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1.5. Ekonomik Büyümeyi Etkileyen Faktörler

2.2.4. Bölgesel Farklılıkların Sosyo-ekonomik Göstergelerle Analizi

2.2.4.2. Ege Bölgesi

2.2.4.2.1. Ege Bölgesi’nin Sosyo-Ekonomik Yapısı

escolha de imagem correspondente 5,77 6,94 6,22

B. Forma de Vida 2,56 5,69 5,98

C. Tamanho de S. guianensis 3,33 6,39 7,07

D. Cor de S. guianensis 4,17 5,28 5,06

Média Final (A+B+C+D)/4 3,96 6,08 6,08

Figura 15: Relação da Pontuação Geral e anos de estudo (log(y): 1.92 + 0.02*x; p = 0.44)

dos pescadores de Baia Formosa (circulo aberto); Pipa (circulo fechado) e Tibau do Sul (sinal positivo).

Não houve diferença nas respostas das três comunidades quando consideradas simultaneamente as questões sobre S. guianensis (identificação da espécie através de imagens, forma de vida, tamanho e cor) (ANOSIM-F2,113: 2.12; p = 0.41) (Fig. 16).

Figura 16: Análise de ordenamento não dimensional (NMDS) das localidades Baía

Formosa (circulo aberto), Pipa (circulo fechado) e Tibau do Sul (sinal positivo).

Discussão

Etnoclassificação de Sotalia guianensis

A maioria dos pescadores identificou corretamente o boto cinza (S. guianensis) nas imagens apresentadas. Dentre as espécies erroneamente associadas ao boto, as principais foram Delphinus sp. e Tursiops truncatus. O Delphinus sp. possui marcada diferença de cor variando do dorso cinza à lateral amarelada e ventre branco. Tal característica pode ter sido associada à cor de S. guianensis que se caracteriza por possuir coloração acinzentada na região dorsal e rosada a esbranquiçada na região ventral e extremidade distal (RANDI et

al., 2008). T. truncatus também possui características morfológicas semelhantes às do boto cinza além de possuir comportamento costeiro e, algumas vezes, associado à pesca, como a pesca cooperativa que ocorre em Laguna, Santa Catarina (PETERSON, 2005). Além disso, o T. truncatus é bastante exposto pela mídia, é a espécie “flipper”, o que pode influenciar a cultura local pela saliência da espécie.

No trabalho de etnotaxonomia de cetáceos realizado por Souza & Begossi (2007), tanto Delphinus sp. quanto T. truncatus são associados ao boto cinza. Neste trabalho os pescadores agruparam espécies de cetáceos baseados principalmente em similaridade. Em cada um dos cinco grupos formados com S. guianensis, havia pelo menos uma destas espécies (Delphinus sp. ou T. truncatus) associada a ele. O grupo mais citado foi composto

por S. guianensis e o T. truncatus. O segundo grupo mais citado foi formado por S.

guianensis, T. truncatus e Delphinus sp. Percebe-se, dessa forma, que essas associações podem acontecer devido à similaridade entre estas espécies além da utilização do critério de saliência.

Quando avaliado por comunidade, o reconhecimento do boto cinza nas imagens foi levemente maior pelos pescadores de Pipa, seguido pelos de Baía Formosa e Tibau do Sul. Essa diferença não foi significativa, o que pode estar relacionado ao habitat do boto que, como visto, varia desde ambientes costeiros até ambientes de rio e mangue (MONTEIRO- FILHO et al., 2008; SIMÕES-LOPES, 2005; DI BENEDITTO et al., 2001; SOUZA & BEGOSSI, 2007; ZAPPES et al., 2009), estando exposto à observação por pescadores que atuam nesses ambientes, caso dos pescadores entrevistados.

Por outro lado, a pesca em Tibau do Sul é predominantemente em lagoa, de forma que seus pescadores não têm contato com espécies oceânicas de pequenos cetáceos. Por essa razão, esperava-se que as espécies erroneamente associadas ao boto fossem diferentes para pescadores que alcançam alto mar em sua pesca, já que estes, tendo contato também com espécies oceânicas de pequenos cetáceos, poderiam confundir-se durante a identificação do boto cinza. Ao contrário do que se esperava, não houve diferença entre comunidades em relação às espécies erroneamente associadas ao boto.

Destaca-se ainda a denominação de “Golfinho a partir do turismo” pelos pescadores de Pipa. Essa definição demonstra haver uma mudança local na nomenclatura do S.

guianensis devido à influência da expressiva atividade do turismo na região (XAVIER, 2008). Em contrapartida, em Baía Formosa, onde o turismo não é tão expressivo quanto em Pipa, a denominação específica para o S. guianensis permaneceu como “Boto”.

