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EFENDİ HAZRETLERİNİN ZAM AN-I NİYABETLERİNDE İTTİHAZ OLUNAN BİRİNCİ SİCCİLİDİR. Ust üste iki sayfadan [varaktan]

as habilidades de simbolização do real

Lévy dialoga e alinha-se em certa medida com autores que analisam a

interpretativo, a oralidade é vista como um substrato, um princípio, presente em

diferentes medidas no processo histórico do desenvolvimento humano, de

comunicação entre os indivíduos. Ela se tornou mais complexa por conta das

contínuas modificações, traduções e reinterpretações promovidas pela escrita e,

posteriormente, pelas sucessivas tecnologias de comunicação, que intensificam a

capacidade de abstração simbólica, trazendo mais ao cotidiano a experiência da

virtualização em amplitude proporcional ao desenvolvimento tecnológico.

Antes do surgimento da escrita, as mensagens linguísticas eram recebidas

simultaneamente à sua emissão, portanto coabitavam ambientes de significados

comuns a ambos os lados do ato de comunicação, sem necessidade de ferramentas

adicionais de interpretação. O pesquisador assinala:

Emissores e receptores compartilhavam uma situação idêntica e, na maior parte do tempo, um universo semelhante de significação. Os atores da comunicação evoluíam no mesmo universo semântico, no mesmo contexto, no mesmo fluxo vivo de interações. (LÉVY, 1999, p. 116.)

Com o advento da escrita, estabeleceu-se um novo sistema de comunicação,

que permitia reproduzir mensagens emitidas à distância, descontextualizadas no

tempo e no espaço originais. Nessa reviravolta proporcionada pela escrita, os atores

da comunicação não mais dividiam necessariamente a mesma situação, não

estavam mais em interação direta. Entre a emissão e a recepção da mensagem,

surge um terceiro elemento, um elo de ligação simbólica, cujo sentido e

compreensão não mais depende, fundamentalmente, do contexto imediato

composto por quem fala e escuta. São desenvolvidos códigos e estruturas

semânticas que habilitam o entendimento da mensagem por populações distantes

desenvolvimento da escrita atende aos anseios por universalidade das ciências, da

política, da filosofia e também da religiosidade.

Esse fora de contexto – que inicialmente diz respeito apenas à ecologia das mídias e à pragmática da comunicação – foi legitimado, sublinhado, interiorizado pela cultura. Irá tornar-se o centro de determinada racionalidade e levará, finalmente, à noção de universalidade. (LÉVY, 1999, p. 116.)

Em virtude da necessidade de compreensão das mensagens fora do seu

contexto de emissão, foram criados outros recursos interpretativos, como a tradução

e toda uma tecnologia linguística (gramáticas, dicionários, etc.). Isso do lado da

recepção. Na outra ponta, a da emissão, os produtores das mensagens também

renovaram os modos de confecção do conhecimento para que esse fosse entendido

independentemente do tempo e do espaço onde circulasse. Torna-se

autossuficiente, autoexplicativo, qualidades que não seriam pertinentes nas

sociedades orais, onde o significado passa pelo crivo subjetivo de quem emite a

mensagem. Essas idas e vindas nos sistemas integrados de comunicação,

sedimentados pela simbolização, servem como linhas que alinhavam as pontas, que

tecem um pano de fundo sobre o qual inferimos como as manifestações de

religiosidade são continuamente moldadas pelas tecnologias de comunicação,

confundem-se com elas; hoje, com as realidades virtuais, esse processo se

intensifica e se atualiza rotineiramente.

As sucessivas mudanças provocadas pelo desenvolvimento da escrita

ocasionaram, em especial, a instauração da ideia de universal, de algo apto a

atender às demandas, por exemplo, da filosofia, das ciências clássicas e também

das religiões praticadas em locais geograficamente distantes, até então

as quais foram criadas as condições necessárias para a organização de sociedades

mais complexas e que propiciaram o desenvolvimento das primeiras cidades.

No ambiente religioso em particular, a passagem da oralidade para escrita

implica variadas modificações na sua forma e no seu conteúdo. Uma das principais

é o aparecimento das religiões monoteístas e universais em oposição às politeístas

e restritas geograficamente.

O aparecimento e o desenvolvimento das grandes religiões universais estão associados à aparição e ao desenvolvimento da cidade, sendo que a oposição entre cidade e o campo marca uma ruptura fundamental na história da religião e, concomitantemente, traduz uma das divisões religiosas mais importantes em toda a sociedade, afetada por esse tipo de oposição morfológica. (BOURDIEU, 1987, p. 34.)

Não só o monoteísmo, mas também outras modalidades de religiosidade,

como o budismo, surgem a partir dessa possibilidade de comunicação mais ampla.

