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TRABALHO DE CAMPO E METODOLOGIA DE INVESTIGAÇÃO

O trabalho de campo é um método de recolha que dados que implica o contacto direto com o espaço e com os sujeitos, de forma ganhar uma aprendizagem mais alargada e aprofundada sobre a investigação que desenvolveu (Bogdan & Biklen, 1994). Isto implica um estabelecimento de contactos e relações e de um desenho de investigação que, por sua vez, será “ o plano lógico criado pelo investigador com vista a obter respostas válidas às questões de investigação colocadas ou às hipóteses formuladas ”

(Fortin, 2009, p. 132).

1. Tipo de estudo

O tipo de estudo “ descreve a estrutura utilizada segundo a questão de investigação

vise descrever variáveis ou grupos de sujeitos, explorar ou examinar relações entre variáveis ou ainda verificar hipóteses de causalidade ” (Fortin, 2009, p. 133). A análise do trabalho deve estar, portanto, em concordância com a pesquisa científica que foi efetuada.

Neste âmbito foi realizado um estudo de caso, que “ consiste numa investigação

aprofundada de um indivíduo, de uma família, de um grupo ou de uma organização (…) útil para verificar uma teoria, estudar um caso que é reconhecido como especial ” (Idem, p. 164).

O estudo incidiu na organização do Exército angolano, onde se procurou o entendimento da evolução da sua logística, desde o tempo que ainda tinham o caráter de guerrilha, com maior foco nas FAPLA, até à sua estruturação como exército convencional e nacional.

2. Amostra

A amostra pode ser designada como “ uma réplica em miniatura da população alvo ” (Fortin, 2009, p. 202). O caráter do estudo procura compreender a evolução de uma área específica do Ramo militar num período concreto. Para tal, as informações necessárias a esta investigação específica não poderiam ter sido recolhidas de outra maneira, senão através de elementos que viveram a realidade, que tiveram uma participação direta e que compreendem, melhor que ninguém, como funcionava e que alterações a temática estudada teve ao longo do período analisado (Quivy & Campenhoudt, 2008).

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A população será então “ uma colecção de elementos ou de sujeitos que partilham

características comuns, definidas por um conjunto de critérios. (…) Uma população particular que é submetida a um estudo é chamada população alvo”. A população acessível é

“ constituída pela porção da população alvo que é acessível ao investigador ” (Fortin, 2009, p. 202). Importa referir que para além da população acessível, do lado angolano, ter sido de difícil acesso, apenas uma pessoa respondeu ao inquérito por entrevista.

A amostra não tem um caráter definitivo, podendo sofrer alteração “ à medida que o investigador descobre novos dados para o estudo, novas comparações que importa fazer, vai escolhendo novos elementos para incorporar na sua amostra ” (Coutinho, 2011, p. 91). Neste sentido, à medida que se efetuava a investigação surgiu a ideia de obter outras perspetivas, sobre a temática que estava a ser estudada, nomeadamente de militares estrangeiros que estiveram em Angola no período de 1961-2002, onde foi possível colher a perspetiva portuguesa e, numa fase final, a cubana. Com isto foi possível entrevistar os seguintes oficiais: General Salviano Jesus Teixeira (Angola), General Tomé Pinto, Tenente- General Mesquita e Coronel Borges Correia (Portugal), e General de Brigada Julio Fernandez Perez e Coronel Raul Inquire do Canoas (Cuba).

3. Instrumentos

Os instrumentos têm como objetivo “ a obtenção de respostas expressas pelos

participantes em estudo e pode ser implementado com o recurso a entrevistas ou questionários ” (Coutinho, 2011, p. 100).

Devido a impossibilidade de acesso aos documentos oficiais relacionados diretamente com a temática e observação direta, as entrevistas, observação indireta, tornaram-se no instrumento fundamental da investigação científica, consideradas como um “ modo particular

de comunicação verbal, que se estabelece entre o investigador e os participantes com o objectivo de colher dados relativos às questões de investigação formuladas ” (Fortin, 2009, p. 245).

Capítulo IV – Trabalho de Campo e Metodologia de Investigação

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4. Procedimentos

Inicialmente efetuou-se uma investigação sobre a evolução histórica da logística militar a nível mundial, onde se dedicou algum tempo na procura e leitura de livros que fossem passíveis de possuir informações sobre esta área, visto que não há nenhum livro que fale especificamente sobre a sua evolução.

Este processo foi moroso, mas conseguiu-se obter obras interessantes que relatam períodos marcantes da logística, para então fazer a comparação com a evolução da logística militar angolana e consolidar o estado da arte (revisão de literatura).

Após definição do estado da arte, deu-se continuidade à leitura de livros, artigos e sites que falassem sobre a temática mais especificamente, ou seja, a logística militar angolana, para o desenvolvimento da parte teórica, que foi acompanhado com a elaboração dos guiões de entrevistas que, por sua vez, foram enviados previamente a todos entrevistados, após se terem estabelecido os contatos para a realização das mesmas.

Na fase seguinte foram transcritas e analisadas as entrevistas, culminado com a resposta às questões de investigação e confirmação das hipóteses.

CAPÍTULO V

APRESENTAÇÃO, ESTUDO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

“ Tudo deve ser discutido, sobre isso não há discussão ” Pitigrilli

1. Os Inquéritos por entrevista elaborados

A análise de dados é considerada como o “ processo de busca e de organização

sistemático de transcrições de entrevistas, de notas de campo e de outros materiais que foram sendo acumulados, com o objetivo de aumentar a compreensão dessas mesmas matérias

(Bogdan & Biklen, 1994, p. 205).

No presente capítulo serão discutidos, no âmbito da investigação qualitativa, os resultados obtidos através dos inquéritos por entrevista. As entrevistas foram uma fonte importante de recolha de dados, visto que há pouca informação sobre determinados pontos da temática, bem como base de comparação e relação com os documentos publicados (Bogdan & Biklen, 1994).

Inicialmente fez-se um estudo sobre as pessoas que exerceram funções de comando na área da logística em Angola, angolanos, portugueses e cubanos, no período que foi analisado (1961-75), sendo os militares portugueses, na sua maioria, restringidos só até 1975, ano da retirada do seu contingente para a Metrópole. Destes procurou-se obter uma perspetiva diferente da evolução da logística militar angolana, ou seja, de forma estes analisavam a evolução dos movimentos de libertação em termos logísticos durante o período que lá estiveram.

Aos oficiais angolanos que se conseguiu ter acesso e que se disponibilizaram para ser entrevistados, procurou-se compreender a evolução do apoio logístico efetuado pelas guerrilhas até ao fim da guerra civil, bem como saber de que forma se deram as mudanças e quais os fatores que influenciaram para as mesmas.

As entrevistas realizadas foram presenciais e não presenciais, e realizaram-se nos meses de Junho e Julho. As entrevistas presenciais são as da perspetiva portuguesa sobre a logística militar de Angola. Devido aos custos de deslocação, as entrevistas aos oficiais angolanos e cubanos tiveram de ser não presencial, feitas então, por correio eletrónico.