No que diz respeito à classificação dos botos por forma de vida, houve variação da percepção entre pescadores das diferentes comunidades. Tal variação é evidenciada pelas categorias mais citadas: “peixe” e “mamífero”. Tanto em Baía Formosa quanto em Pipa, a maioria das citações se refere ao boto como mamífero. Já em Tibau do Sul, observou-se a tendência inversa, onde a maioria das citações associa o boto à forma de vida “peixe”. De acordo com Oliveira et al. (2008), os botos são considerados “peixes” devido ao seu modo de vida exclusivamente aquático, embora haja muitas vezes o conhecimento a respeito da amamentação do filhote. Assim, este autor especula que a classificação “mamífero” associa-se aos filhotes, enquanto “peixe” se refere a indivíduos adultos, havendo assim classificações paralelas relacionadas ao habitat e ao hábito alimentar da espécie. Tal especulação pode sugerir a predominância de animais adultos e/ou a ausência de cuidado

parental dentro da lagoa. Esta hipótese estaria de acordo com Paro (2010), cuja pesquisa estabeleceu padrões de uso de habitat no litoral sul do Rio Grande do Norte, evidenciando o uso da lagoa principalmente para forrageio. Para cuidado parental, outras regiões da costa, como as enseadas de Pipa, se mostraram mais importantes (PARO, 2010).

Características de Sotalia guianensis

A percepção dos pescadores de Baia Formosa e Pipa em relação ao tamanho atingido pelo S. guianensis foi expressivamente mais próxima da literatura do que a dos pescadores de Tibau do Sul (ICMBio, 2010b; SANTOS, 2010). Embora com pequena diferença, a percepção da cor também foi mais apurada nestas comunidades. Isto é ressaltado no resultado dos critérios de reconhecimento da espécie, dentre os quais evidenciou-se a utilização de características morfológicas por pescadores de Baia Formosa e o alto índice de pescadores de Tibau do Sul que não souberam citar características para reconhecer ou diferenciar o S. guianensis. Também foi relatada, por pescadores de Pipa e Baía Formosa, a passagem de um indivíduo branco pela região. Essa informação está de acordo com pesquisadores (NASCIMENTO et al., 2007) que observaram um indivíduo albino na região em datas próximas às mencionadas pelos pescadores.

De acordo com Begossi (1993), a utilidade para a comunidade local é um critério que envolve maior detalhamento dos aspectos relacionados à espécie. Os cetáceos geralmente são reconhecidos e detalhados em razão de sua saliência. Tanto em Baía Formosa quanto em Pipa houve grande incidência de captura acidental. Essa interação pode ser relacionada à utilidade da espécie por trazer consequências indiretas ao pescador, como prejuízos com artefatos de pesca danificados e preocupação com fiscalização, reclamações constantemente citadas pelos pescadores. Ademais, o manuseio do boto para retirá-lo de seus artefatos, proporciona ao pescador uma interação ainda mais próxima, facilitando a visualização e memorização de características da espécie, o que gera maior conhecimento para o pescador.

Pescadores e suas interações com Sotalia guianensis

Dos pescadores que declararam haver interação entre o S. guianensis e a atividade de pesca, nas comunidades de Baía Formosa e Pipa a maioria das interações é negativa e em Tibau do Sul, positiva. Isto provavelmente está relacionado ao artefato de pesca e ao pescado de cada local de pesca. Em lagoa, os pescadores utilizam tarrafa e pescam tainha, item identificado como alimento do boto. Ou seja, há um provável auxílio na pesca, seja

com pesca cooperativa ou mesmo como forma de indicar presença de peixe para o pescador (PETERSON, 2005).

Já as interações negativas com o S. guianensis, associadas à pesca de mar, devem estar relacionadas às redes de espera utilizadas nessa modalidade de pesca. Esse tipo de artefato é fixado perto da costa, local de ocorrência do boto (DI BENEDITTO, 2003; SIMÕES-LOPES, 2005; SOUZA & BEGOSSI, 2007; ZAPPES et al., 2009). Disto resultaria, portanto, a maior porcentagem de interação negativa em Baía Formosa e Pipa. Esses dados são reforçados com as citações referentes especificamente à quantidade de observações de captura acidental, das quais essas duas comunidades são maioria.

A maior atitude frente às capturas acidentais foi a soltura. Contudo, embora sem respaldo estatístico, alguns pescadores de Pipa relataram que afundam ou enterram a carcaça de botos capturados acidentalmente sob o argumento de que poderiam ser penalizados pela captura, provavelmente devido a maior fiscalização decorrente da reserva. Este fato pode interferir na estatística relativa ao número de botos capturados acidentalmente. Dados de Di Beneditto & Rosas (2008) apontam uma única captura acidental no Rio Grande do Norte entre os anos de 1961 e 2004, o que poderia indicar ocultamento de dados pelos pescadores. Seria, pois, necessária interação mais amigável com os pescadores para que se obtivessem dados mais confiáveis (HUNTINGTON, 1999; MONTEIRO-FILHO et al., 2008). Há também relatos de consumo da carne do boto, o que também já foi observado em outros estudos (ALVES & ROSA, 2008; SICILIANO, 1994).

