eram de fato considerados “duros” devido a sua precisão e a pouca liberdade de expressão pessoal. No entanto, destacam as opções atuais de softwares de manipulação de formas, a exemplo do SketchUp, que se apresentam como suporte à tomada de decisões podendo ser adotados desde a concepção do projeto (CARVALHO e SAVIGNON, 2012).

Já foi dito no capítulo anterior que, segundo Martínez (2000), a evolução do processo projetual envolve a manipulação e progressão da representação com um aumento da precisão gráfica e do nível de definição do objeto arquitetônico. Ocorre que, cada representação elaborada durante a concepção do projeto implica selecionar determinadas soluções e descartar outras possibilidades. Por isso, o autor explica que, se o projetista, no

início do processo, tenta desenvolver uma representação como se tivesse certeza do objeto, o processo fica travado ou o objeto fica empobrecido. O mesmo também ocorre se o arquiteto se concentrar em um único tipo de representação, geralmente a planta, ou decidir pelo uso de uma representação muito precisa no início do processo, como explica:

Caso se tente desde o princípio trabalhar com uma representação gráfica muito precisa, a definição do objeto avança de modo inconveniente ou (...) de modo desigual, é precipitada ou se cristaliza prematuramente, perdendo sua possibilidade de satisfazer todos os requisitos do programa ou ficando restrita à satisfação (...) das condições métricas e conectivas mais elementares (MARTÍNEZ, 2000, p.39).

Corroborando com esta ideia, Lebahar (1983) afirma que a precisão gráfica em excesso no início do processo do projeto pode aprisionar prematuramente o arquiteto em um desenho do qual ele não pode mais sair. O croqui voluntariamente mantém, então, uma condição de imprecisão gráfica para permitir a flexibilidade necessária na resolução de dificuldades que podem surgir de maneira imprevisível. Ainda de acordo com o autor, os desenhos são para o arquiteto uma realidade artificial, que funcionam como uma ferramenta que lhe permite testar suas escolhas e estabelecer progressivamente uma certeza (LEBAHAR, 1983).

Martínez ainda reforça esta ideia quando afirma que “o domínio gradual dos métodos precisos de representação do objeto é acompanhado por um empobrecimento imaginário” (MARTÍNEZ, 2000, p.49), justificando, a partir de sua experiência como docente, que os alunos no início do curso de Arquitetura, quando ainda não possuem domínio das representações técnicas, têm uma imaginação mais livre comparado a quando dominam e utilizam as técnicas gráficas. Por isso, considera que “o domínio do meio implica, simultaneamente, a escravidão a sua técnica” (Ibid., p.49-50).

Para Florio (2005, p.388), “a técnica não determina e sim condiciona” o processo criativo do projeto. O autor discorre sobre o uso das ferramentas digitais como contribuição e incentivo à criação de objetos arquitetônicos com formas mais ousadas e complexas devido ao poder de síntese e de processamento inerentes ao computador, bem como sua capacidade de simulação e controle de objetos virtuais.

Neste contexto, experiências com parametrização em softwares BIM também vêm sendo realizadas como apoio ao processo criativo (FLORIO, 2007 e 2011b; SANGUINETTI, 2008; ZARZYCKI, 2010); assim como vêm sendo feitos estudos acerca da contribuição da

prototipagem e da fabricação digitais como instrumentos de suporte à tomada de decisões projetuais (FLORIO, SEGALL e ARAÚJO, 2007; COSTA, 2013).

Verifica-se, portanto, um esforço atual em explorar os recursos digitais para dar suporte à concepção do projeto. Todavia, ressalta-se que a interação entre o projetista e os recursos manuais difere da interação entre homem-máquina estabelecida, uma vez que, na primeira, a manipulação é direta e a ação é concreta, enquanto na segunda, a manipulação é indireta e a ação é abstrata (FLORIO, 2005), conforme mencionado no item 3.3. A dialética entre as ações desenvolvidas e as respostas obtidas por representações distintas é diferente e resulta em processos e produtos também diferentes. Portanto, faz-se necessário discutir as divergências no modo de conceber os projetos em detrimento da adoção de diferentes maneiras de utilizar-se das representações no processo de concepção.

Neste contexto atual, de grande disponibilidade de recursos analógicos e digitais para a projetação em arquitetura, Castells (2012) comenta que ainda permanece a prática dos desenhos manuais, mesmo para os profissionais mais recentes. Estes, no entanto, se limitam a elaborar esquemas simples e croquis à mão livre no início do processo, e elaboram o projeto predominantemente por meio de recursos digitais. Já no caso dos arquitetos de formação mais antiga, explica que o uso dos recursos digitais é mais restrito ao nível de desenvolvimento do projeto. Para tanto, o autor conclui que a distinção entre o uso de recursos manuais e digitais “parece evidenciar que existem metodologias implícitas e formas de concepção projetual diferenciadas, que ficam espelhadas na tecnologia de representação utilizada” (CASTELLS, 2012, p.112).

Na realidade, não existe um modo único de projetar e os profissionais não se atém ao uso de métodos específicos durante a projetação, apesar ser possível identificar procedimentos comuns à atividade projetual (KOWALTOWSKI, BIANCHI e PETRECHE, 2011), como já apresentado no capítulo 2. Para tanto, a maneira como o arquiteto utilizará as representações e o papel que ele irá atribuir a esta atuação das representações em seu processo de concepção, será bem particular à sua prática. As representações podem assumir diversas funções na projetação, mas, cabe ao profissional fazer proveito deste potencial em benefício a sua prática projetual. Inclusive, a depender das particularidades de cada projeto, determinados tipos ou recursos de representação podem ser mais adequados, por isso, a maneira de utilizar-se das representações pode não ser única ainda que para um mesmo profissional.

O que se pretende demonstrar nesta dissertação é que o modo de conceber o projeto é diferente dependendo de como se faz uso das representações. Não é apenas uma questão determinada pela escolha das ferramentas gráficas – apesar de se reconhecer que cada instrumento apresenta características e limitações que implicam em assumir certas funções no decorrer da projetação –, mas sim pela maneira como se dá a apropriação dos tipos e recursos de representação e seu desdobramento para o processo de concepção do projeto. Para tanto, é primordial aprofundar esta questão com uma análise acerca da prática projetual dos arquitetos através da realização da pesquisa empírica.

4 INVESTIGANDO OS MODOS DE UTILIZAÇÃO DAS REPRESENTAÇÕES NO PROCESSO DE CONCEPÇÃO ARQUITETÔNICA

Este capítulo consiste na descrição e análise da primeira etapa da pesquisa empírica aplicada com arquitetos potiguares de maneira indireta. São apresentadas a metodologia e os resultados obtidos nesta etapa.

Benzer Belgeler