A universalidade permite a conversão da mensagem em qualquer espaço diferente

do local onde a crença se constituiu. Não guarda mais a relação de dependência

espacial ou temporal, que limitava a propagação dos princípios religiosos ou mesmo

a sua adesão por indivíduos que, em princípio, não teriam nenhuma afinidade

genética, cultural ou social com as crenças que pretendem seguir.

Esse fenômeno possibilita, por exemplo, que, para a conversão ao islamismo,

pode-se estar em qualquer lugar do planeta aonde cheguem os preceitos dessa

religião, e não necessariamente onde ela surgiu. O mesmo não se aplica para as

religiões locais, de traços específicos e particulares, como a dos Bororo. A

conversão, nesse caso, implica viver com eles, porque seus ritos, mitos, crenças e

pondera que a existência de escritos que registrem as informações de uma dita

religião não implica que ela necessariamente será universalista. “A escrita não

determina o universal, ela o condiciona”, frisa (LÉVY, 1999, p. 117).

Seguindo essa premissa e considerando que o mais relevante no universal é

que a mensagem seja entendida, o sentido do conteúdo religioso pode ser

interpretado pelo viés da virtualidade, que se atualiza e se manifesta de formas

diferentes dependendo do contexto onde ocorre. Os grandes textos das religiões são

vistos como a fonte de autoridade. Isso porque possuem a prerrogativa, instituída

convencionalmente pelo grupo, de serem a própria revelação da verdade religiosa, e

não apenas a sua narrativa. O discurso nesse contexto não é apenas simbólico,

sendo concebido como a própria realidade que narra e, no caso do ambiente

religioso, também transfere para o espaço onde está sendo proferido a noção de

sacralidade.

Há de se assinalar, até pela obviedade do fato, que o surgimento da escrita,

longe de extinguir a oralidade ou tirar dela sua função como recurso de comunicação

(ainda predominante até hoje), acrescentou novos e diversos contornos tanto à

forma de ouvir como de falar, além de ser a base de boa parte dos sistemas atuais

de comunicação. A ideia da substituição pura e simples do antigo pelo novo, do

natural pelo técnico, ou do virtual pelo real, é vista com desconfiança e até mesmo

sem relevância por boa parte dos teóricos da virtualidade, embora ela ainda se

mantenha viva em alguns aspectos. Aqueles que a criticam, lembram que o cinema

não eliminou o teatro, mas o fez remodelar suas técnicas, seu conteúdo, sua

imagem; o mesmo aconteceu com a fotografia em relação à pintura, e existem vários

desenvolvimento das telecomunicações e das redes digitais da internet também não

reduziram os contatos físicos, nem tampouco as cartas de amor distanciaram os

amantes, assim como os sites de museus que disponibilizam reproduções de obras

de arte também não substituíram a visita a esses locais. Todos esses processos

atribuíram feições múltiplas e dinâmicas aos modelos relacionais e, dependendo da

época e das circunstâncias, um prepondera sobre o outro, com diferentes

parâmetros.

Segundo Lévy, a escrita não fez com que a palavra desaparecesse, mas a

complexificou e reorganizou o sistema de comunicação e da memória social. Mas

esse fenômeno também provoca perdas, acentua o autor. “Não há mais ferreiro em

cada cidade, nem excrementos de cavalos pelas ruas da cidade. Alguma coisa se

perdeu. Os hábitos, as habilidades, os modos de subjetivação dos grupos e das

pessoas adaptadas ao mundo antigo não são mais adequados” (LÉVY, 1999, p.

224). Mesmo a oralidade também foi modificada com o desenvolvimento

tecnológico. A simultaneidade na emissão e recepção da mensagem, típica das

sociedades orais, foi atualizada pelos sistemas de comunicação digitais que

acrescentam mais realidade ao que já era feito – por exemplo, pelo sistema de

telefonia.

Com o avanço dos aparatos computacionais, ocorreu a aproximação entre

interlocutores distantes geograficamente, e a voz passou a ser acompanhada da

presença física, dos seus movimentos, das suas reações e mesmo do ambiente

contextual. Essa aproximação, que intensifica e atribui mais celeridade à circulação

do conhecimento, ameniza e reconfigura o trato em diversos campos sociais, entre

os quais o religioso. São tecnologias que possibilitam que até mesmo religiões que

informacional e cíclico das redes de comunicação, que se formam em múltiplas

direções e sem preordenação.

É utilizando essa oralidade informacional que as religiões ayahuasqueiras,

assim como o candomblé, a umbanda e outras, conseguem expandir-se para além

das cidades, dos países e dos continentes onde nasceram, mesmo sem ter sua

doutrina documentada em um livro sagrado, instrumento que no passado permitiu a

consolidação das religiões universais.

2.3 Intensificação e propagação do conceito de virtualização promovidas pela

Benzer Belgeler