Conhecimento Ecológico Local (LEK) sobre Sotalia guianensis O tempo de estudo dos pescadores e a comunidade pesquisada foram as variáveis que explicaram a variação no conhecimento acerca do S. guianensis. Como não houve diferença do tempo de estudo entre as comunidades, essa variável não interferiu no LEK encontrado por comunidade.

Quando as questões sobre S. guianensis foram consideradas simultaneamente, não houve diferença significativa entre as três comunidades. No entanto, em relação à pontuação geral, os pescadores de Baía Formosa e Pipa obtiveram maior quantidade de acertos comparados à comunidade de Tibau do Sul. Isto pode estar relacionado ao ambiente de pesca marinho, predominante nas comunidades com maior pontuação. Neste ambiente de pesca também constatou-se maior interação entre pescadores e a espécie em questão.

conforme sua comunidade foi confirmada pelo modelo gerado pela análise GLM. O modelo evidenciou maior conhecimento nas comunidades de Pipa e Baía Formosa, ambas de pesca marinha. Como já detalhado anteriormente, no ambiente de pesca marinho há mais relatos de interação negativa devido sobretudo à captura acidental, do que resulta certa utilidade relacionada ao conhecimento do boto.

Confirmou-se a hipótese de que o turismo teria influência sobre o conhecimento dos pescadores, evidenciada pelo acréscimo de termos designativos da espécie. No entanto, nenhuma outra diferença entre as comunidades foi diretamente associada à intensidade do turismo em cada região.

A hipótese de que pescadores de lagoa (Tibau do Sul) classificariam a espécie pelos seus hábitos alimentares a partir de suposta pesca cooperativa não foi confirmada. Ao contrário, os pescadores de ambiente marinho (Pipa e Baía Formosa) obtiveram maior diversificação nos critérios de classificação da espécie ao utilizar sobretudo características morfológicas, comportamentais e de interação com a espécie, evidenciando mais uma vez que o tipo de interação que ocorre no ambiente marinho agrega valor de utilidade em relação ao boto.

Conclusão

Sotalia guianensis há décadas desperta a atenção de pesquisadores oriundos tanto da área de ocorrência da espécie como de outras partes do mundo. Mesmo assim, ainda há lacunas no conhecimento da espécie, as quais podem ser supridas pelo conhecimento empírico de pescadores. Neste estudo discutiu-se a influência do ambiente de pesca e do turismo sobre o conhecimento ecológico de pescadores de três áreas diferentes.

Foi observado que os pescadores possuem conhecimento relevante ao identificar corretamente o S. guianensis e descrever suas características gerais. Esse conhecimento variou de uma comunidade para outra, revelando-se o fato de que pescadores de ambiente marinho possuem maior conhecimento sobre a espécie em relação aos de ambiente lagunar. Observou-se também que o turismo popularizou entre os pescadores nova designação para a espécie.

Percebe-se, enfim, que o ambiente de pesca é uma variável que influencia o conhecimento ecológico local dos pescadores em relação a S. guianensis. O turismo, no entanto, não parece ter tanta influência sobre o conhecimento dos pescadores, embora possa agregar novas designações às espécies. Conclui-se, portanto, que populações locais

acumulam conhecimento da região onde vivem de acordo com seus ecossistemas, recursos utilizados e influências culturais.

No entanto, a maior valoração do boto devido ao turismo de observação, tanto quanto o consequente aumento da fiscalização, resultaram em modificação no comportamento dos pescadores frente às suas interações com o S. guianensis. Alguns pescadores, por exemplo, relataram o ocultamento de evidências de capturas acidentais, o que pode interferir na quantificação de ocorrências e falsear aspectos relativos à conservação da espécie. O receio de serem responsabilizados pela captura acidental dificulta a coleta de informações provenientes dos pescadores.

Evidencia-se, portanto, a importância de se valorizar conhecimentos e práticas dos pescadores. Tais conhecimentos podem prover os pesquisadores com novas informações, além de contribuir para a elaboração de planos que envolvam a conservação da espécie. O convívio harmonioso com populações locais garante o compartilhamento de informações.

Capítulo II

O COMPORTAMENTO DO BOTO CINZA (Sotalia guianensis,

van Bénéden, 1864) SOB A ÓTICA DE PESCADORES

Benzer Belgeler